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segunda-feira, 31 de maio de 2010

PCH EM CORUPÁ: SIM OU NÃO NESTA TERÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A audiência pública para discussão e aprovação ou não, por parte da sociedade, da instalação da PCH – Pequena Central Hidrelética em Corupá, no Rio Bruaca, finalmente acontece nesta terça, no Seminário Sagrado Coração de Jesus, as 19horas.
Ela estava prevista para março, mas não aconteceu, não se sabe porque, pois ninguém se reportou sobre o assunto. A PCH, conforme já enumeramos em oportunidades anteriores, já mostrou ter mais contras do que prós: o impacto ambiental será desastroso e o retorno para o município quase nulo. A cachoeira da Bruaca, um dos cartões postais da cidade de Corupá, terá sua vazão diminuída, tendendo a desaparecer. E essa é a cachoeira que se vê quando se está chegando na cidade pela 101.
Os estudos dos impactos ambientais, que já deveriam ter sido apresentados, serão apreciados quando da audiência.
Mas a parte boa do atraso, talvez seja o fato de que a comunidade finalmente está se movimentando, no sentido de evitar a aprovação da construção da hidrelétrica. Três vereadores corupaenses protocolaram, na câmara do município, projeto de lei que proíbe a construção de PCH nos rios de Corupá, a exemplo de outros municípios, como Joinville.
Os moradores da tranquila e pacata Corupá, que não aceitam a construção da PCH porque não acreditam na afirmação da empresa construtora de que os impactos serão mínimos, aprovam a atitude dos vereadores e de ambientalistas, que estão lutando para que a Fatma não forneça a licença ambiental.
A natureza deu à Corupá uma coleção prodigiosa de rios e cachoeiras e não é justo que destruam parte dessa beleza em benefício de poucos. Os empresários alegam que a Rota das Cachoeiras não será afetada, mas sabemos disso. A Cachoeira da Bruaca é que irá desaparecer, não interessa o que eles digam, pois grande parte da sua água será desviada para a usina. E há mais.

sábado, 29 de maio de 2010

OS TRINTA ANOS DO GRUPO LITERÁRIO A ILHA


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


O Grupo Literário A ILHA e a sua revista, o Suplemento Literário A ILHA, completam, neste junho de 2010, 30(trinta) anos de atividades. Divulgando a literatura, dando espaço a escritores catarinenses e brasileiros e até estrangeiros, publicando a obra de todos eles em várias mídias, como a revista do grupo, o portal PROSA, POESIA & CIA., na internet, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/, através da Editora A ILHA, publicando dezenas de livros solo e antologias de prosa e de poesia, através do Varal da Poesia, que transformou-se no Projeto Poesia no Shopping, da participação em feiras do livro e através de outros projetos como Poesia na Rua, Poesia Carimbada, O Som da Poesia, Pacote de Poesia e outros.
São trinta anos de trajetória, sempre adaptando-se às novos mídias, às novas tecnologias de informação para chegar até o leitor.
Para comemorar, o Grupo Literário A ILHA idealizou e estará lançando a coleção “Letra Viva”, composto de livros de crônicas de seus integrantes e a edição comemorativa da revista Suplemento Literário A ILHA, também circulando ininterruptamente por todos esses trinta anos.
Diferente da coleção Poesia Viva, que publicou poetas do Grupo Literário A ILHA que não tinham ainda livro solo publicado, a maioria deles – foram doze volumes – a coleção “Letra Viva” traz a lume os cronistas do grupo, que não são tão numerosos quanto os poetas, mas se destacam, escrevendo em jornais do Estado e pelo Brasil.
Nesta primeira remessa, o grupo publica três livros de crônicas: de Célia Biscaia Veiga, que foi cronista do AN Cidade, de Mary Bastian, cronista de A Notícia e de Jurandir Schmidt, que também escreve para jornais e revistas.
Crônica talvez não seja o gênero literário mais praticado, atualmente, pois perde para a poesia. Mas é o mais publicado, pois todo jornal tem seus cronistas diários. Então privilegiamos quem pratica esse gênero e entregamos os primeiros livros da coleção “Letra Viva”, na Feira Catarinense do Livro de 2010. O lançamento da coleção, do número 113 do Suplemento Literário A ILHA, edição comemorativa dos anos do Grupo A ILHA e do livro de crônicas deste cronista será neste sábado, as 15 horas, no estande dos Escritores da Ilha.
Novos volumes da coleção serão publicados, pois o Grupo Literário A ILHA continuará abrindo espaços para a literatura, para a poesia, para o escritor da terra.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Gosto de ler e admiro o escritor que consegue ser objetivo, com vocabulário claro e apropriado, sem se perder em excessos narrativos e descritivos ou no emprego de palavras rebuscadas e fora de uso.
Sempre fui leitor crônico de romances, contos e poemas e descobri, há algum tempo, a crônica. Adoro a crônica, mas detesto aquelas massudas, extensas, esticadas demais, prefiro as mais enxutas, elegantes, se dissessem apenas o necessário para transmitir a sua mensagem.
Há quem pratique o gênero e ache que escrever bem significa produzir textos imensos, perder-se em divagações inúteis sobre um determinado tema. E ainda usando “palavras difíceis”, na ilusão de que isso enriquece o texto.
Isso me lembra de um “escritor” que conheci – e que felizmente não escreve mais ou, pelo menos, não tem publicado – que escrevia a sua crônica e depois de pronta, ia ao dicionário e trocava umas quantas palavras usuais e inteligíveis por outras, fora de uso e desconhecidas. Ele achava que isso transformava o seu texto em grande obra. Ora, o texto já era ruim: tema mal definido, mal desenvolvido, com vocabulário simples, quase vulgar, pouco conhecimento de regras gramaticais. Imagine um texto assim, salpicado de “palavras difíceis”. Se esse “escritor” produzisse poesia, com certeza usaria rima – e seria uma rima muito pobre!
Mas, como dizia, gosto do texto claro e saboroso, rápido mas denso, com conteúdo, aquele que diz apenas o necessário para comunicar com eficiência. Um texto não precisa ser extenso para ser bom. E se ele for mais longo porque havia necessidade disso, por imposição do tema, do desenvolvimento do assunto, sem deixar de lado a objetividade e a dinâmica da palavra, deverá ser interessante e gostoso de ler como se fosse curto.
Comunicar idéias é ser conciso, claro, com linguagem atual e bem articulada, é conversar com o leitor sem menosprezá-lo, sem querer apenas impressioná-lo. É colocar temas em discussão contando a sua verdade, aceitando que ela pode ou não ser a verdade do leitor.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

MAIS RESPEITO COM O MAR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O mar está avançando, em alguns pontos da Ilha de Santa Catarina, destruindo praias e engolindo casas. As praias da Barra da Lagoa e da Armação já nem merecem mais este nome, porque estão virando barrancos, costões na beira do mar. As pessoas que moravam a dezenas de metros da praia, há alguns anos, agora estão abandonando suas casas, porque o mar está chegando, com ressacas, devorando o chão sob as construções, fazendo-as desmoronar.
A prefeitura da capital, que não fez o que deveria ser feito em tempo hábil, agora está tentando solucionar o problema. Para muita gente já é tarde demais. Colocaram sacos de areia, com a ajuda do exército, mas não adiantou. Agora estão colocando pedras, o que também não deve resolver por muito tempo e acaba com qualquer possibilidade de restauração da praia, ou torna muito mais cara a sua recuperação. Tapumes de contenção de concreto também estão sendo construídos em alguns pontos.
Mas ninguém está falando em acabar com o que causou toda essa erosão, esse avanço do mar. Ninguém parece se preocupar com os molhes, que foram feitos ao longo do tempo, nem com aterros, que modificaram o fluxo das águas, das correntes e então, com as ressacas, os resultados ficam mais à mostra.
É preciso que a geografia do mar seja restaurada, que o que o homem modificou volte a ser como era, senão o problema vai continuar se agravando.
Será que ninguém vai pensar nisso? O mar sempre toma de volta o que é seu.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

LIVROS DESTRUÍDOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Em minha já algo longa trajetória literária, publiquei livros por algumas editoras. Um deles foi publicado por um grande editor, à época, dono da mais importante casa publicadora de Santa Catarina. Apesar disso, a distribuição não era das melhores e apenas metade da edição foi vendida. A outra metade ficou no depósito da editora. Vendia pouco porque podia ser encontrado, nos últimos tempos, apenas na livraria da editora.
Eu não me importava muito com isso, pois sucederam-se-lhe outros livros e havia que divulgá-los, mostrar os trabalhos mais recentes, que a gente acaba achando sempre mais defeitos nos antigos.
O que me deixou pasmo, recentemente, foi descobrir um fato que jamais me ocorreu fosse possível ocorrer. A editora em questão encerrou atividades e o acervo teria sido vendido para ex-funcionários e para um sebo. Quando precisava de um exemplar daquele livro, procurava o sebo que adquiriu parte do acervo e comprava um. Acontece que não estava encontrando mais, o que me deixou intrigado, pois o saldo dos meus livros que havia na editora não poderia acabar assim tão rápido. Procurei a livraria de ex-funcionários da editora que havia ficado com outra parte do acervo e consegui uns poucos exemplares, que lá também não havia mais.
Investigando mais adiante, descobri uma história estarrecedora, na qual preferia não acreditar. Os herdeiros do editor (a editora acabou porque o dono havia falecido) teriam picado parte (ou grande parte?) do referido acervo, para vender como papel velho, daí não se conseguir encontrar algumas publicações do vasto catálogo.
Não parece brincadeira de mau gosto? Não teria sido possível ceder os livros para uma biblioteca, para escolas, para quem pudesse distribuir os livros para entidades que pudessem colocá-los à disposição do público leitor?
Não quero acreditar, mas se levarmos em consideração que algumas publicações da extinta editora não são mais encontradas, parece que o tal absurdo pode ter acontecido mesmo.
Nossos valores estão ficando cada vez mais deturpados, e acho isso, também, um tipo de desumanidade, pois os livros que foram destruídos poderiam ter sido colocados nas mãos de estudantes, de leitores em potencial que poderiam usufruir de algum conhecimento e quem sabe, tomar gosto pela leitura. E tirar a oportunidade de ser humano de aprender, de absorver conhecimento, de ter uma boa leitura não é desumano?

terça-feira, 25 de maio de 2010

LITERATURA NAS BANCAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Hoje, quando fui comprar jornal, vi na banca o primeiro, o segundo e o terceiro volumes da coleção de clássicos da literatura universal que a editora Abril está relançando. Acho que pela segunda ou terceira vez – a primeira vez foi em 1981 – mas sempre é uma boa notícia saber que podemos comprar clássicos do quilate de Germinal, de Zola, Decamerão, de Baccaccio, Dom Quixote, de Cervantes, Vinhas da Ira, de Steinback, Contos, de Voltaire, Ilusões Perdidas, de Balzac, Os Trabalhadores do Mar, de Victor Hugo e tantas outras obras primas, com apresentação impecável por preços bem aquém daqueles praticados nas livrarias.
É claro que na coleção existe “Ulysses”, de Joyce, livro que carrega a fama de não ter sido lido na íntegra por ninguém, porque é muito “difícil”, digamos assim – vide minha crônica “O Livro Ilegível”, aqui mesmo no blog – mas há muita coisa boa.
Vale a pena aproveitar. Os livros estão nas bancas de revistas e jornais, em lugares bem acessíveis, por preço também acessível e com uma obra nova a cada semana.
Essa é mais uma oportunidade de aproveitar e esquecer que não compramos mais livros porque eles são muito caros, que não lemos mais porque não podemos comprar livros muito frequentemente. Com essa coleção nas bancas, custando menos que uma entrada de cinema, podemos, sim, comprar mais livros.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A POESIA EM TERESINKA PEREIRA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Teresinka Pereira é poetisa. Ela é brasileira, radicada nos Estados Unidos, onde é professora no Departamento de Inglês, Comunicação e Línguas em universidade de Ohio, é presidente da IWA – International Writers and Artists association e membro da Diretoria da World Congress of Poets. Além de escritora e professora, Teresinka é grande divulgadora, em âmbito mundial, de novos poetas, qualquer que sejam as suas nacionalidades. Além das revistas e antologias onde reúne trabalhos de escritores de todo o mundo, inclusive brasileiros, já publicou livros de autores de fora dos Estados Unidos, como é o casão desse cronista, que teve “The Poet” editado por lá, pela IWA.
Voltei a ler um de seus livros de poemas, “O Relógio ou Prolongação Transparente do Espanto”, publicado nos Estados Unidos em português, e não dá para deixar de falar dele.
Em “O Relógio”, a poesia vigorosa e engajada de Teresinka nos balança e nos remete a um universo poético transcendente, revelando uma poeta experiente e madura. Ela consegue construir e manipular figuras poéticas e contrapontos magistrais, em poemas com linguagem quase telegráfica, dizendo tanto em versos poucos, carregados de emoção e sentimento.
É o fazer poético de alguém que já escreveu muito e lê mais ainda, depurando a sua produção, aguçando cada vez mais a sua argúcia e a sua sensibilidade.
A obra contida em “O Relógio” nos revela a poesia eclética e polivalente de Teresinka, que tão bem a faz romântica, social ou de protesto, de conscientização, brindando-nos com toda uma gama de lirismo e inspiração inesgotáveis.
Como em “Parece-me que os pássaros / cantam, impecáveis, para nós / suas rimas de palavras molhadas... // Esta manhã fiz as pazes / com meus fantasmas. / Se eu fosse dona da verdade / queimaria todos os sonhos!”
Depois desse livro, muito da produção da escritora já veio à tona, tanto em prosa como em poesia – ela é excelente ensaísta, escreve teatro e crônicas, também - confirmando o crescimento da sua literatura.