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sexta-feira, 28 de maio de 2010

A CRÔNICA NOSSA DE CADA DIA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Gosto de ler e admiro o escritor que consegue ser objetivo, com vocabulário claro e apropriado, sem se perder em excessos narrativos e descritivos ou no emprego de palavras rebuscadas e fora de uso.
Sempre fui leitor crônico de romances, contos e poemas e descobri, há algum tempo, a crônica. Adoro a crônica, mas detesto aquelas massudas, extensas, esticadas demais, prefiro as mais enxutas, elegantes, se dissessem apenas o necessário para transmitir a sua mensagem.
Há quem pratique o gênero e ache que escrever bem significa produzir textos imensos, perder-se em divagações inúteis sobre um determinado tema. E ainda usando “palavras difíceis”, na ilusão de que isso enriquece o texto.
Isso me lembra de um “escritor” que conheci – e que felizmente não escreve mais ou, pelo menos, não tem publicado – que escrevia a sua crônica e depois de pronta, ia ao dicionário e trocava umas quantas palavras usuais e inteligíveis por outras, fora de uso e desconhecidas. Ele achava que isso transformava o seu texto em grande obra. Ora, o texto já era ruim: tema mal definido, mal desenvolvido, com vocabulário simples, quase vulgar, pouco conhecimento de regras gramaticais. Imagine um texto assim, salpicado de “palavras difíceis”. Se esse “escritor” produzisse poesia, com certeza usaria rima – e seria uma rima muito pobre!
Mas, como dizia, gosto do texto claro e saboroso, rápido mas denso, com conteúdo, aquele que diz apenas o necessário para comunicar com eficiência. Um texto não precisa ser extenso para ser bom. E se ele for mais longo porque havia necessidade disso, por imposição do tema, do desenvolvimento do assunto, sem deixar de lado a objetividade e a dinâmica da palavra, deverá ser interessante e gostoso de ler como se fosse curto.
Comunicar idéias é ser conciso, claro, com linguagem atual e bem articulada, é conversar com o leitor sem menosprezá-lo, sem querer apenas impressioná-lo. É colocar temas em discussão contando a sua verdade, aceitando que ela pode ou não ser a verdade do leitor.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

OFICINA DE CRÔNICA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Há algumas semanas, recebi um e-mail de estudantes me pedindo material sobre o gênero crônica, que estavam fazendo um trabalho sobre ele. Mandei dois livros de crônicas meus, nos quais alguns textos são comentários sobre aquele gênero literário. Em Jaraguá do Sul, há algum tempo, foi feito um ótimo trabalho sobre crônica, numa grande escola daquela cidade, quando algumas turmas do segundo grau escolheram nomes conhecidos da crônica catarinense e nacional e eu tive a honra de ser o escolhido por duas delas. Mais recentemente recebi pedido de dados a meu respeito e entrevista de outras duas turmas que também estavam fazendo trabalho sobre crônica.
Isso revela que as escolas estão estudando este gênero tão praticado, ultimamente, e por isso mesmo algo popular, pois todos os jornais publicam crônicas, não só de autores consagrados, mas também de seus leitores.
A Academia Catarinense de Letras, aproveitando essa ascensão, programou a Oficina de Crônica, que acontecerá todas as quintas-feiras de agosto, no auditório da casa, que fica no Centro Integrado de Cultura (CIC). Sempre das 17h às 19h30min, nomes conhecidos da literatura catarinense estarão ministrando atividades destinadas a estudantes, escritores e apreciadores do gênero.
Na primeira semana, Lauro Junkes, presidente da ACL, falou sobre Conceito e Tipologia da Crônica. O escritor Flávio José Cardozo, por sua vez, falou sobre técnicas e desafios na vida de um cronista.
No dia 13, o palestrante será Júlio Queiroz, que falará sobre História de Crônica no Ocidente, com depoimento de Jair Francisco Hamms. No dia 20, Regina de Carvalho fala de Elementos, Diálogo e Humor na Crônica, seguindo-se bate-papo com Silveira de Souza. Na última semana, Celestino Sachet apresenta o tema Crônica Não é História, com a participação de Sérgio da Costa Ramos.
Parabéns a ACL por essa programação que valoriza o gênero crônica, olhando-o sob vários prismas, o que deve melhorar ainda mais a produção atual e incentivar a sua leitura.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

NOSSO ANIVERSÁRIO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Minha amiga Urda pergunta, numa crônica do seu livro de Natal, se o leitor lembra das Lojas Hermes Macedo. Eu respondi a ela, numa de minhas crônicas, que sim, que eu lembrava, porque conhecera minha esposa através delas. Que isso dava uma crônica.
Pois aqui está ela. Hoje fazemos aniversário, completamos vinte e sete anos de casados.
Eu a conheci há quase trinta anos, logo que comecei a trabalhar no Banco do Brasil. Trabalhava em São Francisco do Sul, no setor rural, que financiava a agricultura da região, então atendia os agricultores e fazia seus cadastros para a obtenção de empréstimos. Muitos deles compravam máquinas agrícolas na Hermes Macedo e por isso o setor da loja que aprovava as vendas contatava conosco no Banco do Brasil, para confirmar o financiamento do cliente. O leitor já percebeu que quem pedia as informações do lado de lá, na loja, era a minha futura cara-metade e do lado de cá, no banco, era eu quem as fornecia.
Conversa de trabalho vai, conversa não de trabalho vem, acabamos nos encontrando uma vez, mais uma e estávamos namorando. Mais ou menos dois anos depois estávamos nos casando. O engraçado é que, na verdade, o primeiro encontro não era com Stela, era com uma colega dela da qual eu sinceramente não lembro o nome, com quem eu também tratava profissionalmente. Mas minha esposa foi junto naquele encontro e o segundo já foi só com ela.
Tivemos três filhas, perdemos a primeira, mas Fernanda tem 24 anos, é Fisioterapeuta e Daniela está se formando neste semestre em Educação Física e também é bailarina. Não imagino presente maior que eu pudesse ter ganho nestes vinte e tantos anos de vida em comum.
De presente para ela, preciso pensar, no mínimo em uma viagem de férias como a que fizemos recentemente para Portugal, Espanha e Marrocos. Mas por enquanto dou-lhe apenas essa crônica, com tudo o que ela representa.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

DE CRÔNICA, FEIRA DO LIVRO, FLORES, ETC.

Desde os tempos dos Diários Associados de Santa Catarina, mantive colunas em diversos jornais: sobre música, sobre cultura, sobre literatura, etc. Algumas delas, diárias, e haja fôlego e tema para escrever todos os dias, chovesse ou fizesse sol. Eu achava engraçado o fato de, andando pela rua, algumas pessoas me cumprimentarem, como se me conhecessem. É que saía, diariamente, uma foto minha no cabeçalho das colunas. Hoje em dia ainda acontece isso.
Na minha viagem a Portugal encontrei pessoas que achavam que me conheciam, mas na verdade tinham visto foto nas crônicas que publico em diversos jornais pelo mundo afora.Então deu saudade das antigas colunas e, ao invés de fazer uma crônica sobre determinado assunto, vou falar um pouquinho sobre dois ou três. A segunda Feira Catarinense do Livro, neste mês de maio, no Largo da Alfândega, foi uma feira apenas para vender livros, sem maiores atrações, infelizmente. A realizadora da feira, a Câmara Catarinense do Livro, vem enfrentando dificuldades para fazer acontecer o evento, pois já se passaram algumas edições nas quais ela não é mais do que simples oferta de livros, sem atrações paralelas, como a presença de um grande escritor de renome nacional. E conseguiu-e apenas um patrocinador. É a crise.
A situação parece ter piorado, pois o stande que era disponibilizado gratuitamente para os escritores locais, em outros anos, nesta edição teve que ser pago. Cada escritor que queria expor na feira, para utilizar o stande teve que ajudar a pagá-lo. Sempre achei que a feira se pagava, com o dinheiro resultante do pagamento dos standes, por livrarias e editoras, mas pelo jeito não é bem assim. Não sei quanto os sócios pagam de anuidade, mas seja o que for, não dá condições para a Câmara Catarinense do Livro fazer o seu trabalho como deveria ou gostaria. De um ou dois anos para cá, até os funcionários da Câmara foram reduzidos drasticamente.
Quem queria um lugar onde fosse oferecida uma boa gama de opções para a compra de livros, a feira estava lá. De tamanho menor que as anteriores, sem justificar quase nada o título de “Feira Catarinense do Livro”, mas estava lá. Como sempre, o que se vendeu mais foram os livros infantis. Mas os livros infantis vendidos são as fábulas antigas, tradicionais e importadas, que não têm direitos autorais para pagar a ninguém e por isso mesmo são impressos em grandes tiragens, com poucas páginas e por isso mesmo, podem ser vendidos a cinqüenta centavos, um real cada e engordam as estatísticas de vendas. Verdade que as editoras poderiam, talvez, confiar mais nos escritores da terra e fazer tiragens maiores, para que pudessem custar menos. Menos mal que estamos comprando livros para colocar nas mãos de leitores em formação. Só precisamos tentar melhorar a qualidade destas compras.E o tempo precisa definir melhor as estações do ano. (Ou será que somos nós, seres humanos, que precisamos dar condições à natureza de voltar ao seu ciclo natural?) Sei que não é a natureza a culpada disto. Os jacatirões de inverno, que florescem em junho, julho, já estão carregados de botões se abrindo. Na dúvida, devem pensar eles, digamos que já é inverno e dá-lhe florescer! E as onze-horas nem ligam pra estação e florescem escancaradamente.
E, mudando de saco pra mala, recebo de uma amiga brasileira que vive no exterior, uma apreciação de quem está vendo de fora o panorama das publicações literárias e culturais no Brasil. Ela percebe que as revistas e jornais publicados por pessoas ou grupos ligadas à cultura, mas que não têm nenhum apoio da “cultura oficial”, são na verdade quem dão impulso ao desenvolvimento da literatura brasileira. Que bom que essa constatação vem de quem está observando tudo de fora, por alguém que é do meio.
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Visite o portal PROSA, POESIA & CIA., do Grupo Literário A ILHA, em Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia . Muita prosa, muita poesia e muita informação literária e cultural.