Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
Participar da Feira do Livro de Joinville foi, no mínimo, gratificante. Apesar do tempo chuvoso ter impedido algumas pessoas de comparecer, muitos lá estavam e foi muito bom rever os amigos da terrinha.
E a surpresa de encontrar lá a professora Mariza Schiochet com vários de seus alunos, foi uma coisa de escritor famoso, coisa que eu não sou. Sou grande admirador de professores como dona Mariza, minha conterrânea, pois o trabalho abnegado e dedicado deles, no sentido de incutir o gosto pela leitura nos estudantes adolescentes, é uma coisa de valor inestimável. Sabemos que eles não ganham salários mais condizentes com o trabalho que realizam, que os motivem para realizar uma tarefa tão importante, mas eles se doam completamente, apaixonadamente em favor da cultura e do conhecimento dos seus pupilos.
É fantástico a gente ver jovens se interessando por leitura, lendo livros e interpretando textos, fazendo releituras do que leram, recriando textos de maneiras originais e inteligentes, não se prendendo, simplesmente, à mensagem que o autor quis passar na hora que escreveu. Essa juventude maravilhosa lê, entende o que o autor quis transmitir, cria em cima da obra original, levando o tema para outros gêneros de arte, como o teatro, o desenho, os jogos interativos.
Fiquei maravilhado com o que os alunos da professora Mariza fizeram baseados no meu livro “Flecha Dourada”. Um grande número de atividades que eu nem imaginava, uma gama de complementos para o livro que vai agradar muito mais aos leitores mirins, se agregados ao texto e aos desenhos já existentes. Fabuloso.
E além disso tudo, a professora ainda me levou à Biblioteca Municipal, que também faz parte da Feira do Livro, a partir deste ano, para que eu visse os trabalhos das escolas municipais lá expostos. Trata-se de uma mostra de atividades ligadas ao livro, leitura e literatura. Fui muito bem recebido pela administradora da Biblioteca Municipal Rolf Colin e, de quebra, negociamos a instalação do Varal da Poesia do Grupo Literário A ILHA – que na verdade hoje leva o nome de Projeto Poesia no Shopping – no interior daquela casa.
Então a incursão pela Feira do Livro de Joinville foi muito boa. Nos próximos dias publicarei entrevista feita pelos alunos da professora Mariza, que leram, comentaram e recriaram meus textos.
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quinta-feira, 15 de abril de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
COMPRANDO LIVROS
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
Participando da Feira do Livro de Florianópolis, perto do Natal, ouvi coisas, digamos boatos, que conseguiram me deixar estarrecido. Já não me surpreendo com algumas coisas que a “cultura oficial” faz acontecer por aqui, mas indignado não há como não ficar. Gostaria de pensar que são apenas boatos, mas não tenho mais essa ilusão. Aquele chavão que diz que “onde há fumaça há fogo” infelizmente se aplica por aqui.
Vocês se lembram do edital para compra de livros, pelo Estado – que escolheu 300 exemplares de dez livros de autores catarinenses para distribuição, pela FCC, às bibliotecas municipais catarinenses? O autor, para concorrer no edital, precisava juntar 9 (nove) exemplares de sua obra à inscrição. No regulamento do edital constava que esses livros seriam incorporados ao acervo da Biblioteca Pública do Estado. Foram 172 livros inscritos, o que dá um total de 1.548 livros. Só que os livros ainda não foram entregues à Biblioteca Pública, passados meses do resultado do edital. Pior: uma amiga gaúcha afirma ter visto, no stand de Santa Catarina, na Feira do Livro de Porto Alegre, um livro de autor catarinense que foi inscrito para o edital. Só que ele não foi à feira do livro gaúcha e não encaminhou nenhum exemplar. O stand onde a leitora gaúcha teria visto a obra inscrita no edital era da Fundação Catarinense de Cultura, a promotora da seleção dos livros.
Mas tem mais: ouvi, em dezembro, em plena feira do livro de Floripa, que a FCC teria cogitado de colocar à venda, no stand da FCC da edição daquele evento, alguns dos livros inscritos no edital de seleção dos 10 livros de autores catarinenses promovido por ela, livros que devem ser destinados à Biblioteca Pública Estadual. Nem fui conferir no stand da FCC e nem sei se havia stand da FCC naquela feira, tão indignado fiquei.
E, para completar, soube que o Estado está comprando mais centenas de milhares de livros para distribuição às escolas. Não sei se isso é bom ou mal. Já aconteceram umas três compras milionárias de livros pelo Estado, uma delas aquela do livro do Tezza selecionado para o Vestibular, que foi considerado impróprio para os alunos do segundo grau e, por isso, recolhido. Posteriormente foi distribuído às centenas para as bibliotecas municipais. Centro e trinta mil exemplares do mesmo livro para duzentas e poucas bibliotecas dá muito livro igual para uma mesma biblioteca, não é mesmo?
E houve, ainda a compra de milhares de exemplares de uma caixa com 12 livros, no ano passado, se não me engano. Agora o boato de que estariam sendo comprados milhares de exemplares de alguns livros que não consegui saber quais são.
É interessante como essa Secretaria de Estado da Cultura aqui de Santa Catarina tem tanto dinheiro e como essas compras milionárias são autorizadas e feitas sem nenhuma divulgação, sem nenhuma prestação de contas.
Como disse no início, gostaria que tudo fosse apenas boato.
Participando da Feira do Livro de Florianópolis, perto do Natal, ouvi coisas, digamos boatos, que conseguiram me deixar estarrecido. Já não me surpreendo com algumas coisas que a “cultura oficial” faz acontecer por aqui, mas indignado não há como não ficar. Gostaria de pensar que são apenas boatos, mas não tenho mais essa ilusão. Aquele chavão que diz que “onde há fumaça há fogo” infelizmente se aplica por aqui.
Vocês se lembram do edital para compra de livros, pelo Estado – que escolheu 300 exemplares de dez livros de autores catarinenses para distribuição, pela FCC, às bibliotecas municipais catarinenses? O autor, para concorrer no edital, precisava juntar 9 (nove) exemplares de sua obra à inscrição. No regulamento do edital constava que esses livros seriam incorporados ao acervo da Biblioteca Pública do Estado. Foram 172 livros inscritos, o que dá um total de 1.548 livros. Só que os livros ainda não foram entregues à Biblioteca Pública, passados meses do resultado do edital. Pior: uma amiga gaúcha afirma ter visto, no stand de Santa Catarina, na Feira do Livro de Porto Alegre, um livro de autor catarinense que foi inscrito para o edital. Só que ele não foi à feira do livro gaúcha e não encaminhou nenhum exemplar. O stand onde a leitora gaúcha teria visto a obra inscrita no edital era da Fundação Catarinense de Cultura, a promotora da seleção dos livros.
Mas tem mais: ouvi, em dezembro, em plena feira do livro de Floripa, que a FCC teria cogitado de colocar à venda, no stand da FCC da edição daquele evento, alguns dos livros inscritos no edital de seleção dos 10 livros de autores catarinenses promovido por ela, livros que devem ser destinados à Biblioteca Pública Estadual. Nem fui conferir no stand da FCC e nem sei se havia stand da FCC naquela feira, tão indignado fiquei.
E, para completar, soube que o Estado está comprando mais centenas de milhares de livros para distribuição às escolas. Não sei se isso é bom ou mal. Já aconteceram umas três compras milionárias de livros pelo Estado, uma delas aquela do livro do Tezza selecionado para o Vestibular, que foi considerado impróprio para os alunos do segundo grau e, por isso, recolhido. Posteriormente foi distribuído às centenas para as bibliotecas municipais. Centro e trinta mil exemplares do mesmo livro para duzentas e poucas bibliotecas dá muito livro igual para uma mesma biblioteca, não é mesmo?
E houve, ainda a compra de milhares de exemplares de uma caixa com 12 livros, no ano passado, se não me engano. Agora o boato de que estariam sendo comprados milhares de exemplares de alguns livros que não consegui saber quais são.
É interessante como essa Secretaria de Estado da Cultura aqui de Santa Catarina tem tanto dinheiro e como essas compras milionárias são autorizadas e feitas sem nenhuma divulgação, sem nenhuma prestação de contas.
Como disse no início, gostaria que tudo fosse apenas boato.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
QUINTANA, AS BORBOLETAS E NÓS
Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Numa Feira de Rua do Livro de Florianópolis, há algum tempo, encontrei lançando um livro dela, a terceira edição do infanto-juvenil “A Vitória de Vitória”, a minha amiga escritora Urda Alice Klueger, uma das maiores representantes da literatura catarinense, romancista e cronista de sucesso comprovado.
Estávamos autografando nossos livros no mesmo horário, embora em estandes diferentes. O livro de Urda é uma bem sucedida incursão dela no gênero infanto-juvenil, ela que tem vários romances publicados, alguns já considerados clássicos da literatura de nosso estado, como “Verde Vale”, “No Tempo das Tangerinas”, “Cruzeiros do Sul”. O meu era um volume de crônicas, “Saudades de Quintana”, uma homenagem ao poeta maior, pela passagem do centenário do seu nascimento.
Até aí, nada em comum. O que descobrimos, uma tremenda coincidência, é que uma máxima de Quintana, que eu usei na página de dedicatória do meu livro em lançamento foi exatamente a mesma que Urda usou na referência de uma crônica belíssima, como citação, lá embaixo do título, antes de começar o texto. A crônica era inédita, recém escrita, e ela a tinha na bolsa, ainda manuscrita. Queria lê-la para nós em primeiríssima mão e o fez em plena efervescência da feira do livro. A máxima de Quintana que nós dois usamos é esta: “O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim, para que elas venham até você...”
A crônica de Urda, linda, cheia de poesia como só Urda sabe fazer uma prosa, falando de borboletas, de amor, de jardim e de flores, de emoções e sentimentos, vocês já devem ter lido, provavelmente, que ela foi publicada em vários lugares.
Mas nada é igual a ouvir na própria voz da autora uma das melhores crônicas que ela já escreveu. É um privilégio único, que não posso dividir com vocês, infelizmente, ouvir a interpretação do texto pela própria autora, impregnada de emoção e de paixão. Apenas Eliane Debus e Eloí Bocheco, que estavam conosco, naquele momento é que também puderam usufruir.
O poeta está no andar de cima, poetando em companhia de Coralina, Pessoa, Cruz e Sousa, mas continua vivo aqui, através da sua poesia, emocionando e inspirando a todos nós.
Numa Feira de Rua do Livro de Florianópolis, há algum tempo, encontrei lançando um livro dela, a terceira edição do infanto-juvenil “A Vitória de Vitória”, a minha amiga escritora Urda Alice Klueger, uma das maiores representantes da literatura catarinense, romancista e cronista de sucesso comprovado.
Estávamos autografando nossos livros no mesmo horário, embora em estandes diferentes. O livro de Urda é uma bem sucedida incursão dela no gênero infanto-juvenil, ela que tem vários romances publicados, alguns já considerados clássicos da literatura de nosso estado, como “Verde Vale”, “No Tempo das Tangerinas”, “Cruzeiros do Sul”. O meu era um volume de crônicas, “Saudades de Quintana”, uma homenagem ao poeta maior, pela passagem do centenário do seu nascimento.
Até aí, nada em comum. O que descobrimos, uma tremenda coincidência, é que uma máxima de Quintana, que eu usei na página de dedicatória do meu livro em lançamento foi exatamente a mesma que Urda usou na referência de uma crônica belíssima, como citação, lá embaixo do título, antes de começar o texto. A crônica era inédita, recém escrita, e ela a tinha na bolsa, ainda manuscrita. Queria lê-la para nós em primeiríssima mão e o fez em plena efervescência da feira do livro. A máxima de Quintana que nós dois usamos é esta: “O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim, para que elas venham até você...”
A crônica de Urda, linda, cheia de poesia como só Urda sabe fazer uma prosa, falando de borboletas, de amor, de jardim e de flores, de emoções e sentimentos, vocês já devem ter lido, provavelmente, que ela foi publicada em vários lugares.
Mas nada é igual a ouvir na própria voz da autora uma das melhores crônicas que ela já escreveu. É um privilégio único, que não posso dividir com vocês, infelizmente, ouvir a interpretação do texto pela própria autora, impregnada de emoção e de paixão. Apenas Eliane Debus e Eloí Bocheco, que estavam conosco, naquele momento é que também puderam usufruir.
O poeta está no andar de cima, poetando em companhia de Coralina, Pessoa, Cruz e Sousa, mas continua vivo aqui, através da sua poesia, emocionando e inspirando a todos nós.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
GENTE DA TERRA DA GENTE
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
Participei da Feira do Livro de Jaraguá quase no final, não pude estar lá quando da presença de grandes nomes da nossa literatura como Luiz Fernando Veríssimo, mas em compensação, conheci gente boa que estava autografando obra na mesma tarde que eu.
Escritores da terra de quem eu já lera textos em jornais, mas não conhecia pessoalmente. Foi muito prazeroso conhecê-los e saber das suas realizações.
A Sônia Pillon é jornalista, além de escritora, e o seu primeiro livro solo, “Crônicas de Maria e outras tantas”, de crônicas, é apenas o primeiro, pois ela é dinâmica, irrequieta, sempre com mil projetos na cabeça e o fato de ter seu livro selecionado pelo Edital de Apoio à Cultura de Jaraguá do Sul só vem confirmar o seu dom de escritora. O caminho está aberto.
Para Sônia já estava, mas para outros escritores da cidade o edital, que teve a sua primeira edição este ano, abre portas que até então não existiam. Está de parabéns a cidade de Jaraguá do Sul, por adotar, como outras grandes cidades, o edital de apoio à cultura para valorizar os seus talentos.
Outra figura interessantíssima que conheci, eu diria multimídia, foi Gil Solomon, escritor, músico, compositor, professor, etc., etc., etc. Como escritor, ele tem livros de crônicas e poemas que evidenciam um autor experiente e com estilo definido. Estou lendo “Rota de Fuga”, crônicas, “Catarse”, poemas e “Impossíveis amores possíveis”, poemas. Mas Gil, além de escrever, ministra uma oficina literária de criação, para novos poetas exercitarem a arte da poesia. Na continuação, há uma fase de integração com a música, uma ”fusão lítero-musical”, como ele mesmo diz, e alguns poemas criados na oficina podem ser musicados. E mais adiante, fazendo parte do pacote, no show do músico, “Catarse”, que apresenta composições onde as letras são versos dele, algum daqueles poemas musicados na oficina podem ser também apresentados. Não é original?
Participei da Feira do Livro de Jaraguá quase no final, não pude estar lá quando da presença de grandes nomes da nossa literatura como Luiz Fernando Veríssimo, mas em compensação, conheci gente boa que estava autografando obra na mesma tarde que eu.
Escritores da terra de quem eu já lera textos em jornais, mas não conhecia pessoalmente. Foi muito prazeroso conhecê-los e saber das suas realizações.
A Sônia Pillon é jornalista, além de escritora, e o seu primeiro livro solo, “Crônicas de Maria e outras tantas”, de crônicas, é apenas o primeiro, pois ela é dinâmica, irrequieta, sempre com mil projetos na cabeça e o fato de ter seu livro selecionado pelo Edital de Apoio à Cultura de Jaraguá do Sul só vem confirmar o seu dom de escritora. O caminho está aberto.
Para Sônia já estava, mas para outros escritores da cidade o edital, que teve a sua primeira edição este ano, abre portas que até então não existiam. Está de parabéns a cidade de Jaraguá do Sul, por adotar, como outras grandes cidades, o edital de apoio à cultura para valorizar os seus talentos.
Outra figura interessantíssima que conheci, eu diria multimídia, foi Gil Solomon, escritor, músico, compositor, professor, etc., etc., etc. Como escritor, ele tem livros de crônicas e poemas que evidenciam um autor experiente e com estilo definido. Estou lendo “Rota de Fuga”, crônicas, “Catarse”, poemas e “Impossíveis amores possíveis”, poemas. Mas Gil, além de escrever, ministra uma oficina literária de criação, para novos poetas exercitarem a arte da poesia. Na continuação, há uma fase de integração com a música, uma ”fusão lítero-musical”, como ele mesmo diz, e alguns poemas criados na oficina podem ser musicados. E mais adiante, fazendo parte do pacote, no show do músico, “Catarse”, que apresenta composições onde as letras são versos dele, algum daqueles poemas musicados na oficina podem ser também apresentados. Não é original?
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domingo, 31 de maio de 2009
OS ESCRITORES E AS FEIRAS DO LIVRO
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
Fui entrevistado, recentemente, a respeito da eficácia e eficiência das feiras de livro. Temos duas em Florianópolis – uma em maio e outra no final do ano – não sei vai continuar assim, uma em Itajaí, outra em Joinville, também em Blumenau e em São Bento, Criciúma, Joaçaba, Balneário Camboriú, Jaraguá, Chapecó e por aí afora.
Não se nega, em absoluto, o mérito das feiras. Elas reúnem, em um só local, uma gama de opções quase infinita, para que o leitor possa encontrar o que procura e até o que não procura, isto é: existe a oportunidade de ampliar as preferências. Há também, quase sempre, um desconto padrão sobre o preço de capa, que nem sempre é correto, porque existem casos em que o preço da feira é o mesmo praticado nas livrarias fora dela. Mas mesmo assim o desconto existe, em alguns casos, e atrai, aumentando as vendas e o número de visitantes.
O que talvez não tenha sido discutido ainda e que foi levantado na entrevista é o benefício que a feira poderia trazer para o escritor novo e para o escritor que não tem livro publicado por editora. Sim, porque o autor que tem o seu livro publicado por editora não precisa se preocupar em como fazer para participar da feira, para encaixar o lançamento do seu livro em um estande, pois a casa que o publicou ou tem espaço no evento, ou está dividindo espaço com outrem.
Em algumas feiras existem os estandes cedidos para as associações culturais e/ou literárias ou academias, mas o escritor precisa fazer parte de uma das entidades agraciadas com o espaço para poder agendar o seu lançamento ou colocar seu livro em exposição. Na última feira do livro de Florianópolis, os escritores tiveram que fazer uma “vaquinha” para pagar o aluguel do estande, que foi cobrado pela Câmara Catarinense do Livro.
É claro que há a questão da qualidade do conteúdo, mas esta é uma discussão que já iniciamos em outra oportunidade. O que se está colocando em questão é o fato de que as feiras não estão significando uma oportunidade de colocação no mercado editorial para aquele escritor que publicou as suas expensas a sua obra.
Este é um ponto que deve ser repensado para que os novos ou “alternativos”, aqueles que fizeram uma edição própria do seu livro, tenham na feira uma opção de divulgação, uma oportunidade de se integrar ao meio, uma oportunidade de expor a sua obra. Eles poderão, assim, ter um retorno do público leitor quanto à aceitação ou não do seu trabalho.
Seria exigir demais de um evento dirigido a um mercado editorial constituído de editoras e livrarias com objetivo primordialmente comercial, que não teria interesse no sucesso dos “alternativos”?
É possível. Mas tenho visto a burocracia que impõe grandes dificuldades aos autores que não estão sob a tutela de alguma editora conhecida ou de renome para que consigam usufruir de um espaço na feira e gostaria que fosse diferente.
Porque para o leitor, excluindo-se o fato de que ele não terá, dessa forma, acesso aos novos que estão surgindo e entre os quais pode se revelar gente de talento, a eficácia da feira é satisfatória, pois ele pode encontrar lá quase tudo o que possa procurar.
Fui entrevistado, recentemente, a respeito da eficácia e eficiência das feiras de livro. Temos duas em Florianópolis – uma em maio e outra no final do ano – não sei vai continuar assim, uma em Itajaí, outra em Joinville, também em Blumenau e em São Bento, Criciúma, Joaçaba, Balneário Camboriú, Jaraguá, Chapecó e por aí afora.
Não se nega, em absoluto, o mérito das feiras. Elas reúnem, em um só local, uma gama de opções quase infinita, para que o leitor possa encontrar o que procura e até o que não procura, isto é: existe a oportunidade de ampliar as preferências. Há também, quase sempre, um desconto padrão sobre o preço de capa, que nem sempre é correto, porque existem casos em que o preço da feira é o mesmo praticado nas livrarias fora dela. Mas mesmo assim o desconto existe, em alguns casos, e atrai, aumentando as vendas e o número de visitantes.
O que talvez não tenha sido discutido ainda e que foi levantado na entrevista é o benefício que a feira poderia trazer para o escritor novo e para o escritor que não tem livro publicado por editora. Sim, porque o autor que tem o seu livro publicado por editora não precisa se preocupar em como fazer para participar da feira, para encaixar o lançamento do seu livro em um estande, pois a casa que o publicou ou tem espaço no evento, ou está dividindo espaço com outrem.
Em algumas feiras existem os estandes cedidos para as associações culturais e/ou literárias ou academias, mas o escritor precisa fazer parte de uma das entidades agraciadas com o espaço para poder agendar o seu lançamento ou colocar seu livro em exposição. Na última feira do livro de Florianópolis, os escritores tiveram que fazer uma “vaquinha” para pagar o aluguel do estande, que foi cobrado pela Câmara Catarinense do Livro.
É claro que há a questão da qualidade do conteúdo, mas esta é uma discussão que já iniciamos em outra oportunidade. O que se está colocando em questão é o fato de que as feiras não estão significando uma oportunidade de colocação no mercado editorial para aquele escritor que publicou as suas expensas a sua obra.
Este é um ponto que deve ser repensado para que os novos ou “alternativos”, aqueles que fizeram uma edição própria do seu livro, tenham na feira uma opção de divulgação, uma oportunidade de se integrar ao meio, uma oportunidade de expor a sua obra. Eles poderão, assim, ter um retorno do público leitor quanto à aceitação ou não do seu trabalho.
Seria exigir demais de um evento dirigido a um mercado editorial constituído de editoras e livrarias com objetivo primordialmente comercial, que não teria interesse no sucesso dos “alternativos”?
É possível. Mas tenho visto a burocracia que impõe grandes dificuldades aos autores que não estão sob a tutela de alguma editora conhecida ou de renome para que consigam usufruir de um espaço na feira e gostaria que fosse diferente.
Porque para o leitor, excluindo-se o fato de que ele não terá, dessa forma, acesso aos novos que estão surgindo e entre os quais pode se revelar gente de talento, a eficácia da feira é satisfatória, pois ele pode encontrar lá quase tudo o que possa procurar.
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quarta-feira, 27 de maio de 2009
REVELAÇÕES
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
Quem leu a crônica do escritor Amilcar Neves, no Diário do dia 20.05.09, que revela que o governador do Estado recebeu um convite da Câmara Rio Grandense do Livro, comunicando que elegeu Santa Catarina o Estado Convidado da 55a Feira do Livro de Porto Alegre (30 de outubro a 15 de novembro)? Ou a minha crônica “O Estado e a Literatura Catarinense”?
Pois é. O cronista diz que a correspondência, que chegou no dia 16 de março às mãos das mais altas autoridades do Estado, oferece de graça um estande para comercialização de livros e pede a presença de escritores e ilustradores, apresentações artísticas, participação de especialistas em mesas-redondas, lançamentos de livros e aparição de autoridades estaduais em algumas solenidades.
O prazo para aceitação do convite encerrou-se no dia 15 de maio, e até agora nada foi repassado a nenhum escritor ou artista da terra, nem à Câmara Catarinense do Livro, coisa que confirmei.
Contatei com a Câmara Riograndense do Livro em 27.05.09, para saber se realmente existia o convite e saber se houve alguma resposta. Eles não só confirmaram tudo, como me revelaram que já estavam desistindo da resposta, quando, no dia da publicação da crônica do Amilcar, a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo de SC ligou aceitando o convite. Não enviaram uma resposta formal, apenas telefonaram.
Vejo que a Câmara Riograndense tem a boa vontade de insistir em colocar à disposição dos escritores catarinenses um estande para participarmos da Feira do Livro de Porto Alegre, mas nosso Estado parece não ter muito interesse de divulgar a cultura e a literatura catarinense.
Estamos esperando a “surpresa” que a Secretaria de Cultura deve nos “proporcionar”.
Mudando para a continuação de outra crônica minha, “Livros, Leis, Promessas”, também publicada no meu blog, volto ao assunto, como prometido, porque recebi mensagem da Assessora de Imprensa da Fundação Catarinense de Cultura, de 25.05.09, comunicando que “a FCC deve colocar na rua nos próximos dias (?) o Edital da Cocali, para aquisição de livros de autores catarinenses e posterior distribuição dos mesmos para bibliotecas públicas. As inscrições devem (?) ficar abertas entre 1° e 19 de junho, e as aquisições devem acontecer já em julho. No segundo semestre, novo edital e novas aquisições!!”. Os pontos de interrogação são meus. Os pontos de exclamação são dela.
Com isso, ficamos sabendo que o cumprimento da Lei Grando pode vir a acontecer, finalmente, apesar das reticências. Estou esperando a publicação do Edital, que não ocorreu ainda.
Quem leu a crônica do escritor Amilcar Neves, no Diário do dia 20.05.09, que revela que o governador do Estado recebeu um convite da Câmara Rio Grandense do Livro, comunicando que elegeu Santa Catarina o Estado Convidado da 55a Feira do Livro de Porto Alegre (30 de outubro a 15 de novembro)? Ou a minha crônica “O Estado e a Literatura Catarinense”?
Pois é. O cronista diz que a correspondência, que chegou no dia 16 de março às mãos das mais altas autoridades do Estado, oferece de graça um estande para comercialização de livros e pede a presença de escritores e ilustradores, apresentações artísticas, participação de especialistas em mesas-redondas, lançamentos de livros e aparição de autoridades estaduais em algumas solenidades.
O prazo para aceitação do convite encerrou-se no dia 15 de maio, e até agora nada foi repassado a nenhum escritor ou artista da terra, nem à Câmara Catarinense do Livro, coisa que confirmei.
Contatei com a Câmara Riograndense do Livro em 27.05.09, para saber se realmente existia o convite e saber se houve alguma resposta. Eles não só confirmaram tudo, como me revelaram que já estavam desistindo da resposta, quando, no dia da publicação da crônica do Amilcar, a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo de SC ligou aceitando o convite. Não enviaram uma resposta formal, apenas telefonaram.
Vejo que a Câmara Riograndense tem a boa vontade de insistir em colocar à disposição dos escritores catarinenses um estande para participarmos da Feira do Livro de Porto Alegre, mas nosso Estado parece não ter muito interesse de divulgar a cultura e a literatura catarinense.
Estamos esperando a “surpresa” que a Secretaria de Cultura deve nos “proporcionar”.
Mudando para a continuação de outra crônica minha, “Livros, Leis, Promessas”, também publicada no meu blog, volto ao assunto, como prometido, porque recebi mensagem da Assessora de Imprensa da Fundação Catarinense de Cultura, de 25.05.09, comunicando que “a FCC deve colocar na rua nos próximos dias (?) o Edital da Cocali, para aquisição de livros de autores catarinenses e posterior distribuição dos mesmos para bibliotecas públicas. As inscrições devem (?) ficar abertas entre 1° e 19 de junho, e as aquisições devem acontecer já em julho. No segundo semestre, novo edital e novas aquisições!!”. Os pontos de interrogação são meus. Os pontos de exclamação são dela.
Com isso, ficamos sabendo que o cumprimento da Lei Grando pode vir a acontecer, finalmente, apesar das reticências. Estou esperando a publicação do Edital, que não ocorreu ainda.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
DE CRÔNICA, FEIRA DO LIVRO, FLORES, ETC.
Desde os tempos dos Diários Associados de Santa Catarina, mantive colunas em diversos jornais: sobre música, sobre cultura, sobre literatura, etc. Algumas delas, diárias, e haja fôlego e tema para escrever todos os dias, chovesse ou fizesse sol. Eu achava engraçado o fato de, andando pela rua, algumas pessoas me cumprimentarem, como se me conhecessem. É que saía, diariamente, uma foto minha no cabeçalho das colunas. Hoje em dia ainda acontece isso.
Na minha viagem a Portugal encontrei pessoas que achavam que me conheciam, mas na verdade tinham visto foto nas crônicas que publico em diversos jornais pelo mundo afora.Então deu saudade das antigas colunas e, ao invés de fazer uma crônica sobre determinado assunto, vou falar um pouquinho sobre dois ou três. A segunda Feira Catarinense do Livro, neste mês de maio, no Largo da Alfândega, foi uma feira apenas para vender livros, sem maiores atrações, infelizmente. A realizadora da feira, a Câmara Catarinense do Livro, vem enfrentando dificuldades para fazer acontecer o evento, pois já se passaram algumas edições nas quais ela não é mais do que simples oferta de livros, sem atrações paralelas, como a presença de um grande escritor de renome nacional. E conseguiu-e apenas um patrocinador. É a crise.
A situação parece ter piorado, pois o stande que era disponibilizado gratuitamente para os escritores locais, em outros anos, nesta edição teve que ser pago. Cada escritor que queria expor na feira, para utilizar o stande teve que ajudar a pagá-lo. Sempre achei que a feira se pagava, com o dinheiro resultante do pagamento dos standes, por livrarias e editoras, mas pelo jeito não é bem assim. Não sei quanto os sócios pagam de anuidade, mas seja o que for, não dá condições para a Câmara Catarinense do Livro fazer o seu trabalho como deveria ou gostaria. De um ou dois anos para cá, até os funcionários da Câmara foram reduzidos drasticamente.
Quem queria um lugar onde fosse oferecida uma boa gama de opções para a compra de livros, a feira estava lá. De tamanho menor que as anteriores, sem justificar quase nada o título de “Feira Catarinense do Livro”, mas estava lá. Como sempre, o que se vendeu mais foram os livros infantis. Mas os livros infantis vendidos são as fábulas antigas, tradicionais e importadas, que não têm direitos autorais para pagar a ninguém e por isso mesmo são impressos em grandes tiragens, com poucas páginas e por isso mesmo, podem ser vendidos a cinqüenta centavos, um real cada e engordam as estatísticas de vendas. Verdade que as editoras poderiam, talvez, confiar mais nos escritores da terra e fazer tiragens maiores, para que pudessem custar menos. Menos mal que estamos comprando livros para colocar nas mãos de leitores em formação. Só precisamos tentar melhorar a qualidade destas compras.E o tempo precisa definir melhor as estações do ano. (Ou será que somos nós, seres humanos, que precisamos dar condições à natureza de voltar ao seu ciclo natural?) Sei que não é a natureza a culpada disto. Os jacatirões de inverno, que florescem em junho, julho, já estão carregados de botões se abrindo. Na dúvida, devem pensar eles, digamos que já é inverno e dá-lhe florescer! E as onze-horas nem ligam pra estação e florescem escancaradamente.
E, mudando de saco pra mala, recebo de uma amiga brasileira que vive no exterior, uma apreciação de quem está vendo de fora o panorama das publicações literárias e culturais no Brasil. Ela percebe que as revistas e jornais publicados por pessoas ou grupos ligadas à cultura, mas que não têm nenhum apoio da “cultura oficial”, são na verdade quem dão impulso ao desenvolvimento da literatura brasileira. Que bom que essa constatação vem de quem está observando tudo de fora, por alguém que é do meio.
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Na minha viagem a Portugal encontrei pessoas que achavam que me conheciam, mas na verdade tinham visto foto nas crônicas que publico em diversos jornais pelo mundo afora.Então deu saudade das antigas colunas e, ao invés de fazer uma crônica sobre determinado assunto, vou falar um pouquinho sobre dois ou três. A segunda Feira Catarinense do Livro, neste mês de maio, no Largo da Alfândega, foi uma feira apenas para vender livros, sem maiores atrações, infelizmente. A realizadora da feira, a Câmara Catarinense do Livro, vem enfrentando dificuldades para fazer acontecer o evento, pois já se passaram algumas edições nas quais ela não é mais do que simples oferta de livros, sem atrações paralelas, como a presença de um grande escritor de renome nacional. E conseguiu-e apenas um patrocinador. É a crise.
A situação parece ter piorado, pois o stande que era disponibilizado gratuitamente para os escritores locais, em outros anos, nesta edição teve que ser pago. Cada escritor que queria expor na feira, para utilizar o stande teve que ajudar a pagá-lo. Sempre achei que a feira se pagava, com o dinheiro resultante do pagamento dos standes, por livrarias e editoras, mas pelo jeito não é bem assim. Não sei quanto os sócios pagam de anuidade, mas seja o que for, não dá condições para a Câmara Catarinense do Livro fazer o seu trabalho como deveria ou gostaria. De um ou dois anos para cá, até os funcionários da Câmara foram reduzidos drasticamente.
Quem queria um lugar onde fosse oferecida uma boa gama de opções para a compra de livros, a feira estava lá. De tamanho menor que as anteriores, sem justificar quase nada o título de “Feira Catarinense do Livro”, mas estava lá. Como sempre, o que se vendeu mais foram os livros infantis. Mas os livros infantis vendidos são as fábulas antigas, tradicionais e importadas, que não têm direitos autorais para pagar a ninguém e por isso mesmo são impressos em grandes tiragens, com poucas páginas e por isso mesmo, podem ser vendidos a cinqüenta centavos, um real cada e engordam as estatísticas de vendas. Verdade que as editoras poderiam, talvez, confiar mais nos escritores da terra e fazer tiragens maiores, para que pudessem custar menos. Menos mal que estamos comprando livros para colocar nas mãos de leitores em formação. Só precisamos tentar melhorar a qualidade destas compras.E o tempo precisa definir melhor as estações do ano. (Ou será que somos nós, seres humanos, que precisamos dar condições à natureza de voltar ao seu ciclo natural?) Sei que não é a natureza a culpada disto. Os jacatirões de inverno, que florescem em junho, julho, já estão carregados de botões se abrindo. Na dúvida, devem pensar eles, digamos que já é inverno e dá-lhe florescer! E as onze-horas nem ligam pra estação e florescem escancaradamente.
E, mudando de saco pra mala, recebo de uma amiga brasileira que vive no exterior, uma apreciação de quem está vendo de fora o panorama das publicações literárias e culturais no Brasil. Ela percebe que as revistas e jornais publicados por pessoas ou grupos ligadas à cultura, mas que não têm nenhum apoio da “cultura oficial”, são na verdade quem dão impulso ao desenvolvimento da literatura brasileira. Que bom que essa constatação vem de quem está observando tudo de fora, por alguém que é do meio.
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