COMENTE

Sua opinião é importante. Comente, critique, sugira, participe da discussão.



Mostrando postagens com marcador Lei Grando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lei Grando. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de janeiro de 2011

O LIVRO CATARINENSE E O ESTADO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

A obra do escritor brasileiro, consagrado, chega às escolas, ao estudante, senão pelo livro, lido a partir de tarefa dada pelo professor, que ainda precisa impor e cobrar com apresentação e interpretação do conteúdo e nota, também pelo livro didático, que traz trechos de um e outro autor.

O livro do escritor local, do estado nativo, já se reveste de uma dificuldade maior, no que diz respeito a se conseguir uma brecha nas aulas de literatura ou português para abordá-lo, para apresentá-lo ao estudante. Não há, quase sempre, espaço no programa para focalizá-lo, para trazer a sua obra ou ele próprio para a sala de aula, divulgá-lo entre os leitores em formação da sua própria terra.

O livro do escritor catarinense deveria ter chegado às escolas do estado a partir de 92, quando foi regulamentada a Lei Grando, que tinha o objetivo de publicar títulos de autores catarinenses ou adquirir exemplares de livros já editados para distribuição às bibliotecas bibliotecas municipais de todo o estado. Digo “tinha” o objetivo, porque isso aconteceu apenas uma vez, depois de mais de dez anos que a lei existe, no ano de 2009, na gestão da presidente da FCC Anita Pires.
Com a dificuldade sempre crescente encontrada para se publicar um livro – para não dizer impossibilidade – o cumprimento da Lei Grando, regularmente, viria mais do que na hora, oferecendo novas oportunidades aos escritores de colocarem suas obras nas mãos dos leitores.

O presidente da Comissão Catarinense do Livro, na época da publicação da lei, comentou que “a partir dessa lei, o governo estadual tem a obrigação de editar e de comprar livros de escritores catarinenses e distribuir às bibliotecas municipais e escolares”. Todos os anos.

Obrigação que só foi cumprida em 2009, e só no que diz respeito à compra de exemplares de dez obras para distribuição às bibliotecas.

A lei determina, ainda, que o estado edite 1.500 (mil e quinhentos) exemplares de cada obra de autor catarinense selecionada com o superávit da Imprensa Oficial catarinense. O autor participa com 20% (vinte por cento) do valor da obra. Quer dizer, o autor participaria, não sairia totalmente de graça para ele.

Para a aquisição, seriam comprados 300 (trezentos) exemplares de cada título já editado para distribuição às bibliotecas, dez obras de cada vez, que seriam selecionadas pela Comissão Catarinense de Cultura.

Infelizmente, a lei não está sendo levada a sério. Na época foi dito que, com a lei, dependia dos escritores fazer chegar originais e livros publicados à Fundação Catarinense de Cultura para serem avaliados. Conversa jogada fora. Os livros e originais só podem ser enviados se houver um edital, como aconteceu em 2009.

Será que o novo governo resgatará o edital da Lei Grando, dará ouvidos às reivindicações, aos pedidos de cumprimento de um direito que foi legalmente reconhecido aos escritores da terra? O novo governador, na sua propaganda eleitoral, comprometeu-se com o desenvolvimento cultural do nosso estado. Esperemos que esse, pelo menos, cumpra o que prometeu.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

OS LIVROS CATARINENSES SELECIONADOS PARA COMPRA PELO ESTADO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Eu não queria voltar ao assunto, mas tantas pessoas – escritores e não escritores - comentaram comigo, com certo descontentamento, o resultado da seleção de livros feita pela Cocali para distribuição às bibliotecas municipais do Estado, que trago de novo o tema à tona.
Na crônica que escrevi quando saiu a lista dos livros escolhidos, tive o cuidado de não criticar o que quer que fosse, apenas parabenizei a FCC e os contemplados. Só o fato de o Estado ter lançado este primeiro edital para comprar dez livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas e assim fazer cumprir a Lei Grando, há tanto tempo promulgada e esquecida, já é um grande passo.
O que está sendo questionado é que quase metade (quatro) dos nomes que aparecem na lista de autores selecionados são alguns daqueles mesmos nomes já bem conhecidos, que vivem aqui na Grande Florianópolis, alguns quase sempre presentes nas coisas vinculadas ao Estado. Há, até, autor como Salim Miguel, escritor consagrado nacionalmente, que já teve livro seu selecionado para o Vestibular da UFSC e por isso já existem livros seus nas bibliotecas municipais.
Três dos contemplados são autores catarinenses, mas radicados em outros estados. Há dois ou três autores novos, um inclusive é um índio, Adão Karai T. Antunes, de Morro da Fumaça, uma revelação literária nesse Edital.
Não sei qual o critério usado para a escolha dos dez livros dentre os 172 (cento e setenta e dois) inscritos no Edital. A comissão da Cocali leu todos eles, ou houve algum que foi escolhido pela projeção do nome? Quero crer que os livros foram lidos, mas são cento e setenta e duas obras. Eu já fui júri de concurso literário e foi uma trabalheira ler três ou quatro dezenas de originais. E prazo da Cocali, para ler tudo, era curto.
Não estou colocando em dúvida o critério de escolha, mas tenho curiosidade de saber se todos os livros foram lidos de fato, na íntegra.
Uma boa coisa foi a declaração, no comunicado da FCC com o resultado do Edital, afirmando que “Devido à qualidade, alguns títulos não selecionados ficaram automaticamente inscritos para a próxima edição do edital, que será lançado até outubro deste ano.” É sinal que havia outras obras passíveis de serem selecionadas, obras que teriam tido a qualidade reconhecida com a leitura das mesmas, creio eu. Insisto que seria importante que se publicasse quais são essas obras, para que os autores delas não se inscrevessem com as mesmas no próximo edital.
Como disse minha amiga Fátima de Laguna e outros amigos de pontos diversos do Estado, a Fundação Catarinense de Cultura precisa divulgar autores de todos os pontos do Estado, sem privilegiar nenhuma região, diversificando sem perder de vista a qualidade literária, lógico, mas valorizando novos talentos.
E está de parabéns a Anita Pires, presidente da FCC, por ter cumprido a palavra de fazer valer a Lei Grando, publicando o Edital e comprando os livros.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

SOBRE OS LIVROS SELECIONADOS PELO EDITAL

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ )

Na crônica de ante-ontem, quarta-feira, falei do resultado do Edital da Cocali, que efetivou o cumprimento da Lei Grando, a tanto tempo em vigor, mas sem sair do papel, comprando livros de dez autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais de Santa Catarina. A Cocali selecionou dez livros: Palavras do Xeramõi (Adão Karai Tataendy Antunes), Relatos de sonhos e lutas (Amílcar Neves), Caro Rimbaud (C. Ronald), A Ira das Águas (Edla Van Steen), Beatriz em trânsito (Eloí Elisabet Bocheco), Alice passou por aqui... (Miriam Portela), Todas as casas (Roberto Gomes), Aço e nada (Rubens da Cunha), Melhores contos de Salim Miguel (Salim Miguel), Olho e fôlego (Vinícius Alves).
O comunicado da Fundação Catarinense de Cultura, que recebi através de e-mail, declarava que “A seleção contemplou diferentes gêneros, como romance, conto, poesia e literatura infanto-juvenil.” Como os livros selecionados estão listados da maneira como colei acima, sem o gênero de cada um, acabei incorrendo em erro, comentando que havia achado estranho que nenhum livro de crônica tivesse sido escolhido.
Um dos autores selecionados, Rubens, de Joinville, leu o post no meu blog e me alertou para o fato de que o livro dele era de crônica, o que mais uma vez agradeço.
E aproveito para corrigir o erro, pois entre os selecionados havia, então, livro de crônica. Mea culpa.
Mais uma vez, meus cumprimentos a FCC.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

LIVROS DE AUTORES CATARINENSES NAS BIBLIOTECAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )

Saiu hoje o resultado do Edital de Aquisição de Livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais catarinenses, finalmente efetivando o cumprimento da Lei Grando, promulgada há quase duas décadas sem que tivesse saído do papel. Serão comprados pelo Estado, conforme a lei, 300 (trezentos) exemplares de cada um dos dez livros selecionados pela Cocali, pela metade do preço de capa.
Foram 172 (cento e setenta e duas) obras inscritas, de diferentes gêneros, como romance, conto, poesia e literatura infanto-juvenil. Achei estranho não ter sido escolhido nenhum volume de crônica, gênero tão popular atualmente, mas tudo bem.
No comunicado da FCC com o resultado, consta que “Devido à qualidade, alguns títulos não selecionados ficaram automaticamente inscritos para a próxima edição do edital, que será lançado até outubro deste ano.” Seria importante que se publicasse quais são essas obras, para que os autores delas não se inscrevessem com as mesmas no próximo edital.
Fiquei feliz de ver que uma integrante do Grupo Literário A ILHA, a escritora Eloi Elizabeth Bocheco foi contemplada. Um dos dez livros escolhidos para compra e distribuição às bibliotecas municipais é “Beatriz em trânsito”. Parabéns a Eloí.
A Lei foi cumprida, depois de tantos anos. Isso é importante. Um pouco da literatura catarinense vai, finalmente, estar em nossas bibliotecas. Parabéns a FCC.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

AS SECRETARIAS DE ESTADO E OS LIVROS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Parece que o escândalo da compra dos 130.000 livros pela Secretaria de Estado da Cultura esfriou, caiu no esquecimento. A polêmica que se formou foi quase que exclusivamente sobre o fato de o livro ter sido classificado como impróprio para alunos do primeiro grau e pouco ou quase nada se falou sobre o gasto astronômico feito para comprar uma quantidade tão grande de livros de um mesmo autor, de uma mesma editora. Sem ter sido lido por quem autorizou a compra, pois eles foram recusados pelas escolas e recolhidos. Não entro no mérito da questão da qualidade da obra, insisto, sim, que deveria ter sido cobrado do Estado a responsabilidade pelo ato que resultou em prejuízo dos cofres públicos, o porquê da compra, já que nunca antes o Estado comprou livros selecionados para o vestibular para os alunos do segundo grau. E por que apenas um livro, por que não todos os selecionados?
E não é a primeira vez que isso acontece. Como já mencionamos, no ano passado a Secretaria de Estado da Educação comprou 34.146 maletas (fonte: Jornal A Comarca, de 10.10.08), cada uma com doze livros, da coleção Ziraldo e seus Amigos, da Editora Melhoramentos, dentro do projeto Planeta Cultura, lançado pelo Estado para as escolas estaduais de primeiro grau. Ótimo que esta quantidade enorme de livros tenha ido para as nossas escolas, ter o que ler é o primeiro passo para se adquirir o gosto pela leitura. Mas são 410.000 (quatrocentos e dez mil livros!), de autores consagrados e, se não me engano, apenas um catarinense. Não consegui saber o valor pago pelo Estado, mas deve ter sido mais do que o milhão e meio de reais pagos pelos 130.000 livros comprados mais recentemente.
Pergunto de novo: e os escritores catarinenses? Nunca houve verba, até agora, para comprar livros de escritores da terra para entregar às bibliotecas municipais catarinenses. Só este mês, depois de quase vinte anos da existência da Lei Grando, é que o edital para compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas de todas as cidades de Santa Catarina foi aberto pela FCC. E para compra de apenas 300 (trezentos exemplares) de dez obras a serem selecionadas pela Cocali, pela metade do preço de capa.
Falei com a professora Dirce Amarante, que teve acesso aos livros, no final de 2009, sobre o que ela achou da coleção, enquanto especialista em literatura. Pra começar, ela declara que “No final do ano passado, a Secretaria de Educação me cedeu com muito custo as tais maletas, as quais tive que devolver à Secretaria num curto espaço de tempo.
Analisei o material com os meus alunos de Letras e Pedagogia da UFSC. O resultado dessa análise está no artigo que escrevi para o "DC Cultura", “Planeta Cultura e a crise no ensino de Literatura”.
.Tenho a impressão que não houve reflexão intelectual quando da compra desses livros . Aliás, tenho a impressão que na Secretaria de Educação, como em outras secretárias, temos mais burocratas que pensadores. As maletas cumprem sua função burocrática, ou seja, renovar o material escolar, não importa com o quê.
Gostaria que esse assunto fosse discutido amplamente. Aliás, pergunto-me onde estão os professores das escolas que ainda não manifestaram a esse respeito?
Os educadores no Brasil, de um modo geral, também tratam a educação como tarefa, ou seja, muito mais como burocracia do que como conhecimento (em anexo, um artigo meu sobre o tema), de modo que as maletas preenchem bem esses requisitos: livros para todas as escolas, para idades específicas dos alunos, tudo bem "arrumadinho", para não causar problemas, nem maiores discussões.”
Transcrevo, abaixo, ainda, um trecho do alentado artigo da professora citado acima:
“Os livros das caixas destinadas às idades mais avançadas são claramente textos de auto-ajuda, como, por exemplo, Sucesso! Eu vou chegar lá...., de Frank McGinty, o qual dá algumas “dicas legais”, do tipo: “1. Use uma linguagem positiva –ela reflete e influencia seus pensamentos e, por conseguinte, seus atos. 2. Não pense em ‘problemas’, pense em ‘desafios’. Curta o desafio.” Um outro título dessas caixas devotadas ao final do ensino fundamental é: Sexo! Não é tudo na vida... Então por que só penso nisso o tempo todo?, de Antonio Carlos Vilela, cujo tema -- namoro, aids, gravidez, dentre outros -- é desenvolvido numa linguagem capaz de esfriar qualquer relação com a literatura: “Tomei um banho caprichado, limpando tudo direitinho, se é que vocês me entendem.” E o que dizer do livro Bagdá, o skatista, de Toni Brandão, cujo protagonista adolescente “trocou a carona da gata pelo bumba”.
Para citar um último exemplo do que se pode encontrar nessas maletas, tem-se O que eu faço da vida?, de Antonio Carlos Vilela, que discorre sobre a vida difícil dos adolescentes e lembra que “ser criança é muito mais fácil”, já que elas não sofrem por nada. Segundo Otto Maria Carpeaux, no entanto, o sucesso do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen reside, dentre outras razões, no fato de que o escritor pôde perceber que, para a criança, nem tudo é brincadeira sem conseqüência, como os adultos costumam pensar: "(...) as crianças são realistas a seu modo: a brincadeira lhes parece muito séria. Por isso gostam tanto dos contos de Andersen, porque ele também tomou a sério o mundo dos brinquedos.”
Há muita nebulosidade nestas compras. Ninguém será cobrado a respeito? O dinheiro gasto aos borbotões é o imposto que pagamos todo dia.

terça-feira, 2 de junho de 2009

OS LIVROS RECOLHIDOS E A DESCULPA DO ESTADO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com )


Sou obrigado a voltar ao assunto. Lembram do meu artigo sobre o escândalo dos 130.000 livros comprados pelo Estado, por um milhão e meio de reais e que depois foram recolhidos? Pois é, a história estava mal contada e continua sem explicações.
O Anexo de hoje, 2 de junho, traz uma matéria sobre a polêmica do recolhimento, pelo Estado, dos 130.000 livros que haviam sido comprados e distribuídos às escolas públicas de segundo grau.
Nessa mesma matéria, há a informação de que “a compra dos livros ocorreu por meio da lei que determina que o Estado adquira livros de autores da terra, selecionados pela Comissão Catarinense do Livro, para bibliotecas municipais catarinenses.”
Há que se esclarecer alguns pontos sobre essa afirmação. Primeiro, a lei Grando, que é a lei mencionada, não foi cumprida até agora, apesar de ter sido promulgada há quase vinte anos. Segundo, para comprar livros através dela é necessário que se publique o edital para seleção dos livros a serem comprados. E o edital ainda não saiu, está para ser publicado pela Fundação Catarinense de Cultura, por esses dias, segundo informação da Assessora de Imprensa da FCC,por e-mail. Terceiro, o edital é para aquisição de 300 (trezentos) exemplares de cada obra selecionada e não 130.000 (cento e trinta mil).
Como já perguntei em outro artigo, desde quando o Estado compra livro indicado para o Vestibular para cada um dos alunos do segundo-grau da escola pública catarinense?
De quem partiu a idéia de comprar essa quantidade imensa de exemplares de uma mesma obra, sem ao menos ler a obra para saber se era apropriada, provocando o recolhimento e transformando em pó um milhão e meio de reais, dinheiro tirado do imposto suado pago pelo cidadão catarinense? Quem autorizou esse gasto? E a tal licitação, que foi citada pela Secretaria de Estado da Cultura em todos os jornais, há alguns dias, dá a idéia de que havia pelo menos três editoras publicando e vendendo o livro, o que não é verdade. A editora é uma só.
Então toda essa história está muito mal contada. Usar a Lei Grando como desculpa não está colando.
Quem se habilita a contar a verdadeira história?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

ESTADO COMPRA LIVROS AO MILHARES E RECOLHE

Por Luiz Carlos Amorim (escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/ )

Eu já ouvira alguma coisa na televisão, ontem, mas pela metade. Então hoje, ao abrir o jornal, encontrei a reportagem sobre o livro de Cristóvão Tezza, que foi recolhido das escolas pelo Estado. O livro “Aventuras Provisórias”, que tinha sido comprado pela Secretaria de Estado da Educação e distribuído às escolas estaduais de ensino médio, foi recolhido por conter trechos considerados inadequados a alunos do segundo grau.
Até aí tudo bem, Cristóvão Tezza é um escritor de renome nacional, consagrado, mas se alguma coisa no livro não é apropriado aos estudantes do ensino médio, se o livro é indicado para adultos, que se use bom senso. O autor, catarinense, não precisa mais que o Estado compre tiragens inteiras do seu livro, porque ele vende por si próprio.
O que nos deixa indignados é o fato de a Secretaria de Estado da Educação ter comprado 130.000 (cento e trinta mil) livros, pela bagatela de Cr$ l.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), quando os escritores catarinenses vêm batalhando há quase vinte anos pelo cumprimento da famigerada Lei Grando, instituída pelo próprio estado. Essa lei determina que o estado compre livros de autores da terra, previamente selecionados pela Comissão Catarinense do Livro, para distribuição às bibliotecas municipais catarinenses. A referida lei regula a obrigatoriedade da compra, pelo estado, de 300 (trezentos) exemplares de 22 (vinte e dois) livros publicados por autores catarinenses, a cada ano, adquiridos com 50 % (cinqüenta por cento) do valor da capa.
Então, para cumprir a Lei Grando, não há verba, não coube no orçamento, ano após ano. Mas para comprar cento e trinta mil livros a um milhão e quinhentos mil reais, aí sim, deu. E sem nenhuma divulgação, porque não vi em lugar algum notícia sobre a compra.
E desde quando o estado de Santa Catarina compra livros selecionados para o vestibular, aos milhares, para distribuir aos estudantes da rede estadual de ensino médio?
E não venham usar como atenuante o fato de a Fundação Catarinense de Cultura estar para publicar edital da Cocali, para aquisição de livros de autores catarinenses e posterior distribuição dos mesmos para bibliotecas públicas, começando, assim, a cumprir, finalmente, a lei que já quase completa maioridade, sem sair do papel.
Enquanto o escritor catarinense mendiga o cumprimento da Lei Grando para ter a possibilidade de que o estado compre a sua obra e faça chegar pelo menos um exemplar a cada biblioteca de cada cidade de Santa Catarina, esse mesmo estado compra, silenciosamente, cento e trinta mil livros de uma mesma obra, de um mesmo autor, para cada estudante do nível médio. Livro que em seguida foi recolhido. O que será feito deles? E todo aquele dinheiro pago por eles é imposto pago pelo contribuinte. Que estado é esse? Que educação é essa? Que cultura é essa?
Nada contra o escritor Cristóvão Tezza, um autor que honra a literatura de Santa Catarina, mas há que haver justiça, há que haver transparência e coerência na administração pública catarinense.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

REVELAÇÕES

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Quem leu a crônica do escritor Amilcar Neves, no Diário do dia 20.05.09, que revela que o governador do Estado recebeu um convite da Câmara Rio Grandense do Livro, comunicando que elegeu Santa Catarina o Estado Convidado da 55a Feira do Livro de Porto Alegre (30 de outubro a 15 de novembro)? Ou a minha crônica “O Estado e a Literatura Catarinense”?
Pois é. O cronista diz que a correspondência, que chegou no dia 16 de março às mãos das mais altas autoridades do Estado, oferece de graça um estande para comercialização de livros e pede a presença de escritores e ilustradores, apresentações artísticas, participação de especialistas em mesas-redondas, lançamentos de livros e aparição de autoridades estaduais em algumas solenidades.
O prazo para aceitação do convite encerrou-se no dia 15 de maio, e até agora nada foi repassado a nenhum escritor ou artista da terra, nem à Câmara Catarinense do Livro, coisa que confirmei.
Contatei com a Câmara Riograndense do Livro em 27.05.09, para saber se realmente existia o convite e saber se houve alguma resposta. Eles não só confirmaram tudo, como me revelaram que já estavam desistindo da resposta, quando, no dia da publicação da crônica do Amilcar, a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo de SC ligou aceitando o convite. Não enviaram uma resposta formal, apenas telefonaram.
Vejo que a Câmara Riograndense tem a boa vontade de insistir em colocar à disposição dos escritores catarinenses um estande para participarmos da Feira do Livro de Porto Alegre, mas nosso Estado parece não ter muito interesse de divulgar a cultura e a literatura catarinense.
Estamos esperando a “surpresa” que a Secretaria de Cultura deve nos “proporcionar”.
Mudando para a continuação de outra crônica minha, “Livros, Leis, Promessas”, também publicada no meu blog, volto ao assunto, como prometido, porque recebi mensagem da Assessora de Imprensa da Fundação Catarinense de Cultura, de 25.05.09, comunicando que “a FCC deve colocar na rua nos próximos dias (?) o Edital da Cocali, para aquisição de livros de autores catarinenses e posterior distribuição dos mesmos para bibliotecas públicas. As inscrições devem (?) ficar abertas entre 1° e 19 de junho, e as aquisições devem acontecer já em julho. No segundo semestre, novo edital e novas aquisições!!”. Os pontos de interrogação são meus. Os pontos de exclamação são dela.
Com isso, ficamos sabendo que o cumprimento da Lei Grando pode vir a acontecer, finalmente, apesar das reticências. Estou esperando a publicação do Edital, que não ocorreu ainda.