Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
A poesia é necessária? Sei que essa pergunta já foi feita muitas vezes e a resposta pode ser diferente, dependendo de quem responde. Eu responderia que ela é, sim, necessária, porque ela faz parte da vida da gente, ela pode ter um papel importante dentro da comunidade, ela pode ser moradora expressiva e atuante de uma cidade. Senão vejamos: por quase vinte anos, “os poetas da praça” do Grupo Literário A ILHA participaram da vida cultural do norte catarinense, levando a poesia para a rua, para a praça, para a escola, para o shopping, para o banco, para os bares, para os palcos, para todos os lugares. Dizer que participaram talvez seja dizer pouco, pois eles se tornaram tradição e referência poéticas, eles eram parte e, às vezes, o todo da cultura de uma cidade como Joinville, onde tiveram sua sede por dezenove anos.
O grupo foi presença marcante na Feira de Arte de Joinville , mês após mês, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas, além de levar estes mesmos trabalhos, com regularidade, também às feiras de arte de Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, e com menor freqüência a outras cidades do estado.
O Varal da Poesia especial, com dezenas de poemas sobre dança e dançarinos, foi durante quase duas décadas, um evento paralelo integrado ao Festival de Dança de Joinville. Na praça e depois em out-doors, com o Projeto Poesia na Rua, o Grupo Literário A ILHA espalhava poesia pela cidade. Além do Varal da Poesia e do Recital, o grupo realizava outros projetos, como Sanfona Poética, que reunia numa folha dobrada três vezes, meia dúzia de poemas de um mesmo autor ou de vários, que eram distribuídos aos visitantes da feira de arte gratuitamente. Também foi popular o projeto Poesia Carimbada, que consistia em carimbos que estampavam poemas completos e podiam ser impressos em qualquer superfície, fosse caderno, livro ou papel solto.
Outro evento tradicional do qual o Varal da Poesia já era parte inseparável é a Festa das Flores da Cidade das Flores. Um varal especial, com cerca de meia centena de poemas sobre flores e sobre Joinville ocupava um stand na grande festa, por anos a fio, cantando a beleza e o perfume de todas as flores, sob o ponto de vista de vários poetas da praça. A divulgação mais eficiente do trabalho do Grupo Literário A ILHA e a ligação da palavra poesia com o nome da cidade adveio da visitação do varal da poesia por visitantes de vários pontos do país, que vinham para o Festival de Dança e para a Festa das Flores. E a cidade passou a ser também a Cidade da Poesia.
Além disso, com o apoio de comunicadores do rádio, nos anos oitenta e noventa, os poetas do Grupo A ILHA colocaram a poesia no ar, em programas como Show das Dez e Fim de Noite. E mais, os poetas da praça levaram a poesia também aos jornais e à televisão, em colunas assinadas por integrantes do grupo e em programas no canal local, quando de encontros e lançamentos de livros, popularizando um gênero até então maldito, pois não vendia livros.
Hoje, infelizmente, os espaços para a poesia inexistem no rádio, na televisão e até nos jornais.
Os poetas da praça, no entanto, continuam batalhando para manter alguns dos espaços que conquistaram, como a revista do Grupo, o Suplemento Literário A ILHA, que como o grupo, completa trinta anos de existência em junho deste ano, como o Varal da Poesia, que evoluiu para o Projeto Poesia no Shopping, e lançando mão do espaço democrático que é a Internet, com um portal literário, PROSA, POESIA & CIA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ e, ainda, a publicação de livros.
As cidades da nossa Santa e Bela Catarina sempre valorizaram a poesia de seus poetas das praças, por isso aos trinta anos de atividades do Grupo A ILHA devem se somar muitos mais ainda. Os projetos existentes vão se adequando às mudanças que o progresso traz e novos projetos vão sendo colocados em prática para a divulgação da poesia, pois ela precisa chegar até os leitores sensíveis e românticos, que graças a Deus existem nas nossas cidades. Eles não são tantos quanto desejaríamos, mas existem e o nosso trabalho é encontrá-los.
O advento das feiras do livro, com número crescente a cada ano por todo o estado (e pelo Brasil, também), fez com que um projeto como o Recital de Poemas, por exemplo, fosse repensado para vestir nova roupagem. Em conversa com editores e livreiros, durante uma edição da Feira do Livro de Florianópolis, o projeto ganhou mobilidade e continuidade: os poetas da praça, além de autografar seus livros nas próximas feiras, aproveitarão o espaço e a concentração de público interessado em literatura, para declamar poesia pelos corredores.
A idéia foi trabalhada e amadureceu a partir dos contadores de histórias e tocadores de instrumentos musicais, que vimos no meio do público na feira de rua e na feira no shopping, oferecendo historias infantis e música aos visitantes.
E assim, estaremos nos aproximando ainda mais dos moradores de nossas cidades, mostrando-lhes que a poesia existe e que ela não é leitura de meia dúzia de intelectuais. Sempre defendemos que precisamos colocar a poesia nos ouvidos, nos olhos e no coração do leitor, seja com o varal, com os out-doors, com declamação, com as publicações, o que for, para que ele descubra se gosta ou não. Alguns descobrem que gostam. E é através desses leitores que se deixam invadir pela poesia, que ela passa a fazer parte da cidade.
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quinta-feira, 11 de março de 2010
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
QUINTANA, AS BORBOLETAS E NÓS
Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Numa Feira de Rua do Livro de Florianópolis, há algum tempo, encontrei lançando um livro dela, a terceira edição do infanto-juvenil “A Vitória de Vitória”, a minha amiga escritora Urda Alice Klueger, uma das maiores representantes da literatura catarinense, romancista e cronista de sucesso comprovado.
Estávamos autografando nossos livros no mesmo horário, embora em estandes diferentes. O livro de Urda é uma bem sucedida incursão dela no gênero infanto-juvenil, ela que tem vários romances publicados, alguns já considerados clássicos da literatura de nosso estado, como “Verde Vale”, “No Tempo das Tangerinas”, “Cruzeiros do Sul”. O meu era um volume de crônicas, “Saudades de Quintana”, uma homenagem ao poeta maior, pela passagem do centenário do seu nascimento.
Até aí, nada em comum. O que descobrimos, uma tremenda coincidência, é que uma máxima de Quintana, que eu usei na página de dedicatória do meu livro em lançamento foi exatamente a mesma que Urda usou na referência de uma crônica belíssima, como citação, lá embaixo do título, antes de começar o texto. A crônica era inédita, recém escrita, e ela a tinha na bolsa, ainda manuscrita. Queria lê-la para nós em primeiríssima mão e o fez em plena efervescência da feira do livro. A máxima de Quintana que nós dois usamos é esta: “O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim, para que elas venham até você...”
A crônica de Urda, linda, cheia de poesia como só Urda sabe fazer uma prosa, falando de borboletas, de amor, de jardim e de flores, de emoções e sentimentos, vocês já devem ter lido, provavelmente, que ela foi publicada em vários lugares.
Mas nada é igual a ouvir na própria voz da autora uma das melhores crônicas que ela já escreveu. É um privilégio único, que não posso dividir com vocês, infelizmente, ouvir a interpretação do texto pela própria autora, impregnada de emoção e de paixão. Apenas Eliane Debus e Eloí Bocheco, que estavam conosco, naquele momento é que também puderam usufruir.
O poeta está no andar de cima, poetando em companhia de Coralina, Pessoa, Cruz e Sousa, mas continua vivo aqui, através da sua poesia, emocionando e inspirando a todos nós.
Numa Feira de Rua do Livro de Florianópolis, há algum tempo, encontrei lançando um livro dela, a terceira edição do infanto-juvenil “A Vitória de Vitória”, a minha amiga escritora Urda Alice Klueger, uma das maiores representantes da literatura catarinense, romancista e cronista de sucesso comprovado.
Estávamos autografando nossos livros no mesmo horário, embora em estandes diferentes. O livro de Urda é uma bem sucedida incursão dela no gênero infanto-juvenil, ela que tem vários romances publicados, alguns já considerados clássicos da literatura de nosso estado, como “Verde Vale”, “No Tempo das Tangerinas”, “Cruzeiros do Sul”. O meu era um volume de crônicas, “Saudades de Quintana”, uma homenagem ao poeta maior, pela passagem do centenário do seu nascimento.
Até aí, nada em comum. O que descobrimos, uma tremenda coincidência, é que uma máxima de Quintana, que eu usei na página de dedicatória do meu livro em lançamento foi exatamente a mesma que Urda usou na referência de uma crônica belíssima, como citação, lá embaixo do título, antes de começar o texto. A crônica era inédita, recém escrita, e ela a tinha na bolsa, ainda manuscrita. Queria lê-la para nós em primeiríssima mão e o fez em plena efervescência da feira do livro. A máxima de Quintana que nós dois usamos é esta: “O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim, para que elas venham até você...”
A crônica de Urda, linda, cheia de poesia como só Urda sabe fazer uma prosa, falando de borboletas, de amor, de jardim e de flores, de emoções e sentimentos, vocês já devem ter lido, provavelmente, que ela foi publicada em vários lugares.
Mas nada é igual a ouvir na própria voz da autora uma das melhores crônicas que ela já escreveu. É um privilégio único, que não posso dividir com vocês, infelizmente, ouvir a interpretação do texto pela própria autora, impregnada de emoção e de paixão. Apenas Eliane Debus e Eloí Bocheco, que estavam conosco, naquele momento é que também puderam usufruir.
O poeta está no andar de cima, poetando em companhia de Coralina, Pessoa, Cruz e Sousa, mas continua vivo aqui, através da sua poesia, emocionando e inspirando a todos nós.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
O SOM DA POESIA
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
Sempre gostei de ouvir alguém declamar um poema - alguém que saiba fazê-lo. Há muita diferença em ouvir alguém ler um poema e ouvir alguém declamar um poema. A leitura, pura e simples, quase sempre deprecia o poema, não lhe faz jus. Ao contrário, uma declamação bem feita, apropriada, valoriza o poema.
Infelizmente, a arte da declamação é cada vez menos praticada. A arte de saber dizer um poema é cada vez mais restrita a uns poucos privilegiados e é uma coisa que não há onde aprender. Não existem cursos, é uma qualidade nata, que algumas pessoas têm. Eles só precisam ser descobertos, precisam ter oportunidade de desenvolver o seu talento.
Temos muita necessidade de que existam pessoas que saibam dizer poemas, que saibam recriar a emoção e a sensibilidade que o poeta imprimiu em seus versos, arrancar todo o significado das palavras.
Porque eles são muito poucos, nos dias atuais, em que tanto precisamos de um pouco de poesia em nossas vidas. Eles existem, mas são poucos.
Tenho alguns amigos comunicadores que trabalham no rádio, que sabem declamar poesia, pois já o fizeram em seus programas. Eles dão vida aos poemas de poetas consagrados, mas também dão espaço ao trabalho de poetas novos como nós. Declamar é um dom. Acho que quem tem esse dom é abençoado, por conseguir dar som e significado aos nossos versos, por conseguir fazê-los encontrar o caminho que os leva direto ao coração de quem ama a poesia.
Por tudo isso, reputo de grande importância o concurso anual de declamação que existe em Jaraguá do Sul, cidade ao norte de Santa Catarina, pois ele faz com que pessoas que têm esse dom sejam reveladas e sua arte possa chegar até nós. Sempre no mês de julho, em pleno frio do inverno, os jaraguaenses ganham o calor do som e da força da poesia. Há também outros eventos em que a declamação tem relevante importância, quando não se reduz apenas à leitura do poema: no saraus, que voltaram à voga em Santa Catarina, em São Paulo, no Paraná e outros estados. Também nas Feiras de Arte, como em Joinville, onde existia o “Palco da Liberdade” e os poetas podiam subir lá e dizer os seus poemas ou de outrem – talvez não declamar, mas pelo menos lê-los. E é assim, havendo oportunidade, que surgem os bons declamadores.
Sempre gostei de ouvir alguém declamar um poema - alguém que saiba fazê-lo. Há muita diferença em ouvir alguém ler um poema e ouvir alguém declamar um poema. A leitura, pura e simples, quase sempre deprecia o poema, não lhe faz jus. Ao contrário, uma declamação bem feita, apropriada, valoriza o poema.
Infelizmente, a arte da declamação é cada vez menos praticada. A arte de saber dizer um poema é cada vez mais restrita a uns poucos privilegiados e é uma coisa que não há onde aprender. Não existem cursos, é uma qualidade nata, que algumas pessoas têm. Eles só precisam ser descobertos, precisam ter oportunidade de desenvolver o seu talento.
Temos muita necessidade de que existam pessoas que saibam dizer poemas, que saibam recriar a emoção e a sensibilidade que o poeta imprimiu em seus versos, arrancar todo o significado das palavras.
Porque eles são muito poucos, nos dias atuais, em que tanto precisamos de um pouco de poesia em nossas vidas. Eles existem, mas são poucos.
Tenho alguns amigos comunicadores que trabalham no rádio, que sabem declamar poesia, pois já o fizeram em seus programas. Eles dão vida aos poemas de poetas consagrados, mas também dão espaço ao trabalho de poetas novos como nós. Declamar é um dom. Acho que quem tem esse dom é abençoado, por conseguir dar som e significado aos nossos versos, por conseguir fazê-los encontrar o caminho que os leva direto ao coração de quem ama a poesia.
Por tudo isso, reputo de grande importância o concurso anual de declamação que existe em Jaraguá do Sul, cidade ao norte de Santa Catarina, pois ele faz com que pessoas que têm esse dom sejam reveladas e sua arte possa chegar até nós. Sempre no mês de julho, em pleno frio do inverno, os jaraguaenses ganham o calor do som e da força da poesia. Há também outros eventos em que a declamação tem relevante importância, quando não se reduz apenas à leitura do poema: no saraus, que voltaram à voga em Santa Catarina, em São Paulo, no Paraná e outros estados. Também nas Feiras de Arte, como em Joinville, onde existia o “Palco da Liberdade” e os poetas podiam subir lá e dizer os seus poemas ou de outrem – talvez não declamar, mas pelo menos lê-los. E é assim, havendo oportunidade, que surgem os bons declamadores.
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domingo, 11 de outubro de 2009
A CRIANÇA E A POESIA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ )
Comprei, num dia quase distante, quando minhas filhas mal andavam, um disco de canções e poemas para crianças. Lembram dos “LPs” de vinil? Pois é. Era um bolachão de vinil, um disco sobre criança para criança. Trata-se de “O Menino Poeta”, que me atraiu pelo título e pela capa, que traz um menino sentado no chão segurando os pés, desenhado com giz de cera, muito colorido, ainda que com um ar melancólico. Achei-o numa daquelas incursões por lojas de disco para comprar música para criança. E foi um achado, mesmo. Ainda hoje é um achado.
“O Menino Poeta” traz poemas para crianças, cantados e declamados, de grandes poetas como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e outros. As declamações são de ninguém mais, ninguém menos que Irene Ravache. Os poemas musicados são cantados por Solange Maria, Mirinha e Coral Infantil. Quem colocou música nos poemas cantados foi Antonio Madureira, que também fez os arranjos e dele também é a regência.
Achei e continuo achando fantástico esse recurso de colocar a poesia para ser cantada, para um público que, como bem diz e repete minha amiga Eloí Elisabet Bocheco, entende e ama a magia e o encantamento desse gênero literário. Isso favorece que aproximemos a literatura de nossas crianças desde muito cedo, para que esses leitores em formação tenham o gosto pela leitura.
Os poemas de Quintana, Drummond, Vinícius, Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, Cassiano Ricardo, Jorge de Lima, Henriqueta Lisboa, Stela Leornardos, Mário de Andrade estão deliciosos na voz da excelente atriz Irene Ravache ou cantadas pelo coral ou pelas cantoras Mirinha e Solange, conferindo-lhes, quem sabe, mais lirismo e mais alegria, reinventando o mágico e o lúdico na cultura infantil.
Que melhor maneira de iniciar nossas crianças na poesia, na literatura, do que apresentá-las à obra de grandes mestres na mais tenra idade? Sempre defendi que a criança que gosta de ler e que sabe o que ler é a criança que conviveu com livros e com literatura desde muito pequena, em sua casa, com sua família.
Não sei se os Estúdios Eldorado, que produziram o disco, lançaram essa seleção em CD. Espero que sim, pois seria uma pena se mais crianças e mais pais não pudessem conhecer um trabalho tão bom em prol da disseminação da boa poesia.
Abaixo, dois poemas dos dezesseis que estão no disco:
CANÇÃO DA GAROA (Mário Quintana): Em cima do meu telhado,/Pirulin, lilin, lulin,
Um anjo todo molhado/Soluça no seu flautim.
O relógio vai bater:/As molas rangem sem fim,/O retrato na parede/Fica olhando para mim.
Chovem sem saber por que.../E tudo foi sempre assim”/Parece que vou sofrer:/Pirulim, lulin, lulin...
O MENINO POETA (Henriqueta Lisboa) O menino poeta/não sei onde está/procuro daqui/procuro de lá/tem olhos azuis/ou tem olhos negros?/Parece Jesus/ou índio guerreiro?
Ai! que esse menino/será, não será?/procuro daqui/procuro de lá.
O menino poeta/quero ver de perto./Quero ver de perto/para me ensinar/as bonitas coisas/do céu e do mar.
Comprei, num dia quase distante, quando minhas filhas mal andavam, um disco de canções e poemas para crianças. Lembram dos “LPs” de vinil? Pois é. Era um bolachão de vinil, um disco sobre criança para criança. Trata-se de “O Menino Poeta”, que me atraiu pelo título e pela capa, que traz um menino sentado no chão segurando os pés, desenhado com giz de cera, muito colorido, ainda que com um ar melancólico. Achei-o numa daquelas incursões por lojas de disco para comprar música para criança. E foi um achado, mesmo. Ainda hoje é um achado.
“O Menino Poeta” traz poemas para crianças, cantados e declamados, de grandes poetas como Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Mário de Andrade, Manuel Bandeira e outros. As declamações são de ninguém mais, ninguém menos que Irene Ravache. Os poemas musicados são cantados por Solange Maria, Mirinha e Coral Infantil. Quem colocou música nos poemas cantados foi Antonio Madureira, que também fez os arranjos e dele também é a regência.
Achei e continuo achando fantástico esse recurso de colocar a poesia para ser cantada, para um público que, como bem diz e repete minha amiga Eloí Elisabet Bocheco, entende e ama a magia e o encantamento desse gênero literário. Isso favorece que aproximemos a literatura de nossas crianças desde muito cedo, para que esses leitores em formação tenham o gosto pela leitura.
Os poemas de Quintana, Drummond, Vinícius, Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, Cassiano Ricardo, Jorge de Lima, Henriqueta Lisboa, Stela Leornardos, Mário de Andrade estão deliciosos na voz da excelente atriz Irene Ravache ou cantadas pelo coral ou pelas cantoras Mirinha e Solange, conferindo-lhes, quem sabe, mais lirismo e mais alegria, reinventando o mágico e o lúdico na cultura infantil.
Que melhor maneira de iniciar nossas crianças na poesia, na literatura, do que apresentá-las à obra de grandes mestres na mais tenra idade? Sempre defendi que a criança que gosta de ler e que sabe o que ler é a criança que conviveu com livros e com literatura desde muito pequena, em sua casa, com sua família.
Não sei se os Estúdios Eldorado, que produziram o disco, lançaram essa seleção em CD. Espero que sim, pois seria uma pena se mais crianças e mais pais não pudessem conhecer um trabalho tão bom em prol da disseminação da boa poesia.
Abaixo, dois poemas dos dezesseis que estão no disco:
CANÇÃO DA GAROA (Mário Quintana): Em cima do meu telhado,/Pirulin, lilin, lulin,
Um anjo todo molhado/Soluça no seu flautim.
O relógio vai bater:/As molas rangem sem fim,/O retrato na parede/Fica olhando para mim.
Chovem sem saber por que.../E tudo foi sempre assim”/Parece que vou sofrer:/Pirulim, lulin, lulin...
O MENINO POETA (Henriqueta Lisboa) O menino poeta/não sei onde está/procuro daqui/procuro de lá/tem olhos azuis/ou tem olhos negros?/Parece Jesus/ou índio guerreiro?
Ai! que esse menino/será, não será?/procuro daqui/procuro de lá.
O menino poeta/quero ver de perto./Quero ver de perto/para me ensinar/as bonitas coisas/do céu e do mar.
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
A DIFUSÃO DA POESIA
Por Luiz Carlos Amorim (escritor e editor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br )
A poesia, até algum tempo atrás, era tida como gênero literário apreciado apenas por intelectuais e/ou adolescentes e merecia pouca atenção de livreiros, editores e leitores, se comparada a outros gêneros, como o romance, por exemplo.
Dos anos 80 para cá, a poesia tomou conta das praças – através dos varais literários e recitais, dos jornais (embora conseguindo aí apenas pequenos espaços), das revistas e livros, citando-se apenas os meios tradicionais de publicação. Sim, porque a poesia saiu do seu suporte tradicional e passou a ocupar camisetas, quadros, shopping-centers, bares, lojas, bancos, palcos, o rádio, a televisão, o disco, embalagens de produtos, out-doors (o pioneiro Projeto Poesia na Rua do Grupo Literário A ILHA) e a internet, que veio para democratizar as oportunidades de levar até o leitor, em qualquer lugar, a produção dos poetas novos ou não.
Um fator decisivo para que a poesia passasse a ser conhecida e apreciada foi o aparecimento dos varais literários, notadamente no norte de Santa Catarina, que a tornaria acessível e popular, enquanto a internet não chegava até nós.
De um primeiro contato com a poesia, através dos varais de poemas, dos recitais de poesia e dos folhetos alternativos, que publicaram, sempre, a produção dos novos poetas, é que os novos leitores poderiam saber se a apreciavam. E muitas das pessoas que esbarravam com a poesia, em qualquer lugar, a qualquer hora, descobriam que gostavam dela, passando a comprar livros, não só de autores locais, mas também de poetas consagrados nacionalmente.
Ao Varal de Poesia – hoje transformado em projetos como Poesia no Shopping - vieram juntar-se os recitais em praça pública, em bares, escolas, festas, etc., que hoje estão voltando à moda, os saraus poéticos, além dos programas de rádio e até a televisão aderiu, com programas literários como “Literatura”, “Entrelinhas” e outros.
O resultado disso tudo é que o público está se aproximando mais da poesia, porque esbarra com ela na praça, nas feiras do livro, nas festas populares, nos shoppings, nos out-doors – impossíveis de não se ver – e até dentro da sua própria casa, quando liga o rádio, a televisão ou acessa a rede.
A própria escola está fazendo o seu papel, incentivando a produção dos seus alunos, promovendo mostras e organizando publicações internas e convidando autores para possibilitar o contato direto autor/leitor. Tempos promissores que prometem resgatar os escritos dos nossos escritores que não têm grandes editoras para publicá-los.
A poesia, até algum tempo atrás, era tida como gênero literário apreciado apenas por intelectuais e/ou adolescentes e merecia pouca atenção de livreiros, editores e leitores, se comparada a outros gêneros, como o romance, por exemplo.
Dos anos 80 para cá, a poesia tomou conta das praças – através dos varais literários e recitais, dos jornais (embora conseguindo aí apenas pequenos espaços), das revistas e livros, citando-se apenas os meios tradicionais de publicação. Sim, porque a poesia saiu do seu suporte tradicional e passou a ocupar camisetas, quadros, shopping-centers, bares, lojas, bancos, palcos, o rádio, a televisão, o disco, embalagens de produtos, out-doors (o pioneiro Projeto Poesia na Rua do Grupo Literário A ILHA) e a internet, que veio para democratizar as oportunidades de levar até o leitor, em qualquer lugar, a produção dos poetas novos ou não.
Um fator decisivo para que a poesia passasse a ser conhecida e apreciada foi o aparecimento dos varais literários, notadamente no norte de Santa Catarina, que a tornaria acessível e popular, enquanto a internet não chegava até nós.
De um primeiro contato com a poesia, através dos varais de poemas, dos recitais de poesia e dos folhetos alternativos, que publicaram, sempre, a produção dos novos poetas, é que os novos leitores poderiam saber se a apreciavam. E muitas das pessoas que esbarravam com a poesia, em qualquer lugar, a qualquer hora, descobriam que gostavam dela, passando a comprar livros, não só de autores locais, mas também de poetas consagrados nacionalmente.
Ao Varal de Poesia – hoje transformado em projetos como Poesia no Shopping - vieram juntar-se os recitais em praça pública, em bares, escolas, festas, etc., que hoje estão voltando à moda, os saraus poéticos, além dos programas de rádio e até a televisão aderiu, com programas literários como “Literatura”, “Entrelinhas” e outros.
O resultado disso tudo é que o público está se aproximando mais da poesia, porque esbarra com ela na praça, nas feiras do livro, nas festas populares, nos shoppings, nos out-doors – impossíveis de não se ver – e até dentro da sua própria casa, quando liga o rádio, a televisão ou acessa a rede.
A própria escola está fazendo o seu papel, incentivando a produção dos seus alunos, promovendo mostras e organizando publicações internas e convidando autores para possibilitar o contato direto autor/leitor. Tempos promissores que prometem resgatar os escritos dos nossos escritores que não têm grandes editoras para publicá-los.
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terça-feira, 4 de agosto de 2009
OS SARAUS POÉTICOS
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
Descobri que nós, do Grupo Literário A ILHA, somos precursores na realização de modernos saraus. O Recital de Poemas, que fazíamos nas praças, em feiras de arte e em locais fechados como festas e escolas eram, na verdade saraus de poesia.
Isso me ocorreu ao ler matéria sobre a existência de dezenas de saraus na cidade de São Paulo, na edição de ontem do Estadão. São mais de trinta, ao todo, a maioria deles reunindo poetas para ler e ouvir poesia, mas alguns dão especo também para teatro, dança, etc.
Fiquei feliz ao saber que um trabalho que já fazíamos há trinta anos atrás está se popularizando, tornando a poesia mais conhecida e praticada, motivando as pessoas a lerem mais e a produzirem mais este gênero ainda meio maldito, pois apesar de ter produção tão intensa, vende tão pouco. Ainda bem que é bastante lido, também, pois a internet possibilitou a exposição e o acesso, embora a qualidade do que é publicado lá nem sempre seja das melhores. Mas isso é assunto para outra crônica.
O importante é que os espaços estão lá, abertos a quem queira utilizá-los e a realidade dos saraus se multiplicando dá gás, dá motivação a quem produz e prazer a quem ama a poesia.
Precisamos voltar a fazer os saraus, por aqui, porque a boa poesia encontra cada vez mais ouvintes, seja aonde for.
Descobri que nós, do Grupo Literário A ILHA, somos precursores na realização de modernos saraus. O Recital de Poemas, que fazíamos nas praças, em feiras de arte e em locais fechados como festas e escolas eram, na verdade saraus de poesia.
Isso me ocorreu ao ler matéria sobre a existência de dezenas de saraus na cidade de São Paulo, na edição de ontem do Estadão. São mais de trinta, ao todo, a maioria deles reunindo poetas para ler e ouvir poesia, mas alguns dão especo também para teatro, dança, etc.
Fiquei feliz ao saber que um trabalho que já fazíamos há trinta anos atrás está se popularizando, tornando a poesia mais conhecida e praticada, motivando as pessoas a lerem mais e a produzirem mais este gênero ainda meio maldito, pois apesar de ter produção tão intensa, vende tão pouco. Ainda bem que é bastante lido, também, pois a internet possibilitou a exposição e o acesso, embora a qualidade do que é publicado lá nem sempre seja das melhores. Mas isso é assunto para outra crônica.
O importante é que os espaços estão lá, abertos a quem queira utilizá-los e a realidade dos saraus se multiplicando dá gás, dá motivação a quem produz e prazer a quem ama a poesia.
Precisamos voltar a fazer os saraus, por aqui, porque a boa poesia encontra cada vez mais ouvintes, seja aonde for.
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segunda-feira, 20 de julho de 2009
GENTE DA TERRA DA GENTE
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
Participei da Feira do Livro de Jaraguá quase no final, não pude estar lá quando da presença de grandes nomes da nossa literatura como Luiz Fernando Veríssimo, mas em compensação, conheci gente boa que estava autografando obra na mesma tarde que eu.
Escritores da terra de quem eu já lera textos em jornais, mas não conhecia pessoalmente. Foi muito prazeroso conhecê-los e saber das suas realizações.
A Sônia Pillon é jornalista, além de escritora, e o seu primeiro livro solo, “Crônicas de Maria e outras tantas”, de crônicas, é apenas o primeiro, pois ela é dinâmica, irrequieta, sempre com mil projetos na cabeça e o fato de ter seu livro selecionado pelo Edital de Apoio à Cultura de Jaraguá do Sul só vem confirmar o seu dom de escritora. O caminho está aberto.
Para Sônia já estava, mas para outros escritores da cidade o edital, que teve a sua primeira edição este ano, abre portas que até então não existiam. Está de parabéns a cidade de Jaraguá do Sul, por adotar, como outras grandes cidades, o edital de apoio à cultura para valorizar os seus talentos.
Outra figura interessantíssima que conheci, eu diria multimídia, foi Gil Solomon, escritor, músico, compositor, professor, etc., etc., etc. Como escritor, ele tem livros de crônicas e poemas que evidenciam um autor experiente e com estilo definido. Estou lendo “Rota de Fuga”, crônicas, “Catarse”, poemas e “Impossíveis amores possíveis”, poemas. Mas Gil, além de escrever, ministra uma oficina literária de criação, para novos poetas exercitarem a arte da poesia. Na continuação, há uma fase de integração com a música, uma ”fusão lítero-musical”, como ele mesmo diz, e alguns poemas criados na oficina podem ser musicados. E mais adiante, fazendo parte do pacote, no show do músico, “Catarse”, que apresenta composições onde as letras são versos dele, algum daqueles poemas musicados na oficina podem ser também apresentados. Não é original?
Participei da Feira do Livro de Jaraguá quase no final, não pude estar lá quando da presença de grandes nomes da nossa literatura como Luiz Fernando Veríssimo, mas em compensação, conheci gente boa que estava autografando obra na mesma tarde que eu.
Escritores da terra de quem eu já lera textos em jornais, mas não conhecia pessoalmente. Foi muito prazeroso conhecê-los e saber das suas realizações.
A Sônia Pillon é jornalista, além de escritora, e o seu primeiro livro solo, “Crônicas de Maria e outras tantas”, de crônicas, é apenas o primeiro, pois ela é dinâmica, irrequieta, sempre com mil projetos na cabeça e o fato de ter seu livro selecionado pelo Edital de Apoio à Cultura de Jaraguá do Sul só vem confirmar o seu dom de escritora. O caminho está aberto.
Para Sônia já estava, mas para outros escritores da cidade o edital, que teve a sua primeira edição este ano, abre portas que até então não existiam. Está de parabéns a cidade de Jaraguá do Sul, por adotar, como outras grandes cidades, o edital de apoio à cultura para valorizar os seus talentos.
Outra figura interessantíssima que conheci, eu diria multimídia, foi Gil Solomon, escritor, músico, compositor, professor, etc., etc., etc. Como escritor, ele tem livros de crônicas e poemas que evidenciam um autor experiente e com estilo definido. Estou lendo “Rota de Fuga”, crônicas, “Catarse”, poemas e “Impossíveis amores possíveis”, poemas. Mas Gil, além de escrever, ministra uma oficina literária de criação, para novos poetas exercitarem a arte da poesia. Na continuação, há uma fase de integração com a música, uma ”fusão lítero-musical”, como ele mesmo diz, e alguns poemas criados na oficina podem ser musicados. E mais adiante, fazendo parte do pacote, no show do músico, “Catarse”, que apresenta composições onde as letras são versos dele, algum daqueles poemas musicados na oficina podem ser também apresentados. Não é original?
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
DANÇA É VIDA!
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )
A minha crônica de domingo, sobre dança de salão, rendeu dividendos: descobri uma poeta e ganhei uma amiga. Quem leu, lembra que falei do churrasco da turma de alunos das aulas de danças gauchescas do Ateliê da Dança. Revi amigos, conheci outros, até dancei, apesar da gripe.
Pois a professora Renata (desculpe não ter podido ir à aula nesta quinta, mas a gente vai, ainda, se Deus quiser!) leu, imprimiu e colocou no mural da academia e a Grace, aluna de dança de salão, viu e contatou, enviando o poema que transcrevo abaixo.
Vou publicar, também, na revista eletrônica de literatura Literarte de julho, no portal Prosa, Poesia & Cia. do Grupo Literário A ILHA, em http://br.geocities.com/prosapoesiaecia .
A Grace me disse que não é poeta, que está dando os primeiros passos, mas o poema dela deixa transparecer alguém que já tem muita familiaridade com a poesia, tem sensibilidade, lirismo, ritmo e conteúdo. Parece que ela tem muita poesia para escrever. Dou, então, de presente pra vocês, sem nem mesmo consultar a Grace, o poema que ela me enviou, sem título, e que eu chamaria de “Dança é vida”:
A vida é como a dança
Nessas andanças e mudanças,
a gente dança, a gente vive,
a gente sonha, a gente improvisa
e a gente cresce
Qualquer lugar vira palco
e a hora do show é,
sem mais nem menos,
o agora
O improviso é contínuo,
há giros, há saltos,
há técnica, há emoção!
Ao mesmo tempo também há tropeços,
há desequilíbrios, há esquecimentos
e algumas vezes, decepção...
Para quem danço?
Nem eu sei...
Mas eu continuo a dançar,
pois de uma coisa eu tenho certeza:
ela alegra a minha alma
Às vezes as pessoas me aplaudem,
outras vezes, não
A vida me dita o ritmo,
Que oscila
Ela vai, volta, brinca comigo, me engana...
Mas eu sigo o compasso...
eu o busco sempre
Enquanto houver vida, há música....
e há dança!
Por ora danço rápido,
por ora danço devagar,
Por ora danço sozinha,
por ora posso dançar
na companhia de alguém
A sintonia em dançar a dois, é perfeita,
Nos entendendo, nós dançamos juntos,
Se não nos entendemos, nós erramos juntos
A dança é facilmente compartilhada a dois!
A sintonia em dançar a dois, é perfeita,
assim como o amor
A dança é como uma linguagem universal...
um instinto natural
Mas claro! Na verdade, já nasceu dentro de nós
Todos somos bailarinos da vida
Mas saiba que meus passos são únicos
Ninguém dança como eu
Meus movimentos são só meus,
assim como os seus...
Eles têm o jeito e a forma de quem os cria
e tem o sentimento de quem os comanda,
em cada momento distinto
Por isso eu vivo, quer dizer, eu danço, sempre,
com o coração repleto de amor!
A minha crônica de domingo, sobre dança de salão, rendeu dividendos: descobri uma poeta e ganhei uma amiga. Quem leu, lembra que falei do churrasco da turma de alunos das aulas de danças gauchescas do Ateliê da Dança. Revi amigos, conheci outros, até dancei, apesar da gripe.
Pois a professora Renata (desculpe não ter podido ir à aula nesta quinta, mas a gente vai, ainda, se Deus quiser!) leu, imprimiu e colocou no mural da academia e a Grace, aluna de dança de salão, viu e contatou, enviando o poema que transcrevo abaixo.
Vou publicar, também, na revista eletrônica de literatura Literarte de julho, no portal Prosa, Poesia & Cia. do Grupo Literário A ILHA, em http://br.geocities.com/prosapoesiaecia .
A Grace me disse que não é poeta, que está dando os primeiros passos, mas o poema dela deixa transparecer alguém que já tem muita familiaridade com a poesia, tem sensibilidade, lirismo, ritmo e conteúdo. Parece que ela tem muita poesia para escrever. Dou, então, de presente pra vocês, sem nem mesmo consultar a Grace, o poema que ela me enviou, sem título, e que eu chamaria de “Dança é vida”:
A vida é como a dança
Nessas andanças e mudanças,
a gente dança, a gente vive,
a gente sonha, a gente improvisa
e a gente cresce
Qualquer lugar vira palco
e a hora do show é,
sem mais nem menos,
o agora
O improviso é contínuo,
há giros, há saltos,
há técnica, há emoção!
Ao mesmo tempo também há tropeços,
há desequilíbrios, há esquecimentos
e algumas vezes, decepção...
Para quem danço?
Nem eu sei...
Mas eu continuo a dançar,
pois de uma coisa eu tenho certeza:
ela alegra a minha alma
Às vezes as pessoas me aplaudem,
outras vezes, não
A vida me dita o ritmo,
Que oscila
Ela vai, volta, brinca comigo, me engana...
Mas eu sigo o compasso...
eu o busco sempre
Enquanto houver vida, há música....
e há dança!
Por ora danço rápido,
por ora danço devagar,
Por ora danço sozinha,
por ora posso dançar
na companhia de alguém
A sintonia em dançar a dois, é perfeita,
Nos entendendo, nós dançamos juntos,
Se não nos entendemos, nós erramos juntos
A dança é facilmente compartilhada a dois!
A sintonia em dançar a dois, é perfeita,
assim como o amor
A dança é como uma linguagem universal...
um instinto natural
Mas claro! Na verdade, já nasceu dentro de nós
Todos somos bailarinos da vida
Mas saiba que meus passos são únicos
Ninguém dança como eu
Meus movimentos são só meus,
assim como os seus...
Eles têm o jeito e a forma de quem os cria
e tem o sentimento de quem os comanda,
em cada momento distinto
Por isso eu vivo, quer dizer, eu danço, sempre,
com o coração repleto de amor!
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