COMENTE

Sua opinião é importante. Comente, critique, sugira, participe da discussão.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A POESIA E AS CIDADES

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

A poesia é necessária? Sei que essa pergunta já foi feita muitas vezes e a resposta pode ser diferente, dependendo de quem responde. Eu responderia que ela é, sim, necessária, porque ela faz parte da vida da gente, ela pode ter um papel importante dentro da comunidade, ela pode ser moradora expressiva e atuante de uma cidade. Senão vejamos: por quase vinte anos, “os poetas da praça” do Grupo Literário A ILHA participaram da vida cultural do norte catarinense, levando a poesia para a rua, para a praça, para a escola, para o shopping, para o banco, para os bares, para os palcos, para todos os lugares. Dizer que participaram talvez seja dizer pouco, pois eles se tornaram tradição e referência poéticas, eles eram parte e, às vezes, o todo da cultura de uma cidade como Joinville, onde tiveram sua sede por dezenove anos.
O grupo foi presença marcante na Feira de Arte de Joinville , mês após mês, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas, além de levar estes mesmos trabalhos, com regularidade, também às feiras de arte de Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, e com menor freqüência a outras cidades do estado.
O Varal da Poesia especial, com dezenas de poemas sobre dança e dançarinos, foi durante quase duas décadas, um evento paralelo integrado ao Festival de Dança de Joinville. Na praça e depois em out-doors, com o Projeto Poesia na Rua, o Grupo Literário A ILHA espalhava poesia pela cidade. Além do Varal da Poesia e do Recital, o grupo realizava outros projetos, como Sanfona Poética, que reunia numa folha dobrada três vezes, meia dúzia de poemas de um mesmo autor ou de vários, que eram distribuídos aos visitantes da feira de arte gratuitamente. Também foi popular o projeto Poesia Carimbada, que consistia em carimbos que estampavam poemas completos e podiam ser impressos em qualquer superfície, fosse caderno, livro ou papel solto.
Outro evento tradicional do qual o Varal da Poesia já era parte inseparável é a Festa das Flores da Cidade das Flores. Um varal especial, com cerca de meia centena de poemas sobre flores e sobre Joinville ocupava um stand na grande festa, por anos a fio, cantando a beleza e o perfume de todas as flores, sob o ponto de vista de vários poetas da praça. A divulgação mais eficiente do trabalho do Grupo Literário A ILHA e a ligação da palavra poesia com o nome da cidade adveio da visitação do varal da poesia por visitantes de vários pontos do país, que vinham para o Festival de Dança e para a Festa das Flores. E a cidade passou a ser também a Cidade da Poesia.
Além disso, com o apoio de comunicadores do rádio, nos anos oitenta e noventa, os poetas do Grupo A ILHA colocaram a poesia no ar, em programas como Show das Dez e Fim de Noite. E mais, os poetas da praça levaram a poesia também aos jornais e à televisão, em colunas assinadas por integrantes do grupo e em programas no canal local, quando de encontros e lançamentos de livros, popularizando um gênero até então maldito, pois não vendia livros.
Hoje, infelizmente, os espaços para a poesia inexistem no rádio, na televisão e até nos jornais.
Os poetas da praça, no entanto, continuam batalhando para manter alguns dos espaços que conquistaram, como a revista do Grupo, o Suplemento Literário A ILHA, que como o grupo, completa trinta anos de existência em junho deste ano, como o Varal da Poesia, que evoluiu para o Projeto Poesia no Shopping, e lançando mão do espaço democrático que é a Internet, com um portal literário, PROSA, POESIA & CIA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ e, ainda, a publicação de livros.
As cidades da nossa Santa e Bela Catarina sempre valorizaram a poesia de seus poetas das praças, por isso aos trinta anos de atividades do Grupo A ILHA devem se somar muitos mais ainda. Os projetos existentes vão se adequando às mudanças que o progresso traz e novos projetos vão sendo colocados em prática para a divulgação da poesia, pois ela precisa chegar até os leitores sensíveis e românticos, que graças a Deus existem nas nossas cidades. Eles não são tantos quanto desejaríamos, mas existem e o nosso trabalho é encontrá-los.
O advento das feiras do livro, com número crescente a cada ano por todo o estado (e pelo Brasil, também), fez com que um projeto como o Recital de Poemas, por exemplo, fosse repensado para vestir nova roupagem. Em conversa com editores e livreiros, durante uma edição da Feira do Livro de Florianópolis, o projeto ganhou mobilidade e continuidade: os poetas da praça, além de autografar seus livros nas próximas feiras, aproveitarão o espaço e a concentração de público interessado em literatura, para declamar poesia pelos corredores.
A idéia foi trabalhada e amadureceu a partir dos contadores de histórias e tocadores de instrumentos musicais, que vimos no meio do público na feira de rua e na feira no shopping, oferecendo historias infantis e música aos visitantes.
E assim, estaremos nos aproximando ainda mais dos moradores de nossas cidades, mostrando-lhes que a poesia existe e que ela não é leitura de meia dúzia de intelectuais. Sempre defendemos que precisamos colocar a poesia nos ouvidos, nos olhos e no coração do leitor, seja com o varal, com os out-doors, com declamação, com as publicações, o que for, para que ele descubra se gosta ou não. Alguns descobrem que gostam. E é através desses leitores que se deixam invadir pela poesia, que ela passa a fazer parte da cidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário