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sexta-feira, 4 de junho de 2010

GRUPO LITERÁRIO A ILHA: 30 ANOS DE TRAJETÓRIA


Varal da Poesia nos anos 80 em Joinville


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
O Grupo Literário A ILHA comemora mais um aniversário, neste mês de junho de 2010. São trinta anos de atividades em prol da poesia e da literatura catarinense e brasileira, pois nosso campo de atuação não se restringe apenas ao nosso estado.
E comemorar todo esse tempo de trajetória é importante dividir o reconhecimento vindo de meios literários de todos os cantos e leitores de diversos pontos do país e também do exterior. Inúmeros escritores, de vários estados e de outros países, passaram pelas páginas do nosso suplemento literário e não só visitaram como também colaboraram, com seu trabalho, no portal Prosa, Poesia & Cia, mantido pelo grupo desde os anos 90 na Internet – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ , levando para o mundo todo a literatura catarinense e brasileira. Sem eles, sem os escritores e os leitores, nosso trabalho não teria razão de ser e por isso agradecemos a todos o que construímos juntos até aqui.
E comemoramos estes trinta anos de caminhada com a publicação especial de aniversário do Suplemento Literário, que trouxe, na edição 113, de junho de 2010, vários e importantes escritores catarinenses contando a história do grupo A ILHA e de sua revista.
Estivemos comemorando, também, na Feira Catarinense do Livro, em Florianópolis, em maio, com o lançamento da edição especial de aniversário do Suplemento Literário A ILHA e também o lançamento da Coleção Letra Viva, entregando ao público três volumes de crônicas, de integrantes do grupo: Mary Bastian, Célia Biscaia Veiga e Jurandir. Outros volumes virão.

PEQUENA HISTÓRIA DA TRAJETÓRIA DO GRUPO LIT. A ILHA

Em junho de 1980 o jornal “A ILHA”, de São Francisco do Sul, publicava a primeira edição do seu Suplemento Literário. Devido ao recebimento de textos dos leitores – contos, poemas, crônicas – o jornal decidiu pelo suplemento, já que não havia espaço disponível. Nascia, assim, o Grupo Literário A ILHA.
O jornal acabou, mas o Suplemento Literário A ILHA existe até hoje, TRINTA ANOS depois, com o mesmo propósito de dar espaço aos escritores que queiram lutar pela popularização e valorização da literatura. O Grupo desenvolveu suas atividades em São Francisco por dois anos e em 1982 transferiu sua sede para Joinville, onde participou da vida cultural do norte e nordeste de Santa Catarina até fins de 1999. No ano de 2000, fincou raízes em Florianópolis, voltando a justificar o nome que havia adotado em outra ilha, São Francisco do Sul.

QUASE DUAS DÉCADAS DE ATIVIDADES EM JOINVILLE

Por quase vinte anos, “os poetas da praça” do Grupo Literário A ILHA participaram da vida cultural do norte catarinense, levando a poesia para a rua, para a praça, para a escola, para o shopping, para o banco, para os bares, para os palcos, para todos os lugares. Dizer que participaram talvez seja dizer pouco, pois eles se tornaram tradição e referência poéticas, eles eram parte e, às vezes, o todo da cultura de uma cidade como Joinville, onde tiveram sua sede por dezenove anos.
O grupo foi presença marcante na Feira de Arte de Joinville, parte intrínseca daquele evento, mês após mês, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas, além de levar estes mesmos trabalhos, com regularidade, também às feiras de arte de Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, e com menor freqüência a outras cidades do estado.
O Varal da Poesia especial, com dezenas de poemas sobre dança e dançarinos, foi durante quase duas décadas, um evento paralelo integrado ao Festival de Dança de Joinville. Na praça e depois em out-doors, com o Projeto Poesia na Rua, o Grupo Literário A ILHA espalhava poesia pela cidade. Além do Varal da Poesia e do Recital, o grupo realizava outros projetos, como Sanfona Poética e Poesia Carimbada.
Outro evento tradicional do qual o Varal da Poesia já era parte integrante é a Festa das Flores de Joinville. Um varal especial, com cerca de meia centena de poemas sobre flores e sobre Joinville ocupava um stand na grande festa, por anos a fio, cantando a beleza e o perfume de todas as flores, sob o ponto de vista de vários poetas da praça.
A divulgação mais eficiente do trabalho do Grupo Literário A ILHA e a ligação da palavra poesia com o nome da cidade adveio da visitação do varal da poesia por visitantes de vários pontos do país, que vinham para o Festival de Dança e para a Festa das Flores. E a cidade passou a ser também a Cidade da Poesia.
Além disso, com o apoio de comunicadores do rádio, nos anos oitenta e noventa, os poetas do Grupo A ILHA colocaram a poesia no ar, em programas como Show das Dez e Fim de Noite. E mais, os poetas da praça levaram a poesia também aos jornais e à televisão, em colunas assinadas por integrantes do grupo e em programas no canal local, quando de encontros e lançamentos de livros, popularizando um gênero até então maldito, pois não vendia livros.
Hoje, infelizmente, os espaços para a poesia praticamente inexistem no rádio, na televisão e até nos jornais. Os poetas da praça, no entanto, continuam batalhando para manter alguns dos espaços que conquistaram, como a sua revista, o Suplemento Literário A ILHA, que como o grupo, completa trinta anos de existência ultrapassando a barreira das cem edições, como o Varal da Poesia, que evoluiu para o Projeto Poesia no Shopping, e lançando mão do espaço democrático que é a Internet, com um portal literário, PROSA, POESIA & CIA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ e, ainda, a publicação de livros, através das Edições A ILHA.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A POESIA E AS CIDADES

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

A poesia é necessária? Sei que essa pergunta já foi feita muitas vezes e a resposta pode ser diferente, dependendo de quem responde. Eu responderia que ela é, sim, necessária, porque ela faz parte da vida da gente, ela pode ter um papel importante dentro da comunidade, ela pode ser moradora expressiva e atuante de uma cidade. Senão vejamos: por quase vinte anos, “os poetas da praça” do Grupo Literário A ILHA participaram da vida cultural do norte catarinense, levando a poesia para a rua, para a praça, para a escola, para o shopping, para o banco, para os bares, para os palcos, para todos os lugares. Dizer que participaram talvez seja dizer pouco, pois eles se tornaram tradição e referência poéticas, eles eram parte e, às vezes, o todo da cultura de uma cidade como Joinville, onde tiveram sua sede por dezenove anos.
O grupo foi presença marcante na Feira de Arte de Joinville , mês após mês, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas, além de levar estes mesmos trabalhos, com regularidade, também às feiras de arte de Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, e com menor freqüência a outras cidades do estado.
O Varal da Poesia especial, com dezenas de poemas sobre dança e dançarinos, foi durante quase duas décadas, um evento paralelo integrado ao Festival de Dança de Joinville. Na praça e depois em out-doors, com o Projeto Poesia na Rua, o Grupo Literário A ILHA espalhava poesia pela cidade. Além do Varal da Poesia e do Recital, o grupo realizava outros projetos, como Sanfona Poética, que reunia numa folha dobrada três vezes, meia dúzia de poemas de um mesmo autor ou de vários, que eram distribuídos aos visitantes da feira de arte gratuitamente. Também foi popular o projeto Poesia Carimbada, que consistia em carimbos que estampavam poemas completos e podiam ser impressos em qualquer superfície, fosse caderno, livro ou papel solto.
Outro evento tradicional do qual o Varal da Poesia já era parte inseparável é a Festa das Flores da Cidade das Flores. Um varal especial, com cerca de meia centena de poemas sobre flores e sobre Joinville ocupava um stand na grande festa, por anos a fio, cantando a beleza e o perfume de todas as flores, sob o ponto de vista de vários poetas da praça. A divulgação mais eficiente do trabalho do Grupo Literário A ILHA e a ligação da palavra poesia com o nome da cidade adveio da visitação do varal da poesia por visitantes de vários pontos do país, que vinham para o Festival de Dança e para a Festa das Flores. E a cidade passou a ser também a Cidade da Poesia.
Além disso, com o apoio de comunicadores do rádio, nos anos oitenta e noventa, os poetas do Grupo A ILHA colocaram a poesia no ar, em programas como Show das Dez e Fim de Noite. E mais, os poetas da praça levaram a poesia também aos jornais e à televisão, em colunas assinadas por integrantes do grupo e em programas no canal local, quando de encontros e lançamentos de livros, popularizando um gênero até então maldito, pois não vendia livros.
Hoje, infelizmente, os espaços para a poesia inexistem no rádio, na televisão e até nos jornais.
Os poetas da praça, no entanto, continuam batalhando para manter alguns dos espaços que conquistaram, como a revista do Grupo, o Suplemento Literário A ILHA, que como o grupo, completa trinta anos de existência em junho deste ano, como o Varal da Poesia, que evoluiu para o Projeto Poesia no Shopping, e lançando mão do espaço democrático que é a Internet, com um portal literário, PROSA, POESIA & CIA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ e, ainda, a publicação de livros.
As cidades da nossa Santa e Bela Catarina sempre valorizaram a poesia de seus poetas das praças, por isso aos trinta anos de atividades do Grupo A ILHA devem se somar muitos mais ainda. Os projetos existentes vão se adequando às mudanças que o progresso traz e novos projetos vão sendo colocados em prática para a divulgação da poesia, pois ela precisa chegar até os leitores sensíveis e românticos, que graças a Deus existem nas nossas cidades. Eles não são tantos quanto desejaríamos, mas existem e o nosso trabalho é encontrá-los.
O advento das feiras do livro, com número crescente a cada ano por todo o estado (e pelo Brasil, também), fez com que um projeto como o Recital de Poemas, por exemplo, fosse repensado para vestir nova roupagem. Em conversa com editores e livreiros, durante uma edição da Feira do Livro de Florianópolis, o projeto ganhou mobilidade e continuidade: os poetas da praça, além de autografar seus livros nas próximas feiras, aproveitarão o espaço e a concentração de público interessado em literatura, para declamar poesia pelos corredores.
A idéia foi trabalhada e amadureceu a partir dos contadores de histórias e tocadores de instrumentos musicais, que vimos no meio do público na feira de rua e na feira no shopping, oferecendo historias infantis e música aos visitantes.
E assim, estaremos nos aproximando ainda mais dos moradores de nossas cidades, mostrando-lhes que a poesia existe e que ela não é leitura de meia dúzia de intelectuais. Sempre defendemos que precisamos colocar a poesia nos ouvidos, nos olhos e no coração do leitor, seja com o varal, com os out-doors, com declamação, com as publicações, o que for, para que ele descubra se gosta ou não. Alguns descobrem que gostam. E é através desses leitores que se deixam invadir pela poesia, que ela passa a fazer parte da cidade.