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sábado, 12 de dezembro de 2009

ÁRVORES DE NATAL


Por Luiz Carlos Amorim - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Estávamos no inverno, mas sempre que saía de casa, para ir ao trabalho, à academia, à aula de inglês, ao supermercado, ou simplesmente para caminhar, encontrava no caminho, em algum jardim ou esquina, um pé de jacatirão. Eu já disse que era inverno? Pois é, e lá estavam elas, pequenas mas majestosas, às vezes nem tão pequenas, cobertas de flores de pétalas coloridas em tons que vão desde o branco até o vermelho.
Fiquei maravilhado com o fato de poder vê-las – as flores de jacatirão – em junho, julho, quando o frio do inverno não é propício a uma flor que eu reputava ser de um tempo mais quente.
Eu estava acostumado a tê-las a partir de outubro, na primavera e no verão. No norte e nordeste de Santa Catarina, as matas, as florestas, as encostas ficam tingidas de vermelho, lilás e branco, num espetáculo grandioso, numa deslumbrante festa de cores.
E esta encantadora e inigualável performance da natureza começa em meados da primavera, indo até o auge do verão, enfeite natural de nossas árvores de Natal, a explosão de cores para festejar a chegada dos novos anos.
Em janeiro, quando as flores estão acabando em Santa Catarina, recomeça o espetáculo no Paraná, em São Paulo e pelo Brasil afora, beleza que pode ser vista por todos que passam pela BR 101 e outras rodovias.
Por volta de abril, perto da Páscoa, as flores de jacatirão florescem no interior de Santa Catarina, mais ao sul, e também no Rio Grande ao Sul. Por isso, os pés de jacatirão têm também o nome de Quaresmeira: em alguns estados – e eu não vou enumerar, pois são muitos – os jacatirões florescem na quaresma, substituindo o verde das matas pelas cores das suas pétalas, pelos nossos outonos afora.
É uma flor de todas as estações e é uma árvore das mais belas, só se comparando à luminosidade de um ipê florido, quando todas as suas folhas desaparecem para dar lugar às pétalas amarelas.
A diferença é que esperamos a visão fantástica de um ipê faiscando luz dourada por um ano e só podemos ver este espetáculo por uma semana. Os pés de jacatirão, no entanto, florescem durante meses, são mais humildes, mas mais generosos, mais numerosos, mais freqüentes. Mais numerosos até que as azaléias, que também florescem no inverno, em julho, fechando de flores vermelhas, brancas ou rosas suas touceiras. Até porque a azaléia é cultivada nos jardins, enquanto os jacatirões, apesar de existirem, em sua versão híbrida, em muitos jardins – aqueles que florescem nos tempos frios – nascem e crescem livres pela natureza.

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