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sábado, 4 de outubro de 2014

OS CANDIDATOS A GOVERNADOR E A CULTURA CATARINENSE


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Os jornais Diário Catarinense, A Notícia e Santa deste primeiro dia de outubro trouxeram as intenções de candidatos a governador do Estado de Santa Catarina no que se refere à Cultura. Aliás, bem a propósito, pois os candidatos não previam a existência da cultura em suas promessas de campanha. Foi preciso arrancar a fórceps alguma palavra deles sobre o que pretendem fazer n este setor tão relegado a último plano nos quatro anos do atual governo.
Já estamos no final do governo de Raimundo Colombo e as coisas praticamente não mudaram, no que diz respeito à educação, à saúde, à segurança, à cultura. Ao invés de melhorar, tudo piorou.
Muito se fala em cultura, por exemplo, mas de concreto, quase nada foi feito. Cadê uma política cultural estável, funcional, que contemple todo o Estado, coisa que está faltando de há muito tempo? O CIC - Centro Integrado de Cultura,onde funciona a Fundação catarinense de Cultura, o Teatro Ademir Rosa e outras entidades culturais catarinenses, teve a reforma concluída, finalmente, passados vários anos e gastos muitos milhões de reais dos cofres públicos, mas logo em seguida foi interditado, pelo não cumprimento de vários itens de segurança. Recentemente veio à tona a denúncia de que vários itens importantes estavam sendo deteriorados em salas onde chovia dentro, a despeito da reforma. Estamos esperando, ainda, que responsabilidades sejam apuradas por tanta irresponsabilidade e com tanto dinheiro dispendido.
É preciso dar continuidade ao Prêmio Cruz e Sousa, também, e ao Edital para compra de livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais. Trata-se, este último, de uma lei que há quase vinte anos não vinha sendo cumprida e que teve, finalmente, um edital na gestão de Anita Pires. Precisamos de bibliotecários nas escolas públicas, coisa que o Estado não tem suprido como deveria. Aliás, falta professores, falta equipamento, falta manutenção, falta salário, falta tudo para a educação catarinense. E falta integração da capital com a cultura de todo o Estado, mais atenção da Secretaria de Cultura e da FCC a todas as manifestações culturais catarinenses, de qualquer cidade catarinense. Esperávamos que as coisas andassem melhor, neste  governo que está para terminar, mas não melhorou nada, pelo contrário.
O que ainda há deve-se a abnegados escritores e agitadores culturais que, tirando água de pedra, realizam eventos culturais sem o apoio do Estado.
Na verdade, precisamos muito de uma política cultural que funcione, que contemple todas as modalidades de arte. Mas não basta que se estude, que se discuta, que se planeje, que se faça leis que não são cumpridas, que se prometa, apenas. Temos, em SC, boas iniciativas que funcionaram, como o Prêmio Cruz e Sousa de Literatura, que concedeu os maiores prêmios em dinheiro do país, além da publicação dos livros, para autores não só catarinenses, mas também a nível nacional.
Então é preciso cobrar dos candidatos, desde já, o que será feito para resgatar a nossa cultura. Pra começar, o atual governador, que é candidato a mais um mandato, não aceitou o convite para a sabatina sobre o futuro da cultura catarinense.
Bopré e Vignatti foram favoráveis a que haja uma secretaria exclusiva para a Cultura. Atualmente a cultura divide uma secretaria com o turismo e o esporte. Bauer fugiu da pergunta e não se comprometeu nesse sentido.
A lei Grando, que citamos acima, foi lembrada pelo candidato Bopré, que se comprometeu a cumpri-la. Já Vignatti prometeu edital específico para o livro, o que seria uma coisa muito boa para os escritores catarinenses. Bauer prometeu priorizar as bibliotecas públicas e valorizar o escritor catarinense, o que é meio genérico, mas cobraremos dele se for eleito.
Sobre política pública cultural, Bopré diz que ela tem que valorizar a cultura do povo. Afirma que cultura e educação são investimentos fundamentais. Coisa que o candidato vencedor deverá colocar em prática. Vignatti disse que não temo investimento específico na cultura. Verdade. Mas não disse o que fará, se for eleito. Neste quesito Bauer diz que é importante que o governo destine recursos para a cultura. Sabemos que é importante, importantíssimo. Mas é preciso que isso seja feito e não apenas falado.
Falaram ainda da necessidade de realizar o Edital Elisabete Anderle anualmente e do apoio à criação da Faculdade de Dança pela Udesc, da popularização da música local, das leis de incentivo, do apoio a entidades de artes plásticas, do fomento ao cinema e da urgência em dialogar com o setor artístico e cultural para definir políticas, metas e prioridades para tocar a cultura em Santa Catarina.
Uma pena que Colombo não participou da sabatina, pois como teve quatro anos para melhorar o setor cultural no Estado e não o fez, seria interessante saber o que ele pretende fazer nos próximos quatro anos, caso seja reeleito. Esperemos, caso ele seja reeleito, que não repita o que fez no primeiro mandato.

 (Artigo publicado no Diário da Manhã de 05.10.14)

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