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domingo, 12 de outubro de 2014

PÓS-ELEIÇÕES


              Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Passadas as eleições, vimos resultados esperados, mas nem por todos desejados. Candidatos ficha suja eleitos, grandes abstenções, número expressivo de votos nulos e brancos. Em vista disso,  os comentaristas de plantão perguntam, atônitos: porque os eleitores estão se negando a votar em qualquer candidato a alguns cargos, mesmo indo às urnas? Não se pode abdicar do direito de escolher os políticos que vão estar no poder, a responsabilidade é do eleitor por aqueles que ele elege. É preciso votar em alguém. É? Com os candidatos que temos? Mas votamos mesmo assim. A verdade é que merecemos o estado de coisas lastimável que temos grassando na administração pública, no poder público, porque não sabemos votar, não pesquisamos a vida do candidato em quem votamos. Se soubermos avaliar, quem sabe não encontramos um candidato decente? E se não encontrar, há que não se votar em ninguém, sim, para que se saiba que não estamos de acordo com o que está rolando.

Tanto é verdade, que este ano, juntando as abstenções, os votos nulos e os votos em branco, este índice chegou a trinta por cento – mais de 38 milhões de eleitores que resolveram mostrar sua indignação não votando em nenhum dos candidatos oferecidos. E deu resultado, o fato chamou a atenção da mídia e nos dias após as eleições os jornais, a televisão, a internet, estão discutindo este “fenômeno”. E tem que ser discutido, porque essa é a manifestação do  eleitor para que os “políticos” saibam que não estamos satisfeitos com a corrupção e impunidade que aumenta cada vez mais, com os fichas-sujas que no empurram goela abaixo.

É óbvio que se eleitor não votou, é porque não tinha nenhum candidato que o representasse. Os conhecidos, mais “populares”, já sabemos muito sobre eles, então o eleitor consciente não tem como lhes dar mais um voto de confiança, pois eles não são dignos de mais nenhuma confiança. Os novos, que poderiam oxigenar, quem sabe, a “política” que está aí, não têm os nomes conhecidos, pouco se ouviu sobre eles e os segundos do horário político não os dá a conhecer, mesmo que a propaganda fosse palatável. Então considerando “que eles não têm chance” perante os “maiores”, o eleitor acaba achando que é melhor não “desperdiçar” o voto.

Isso sem considerar que  a famigerada propaganda eleitoral dá quantidades de tempo diferente, conforme o tamanho do partido e das coligações. Então um candidato tem muito tempo,  enquanto o outro tem quase nenhum. E há ainda as bolsas isto e bolsa aquilo que garantem votos para uns e outros, queiramos nós ou não.

Votamos pelo simples fato de termos que votar, sem nos importarmos com o que aquele candidato que escolhemos vai fazer em nosso nome, ou vai deixar de fazer. E ele está lá porque o colocamos lá, está lá para trabalhar por nós e para nós, afinal, somos nós que os pagamos. Pagamos inclusive todos os valores que são “desviados”.

É premente que a educação do povo brasileiro seja resgatada, pois sem isso não há como esperar que o panorama seja melhor. Sem educação, sem instrução, sem cultura, um povo não sabe a importância de escolher seus representantes no poder, não sabe como avaliar as pessoas que colocará na administração pública,  nos destinos da nação e da sua própria vida. Um povo sem educação não sabe votar e não sabe exercitar seus direitos e deveres.

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