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domingo, 26 de julho de 2015

SER AVÔ



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Ainda não sou avô e isso me deixa um pouquinho frustrado. Já passei dos sessenta, minha filharada já se foi mundo afora, meu sobrinho que “quase” mora conosco está crescendo, se tornando adolescente e logo também vai alçar voo e nossa casa vai ficar sem barulho de criança. Outra vez.
Gostaria que o Dia dos Avós fosse meu também. Avós são os pais que mimam os filhos que não são deles, os filhos dos filhos deles. Não quero ficar velho demais para não poder fazer isso. Penso que, no meu caso, os netos fazem mais falta a mim do que a minha falta faria a eles.
E eu gostava muito de minhas avós. Meus avôs não foram tão próximos: meu avô paterno faleceu muito cedo, eu ainda era muito pequeno, mas sei que ele gostava muito de nós, netos, pois colecionava guloseimas para trazer-nos quando vinha nos visitar. Meu avô materno era mais conservador, não era muito de se aproximar de crianças. Mas minhas avós eram criaturas maravilhosas. Minha vó Estefânia, a  “vó pequeninha”, era pequeninha mesmo, mas apesar de analfabeta, era uma pessoa inteligente, sábia até, eu diria, tinha muito conhecimento empírico. Era excelente contadora de histórias e encantava a gente quando sentávamos a sua volta. Como toda avó, fazia uma comidinha simples, mas deliciosa. Tenho muita saudade.
Minha vó Paula era uma mulher alta, por isso era a nossa vó Grande. Eu era menino, ainda, quando ele foi morar em Curitiba. Fez falta em Corupá, mas era bom ir visitá-la e receber a sua visita. Era carinhosa e divertida, era moderna, pois acompanhava as mudanças que o progresso traz. Como eu já disse em outra oportunidade, Curitiba perdeu a graça, depois que ela se foi.
Então, não estou cobrando, pois sei que elas estão programando a sua vida, é assim que deve ser, mas é uma responsabilidade da minha filharada: quero ser avô. Para não ficar em casa no dia 26 de julho de próximos anos, a escrever uma crônica como essa e sim poder ir visitar os netos. Seja onde for, nem que tenha que atravessar o Atlântico para isso.

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