Em uma visita ao professor Lauro Junkes, pesquisador e crítico literário mais atuante em Santa Catarina, com um trabalho constante e sério, sempre divulgando as letras do estado, seja a obra de novos escritores ou de autores consagrados, ganhei um grande presente. Foi engraçado, pois fui cobrar um presente que ele me prometera e ele me deu mais outros. O presente que não havia sido prometido é o livro “Caminhos do Mar” - Antologia Poética Açoriano-Catarinense. Corria o ano de 2005.
Reputo de grande importância essa integração de poetas catarinenses com os poetas de além-mar, porque afinal de contas, foram eles que trouxeram para cá a nossa língua, a língua portuguesa. A única língua, aliás, que tem a palavra saudade.
Mas não me surpreende que tenha sido o professor Lauro a estar a frente do grupo que organizou a antologia luso-catarinense. Incansável, além das inúmeras resenhas sobre a obra de quase todos os escritores de Santa Catarina – e de outras plagas, também – ele tem algumas dezenas de livros publicados sobre literatura, foi o presidente da Academia Catarinense de Letras, numa gestão das mais atuantes e tem resgatado a obra de grandes nomes da literatura de nosso estado, republicando suas obras. Ele organizou e publicou, por exemplo, a obra de Luiz Delfino, o grande lírico da poesia brasileira, o segundo maior poeta catarinense, ficando apenas atrás de Cruz e Sousa. São mais de 1.300 (mil e trezentas) páginas, divididas em dois volumes: “Poesia Completa – Sonetos” e “Poesia Completa – Poemas Longos”.
O professor Lauro publicou, também os Contos Completos de Virgílio Várzea, em dois volumes, a Poesia Reunida de Maura Senna Pereira, o Teatro escolhido de Horácio Nunes Pires. E mais resgates de obras importantes estavam sendo feitos e seriam publicados, não fosse a morte do escritor e pesquisador recentemente.
Ele já havia escrito “Açores – Travessias”, mostrando a influência da cultura açoriana sobre escritores catarinenses, como Almiro Cadeira, Flávio José Cardoso, Virgílio Várzea, Othon D´Eça e Franklin Cascaes. O livro analisa as obras dos cinco escritores, destacando a sua ligação com a cultura açoriana. “Açores – Travessias” foi lançado, em meados de 2005, no evento Travessias - Encontro de Escritores Atlânticos - Açores-Brasil, que tinha o objetivo de estabelecer, pela primeira vez, um diálogo entre autores dos dois lados do Oceano, açorianos e catarinenses. Então, por tudo o que já fez pela literatura até aqui, não me surpreende que Lauro Junkes tenha se juntado a outros escritores, catarinenses e portugueses, para organizar a antologia poética açoriano-catarinense.
Na antologia encontramos, na primeira parte, poetas do Arquipélago dos Açores: Antero de Quental, Roberto de Mesquita, Armando Côrtes Rodrigues, Vitorino Nemésio, Pedro da Silveira, Eduíno de Jesus, Madalena Ferin, Emanuel Félix, José Martins Garcia, Álamo Oliveira, J. J. Santos Barros, Vasco Pereira da Costa e outros.
Na segunda parte, temos os Poetas da Ilha de Santa Catarina: Marcelino A. Dutra, João Silveira de Souza, Luiz Delfino, Lacerda Coutinho, Delminda Silveira, Cruz e Sousa, Araújo Figueiredo, João Batista Crespo, Othon D´Eça, Maura Senna Pereira, Aníbal Nunes Pires, Júlio de Queiroz e outros.
Um documento que perpetua a sensibilidade, emoção, lirismo, estilo e criatividade de poetas catarinenses e portugueses.
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
LITERATURA CATARINENSE DE LUTO
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Hoje, pela manhã, foi sepultado o escritor Lauro Junkes, maior divulgador da literatura catarinense das últimas décadas, também professor e presidente da Academia Catarinense de Letras.
Eu o considerava um participante do Grupo Literário A ILHA, pois desde o início do grupo, há trinta anos, ele divulgou as nossas atividades, nossas publicações e publicou textos no Suplemento Literário A ILHA. Inclusive, para provar isso, ele é um dos verbetes do meu livro “A Nova Literatura Catarinense – Escritores Catarinenses e o Grupo Literário A ILHA”, volume com biografia, bibliografia, fortuna crítica e amostra da obra de autores que participam ou participaram do nosso grupo.
Lauro sempre foi um incansável leitor e pesquisador da literatura que se produzia e se produz nesse estado Catarina, além de resgatar a obra de grandes escritores da terra, como Cruz e Sousa, Luiz Delfino e tantos outros.
Santa Catarina perde o porta-voz da sua literatura, o homem que dedicou grande parte de sua vida a apreciar e avaliar os novos escritores catarinenses, revelando novos talentos e valorizando cada nova obra que aparecia.
Ele era a sentinela sempre atenta, tomando conhecimento de tudo o que se escrevia em Santa Catarina, para registrar, publicando sua apreciação para que o público leitor também soubesse das novidades.
É uma lacuna que dificilmente vai ser preenchida. Lauro Junkes era a literatura catarinense personificada. Temos outros divulgadores da literatura catarinense, mas o trabalho como ele o fazia, não se fará mais. Ele não era, simplesmente, um crítico literário: era um apreciador, um incentivador, um motivador da cultura em nosso estado.
Vai fazer muita falta. Os escritores, os alunos, os amigos, o meio literário e cultural catarinense já sentem a sua ausência, já sentem a imensa perda que os acometeu. A saudade que ele deixa é grande e vai ficar muito maior.
Hoje, pela manhã, foi sepultado o escritor Lauro Junkes, maior divulgador da literatura catarinense das últimas décadas, também professor e presidente da Academia Catarinense de Letras.
Eu o considerava um participante do Grupo Literário A ILHA, pois desde o início do grupo, há trinta anos, ele divulgou as nossas atividades, nossas publicações e publicou textos no Suplemento Literário A ILHA. Inclusive, para provar isso, ele é um dos verbetes do meu livro “A Nova Literatura Catarinense – Escritores Catarinenses e o Grupo Literário A ILHA”, volume com biografia, bibliografia, fortuna crítica e amostra da obra de autores que participam ou participaram do nosso grupo.
Lauro sempre foi um incansável leitor e pesquisador da literatura que se produzia e se produz nesse estado Catarina, além de resgatar a obra de grandes escritores da terra, como Cruz e Sousa, Luiz Delfino e tantos outros.
Santa Catarina perde o porta-voz da sua literatura, o homem que dedicou grande parte de sua vida a apreciar e avaliar os novos escritores catarinenses, revelando novos talentos e valorizando cada nova obra que aparecia.
Ele era a sentinela sempre atenta, tomando conhecimento de tudo o que se escrevia em Santa Catarina, para registrar, publicando sua apreciação para que o público leitor também soubesse das novidades.
É uma lacuna que dificilmente vai ser preenchida. Lauro Junkes era a literatura catarinense personificada. Temos outros divulgadores da literatura catarinense, mas o trabalho como ele o fazia, não se fará mais. Ele não era, simplesmente, um crítico literário: era um apreciador, um incentivador, um motivador da cultura em nosso estado.
Vai fazer muita falta. Os escritores, os alunos, os amigos, o meio literário e cultural catarinense já sentem a sua ausência, já sentem a imensa perda que os acometeu. A saudade que ele deixa é grande e vai ficar muito maior.
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