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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

PELOS CAMINHOS DO MAR

Em uma visita ao professor Lauro Junkes, pesquisador e crítico literário mais atuante em Santa Catarina, com um trabalho constante e sério, sempre divulgando as letras do estado, seja a obra de novos escritores ou de autores consagrados, ganhei um grande presente. Foi engraçado, pois fui cobrar um presente que ele me prometera e ele me deu mais outros. O presente que não havia sido prometido é o livro “Caminhos do Mar” - Antologia Poética Açoriano-Catarinense. Corria o ano de 2005.
Reputo de grande importância essa integração de poetas catarinenses com os poetas de além-mar, porque afinal de contas, foram eles que trouxeram para cá a nossa língua, a língua portuguesa. A única língua, aliás, que tem a palavra saudade.
Mas não me surpreende que tenha sido o professor Lauro a estar a frente do grupo que organizou a antologia luso-catarinense. Incansável, além das inúmeras resenhas sobre a obra de quase todos os escritores de Santa Catarina – e de outras plagas, também – ele tem algumas dezenas de livros publicados sobre literatura, foi o presidente da Academia Catarinense de Letras, numa gestão das mais atuantes e tem resgatado a obra de grandes nomes da literatura de nosso estado, republicando suas obras. Ele organizou e publicou, por exemplo, a obra de Luiz Delfino, o grande lírico da poesia brasileira, o segundo maior poeta catarinense, ficando apenas atrás de Cruz e Sousa. São mais de 1.300 (mil e trezentas) páginas, divididas em dois volumes: “Poesia Completa – Sonetos” e “Poesia Completa – Poemas Longos”.
O professor Lauro publicou, também os Contos Completos de Virgílio Várzea, em dois volumes, a Poesia Reunida de Maura Senna Pereira, o Teatro escolhido de Horácio Nunes Pires. E mais resgates de obras importantes estavam sendo feitos e seriam publicados, não fosse a morte do escritor e pesquisador recentemente.
Ele já havia escrito “Açores – Travessias”, mostrando a influência da cultura açoriana sobre escritores catarinenses, como Almiro Cadeira, Flávio José Cardoso, Virgílio Várzea, Othon D´Eça e Franklin Cascaes. O livro analisa as obras dos cinco escritores, destacando a sua ligação com a cultura açoriana. “Açores – Travessias” foi lançado, em meados de 2005, no evento Travessias - Encontro de Escritores Atlânticos - Açores-Brasil, que tinha o objetivo de estabelecer, pela primeira vez, um diálogo entre autores dos dois lados do Oceano, açorianos e catarinenses. Então, por tudo o que já fez pela literatura até aqui, não me surpreende que Lauro Junkes tenha se juntado a outros escritores, catarinenses e portugueses, para organizar a antologia poética açoriano-catarinense.
Na antologia encontramos, na primeira parte, poetas do Arquipélago dos Açores: Antero de Quental, Roberto de Mesquita, Armando Côrtes Rodrigues, Vitorino Nemésio, Pedro da Silveira, Eduíno de Jesus, Madalena Ferin, Emanuel Félix, José Martins Garcia, Álamo Oliveira, J. J. Santos Barros, Vasco Pereira da Costa e outros.
Na segunda parte, temos os Poetas da Ilha de Santa Catarina: Marcelino A. Dutra, João Silveira de Souza, Luiz Delfino, Lacerda Coutinho, Delminda Silveira, Cruz e Sousa, Araújo Figueiredo, João Batista Crespo, Othon D´Eça, Maura Senna Pereira, Aníbal Nunes Pires, Júlio de Queiroz e outros.
Um documento que perpetua a sensibilidade, emoção, lirismo, estilo e criatividade de poetas catarinenses e portugueses.

Um comentário:

  1. Caro Senhor Luiz Carlos Amorim,
    Hoje revisar projetos que eu tive participação direta na sua coordenação e realização fui parar (por acaso,confesso) no seu Blog e fiquei extremamente surpreendida com sua crítica sobre o nosso "Caminhos do Mar" que tive a satisfação de coordenar ao lado do nosso querido amigo e sempre inesquecível, pena brilhante e pesquisador competente- o escritor Lauro Junkes. Fui tomada de grande emoção por tão bonito texto e quero muito lhe agradecer pelo reconhecimento que aqui faz e peço a sua autorização para publicar no Blog Comunidades da RTP Açores que co-assino (desde 2008) com a escritora Irene Maria Blayer, açoriana e canadense.
    Um grande abraço,
    Lélia NUNES

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