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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

NÃO SOMOS CACHORROS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje não vou falar do Enem, embora eu e todo o resto do Brasil estejamos indignados com o “presidente” Lula, que vem a público dizer que o exame foi um sucesso total e indiscutível, apesar de toda o desastre, o fiasco em que ele foi transformado, em detrimento de milhares de estudantes.
Quero falar de uma apresentação que recebi da minha amiga Márcia (http://marciavilarinho.blogspot.com), sobre cães. São fotos belíssimas de cães de todos os tipos, com pensamentos e máximas de famosos e de anônimos. Numa época em que a crueldade com os cães chega a níveis intoleráveis, como tivemos a infelicidade de comprovar, quando queimaram a cadela Pedra VIVA e o pobre animal sofreu quatro dias até morrer e quando, dias depois, em outra cidade do Estado, amarraram outro cão a uma moto e saíram arrastando o infortunado animal. O ser humano está cada vez menos humano, a violência aumenta e se alastra cada vez mais.
Um dos pensamentos da apresentação, então, me chamou a atenção mais do que os outros, pois comparava justamente nós, seres humanos, com os cães: “Não me chame de cachorro. Não mereço tão alto qualificativo. Não sou tão fiel nem tão leal... Sou só um ser humano.” Não é a máxima das máximas? Não há, mesmo, nada mais fiel e leal do que nosso cão. E nós os maltratamos, abandonamos, nós até os matamos. Não há registro da autoria do texto, mas ele devia estar em out-doors por todas as ruas de todas as cidades, nas páginas dos jornais, no rádio e na televisão.
Outros pensamentos, dos vários, também são profundos e verdadeiros: “ Um cão é a única coisa na terra que te amará mais do que tu amas a ti mesmo” – Josh Billings; “Quando você abandona um cão porque já ‘não lhe serve’, seus filhos aprendem a lição. Talvez façam o mesmo quando você ficar velho. Pense nisso”; “Amor é quando seu cão lhe lambe a cara, ainda que você o deixe só o dia inteiro” – Anita, 4 anos; “Podes julgar o coração de um homem segundo ele trata os animais” – Kant; “É vergonhoso que, sendo o cão o melhor amigo do homem, seja o homem o pior amigo do cão” – Eduardo Lamazón; “A grandeza de uma nação e seu progresso moral podem ser julgados pela forma como seus animais são tratados.” – Gandhy.
Essas não são palavras jogadas ao léu, devíamos refletir, e muito, sobre elas. Talvez consigamos, ainda, resgatar nosso lado mais humano e tentar, quem sabe, nos equipararmos aos cães.

7 comentários:

  1. Lindo, Amorim, obrigada! Desde Xanxerê, numa manhã fria, um abraço da
    Urda.

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  2. Bom dia Amorim.
    Realmente ainda não encontrei um amigo tão fiel quanto o cão. Amigo com "A" maiúsculo. Saímos para trabalhar de manhã, voltamos na hora do almoço; ficamos fora durante três a quatro horas e quando chegamos, lá vem ele todo feliz abanando o rabo e pulando em você para te lamber.Quer mais demonstrativo de amor do que isso?
    Vamos comparar. Você sai para trabalhar e deixa em casa um familiar. Quando volta do almoço, por vezes o familiar te diz um "oi" e passa a reclamar do dia que está feio, do que teve de fazer e está cansado.Nem um beijo te dá.
    Quer mnais?
    mesmo que você deixe o cão prezo em algum lugar, por determinado motivo. Quando você chega ele fica desesperado para te fazer festa...O ser humano faz festa? Não...só reclama...
    Tenho duas jóia em casa. A Bisteka, uma yorkshire terrier, que fará seis anos agora em novembro e o Feijão, um lhasa Apso, com um ano. O feijão quando nasceu, foi jogado no lixo. Eu o resgatei e está comigo. É super carinhoso.
    Não entra na minha cabeça como um ser humano pode fazer isso com um animal. Muita crueldade.
    Seu comentário diz tudo. Assim como os dois meus dizem tudo....a festa que fazem quando chego em casa, é indiscritível; esqueço tudo quando os vejo fazendo festa.
    Abraços
    Alvim

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  3. Concordo plenamento com você, Alvim. Tenho uma pinscher que está com dezesseis anos, mas quando saimos ela fica sentada na frente da porta da garagem esperando. Quando viajamos, há mais de ano, para África, Portugal e Espanha, ela ficou dias sentadinha, esperando na prente da porta. E mais, quando a gente viaja, ela fica dias sem comer, de saudade. É bem como você disse: quando a gente chega, é aquela festa.
    Grande abbraço do Amorim

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  4. Amorim, estou de pleno acordo com os textos exibidos por você e pela Márcia a respeito dos cães. Tive uma cadelinha, a Pitucha, quando morreu fiquei meses desolada. Até hoje, não consegui criar um outro animal. Os cães são realmente mais sábios, generosos, fiéis e outros adjetivos que o bicho homem.
    Abraços.

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  5. É isso mesmo, Tânia. Olha que coincidência, o nome da minha Xuxu também é Pitucha. A mãe dela morreu há dois anos e deixou muita saudade.
    Abraço do Amorim

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  6. Caro Luiz Carlos,
    Quando defendi minha tese intitulada: "O Homem: esse projeto mal-acabado" (Universidad Complutense de Madrid - 1974), o fiz ciente de que seria execrado; afinal, lá estava eu defendendo que um projeto "divino" (à imagem e semelhança de Deus) era pífio, incompleto, torto, defeituoso. Bom, o tempo (e a história) me deu razão.
    O homem, "graças" ao seu libre-arbítrio, faz tudo o que lhe apraz, sem medir consequências. Mata, fere, magoa, tortura, destrói, insulta, corrói seu próprio meio. Portanto, é um projeto mal-acabado. Seu libre-arbítrio não poderia ser, assim, tão livre; teria que trazer consigo, de origem, um elemento genético que, a cada desvio de comportamento ou de conduta (segundo padrões universais de convívio com o meio) lhe infligisse severa dor, insuportável, que o deixasse prostrado por um bom período.
    Tenho 9 cães e 8 gatos, tratados "a pão de lô", não por querer aparecer, mas sim, porque não suporto ver qualquer ser vivo sofrer - seja pessoa, animal ou coisa.
    Como profundo estudioso do Direito, lhe digo que as penas por maus tratos aos indefesos animais deveriam de ser extremamente mais duras, talvez na mesma proporção (ou maior) à da sofrida pelo animal. Para mim, é algo inconcebível que alguém maltrate um indefeso cão, gato, passarinho, cavalo, boi, ou o que quer que seja esse ser vivo. Uma aranha ou uma cobra, animais peçonhentos, possuem seu lugar e valor na natureza e esta, sim, é perfeita, pois cobra (e severamente) as condutas insólitas, torpes e indevidas do homem, esse ser, sem dúvida, mal-acabado.
    Forte abraço!
    Juan Koffler
    www.juankoffler.blog.br

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  7. Bom dia Sr. Amorim,
    Seu artigo está quase 100% perfeito. Digo quase, porque a colocação de que as "ONGS só querem aparecer" foi infeliz. Parece que os voluntários da maioria das ONGS são todos milionários e que não fazem nada a não ser "querer aparecer". Quando as pessoas entenderem as necessidades que as Ongs sérias passam, que não temos em nossas cidades quase nenhuma ajuda pública (leia-se polícia que atue em casos de maus tratos, organismos que socorram animais em sofrimento, atendimento veterinário público, etc, etc), que todos somos voluntários e que tiramos tempo e dinheiro de onde não sei, aí vai ser mais fácil. Se o senhor pudesse passar um dia apenas recebendo os emails e telefonemas que recebemos, os resgates que ajudamos a fazer, as rifas, os pedidos de ajuda financeira, ir e vir prá buscar doações, os "milagres" que fazemos, as angústias que sentimos, o sentimento de impotência que muitas vezes nos assola (tudo isto sem deixar de desenvolver nossas atividades profissionais), talvez o senhor se referisse às Ongs de forma mais elegante e humana.

    Atenciosamente,

    Ana Rita Hermes
    Presidente
    FRADA - Frente de Ação pelos Direitos dos Animais
    Joinville/SC
    anarita.frada@gmail.com

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