Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com
Protelei por muito tempo, não queria falar sobre o assunto, mas não resisti. Li um caderno cultural de um jornal gaúcho, exclusivo sobre Mário Quintana, publicado em homenagem pelo centenário de nascimento do poeta.
Entrevistas, depoimentos de colegas e pessoas que o conheceram, como Bruna Lombardi – a musa, críticas, opiniões, bibliografia, fotos. Lá pelo meio do caderno, num texto sobre qual lugar o poeta ocuparia dentro da literatura brasileira, já o subtítulo me intriga: “críticos e escritores ainda discutem como e onde situar a obra de Mário Quintana: um autor menor, simplista, ou uma presença única, indefinível nas letras nacionais”.
Fiquei surpreso e me senti desconfortável com a dúvida: Quintana, um escritor menor? Simplista? Indefinível? Como cogitar qualquer coisa assim de um escritor como Quintana? Será que, se ele fosse menor, simplista, o Brasil estaria lhe prestando homenagens, publicando livros e livros sobre ele, reeditando toda a sua obra, falando dele em todas as mídias?
Iniciando a leitura do texto propriamente dito, logo no início, passei do desconforto à indignação. O autor do texto, Carlos André Moreno, afirma que ‘...se Drummond foi o claro enigma, Quintana pode muito bem ser a charada obscura”.
E piora. Mais adiante, ele escreve que “a percepção crítica de sua obra oscilou diversas vezes: foi renovador da lírica riograndense, um passadista, um ironista mordaz, um discutível integrante da chamada ‘geração 45’, um poeta menor repetitivo e mesmo uma figura indefinível no cenário das letras brasileiras’.
Fiquei em dúvida quanto a estar lendo aquilo em um caderno publicado para se integrar às comemorações do centenário de nascimento de um poeta da terra, conhecido, respeitado e amado naquele estado, no Brasil e até fora dele.
Mas havia mais. No mesmo artigo, o autor repete a afirmação, estendendo-a a outro poeta consagrado: “Quintana ocupa uma posição instável no cânone da poesia nacional. Às vezes é comparado a Vinícius, como ele poeta de fácil comunicação com o público, às vezes é posto ao lado de João Cabral e Drummond. Em outras ocasiões, tem uma trajetória comparada a de Manuel Bandeira, poeta ora tido como um mestre, ora como um escritor menor. Um dos que se aliam a essa interpretação é o gaúcho Fabrício Carpinejar.”
Em meio a verdadeiras homenagens, encontrei, em outra página do mesmo caderno, um artigo não assinado, onde está escrito que a “... idéia generalizada de que a poesia de Quintana era, em grande parte, igual ao próprio poeta transbordou para o público, de modo que sua imagem, hoje em dia cristalizada – relevante, já que se fala de um escritor que foi, em vida, muito popular – o resume como um único personagem literário: o avozinho benfazejo que peregrinou pela Rua da Praia durante a Feira do Livro, o pitoresco velhinho que morou no Hotel Majestic, autor de “O Mapa”, do “poema do passarinho” e de meia dúzia de outros versos – sempre os mesmos, repetidos à exaustão.”
Ora, fazer essa idéia de um poeta como Quintana é, no mínimo, desrespeitoso. Afirmar que Mário Quintana se resume ao “poema do passarinho” – o nome do poema é “Poeminha do contra’, “O Mapa” e meia dúzia de versos – não é nem meia dúzia de poemas, escreveram meia dúzia de versos mesmo – me parece ingenuidade, para não dizer outra coisa. E de mais a mais, existem poetas chamados “grandes” que não têm sequer um poema conhecido, consagrado, que dirá dois poemas e “meia dúzia de versos”.
Penso que qualquer um de nós, leitores, pode não gostar da obra de Quintana, é natural. Ninguém é obrigado a gostar de nada, ou gostamos ou não gostamos. E não gostar de alguma coisa não significa que essa coisa não presta. O que não pode acontecer é um formador de opinião – se ele tem espaço em um grande jornal para dizer o que quer é formador de opinião – expressar seu gosto particular como sendo afirmação da verdade. Principalmente um “formador de opinião” que não assina o que escreve e com uma visão tão estreita.
Como o próprio poeta já disse, ‘um poeta não é maior nem menor, nem grande nem pequeno. Só há duas alternativas: ou ele é poeta ou não é poeta.”
E ele tem dito!
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domingo, 29 de agosto de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
MEU ENCONTRO COM QUINTANA
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
Uma grande frustração que tenho é não ter conhecido pessoalmente Mario Quintana, o menino Quintana, meu poeta preferido. Sempre quis ir a Porto Alegre, visitar a Feira do Livro, mas o trabalho e outros compromissos nunca deixaram. E o poeta foi completar o céu com a sua poesia.
Então fico eu cá imaginando meu encontro com o poeta. Eu chegaria ao Majestic ou o encontraria na Rua da Praia, ou ainda na Feira do Livro de Porto Alegre. Eu o cumprimentaria, beijar-lhe-ia a mão e me apresentaria. Dir-lhe-ia que sou um poeta aprendiz, nascido ao pé da Serra do Mar, na Santa e bela Catarina, que aprendeu a amar a poesia com os seus poemas. E então pediria para lhe dar um abraço. Talvez ele até pudesse pensar que eu fosse maluco, mas não somos todos, um pouco? E ele talvez já tivesse conhecido outros malucos assim. Mas acho que me convidaria a sentar e conversaríamos. Eu lhe entregaria um ou outro poema, ele acenderia um cigarro e talvez lesse um dos meus poemas.
Que diria ele? Talvez gostasse, talvez não. Deveria ser comum as pessoas levarem poemas para ele ler e opinar, talvez ele nem gostasse de fazer isso. No entanto, qualquer coisa que ele dissesse seria uma grande lição para um pequeno poeta (isso me lembra que ele disse que não existem pequenos ou grandes poetas: ou se é poeta ou não).
Será que ele reconheceria um poeta em mim? Não sei, mas acho que ele diria alguma coisa, naquela voz mansa e naquele falar quase ligeiro, e o que ele dissesse seria bem vindo.
Eu tentaria, ainda que com receio de aborrecê-lo, fazer uma entrevista, é claro. Far-lhe-ia algumas perguntas, que não direi quais porque na época elas seriam umas, mas hoje já seriam outras. E acho que ele responderia, e eu teria aprendido muito mais então. E eu dividiria as palavras do mestre Quintana, pois certamente publicaria, para que todos pudessem usufruir da sensibilidade e da sabedoria dele.
E voltaria para casa com a alma lavada, feliz por ter conhecido o grande poeta.
Uma grande frustração que tenho é não ter conhecido pessoalmente Mario Quintana, o menino Quintana, meu poeta preferido. Sempre quis ir a Porto Alegre, visitar a Feira do Livro, mas o trabalho e outros compromissos nunca deixaram. E o poeta foi completar o céu com a sua poesia.
Então fico eu cá imaginando meu encontro com o poeta. Eu chegaria ao Majestic ou o encontraria na Rua da Praia, ou ainda na Feira do Livro de Porto Alegre. Eu o cumprimentaria, beijar-lhe-ia a mão e me apresentaria. Dir-lhe-ia que sou um poeta aprendiz, nascido ao pé da Serra do Mar, na Santa e bela Catarina, que aprendeu a amar a poesia com os seus poemas. E então pediria para lhe dar um abraço. Talvez ele até pudesse pensar que eu fosse maluco, mas não somos todos, um pouco? E ele talvez já tivesse conhecido outros malucos assim. Mas acho que me convidaria a sentar e conversaríamos. Eu lhe entregaria um ou outro poema, ele acenderia um cigarro e talvez lesse um dos meus poemas.
Que diria ele? Talvez gostasse, talvez não. Deveria ser comum as pessoas levarem poemas para ele ler e opinar, talvez ele nem gostasse de fazer isso. No entanto, qualquer coisa que ele dissesse seria uma grande lição para um pequeno poeta (isso me lembra que ele disse que não existem pequenos ou grandes poetas: ou se é poeta ou não).
Será que ele reconheceria um poeta em mim? Não sei, mas acho que ele diria alguma coisa, naquela voz mansa e naquele falar quase ligeiro, e o que ele dissesse seria bem vindo.
Eu tentaria, ainda que com receio de aborrecê-lo, fazer uma entrevista, é claro. Far-lhe-ia algumas perguntas, que não direi quais porque na época elas seriam umas, mas hoje já seriam outras. E acho que ele responderia, e eu teria aprendido muito mais então. E eu dividiria as palavras do mestre Quintana, pois certamente publicaria, para que todos pudessem usufruir da sensibilidade e da sabedoria dele.
E voltaria para casa com a alma lavada, feliz por ter conhecido o grande poeta.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
QUINTANA & BRUNA
Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://.br.geocities.com/prosapoesiaecia )
Assisti a uma entrevista, no sábado, dia 25 de julho, com Bruna Lombardi. E ela me lembra meu poeta favorito, Mario Quintana. Ele era apaixonado por Bruna, os dois eram amigos, ela era a musa dele. Ela é até poetisa, também, como o poeta maior. E me lembrei porque estou aqui no Rio Grande do Sul: 30 de julho é o dia do aniversário de Quintana, quando ele completaria 103 anos. E como a Casa de Cultura Mario Quintana começa, no dia 28, uma programação muito interessante para comemorar o aniversário do poeta, eu pretendo estar presente e assistir a pelo menos uma das atrações, como declamação de poesia, teatro, debate, música, etc.
O frio está intenso aqui na serra gaúcha e em Porto Alegre também deve estar quase tanto quanto aqui.
Fico pensando se Bruna não viria a Porto, para se juntar às homenagens ao poeta menino. Seria bom encontrá-la na capital gaúcha e conversar com ela sobre Quintana. Daria uma ótima entrevista para a nossa revista Mirandum, que eu e a Fátima de Laguna publicamos e que vai para a quinta edição. A revista é uma publicação da Confraria de Quintana, que fundamos para reunir os admiradores do nosso grande poeta.
Não é provável que ela venha, mas seria muito bom.
Parabéns a Casa de Cultura Mario Quintana pela iniciativa, pois esta data não pode deixar de ser comemorada. Afinal, é o aniversário do nosso grande poeta.
Assisti a uma entrevista, no sábado, dia 25 de julho, com Bruna Lombardi. E ela me lembra meu poeta favorito, Mario Quintana. Ele era apaixonado por Bruna, os dois eram amigos, ela era a musa dele. Ela é até poetisa, também, como o poeta maior. E me lembrei porque estou aqui no Rio Grande do Sul: 30 de julho é o dia do aniversário de Quintana, quando ele completaria 103 anos. E como a Casa de Cultura Mario Quintana começa, no dia 28, uma programação muito interessante para comemorar o aniversário do poeta, eu pretendo estar presente e assistir a pelo menos uma das atrações, como declamação de poesia, teatro, debate, música, etc.
O frio está intenso aqui na serra gaúcha e em Porto Alegre também deve estar quase tanto quanto aqui.
Fico pensando se Bruna não viria a Porto, para se juntar às homenagens ao poeta menino. Seria bom encontrá-la na capital gaúcha e conversar com ela sobre Quintana. Daria uma ótima entrevista para a nossa revista Mirandum, que eu e a Fátima de Laguna publicamos e que vai para a quinta edição. A revista é uma publicação da Confraria de Quintana, que fundamos para reunir os admiradores do nosso grande poeta.
Não é provável que ela venha, mas seria muito bom.
Parabéns a Casa de Cultura Mario Quintana pela iniciativa, pois esta data não pode deixar de ser comemorada. Afinal, é o aniversário do nosso grande poeta.
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sexta-feira, 24 de julho de 2009
O ANIVERSÁRIO DE QUINTANA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapesiaecia )
Quintana faz aniversário neste 30 de julho e completaria, se vivo fosse, 103 anos. Mas ele não continua vivo, na sua prosa e na sua poesia, obra imortal que o conservará para sempre em nossos corações, em nossa memória?
Então há que se comemorar, como deixar passar em branco o aniversário do grande poeta? A Casa de Cultura Mario Quintana homenageia seu patrono, com uma programação que honra a memória de um dos maiores poetas deste país, o poeta que deu mais sensibilidade à poesia brasileira, deu mais consistência, mais ritmo, mais inteligência e leveza, renovando e popularizando um gênero literário até pouco tempo considerado elitista e maldito.
Palestras, espetáculos musicais e teatrais, declamação de poemas e até oficina infantil fazem parte do programa: Debate Poético sobre Quintana, Quintanares e Melodias – interpretação de poemas, “Sobre Anjos & Grilos - O Universo de Mario Quintana” – peça de teatro com poemas e trechos de entrevistas feitas com o poeta, Clássicos em Destaque, com a Camerata Jovem de Porto Alegre, que apresenta as músicas preferidas do poeta, Recriando o Poeta – oficina infantil e Família Desencontrada, poema de Quintana que será encenado após um breve comentário sobre a obra infanto-juvenil do grande escritor.
Fico com inveja do público de Porto Alegre e região, que pode usufruir dessa homenagem tão rica ao nosso eterno menino Quintana. Com tanta inveja que acho que vou a Porto Alegre me juntar a essa comemoração dos 103 anos de Quintana, assistindo pelo menos uma das atrações.
Passou a Feira do Livro de Jaraguá, acabou o Festival de Dança e eu me mudo do norte catarinense para o Rio Grande do Sul, para matar um pouquinho das saudades de Quintana.
Quintana faz aniversário neste 30 de julho e completaria, se vivo fosse, 103 anos. Mas ele não continua vivo, na sua prosa e na sua poesia, obra imortal que o conservará para sempre em nossos corações, em nossa memória?
Então há que se comemorar, como deixar passar em branco o aniversário do grande poeta? A Casa de Cultura Mario Quintana homenageia seu patrono, com uma programação que honra a memória de um dos maiores poetas deste país, o poeta que deu mais sensibilidade à poesia brasileira, deu mais consistência, mais ritmo, mais inteligência e leveza, renovando e popularizando um gênero literário até pouco tempo considerado elitista e maldito.
Palestras, espetáculos musicais e teatrais, declamação de poemas e até oficina infantil fazem parte do programa: Debate Poético sobre Quintana, Quintanares e Melodias – interpretação de poemas, “Sobre Anjos & Grilos - O Universo de Mario Quintana” – peça de teatro com poemas e trechos de entrevistas feitas com o poeta, Clássicos em Destaque, com a Camerata Jovem de Porto Alegre, que apresenta as músicas preferidas do poeta, Recriando o Poeta – oficina infantil e Família Desencontrada, poema de Quintana que será encenado após um breve comentário sobre a obra infanto-juvenil do grande escritor.
Fico com inveja do público de Porto Alegre e região, que pode usufruir dessa homenagem tão rica ao nosso eterno menino Quintana. Com tanta inveja que acho que vou a Porto Alegre me juntar a essa comemoração dos 103 anos de Quintana, assistindo pelo menos uma das atrações.
Passou a Feira do Livro de Jaraguá, acabou o Festival de Dança e eu me mudo do norte catarinense para o Rio Grande do Sul, para matar um pouquinho das saudades de Quintana.
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