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quinta-feira, 4 de março de 2010

CAMBUCÁS DE PRESENTE


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Alguém se lembra da crônica na qual falei do único e pequeno cambucá que consegui encontrar em Corupá, há umas duas semanas atrás? Pois meu amigo Flávio José Cardozo leu a crônica e me convidou a visitá-lo, pois na casa dele há um cambucazeiro e, apesar de já estarmos em março, ele ainda tinhas alguns frutos.
E fui lá hoje, com minha esposa e sobrinho. Fomos recebidos muito bem, pelo Flávio, sua esposa e sua filha, com toda aquela simpatia que é característica deles e ganhei vários cambucás maduros, até colhi eu mesmo um.
É um belo, belíssimo pé de cambucá o do Flávio e ainda tinha até alguns frutos verdes. De maneira que estou feliz, hoje, pois matei a vontade de comer cambucás. Comi vários deles, me fartei daquele sabor inesquecível de infância e agradeço ao Flávio por me dar essa possibilidade de voltar a ser menino de novo.
Além dos cambucás, é claro que tive a oportunidade da companhia e da papo agradáveis do Flávio e da família dele, pelo que também agradeço. De quebra, ainda ganhei o livro “Batuque bem temperado”, crônicas do Flávio e do Jair Francisco Hamms. Literatura da boa, que começo a ler hoje mesmo.
Os cambucás, eu os comi, estavam uma delícia. As sementes, vou plantá-las no meu jardim, para um dia ter meu próprio pé de cambucá. Enquanto ele não produzir, eu visito os amigos que tem cambucazeiro em casa, como o Flávio, para matar essa saudade da infância e essa vontade de sentir o gosto agridoce e único do cambucá, que eu não sentia há tanto tempo, coisa de mais de quarenta anos.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

CAMBUCÁS E JACATIRÕES




Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Hoje estou na terrinha, Corupá, a terra das cachoeiras, minha terra natal. Fico feliz pra caramba de voltar para rever o vale das águas e rever a família que está quase toda reunida aqui.
Mas uma coisa empanou essa alegria. Como estamos em fevereiro, que é o mês em que amadurecem os cambucás, fui ver, num terreno que era da minha avó, um cambucazeiro jovem que eu conhecera no ano passado. Eu sabia que ele já produzira pelo menos uma vez e fui certo de que conseguiria colher e comer um cambucá, depois de mais de quarenta anos desde a última vez que comi da delícia que é essa fruta.
Pois o terreno estava desbastado, não havia sequer uma árvore ou um pé de mato em cima dele, haviam destruído tudo o que havia lá. Fiquei decepcionado, pois era o único pé de cambucá que eu conhecia. Alguns amigos de outras cidades como Joinville que tinham a árvore em casa até me convidaram, há algum tempo, para visitá-los, mas eu estava aqui, sabia onde havia uma, fui direto para lá e não encontrei nada.
Ainda bem que descobri que uma tia minha tinha um cambucazeiro na casa dela, também muito jovem, produzindo pela segunda vez e com poucas frutas, mas ver e experimentar de novo o sabor de uma delas pelo menos.
A decepção com o pé de cambucá extirpado me lembrou outra, que tive em São José, ontem, quando passeava pela rua ao lado de um grande supermercado e admirava os grandes pés de jacatirões de inverno - manacás-da-serra - que lá existem. Um deles estava seco, morto, sem retorno. Um outro tinha algumas folhas verdes, ainda, mas estava também quase todo seco, a caminho da morte certa.
Um de meus caminhos terá um pouco menos de cor e beleza no próximo inverno. Das 7 ou oito árvores – enormes – que havia, teremos menos duas florescendo. Uma pena.
Mas a vida continua. Menos mal que sei que ainda há pés de cambucá dando fruto e ainda há pés de jacatirão que florescerão.