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domingo, 12 de julho de 2009

CONCURSO, TALENTO E FRONTEIRAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Falei recentemente dos concursos literários como oportunidade para os novos, falei do regionalismo que restringe a disseminação da literatura, falei das publicações literárias que já não existem mais como em outros tempos – poderíamos até colocar a culpa na internet, mas que meio de divulgação mais democrático e barato existe do que ela?
Eu estava pra voltar a falar de concursos, na verdade do Prêmio Cruz e Sousa, mais especificamente dos novos talentos literários aqui da terra que foram descobertos por ele.
Então, coincidência ou não, recebo e-mail de uma leitora do meu blog Crônica do Dia, a Thamires, em que ela me manda notícias do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, que entregou, no dia 8 de julho, R$ 212.000,00 a quatro escritores brasileiros. Luiz Fernando Veríssimo, gaúcho, foi premiado pelo conjunto da obra. Na categoria Ficção, um mineiro foi o vencedor com um romance e na categoria Poesia quem ganhou foi um cearense. O quarto prêmio é o da categoria “Jovem Escritor Mineiro”, que financia a produção de uma obra, ou seja: o escritor recebe um “salário” durante seis meses para dedicação exclusiva ao trabalho de escrever seu livro.
Como já escrevi em outra crônica, grandes concursos como estes possibilitam a leitura e avaliação das obras por pessoas do meio, habilitadas para isso, trazendo à tona bons autores, que sem essa oportunidade ficariam no anonimato, com a obra engavetada.
O Prêmio Cruz e Souza, aqui em Santa Catarina, acabou de premiar seis escritores, desta vez autores de romances. O concurso tem duas categorias, nacional e estadual e três autores catarinenses terão seus livros publicados, além de receber prêmio em dinheiro. Um já era conhecido, mas outros dois são revelados com a concorrência no Cruz e Sousa, emergindo pelo seu talento.
Numa época em que é tão difícil um escritor conseguir editora que publique seu primeiro livro, o concurso é, talvez, a melhor maneira para conseguir reconhecimento e consequente publicação, se tiver valor, é claro.
Os jurados do Prêmio Cruz e Sousa indicaram para publicação, isto é, acharam que têm qualidade para irem à publico, dezenas de romances que concorreram, quase metade deles de Santa Catarina. Isso significa meio caminho andado para os autores, pois já têm avaliação positiva das suas obras e podem entregar às editoras os seus romances com aval de autoridades do ramo.
E assim acontece a renovação da literatura catarinense, a renovação da literatura brasileira. O Prêmio Cruz e Sousa, assim como Prêmio Governo de Minas Gerais, o Prêmio Cidade de Manaus e alguns outros, possibilitam, por pouco que seja, a projeção das obras além do Estado onde foram produzidas, além do regionalismo a que elas poderiam se restringir. E mais do que o prêmio em dinheiro, este é o maior prêmio que o novo autor pode desejar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A POESIA E O REGIONALISMO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Ontem, no caderno Anexo do jornal A Notícia, li matéria sobre poesia joinvillense. É bom saber que a poesia continua a ser produzida na Cidade das Flores, da Dança e do Rio Cachoeira, embora, como constatado, ainda se restrinja ao regionalismo.
Sei como é isso, pois sou do Grupo Literário A ILHA e trabalhamos, em Joinville, nas décadas de 80 e 90, para divulgar e popularizar a poesia, levando-a à praça, às escolas, às festas, até a bares, bancos e lojas.
Quem lembra da Feira de Arte e Artesanato? Pois por quase vinte anos levamos o Varal da Poesia e o Recital de Poemas à praça, assim como levávamos também à Festa das Flores, ao Festival de Dança e a outras feiras de arte em São Bento do Sul e Jaraguá do Sul, regularmente e a outros lugares eventualmente.
Lá pelos anos 80 não se encontrava nem a poesia dos poetas consagrados, como Drummond ou Pessoa, nas livrarias. A gente tinha que encomendar. Conseguimos fazer com que a poesia fosse mais conhecida, colocando a poesia no meio da rua para que as pessoas esbarrassem com ela e soubesse da sua existência. E as livrarias, assim, passaram a vender até os nossos livros, além dos grandes poetas.
Não tínhamos editoras, não tínhamos os editais de incentivo à cultura que publicam livros de escritores da cidade, que hoje existem. Esse espaço que se abriu para quem escreve, em Joinville, foi muito importante para escoar a produção de quem tem talento. Eu já fui jurado do Edital e sei que muita coisa boa aparece.
A regionalidade – que não é privilégio de Joinville - do que se publica é um problema, mas o fato de a própria cidade reconhecer os seus escritores já é alguma coisa. No tempo em que estávamos lá, batalhando pela literatura, tínhamos que arcar com tudo, não havia nada em termos de incentivo, até a Fundação Cultural mandava os escritores que a procuravam falar conosco.
Conseguimos ultrapassar os limites da cidade publicando em jornais e revistas fora do Estado e até fora do país. Nos anos 80 tive um livro de contos publicado por uma editora carioca e nos anos noventa tive dois livros de poemas publicado nos Estados Unidos - um em português e outro traduzido para o inglês, e em Cuba, vertido para o espanhol. Ganhei alguns concursos de poesia que também favoreceram o reconhecimento e algumas editoras aqui do Estado, como Lunardelli e Cepec, e depois a Hemisfério Sul, também me publicaram. Publiquei também “A Cor do Sol” em edição trilingue (português, espanhol e inglês), para possibilitar a penetração da minha poesia em outros países.
Mas nada é fácil, o caminho foi longo e árduo. Infelizmente, a poesia ainda é um gênero meio maldito, há muita produção, mas vende muito pouco. Ainda se compra muito mais romance.
Mas é muito bom ver jornalistas falando de poesia, abrindo espaço para a poesia, publicando poesia. É sinal que ainda pode haver espaço para a poesia no jornalismo, com toda essa mudança que vem acontecendo na indústria da informação.