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sexta-feira, 14 de maio de 2010

LEITURA PARA DEFICIENTES VISUAIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Htp://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Leio matéria sobre a falta de disponibilidade de livros digitalizados, pelas editoras, para que os deficientes visuais possam “lê-los”, com a ajuda de software específico. Segundo a matéria, O sistema computacional para sonorização dos textos digitalizados é baseado no uso intensivo de síntese de voz – produção artificial de voz humana. Transforma a forma digital dos arquivos em ondas sonoras. O programa é caro, mas existe uma versão demo que pode ser usada satisfatoriamente.
Um leitor cego reclama que a Política Nacional do Livro, especificada no 1º capítulo da lei nº 10.753, de 30 de outubro de 2003, garante o acesso à leitura deve ser assegurado aos cegos. Mas na realidade não é o que acontece. Há muito poucas obras em braile e pouca digitalização de obras mais atuais.
Segundo a lei, os deficientes visuais poderiam ir a uma livraria ou qualquer outro ponto de venda para ter acesso aos livros do seu interesse, em vez de depender exclusivamente de doações do governo e outras instituições. Poderiam encomendar os títulos desejados, que seriam providenciados. Consta, também, que “os próprios pontos de venda se encarregarão de fazer o pedido às editoras e, mais tarde, entregar os títulos em arquivos digitais que os clientes poderão levar embora e imprimir numa impressora Braille”.
Na verdade, as livrarias não acolhem encomendas e oferecem, apenas, o pouco que têm em braile, quando têm. Parece que não há interesse, por parte de editoras, em imprimir mais livros em braile para vender aos deficientes visuais, ainda que eles sejam em grande número e, portanto, um nicho de mercado promissor.
E a reclamação do radialista cego entrevistado tem razão de ser, pois a lei promete uma coisa que não é cumprida. Os arquivos digitalizados, mencionados na lei, já seriam de grande ajuda para quem tem o programa de leitura citado e é o que ele reinvindica. Nisso, o livro eletrônico, que começa a aparecer, poderia ajudar, se puder ser lido pelo software mencionado.
Já o trecho da lei que coloca a responsabilidade de imprimir em braile os arquivos digitalizados é um disparate, pois dá a impressão que todo cego tem uma impressora para fazê-lo, o que absolutamente não é verdade.
Então, como é comum neste nosso Brasil de Deus, essa é mais uma lei que não é cumprida. Precisamos votar em políticos que façam o seu trabalho – coisa difícil, não é? – qual seja fazer com que os direitos mais básicos do cidadão brasileiro sejam cumpridos.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

OS ESCRITORES E OS LIVROS ELETRÔNICOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Twitter: @amorimluc

O livro eletrônico tem sido assunto recorrente, nos últimos meses, em revistas, jornais, televisão e internet. O e-reader, leitor de livros eletrônicos, como o Kindle, já estava em ascensão desde o ano passado. Com o aparecimento de um novo leitor multimídia, mais moderno, com mais recursos além da leitura de livros, jornais e revistas, no início deste ano, o assunto ficou ainda mais em evidência.
Falo do I-pad, que já vendeu dois milhões de exemplares, inclusive no Brasil, apesar de não podermos comprar livros na loja da Apple. No entanto, com a instalação de um programa específico, pode-se comprar livros do Kindle para ele. O novo leitor permite ver filmes, jogar games, usar aplicativos de texto, navegar na internet, usar o correio, etc.
Com toda essa revolução em ebulição, nós, escritores, além das editoras, precisamos nos antenar e pensar em aderir ao e-book, o livro eletrônico. Precisamos fazer isso porque o livro tradicional, impresso em papel, vai acabar? Não, isso não vai acontecer tão cedo. Vai demorar bastante para o livro eletrônico suplantar o livro como o conhecemos até agora. Talvez isso nem aconteça.
Mas nós, que publicamos livros, precisamos entrar nesse novo mercado e, além do livro impresso, é bom pensar em providenciar também a versão eletrônica, para conquistarmos também os leitores que já estão usando os e-readers, os leitores dos e-books. Mesmo aqueles escritores que se consideram alternativos.
A verdade é que muitos de nós já publicava, desde meados da década passada, seus livros eletrônicos, colocando-os na internet, para serem baixados de graça. Ninguém cobrava nada. Agora é hora de começar a pensar em colocar os livros em lojas virtuais, tentar vendê-los, pois o preço de um livro eletrônico é bem convidativo, menor do que o preço do livro impresso e isso pode significar alguma venda.
Estou apressando, com isso, o fim do livro tradicional? Não, porque como já disse, isso não vai acontecer. O preço dos leitores eletrônicos ainda é bem salgado e nem todo mundo vai poder comprar. Então, o livro de papel, manuseável, aquele que prescinde de qualquer fonte de energia a não ser a nossa vontade de ler, vai continuar, sim, por muito e muito tempo.
Mas é necessário que nos adaptemos às novas tecnologias, que podem caminhar paralelas aos recursos que já existiam e que continuarão existindo.

sábado, 8 de maio de 2010

O DIA DELA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Minha mãe teve dez filhos. Eu sou o primeiro deles e ajudei a cuidar dos outros, porque ela trabalhava. E ela teve que dar conta de “criar” os mais novos quando a caçula chegou, porque ficou sozinha. Então digo que ela é a nossa heroína, pois sempre trabalhou e ainda teve que cuidar dos filhos, pois mais da metade dos dez ainda eram menores.
O que não a impediu de dar uma boa educação a todos eles, não deixando lhes faltar nem alimentação, nem teto, nem o que vestir e calçar, nem a educação básica. Não éramos uma família rica, éramos até bem humildes, mas me orgulho de ser honesto e esta é a maior herança que minha mãe me deixará.
E tenho orgulho da mãe que Deus me deu, pois ela formou pessoas dignas, amou a todos os filhos como se fosse um único, deu a eles tudo o que foi possível e daria a própria vida, se fosse necessário.
Lembro de quando eu era menino, que antes de sair para o trabalho, de manhã, ela deixava o almoço encaminhado, deixava o café para a filharada pronto e as tarefas para os maiores. Quando chegava de volta, ao meio dia, terminava o almoço, servia todo mundo, almoçávamos e ela ainda adiantava a lida da casa antes de retornar ao trabalho. À tarde, quando voltava, lavava roupa, fazia pão, limpava a casa, fazia comida, cuidava dos filhos, ufa! Nos finais de semana ela tentava descansar um pouquinho, mas era muito pouquinho mesmo. Como não trabalhava no sábado à tarde, fazia doces – bolo, cuca, biscoitos de araruta com coco. Fazia compras, fazia limpeza geral, por dentro e por fora da casa, que naquele tempo morávamos em casa, com jardim, quintal, horta, pomar. Capinávamos, cortávamos grama, varríamos o chão. Plantávamos, colhíamos. E era ela quem nos ensinava. E olhe que naquele tempo as coisas não eram muito fáceis. A água era encanada, para a cozinha, para o banheiro, para a área de serviço, mas não era de rede. Era de poço, e como o solo mais profundo de nosso terreno era de pedra, tínhamos um poço de apenas uns três metros. E no verão faltava água. Então minha mãe tinha que se virar com o pouco de água que a gente ia buscar no rio para lavar e na vizinhança para beber e cozinhar. Mas sobrevivemos.
Fico pensando, então, cada vez que o Dia das Mães se aproxima: o que dar para uma mãe assim? Um presente caro, uma jóia fina? Posso até dar qualquer coisa assim, mas o que vale mesmo é dar a ela o mesmo carinho que sempre tive, o amor que me empurrou pra frente na vida, o abraço, o beijo. E, mais que tudo, dar a nossa presença, o nosso respeito e admiração, sempre.
Se não pudermos, por qualquer razão, comprar-lhe um presente, uma flor pejada de carinho e de ternura e o abraço apertado, não serão aceitos de bom grado? Eu tenho certeza que sim. Dou, também, meu coração de presente, que é o que tenho de mais caro. E sei que ela merece.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O AUMENTO DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS NA CAPITAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Leio no jornal a declaração do prefeito de Florianópolis, Dário Berger, vangloriando-se do fato de não haver greve no transporte urbano este ano: “Foi um trabalho silencioso, que a prefeitura articulou para evitar a greve”.
Ora, evitou a greve concedendo aumento às tarifas de ônibus, as mais caras do país, isso sem contar que Florianópolis é a única cidade brasileira que dá, de graça, às empresas de ônibus, verba no total de R$ 750.000,00 mensais, a título de subsídio. Isso, pelo menos, é o último valor que a imprensa divulgou, há meses.
Então essa é a grande negociação? Conceder o reajuste aos trabalhadores do transporte urbano aumentando as passagens, que já tinham um valor escorchante, e ainda ter lucro, pois o resultado da majoração não será totalmente repassado aos empregados das empresas?
Considerando-se que, recentemente, os horários de várias linhas foram reduzidos, aumentando a arrecadação para as empresas, pois diminuem funcionários e ônibus rodando – isso significa menos despesa transportando o mesmo número de passageiros - e em contrapartida, os ônibus ficam entupidos nos horários de pico, verdadeiras latas de sardinha, sem conforto nenhum, não vejo nenhum mérito na “vitória” das “negociações” da prefeitura.
Como sempre, o usuário é quem paga a conta toda. Aliás, vai pagar três vezes: já pagava duas, a passagem mais o “subsídio” que a prefeitura dá às empresas de ônibus, que na verdade são os suados impostos que desembolsamos e agora pagamos mais o reajuste dos salários dos empregados.
Desta vez preferiram não provocar a greve, como sempre fizeram, negando-se a dar o reajuste mínimo necessário de salário aos seus colaboradores, colocando o público usuário contra os trabalhadores, quando na verdade os culpados da greve eram os patrões, que não pagavam o que era devido. Foram direto para o aumento das tarifas, que é onde tudo sempre acaba.
Quando é que essa exploração vai acabar?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

TANTO TEMPO SEM QUINTANA...


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Quintana dizia que, quando morresse, ele “queria apenas paz para endireitar alguns poemas tortos. Levaria junto apenas as madrugadas, por-de-sóis, algum luar, asas em bando, mais o rir das primeiras namoradas”.
A saudade do poeta “passarinho” já dura dezesseis anos. Quintana partiu para um nível superior onde as mortes são registradas como nascimentos, acreditava. “Tenho pena da morte - cadela faminta - a que deixamos a carne doente e finalmente os ossos, miseráveis que somos... O resto é indevorável”. Quintana foi encher o céu de poesia em 5 de maio de 1994. Com certeza estará fazendo poesia em parceria com Coralina, Pessoa, Drummond, o nosso anjo poeta.
Aliás, tornar a poesia conhecida e apreciada era com ele mesmo. Foi ele que, com talento e afinco, levou a poesia para as páginas de jornal, popularizando-a, através “Do Caderno H”, que assinava no Caderno de Sábado, do Correio do Povo de Porto Alegre.
E por falar em Porto Alegre, a cidade nunca mais foi a mesma depois que o poeta fez uso de suas asas – Érico Veríssimo é testemunha: “...descobri outro dia que o Quintana, na verdade, é um anjo disfarçado de homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de fora.” – e subiu para o andar de cima. A feira do livro gaúcha, a mais tradicional do Brasil, da qual o poeta era a presença mais ilustre, a representação viva de um grande evento, continua firme, talvez até por isso, para cultivar e imortalizar o símbolo maior daquele festa de cultura.
Parabéns, poeta. De presente para você, as flores do manacá-da-serra, que começam a desabrochar, com a proximidade do fim do outono e as borboletas, que habitam o meu pequeno jardim, que botam ovos nas minhas folhas de couve e dão origem a dezenas, centenas de larvas que devoram tudo e deixam só os talos, mas eu nem ligo, porque sei que dali sairão os poemas esvoaçantes e coloridos, pequenas obras primas da natureza que me lembram você.

terça-feira, 4 de maio de 2010

PROFESSORES COM P MAIÚSCULO

Eu, a professora Mariza e seu filho e o escritor Wilson Gelbcke, na Feira do Livro.



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/

Andei passeando pelo blog da minha amiga e conterrânea professora Mariza Schiochet – professora com P maiúsculo – que trabalhou em sala de aula meus livros “Flecha Dourada” – infantil, “Nação Poesia” – poemas e “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas” –crônicas. Reputo de maior importância o trabalho da professora, não por ter estudado a minha obra com seus alunos, até porque ela trabalha com livros de outros autores, também, mas sim por que ela faz uma coisa valiosíssima para todos nós, tanto para o escritor quanto para o leitor em formação: ela semeia o gosto pela leitura, ela incentiva o hábito de ler.
E ela tem sucesso na sua empreitada. Acho que não vi, ainda, definição melhor de poesia do que a da Bárbara, que a professora colheu nos trabalhos sobre “Nação Poesia” e colou no seu blog “Mar e Brisa do Saber”, em http://marebrisadosaber.blogspot.com/ , e eu tomo a liberdade de reproduzir: "Poesia é tudo que é belo, onde existe beleza: no verso, na prosa, nas cores, nas árvores, na bondade, na terra, no amor; tudo isso é poesia". Não é completo? E há muito mais lá no blog citado acima. Há trechos dos trabalhos, cartinhas dos alunos ao meu personagem Flecha Dourada, comentários sobre as obras, fotos, etc.
Esses estudantes aplicados e receptivos e essa professora habilidosa e sábia são maravilhosos. Minha obra, pelo menos para mim, tornou-se mais importante, depois de ser lida e estudada por essa gente fabulosa.
Cada vez mais fico impressionado com os alunos da professora Mariza. Eles leram, interpretaram, fizeram atividades que eu gostaria até de incluir numa próxima edição de Flecha Dourada, pois valoriza muito a obra. E pelos comentários nos trabalhos com que me presentearam e aqueles postados aqui, vejo que eles têm consciência do mal que fizemos ao irmão índio, pois não gostaram que o final da história tivesse de ser o que foi. Eles sabem que apesar de não gostarmos, é o que acontece na realidade.
Grato, professora Mariza, muito grato por podermos ver a Literatura Catarinense ter espaço no conteúdo programático de professores de primeiro grau como a senhora. Obrigado pela educação de primeiríssima qualidade que a professora mostra que é possível praticar.
E agradeço também pelo selo que ganhei de presente. Ele está lá no alto e distribuí-lo-ei para outros blogueiros, como me recomenda a professora Mariza:
O prêmio Dardos é uma espécie de reconhecimento para o blogueiro dedicado. Segue algumas normas:
1- Exibir a imagem do selinho em seu blog.
2- Mencionar o blog da pessoa que enviou.
3- Escolher quantos blogs quiser entregar.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O "GOVERNADOR" DE SC E A FCC

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Pois então o atual “governador” de Santa Catarina – aquele com uma ação contra ele, por envolvimento em crimes de corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional e advocacia administrativa, envolvendo empresas privadas favorecidas por ele, e ainda improbidade administrativa, vocês lembram? - está fazendo um monte de caca, depois que assumiu o “poder”, e uma delas foi convidar alguém para comandar a Fundação Catarinense de Cultura, sem comunicar a atual presidente daquela casa e sem discutir o caso com as bases.
Acho que é falta de respeito e Anita Pires tem razão de colocar o cargo à disposição. Não estou defendendo ela, estou condenando o ato do “governador” despreparado e incompetente. Mas Anita, apesar de ter uma equipe que não executou de maneira correta as coisas que ela resgatou, fez bastante no ano passado, fez muito mais do que o antecessor, que quase fechou a Fundação. Realizou mais uma edição do Prêmio Cruz e Sousa, fez cumprir, finalmente, a Lei Grando, abrindo edital para selecionar e comprar dez livros de autores catarinenses para distribuição às bibliotecas municipais, etc. É certo que uma segunda edição do edital já deveria ter saído, como tinha sido prometido, mas já que demorou tanto para sair do papel, um novo edital neste ano já estaria de bom tamanho.
Não sei quem vai assumir a FCC, mas esperamos que faça mais do que já foi feito até aqui. Que não regrida, como aconteceu na gestão anterior de Anita.