Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Há alguns dias, falei sobre o tempo que tivemos no último verão, aqui no sul e em algumas outras partes do país: ao invés das chuvas torrenciais, com grandes tragédias em áreas de risco, geralmente nos meses de janeiro, desta vez tivemos seca. Centenas de cidades em estado de calamidade pública, por falta de água, produção agrícola perdida em vários lugares, um calor escaldante.
Pois acho que falei demais. Neste mês de abril, já passado o verão, a chuva forte veio e trouxe a tragédia que, pensamos, havia sido evitada, com deslizamentos e mortes na região serrana do Rio de Janeiro. Tivemos, tambem grandes tempestades em Goiânia, no norte do Brasil e no sul também.
Precisamos de chuva, precisamos muito, mas espero que ela não venha mais em quantidade exagerada. O calor ainda persiste, a chuva está vindo mais amiúde, mas comportada, nos últimos dias, e esperamos que continue assim.
Eu ficava assustado, quando abria a torneira direto da rua, para encher o regador e molhar minhas plantas que estavam quase morrendo e não havia água, a torneira estava seca. Isso me lembrava uma parte da minha infância em Corupá, quando não tínhamos água de rede. Tínhamos um poço – a água era encanada, mas vinha de um poço nos fundos do quintal. Ele fora cavado na pedra, então não era muito fundo. E no verão faltava água. E faltar água numa casa com muitas crianças era difícil. Para cozinhar, buscávamos água numa vizinha, a umas cinco casas depois da nossa, que tinha um poço que oferecia água em abundância. Para lavar, trazíamos água do rio, que ficava também a uns quase quinhentos metros de casa. Eu era adolescente e carregar duas latas de água pesou bastante, tanto que fiquei com as costas um pouco arcadas.
Mas as secas, o calor intenso de hoje, assustam mais. Não há mais poços, para nos abastecermos com água do vizinho. A água é toda de rede e se ela não vem, falta para todo mundo. E as chuvas acumuladas também assustam, demais. É terrível ver áreas habitadas deslizando, soterrando casas e pessoas.
É bom que tudo o que aconteceu até agora com os descompassos do tempo sirva de alerta para todos nós. Será que aprendemos, será que percebemos a necessidade premente de que precisamos cuidar melhor do nosso meio ambiente? Se não respeitarmos a natureza, ela também não nos respeitará.
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terça-feira, 10 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
AS BICICLETAS DA CIDADE
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
O assunto da crônica de hoje em um jornal de Joinville são as bicicletas. Joinville já foi a Cidade das Biciletas. Hoje, nem tanto. Com o trânsito conturbado, os operários já não andam mais de bicicletas, eles têm de pagar o ônibus, mesmo.
Pois a cronista, Clarice Steil retoma o assunto, pois já havia escrito uma crônica com o título de “Cidade das Bicicletas” no dia 12 de março, logo após o aniversário de Joinville. Ela voltou a falar das bicicletas em Joinville, porque a professora Mariza Schiochet, minha amiga e conterrânea, fez uma trabalho em sala de aula, com suas turmas, e os alunos enviaram à Clarice nada mais, nada menos do que 74 cartinhas falando do que eles pensavam e sentiam a respeito do assunto. E ela escreveu uma belíssima crônica, aproveitando trechos das cartas.
Eu sei bem do trabalho da professora Mariza, ela faz milagres em duas escolas da cidade. Ela trabalha com textos de escritores da terra e depois os convida para ir lá, conversar com os seus alunos. E eles fazem de tudo com o texto da gente: eles recriam tudo, dando a sua versão do que foi lido, a sua interpretação, fazem teatro, vídeos, músicas, livros, poemas, entgrevistam a gente, é um sem fim de criatividade. E competência da professora. E depois a gente recebe os trabalhos, eu até já fiz crônica com alguns dos trabalhos que recebi. É muito gratificante ser alvo da professora Mariza e dos alunos dela.
Então fui procurar, no jornal, a crônica do dia 12, que eu não havia lido, para entender o começo da história. E constatei que Clarice fala da mobilidade na cidade, que anda péssima, como na maioria das médias e grandes cidades, da falta de ciclovias, da falta de respeito dos motoristas para com as ciclovias, onde elas existem.
Transcrevo um trecho da crônica: “Gostaria de dizer que quando eu ando de bicicleta eu cuido do ar que ela e seus filhos respiram. Quando eu ando de bicicleta, o trânsito fica mais aliviado para todos. Também ajudo a economizar os gastos públicos com saúde, a aliviar os espaços de estacionamento, a divulgar um meio de transporte que também é fonte de lazer, a poupar tempo e dinheiro.” Fiquei entusiasmado com o texto e não poderia deixar de mostrá-lo para meus leitores, pois eu ando a pé, ando o mínimo possível de carro e me dei conta de que também faço o que ela menciona acima.
Os administradores de nossas cidades precisam priorizar as ciclovias, tão escassas em todo lugar. Precisamos cobrar isso, pois é um direito que temos, já que o dinheiro público sai dos impostos que pagamos e, como a cronista escreveu, andar de bicicleta é cuidar do meio ambiente, pois com menos carros nas ruas, diminui a poluição, melhora a mobilidade, diminui os acidentes, etc, etc. Nossos prefeitos deveriam ler, todos eles, as duas crônicas de Clarice.
Parabéns, minha querida cronista. Sou seu fã. Parabéns, professora Mariza. Parabéns, alunos da professora Mariza. Vocês todos são geniais. Joinville não seria a mesma sem vocês. Aliás, Joinville não é mais, mas pode voltar a ser a Cidade das Bicicletas, se todos tivermos esse propósito. Tenho saudade dos tempos em que podíamos ver muitas, muitas bicicletas pelas ruas da cidade. Essa imagem que pode parecer romântica, mas na verdade é uma opção de sobrevivência das nossas cidades, tem que ser resgatada. Para o bem da cidade, do planeta, para o bem de todos nós.
O assunto da crônica de hoje em um jornal de Joinville são as bicicletas. Joinville já foi a Cidade das Biciletas. Hoje, nem tanto. Com o trânsito conturbado, os operários já não andam mais de bicicletas, eles têm de pagar o ônibus, mesmo.
Pois a cronista, Clarice Steil retoma o assunto, pois já havia escrito uma crônica com o título de “Cidade das Bicicletas” no dia 12 de março, logo após o aniversário de Joinville. Ela voltou a falar das bicicletas em Joinville, porque a professora Mariza Schiochet, minha amiga e conterrânea, fez uma trabalho em sala de aula, com suas turmas, e os alunos enviaram à Clarice nada mais, nada menos do que 74 cartinhas falando do que eles pensavam e sentiam a respeito do assunto. E ela escreveu uma belíssima crônica, aproveitando trechos das cartas.
Eu sei bem do trabalho da professora Mariza, ela faz milagres em duas escolas da cidade. Ela trabalha com textos de escritores da terra e depois os convida para ir lá, conversar com os seus alunos. E eles fazem de tudo com o texto da gente: eles recriam tudo, dando a sua versão do que foi lido, a sua interpretação, fazem teatro, vídeos, músicas, livros, poemas, entgrevistam a gente, é um sem fim de criatividade. E competência da professora. E depois a gente recebe os trabalhos, eu até já fiz crônica com alguns dos trabalhos que recebi. É muito gratificante ser alvo da professora Mariza e dos alunos dela.
Então fui procurar, no jornal, a crônica do dia 12, que eu não havia lido, para entender o começo da história. E constatei que Clarice fala da mobilidade na cidade, que anda péssima, como na maioria das médias e grandes cidades, da falta de ciclovias, da falta de respeito dos motoristas para com as ciclovias, onde elas existem.
Transcrevo um trecho da crônica: “Gostaria de dizer que quando eu ando de bicicleta eu cuido do ar que ela e seus filhos respiram. Quando eu ando de bicicleta, o trânsito fica mais aliviado para todos. Também ajudo a economizar os gastos públicos com saúde, a aliviar os espaços de estacionamento, a divulgar um meio de transporte que também é fonte de lazer, a poupar tempo e dinheiro.” Fiquei entusiasmado com o texto e não poderia deixar de mostrá-lo para meus leitores, pois eu ando a pé, ando o mínimo possível de carro e me dei conta de que também faço o que ela menciona acima.
Os administradores de nossas cidades precisam priorizar as ciclovias, tão escassas em todo lugar. Precisamos cobrar isso, pois é um direito que temos, já que o dinheiro público sai dos impostos que pagamos e, como a cronista escreveu, andar de bicicleta é cuidar do meio ambiente, pois com menos carros nas ruas, diminui a poluição, melhora a mobilidade, diminui os acidentes, etc, etc. Nossos prefeitos deveriam ler, todos eles, as duas crônicas de Clarice.
Parabéns, minha querida cronista. Sou seu fã. Parabéns, professora Mariza. Parabéns, alunos da professora Mariza. Vocês todos são geniais. Joinville não seria a mesma sem vocês. Aliás, Joinville não é mais, mas pode voltar a ser a Cidade das Bicicletas, se todos tivermos esse propósito. Tenho saudade dos tempos em que podíamos ver muitas, muitas bicicletas pelas ruas da cidade. Essa imagem que pode parecer romântica, mas na verdade é uma opção de sobrevivência das nossas cidades, tem que ser resgatada. Para o bem da cidade, do planeta, para o bem de todos nós.
sábado, 7 de abril de 2012
PEDÁGIO NO RIO GRANDE DO SUL: MUDANÇAS?
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor e editor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Tenho visto nos jornais, ultimamente, notícias de que as concessionárias de pedágio do Rio Grande do Sul estão com os prazos dos contratos para vencer e o governo não estaria pensando a renovar com elas. Ao invés disso, faria outras licitações para tentar colocar novas operadoras, para ver se o serviço melhora, pois as atuais cobram preços astronômicos, escorchantes, do usuário, sem que haja retorno correspondente para o valor que se paga, como acontece em quase todo o Brasil, infelizmente. E a impressão que se tem é que ninguém fiscaliza o cumprimento dos contratos com as tais concessionárias, pois o dinheiro é arrecadado aos borbotões mas muito pouco dele é aplicado na melhoria das estradas. Apesar de existir o DAER – Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem, o Dnit, a fiscalização parecia não existir para verificar o cumprimento dos contratos. Felizmente os usuários estão começando a exigir o seu direito de cidadãos, mobilizando-se para cobrar resultados.
Então, com o risco de perder a “boquinha”, as operadoras estariam dispostas as diminuir os preço dos pedágios nas diversas praças – o menor é seis reais e setenta centavos, em estradas não duplicadas onde não se vê ninguém trabalhando – para quatro reais, que ainda é muito, muito caro, para o retorno que se tem – quase nenhum.
Viajo há mais de dez anos para cá e vejo o descaso com que se trata o assunto. O preço sempre foi exorbitante e as estradas nunca foram tão boas que justificassem o valor cobrado. Há anos que mando carta para os jornais gaúchos questionando o preço e o estado das estradas, mas notei que não se falava no assunto, no Estado, em nenhuma mídia. Nem em jornais, nem na televisão, em lugar nenhum. Vi que minhas cartas não eram publicadas, porque o assunto parecia ser tabu e ninguém queria mencionar o assunto. Parecia um pacto firmado entre mídias, poder público, etc, para não se falar em pedágio.
Até que, há uns dois ou três anos, alguém publicou uma das minhas cartas e, daí para a frente, o pacto foi quebrado e as reclamações em relação aos pedágios e as estradas começaram a se multiplicar nos jornais, reportagens a respeito começaram a aparecer em jornais televisivos, na internet, etc.
Atualmente a indignação das pessoas com o pouco caso das concessionárias com os usuários, arrecadando fortunas e não aplicando o dinheiro na melhoria das estradas.
Em Santa Catarina, no ano passado, o pedágio na região de Joinville, que estava em um real e vinte centavos, aumentou para um real e quarenta centavos. O público reclamou, o Ministério Público acionou e a concessionária foi obrigada a baixar o preço, já que não estava aplicando o valor arrecada na estrada.
Na Grande Florianópolis, um rodoanel previsto em contrato e que teve o percurso diminuído pela OHL para menos da metade, também foi questionado e a concessionária teve que retomar ao plano original, cumprindo o contrato.
Precisamos exigir nossos direitos, não podemos permitir que nos roubem contínua e impunemente. Os pedágios arrecadam fortunas incomensuráveis e o mínimo que têm que fazer é cumprir os contratos, fazendo a manutenção das estradas sob sua jurisdição, mantendo-as perfeitas, pois com os preços exorbitantes que cobram, deveríamos ter estradas com a qualidade das estradas européias. E ainda assim o valor cobrado ainda seria exagerado.
Tenho visto nos jornais, ultimamente, notícias de que as concessionárias de pedágio do Rio Grande do Sul estão com os prazos dos contratos para vencer e o governo não estaria pensando a renovar com elas. Ao invés disso, faria outras licitações para tentar colocar novas operadoras, para ver se o serviço melhora, pois as atuais cobram preços astronômicos, escorchantes, do usuário, sem que haja retorno correspondente para o valor que se paga, como acontece em quase todo o Brasil, infelizmente. E a impressão que se tem é que ninguém fiscaliza o cumprimento dos contratos com as tais concessionárias, pois o dinheiro é arrecadado aos borbotões mas muito pouco dele é aplicado na melhoria das estradas. Apesar de existir o DAER – Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem, o Dnit, a fiscalização parecia não existir para verificar o cumprimento dos contratos. Felizmente os usuários estão começando a exigir o seu direito de cidadãos, mobilizando-se para cobrar resultados.
Então, com o risco de perder a “boquinha”, as operadoras estariam dispostas as diminuir os preço dos pedágios nas diversas praças – o menor é seis reais e setenta centavos, em estradas não duplicadas onde não se vê ninguém trabalhando – para quatro reais, que ainda é muito, muito caro, para o retorno que se tem – quase nenhum.
Viajo há mais de dez anos para cá e vejo o descaso com que se trata o assunto. O preço sempre foi exorbitante e as estradas nunca foram tão boas que justificassem o valor cobrado. Há anos que mando carta para os jornais gaúchos questionando o preço e o estado das estradas, mas notei que não se falava no assunto, no Estado, em nenhuma mídia. Nem em jornais, nem na televisão, em lugar nenhum. Vi que minhas cartas não eram publicadas, porque o assunto parecia ser tabu e ninguém queria mencionar o assunto. Parecia um pacto firmado entre mídias, poder público, etc, para não se falar em pedágio.
Até que, há uns dois ou três anos, alguém publicou uma das minhas cartas e, daí para a frente, o pacto foi quebrado e as reclamações em relação aos pedágios e as estradas começaram a se multiplicar nos jornais, reportagens a respeito começaram a aparecer em jornais televisivos, na internet, etc.
Atualmente a indignação das pessoas com o pouco caso das concessionárias com os usuários, arrecadando fortunas e não aplicando o dinheiro na melhoria das estradas.
Em Santa Catarina, no ano passado, o pedágio na região de Joinville, que estava em um real e vinte centavos, aumentou para um real e quarenta centavos. O público reclamou, o Ministério Público acionou e a concessionária foi obrigada a baixar o preço, já que não estava aplicando o valor arrecada na estrada.
Na Grande Florianópolis, um rodoanel previsto em contrato e que teve o percurso diminuído pela OHL para menos da metade, também foi questionado e a concessionária teve que retomar ao plano original, cumprindo o contrato.
Precisamos exigir nossos direitos, não podemos permitir que nos roubem contínua e impunemente. Os pedágios arrecadam fortunas incomensuráveis e o mínimo que têm que fazer é cumprir os contratos, fazendo a manutenção das estradas sob sua jurisdição, mantendo-as perfeitas, pois com os preços exorbitantes que cobram, deveríamos ter estradas com a qualidade das estradas européias. E ainda assim o valor cobrado ainda seria exagerado.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
PÁSCOA
Luiz Carlos Amorim
É tempo de celebrarmos
a Páscoa, irmão
Não com coelhos e ovos,
mas com o amor
que Ele ensinou,
morrendo por todos nós
e renascendo
em nossos corações.
Não se preocupe
com presentes, irmão.
Celebremos a Páscoa
exercitando o presente
que Ele nos deixou,
esparramando amor
por todos os lugares,
a todos os olhares,
através do sorriso,
de uma palavra amiga,
de um aperto de mão,
de um abraço apertado
ao irmão que está ao lado.
Celebremos a Páscoa!
É tempo de celebrarmos
a Páscoa, irmão
Não com coelhos e ovos,
mas com o amor
que Ele ensinou,
morrendo por todos nós
e renascendo
em nossos corações.
Não se preocupe
com presentes, irmão.
Celebremos a Páscoa
exercitando o presente
que Ele nos deixou,
esparramando amor
por todos os lugares,
a todos os olhares,
através do sorriso,
de uma palavra amiga,
de um aperto de mão,
de um abraço apertado
ao irmão que está ao lado.
Celebremos a Páscoa!
quarta-feira, 4 de abril de 2012
EDUCAÇÃO E LEITURA
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Um leitor não é aquele que lê um livro – ou uma sinopse – apenas para dizer que o leu. Ou que nem sequer lê a sinopse porque tem dificuldade para entender um enunciado. Leitor de verdade é aquele que sabe interpretar o que leu, que sabe recriar um texto. É aquele que usa seus sentidos na recriação de um texto, que decodifica signos com emoção, com alma, com sentimento.
Infelizmente, no Brasil, temos muitos dos primeiros, que na verdade nem podemos chamar de leitores, pois leem pouco porque não sabem interpretar um texto, não conseguiram usufruir do letramento e não conseguem, quase, se comunicar. Escrever ou ler um bilhete é um problema, pois não conseguem se expressar nem entender uma pequena mensagem.
O leitor de verdade, então, esse não é muito comum. Aquele leitor que tem o hábito de ler, que lê dois, três, cinco, dez livros por mês, sejam eles comprados, alugados, emprestados, esses são poucos, em número muito aquém do que desejaríamos, considerando-se o tamanho da população desse nosso país.
O resultado da terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência acaba de sair e não é nada bom. Constata que do ano de 2007 até a atualidade, o índice de leitura dos brasileiros caiu de 4,7 livros por pessoa para quatro títulos. O número de leitores saiu de 95 milhões e meio, há cinco anos, para 88 milhões no ano passado. E olhe que a população cresceu, nesse período.
Isso pode ter muitas causas. Uma, sem dúvida, é a falência da educação no Brasil. Se a educação é ruim e não incentiva a leitura nos leitores em formação, então não podemos esperar que crianças cresçam com aquisição de cultura e informação suficientes para consumirem livros, para terem bons trabalhos e, consequentemente, poderem continuar, na vida adulta, a leitura de mais livros, adquirindo, assim, mais cultura e mais capacidade de progredir. Porque ler é adquirir conhecimento para a vida, é tentar entender o mundo. Ler é nos transformarmos, é nos adaptarmos com as mudanças a nossa volta, é ajudar a mudar o mundo – para melhor.
Então, precisamos repensar a educação brasileira, estruturá-la, dar-lhe atenção e a importância que ela realmente tem. O Estado precisa priorizar a educação e não desconstruí-la, como vem fazendo. E isso precisa ser feito logo. Ou será tarde demais.
Um leitor não é aquele que lê um livro – ou uma sinopse – apenas para dizer que o leu. Ou que nem sequer lê a sinopse porque tem dificuldade para entender um enunciado. Leitor de verdade é aquele que sabe interpretar o que leu, que sabe recriar um texto. É aquele que usa seus sentidos na recriação de um texto, que decodifica signos com emoção, com alma, com sentimento.
Infelizmente, no Brasil, temos muitos dos primeiros, que na verdade nem podemos chamar de leitores, pois leem pouco porque não sabem interpretar um texto, não conseguiram usufruir do letramento e não conseguem, quase, se comunicar. Escrever ou ler um bilhete é um problema, pois não conseguem se expressar nem entender uma pequena mensagem.
O leitor de verdade, então, esse não é muito comum. Aquele leitor que tem o hábito de ler, que lê dois, três, cinco, dez livros por mês, sejam eles comprados, alugados, emprestados, esses são poucos, em número muito aquém do que desejaríamos, considerando-se o tamanho da população desse nosso país.
O resultado da terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência acaba de sair e não é nada bom. Constata que do ano de 2007 até a atualidade, o índice de leitura dos brasileiros caiu de 4,7 livros por pessoa para quatro títulos. O número de leitores saiu de 95 milhões e meio, há cinco anos, para 88 milhões no ano passado. E olhe que a população cresceu, nesse período.
Isso pode ter muitas causas. Uma, sem dúvida, é a falência da educação no Brasil. Se a educação é ruim e não incentiva a leitura nos leitores em formação, então não podemos esperar que crianças cresçam com aquisição de cultura e informação suficientes para consumirem livros, para terem bons trabalhos e, consequentemente, poderem continuar, na vida adulta, a leitura de mais livros, adquirindo, assim, mais cultura e mais capacidade de progredir. Porque ler é adquirir conhecimento para a vida, é tentar entender o mundo. Ler é nos transformarmos, é nos adaptarmos com as mudanças a nossa volta, é ajudar a mudar o mundo – para melhor.
Então, precisamos repensar a educação brasileira, estruturá-la, dar-lhe atenção e a importância que ela realmente tem. O Estado precisa priorizar a educação e não desconstruí-la, como vem fazendo. E isso precisa ser feito logo. Ou será tarde demais.
terça-feira, 3 de abril de 2012
O ABUSO DO SOM MUITO ALTO
Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
Esta semana li uma matéria, em jornal local, sobre o abuso do barulho em São José. Os “sons” nos carros são ligados em altíssimos volumes, tanto de dia como de noite. Fiquei sabendo que desde 2009, o problema vem sendo alvo de discussão pela Câmara de Vereadores, embora até agora não tenha sido homologada nenhuma lei para reforçar o silêncio, pelos menos, depois das 22 horas.
A matéria foca o som automotivo muito alto no bairro Kobrasol. Sei como é, porque já morei lá, mas não é só lá, não. Moro em Barreiros, na divisa com Florianópolis, e tenho que agüentar vizinhos que colocam, a qualquer hora do dia e até à noite, o som a todo volume, tão alto que não dá para conversar ou assistir televisão dentro de casa. Já liguei diversas vezes para a polícia, mas ela não veio. Acho que vou ter que ir à delegacia formalizar queixa, mas não sei se isso resolve.
Segundo o jornal há uma campanha da Secretaria de Segurança, Defesa Social e Trânsito de São José, contra o som alto de automóveis pelas ruas, calçadas e jardins, na qual estão engajadas, também, a Polícia Civil e Militar, a Guarda Municipal e outros instituições.
Espero que funcione e que a situação melhore, pois é impraticável. São José tem Lei do Silêncio desde 2001, mas parece que não foi colocada em prática até então
Esta semana li uma matéria, em jornal local, sobre o abuso do barulho em São José. Os “sons” nos carros são ligados em altíssimos volumes, tanto de dia como de noite. Fiquei sabendo que desde 2009, o problema vem sendo alvo de discussão pela Câmara de Vereadores, embora até agora não tenha sido homologada nenhuma lei para reforçar o silêncio, pelos menos, depois das 22 horas.
A matéria foca o som automotivo muito alto no bairro Kobrasol. Sei como é, porque já morei lá, mas não é só lá, não. Moro em Barreiros, na divisa com Florianópolis, e tenho que agüentar vizinhos que colocam, a qualquer hora do dia e até à noite, o som a todo volume, tão alto que não dá para conversar ou assistir televisão dentro de casa. Já liguei diversas vezes para a polícia, mas ela não veio. Acho que vou ter que ir à delegacia formalizar queixa, mas não sei se isso resolve.
Segundo o jornal há uma campanha da Secretaria de Segurança, Defesa Social e Trânsito de São José, contra o som alto de automóveis pelas ruas, calçadas e jardins, na qual estão engajadas, também, a Polícia Civil e Militar, a Guarda Municipal e outros instituições.
Espero que funcione e que a situação melhore, pois é impraticável. São José tem Lei do Silêncio desde 2001, mas parece que não foi colocada em prática até então
segunda-feira, 2 de abril de 2012
MINHAS CRÔNICAS
Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ O escritor Marcos Antonio Meira, aqui da terrinha, premiado pela Academia Catarinense de Letras pelo seu romance "Gurita", leu meu livro "Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas", de 2009, reunindo crônicas publicadas em jornais de todo o Brasil naquele ano. E escreveu sobre o mesmo em seu blog "Sob o Céu de Barreiros" - http://soboceudebarreiros.blogspot.com/ - texto que eu transcrevo a seguir:
LIVRO DE CRÔNICAS
Por Marcos Antonio Meira
Recebi o livro de crônicas do escritor Luiz Carlos Amorim, “Aphrodite e as Cerejeiras Japonesas”. E gostei de folhear suas páginas.
Dono de um estilo espontâneo e nada arrogante (traço condenável em muitos cronistas das folhas impressas), Amorim parece estar em sua casa, em seu quintal, tal é a simplicidade e a honestidade de suas palavras.
Não obstante toda essa cordialidade, em algumas crônicas Amorim eleva o tom; mostra-se inconformado com a realidade brasileira. E, semelhante ao Dr. Stockmann, personagem de Ibsen, em “Um Inimigo do Povo”, não teme navegar contra a corrente ou ficar sozinho, como fica explícito na crônica “O Livro Ilegível”.
Sem empregar termos rebuscados, Amorim convida o leitor a puxar uma cadeira e deixar a conversa correr solta.
E isso é singular, muito singular.
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