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domingo, 27 de abril de 2014

EDUCAÇÃO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


O dia 28 de abril é o Dia da Educação. Uma dia a mais para refletir sobre tema tão importante, pois todo dia é dia de repensar e construir a nossa educação.

A educação, não só a catarinense, mas a educação brasileira, está a caminho da falência. Não se dá a devida importância e atenção à educação, ao ensino público, faz muito tempo. E ela, a educação, é fator primordial na vida de todas as pessoas, para que tenham bom desempenho no mercado de trabalho e, consequentemente, uma vida digna, um futuro promissor.

O que se vê, infelizmente, é o sistema de ensino cada vez com menos conteúdo, fragilizado, com professores sendo mal pagos, com escolas caindo aos pedaços, sem equipamentos e até com falta de recursos humanos. A essa altura do ano, por exemplo, temos escolas estaduais fechadas com reformas que deveriam ter sido feitas nas férias e alunos sem aulas. As modificações que têm sido feitas no ensino fundamental e médio, pelo MEC, nos últimos anos, ao invés de fortalecer a educação, a tem tornado menos eficiente e eficaz.

Sistemáticas de ensino que sempre funcionaram bem, como a alfabetização foram mudadas e a nova maneira de aplicá-la atrasou o aprendizado dos pequenos, fazendo com que algumas crianças tenham mais dificuldade, levem mais tempo para aprender a ler e a escrever.

De maneira que não há, infelizmente, o que comemorar. Precisamos de uma reforma muito séria nos ensinos fundamental e médio, no Brasil, para que a educação brasileira melhore um pouco e os estudantes cheguem ao vestibular aptos a enfrentarem um curso superior que precisa ter, também, mais qualidade. E mais, que cheguem à vida adulta com um pouco mais de educação no sentido mais latente da palavra: o desenvolvimento intelectual e moral, a sensibilidade e a humanidade no trato com as pessoas ao seu redor.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

OS ESPECIAIS NA ESCOLA REGULAR


     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Conversando com professores do ensino fundamental, recentemente, soube que os alunos especiais, que antes iam para as Apaes, já estão nas salas de aula regulares.

Lembro que já abordei este assunto, em artigo lá pelos meados de 2013, quando soube do novo texto do PNE – Plano Nacional de Educação, que previa que, a partir de 2016, haveria congelamento de matrículas nas Apaes, para fins do cálculo para o repasse do Fundeb – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica.  O que significaria que, com verbas menores, a demissão de funcionários da entidade de assistência aos especiais seria inevitável.

Vejam o que escrevi na época: “Para transferir a educação dos especiais para a escola regular, o Ministério da Educação deveria primeiro pensar em um programa de qualificação para todo o corpo docente. E ter escolas em bom estado para suprir a necessidade dos alunos não especiais e também dos especiais. Mais: as escolas teriam que ter adaptações para receber os alunos especiais.

Seria engraçado se não fosse absurdo: o nosso “governo” faz modificações irresponsáveis no nosso ensino, na nossa educação – e não é de hoje - para dizer o mínimo, mas não prepara professores, espaço e equipamentos para receber e colocar em prática o que quer impor. Faz leis com textos confusos e ambíguos para poder continuar com o processo de falência da educação brasileira, para se livrar de “problemas”, agora incluindo os estudantes especiais.

As crianças especiais até podem ser matriculadas no ensino fundamental regular, mas será que haverá estrutura para recebê-las? Sabemos a resposta, infelizmente.”

Pois não deu outra: Não esperaram 2016, os especiais já estão nas salas de aulas convencionais, sem preparação nenhuma dos professores, sem equipamentos apropriados, apenas com uma ajudante para o professor titular, quando há. Nada contra os especiais na sala de aula convencional, absolutamente. Mas eles precisam ser recebidos condignamente, com um ensino similar ao que as Apaes davam, eficaz e eficiente.

O que acontece, no entanto, é que os professores têm que dar conta da sua sala com os alunos de sempre, mais o especial ou os especiais, que merecem, sim, um ensino digno. E mesmo com uma ajudante para auxiliar com os especiais, quem tem que fazer um plano de aula adaptado os novos alunos é ela, a titular. Sem nenhuma preparação prévia, sem nenhuma qualificação específica. Bem do tipo “vire-se!”. Saem perdendo os alunos especiais, que não tem o mesmo ensino que tinham nas Apaes e saem perdendo os alunos regulares, que têm de dividir a atenção da professora com os novos colegas.

Já vimos muitos outros exemplos, mas essa é mais uma prova do quanto os nossos governantes se preocupam com a educação do cidadão brasileiro.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O dia 23 de abril é o Dia Internacional do Livro. E devemos comemorar esse dia, pois o livro adquire, nos últimos tempos, novas apresentações, no rastro da tecnologia digital que não pode ser mais ignorada.
O livro digital, ou e-book, chegou há já algum tempo, prometeu substituir o livro tradicional de papel impresso, mas não foi bem assim que as coisas aconteceram. O final da primeira década deste século marcou o começo de uma mudança nos hábitos de ler, pois as novas tecnologias de publicação e leitura de livros passaram a ser mais usadas. O Kindle, leitor eletrônico que começou a se popularizar, passou a ser mais usado, apesar do preço um pouco salgado e em seguida foi lançado o seu concorrente I-Pad, com mais recursos e que vendeu milhares de exemplares pelo mundo em menos de uma semana. Isso sem contar de dezenas de outros tablets que já estão no mercado.
Com os leitores eletrônicos sendo vendidos, os livros digitais também começaram a ter maior acervo em oferta. Até as editoras dos livros tradicionais, algumas delas, já estão oferecendo livros também em formato digital.
Comprovadamente, o livro como o conhecemos, de papel impresso, continua forte e vendendo cada vez mais. O e-book pode crescer – atualmente a sua abrangência ainda é pequena, apesar de se constituir em uma evolução no nosso hábito de ler – mas o livro tradicional vai continuar no mercado. Pode ser até que o o e-book cresça muito mais, mas não deve ultrapassar o livro impresso. O que vai acontecer é que os dois conviverão em harmonia.
Com a informática a serviço da leitura, a tendência é que o hábito de ler se intensifique, até porque além do livro tradicional e do livro digital, temos também o áudio-livro, que possibilita aos deficientes visuais a serem também consumidores de literatura, assim facilita também àqueles que não têm tempo para ler a oportunidade de ouvir bons textos enquanto fazem outra coisa.
Então talvez devamos comemorar tanta tecnologia a serviço da leitura, mesmo considerando que o livro físico, aquele que podemos folhear, rabiscar e ler sem dependência de nenhuma fonte de energia, a não ser a nossa visão e a vontade de ler. Por isso, ele continuará firme, mesmo com todas as outras formas de leitura que existem ou que porventura poderão vir a existir.

terça-feira, 22 de abril de 2014

FINALMENTE OUTONO


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

E o friozinho chegou. Só um pouquinho, para dar o ar de outono, mas chegou. E com ele um pouco de chuva, que até aqui só havia calor e poucas precipitações, pelo menos aqui no sul. A julgar pelo calor intenso que tivemos no verão e em boa parte do outono, o inverno pode ser, também, bastante rigoroso. Gosto um pouco do frio, mas espero que ele venha ameno e que não extrapole como aconteceu com o verão.

Um sinal a mais da proximidade do inverno eu descobri hoje em meu jardim: meu pé de jacatirão está cheio de botões. Meu manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, vai florescer lindamente lá por junho e julho, enfeitando de flores o nosso frio. É bem verdade que meu pé de jacatirão está doente. Dois dos quatro galhos estão secando, mas metade dele que está verdinho, ainda, vai florescer, espalhando cores. As raízes dele devem ter encontrado algum caco de tijolo, alguma pedra ou pedaço de concreto, o que faz com que ele definhe. Uma pena.

Então vamos esperar a chegada do inverno, o tempo em que a gente se aproxima mais das outras pessoas, o tempo que faz com que nos reunamos mais. Qualquer motivo é pretexto para um café bem quente, feito na hora, uma boa sopa escaldante, um caldo de peixe, um bom vinho, um bom filme, em companhia dos amigos. Um bom livro também é uma boa pedida. E que ele, o inverno, seja clemente. Que a natureza não nos castigue pela nossa falta de respeito para com ela.

Pois espero esse inverno como nenhum outro, para saber o quanto a natureza está zangada conosco pelo nosso descaso para com ela, com o meio ambiente, com este planeta onde vivemos. Para saber se teremos apenas o tempo frio que nos aproximará uns dos outros ou se sentiremos, ainda mais, a força da natureza. Espero que consigamos nos redimir, pelo menos em parte, para reverter essa trajetória crescente de tragédias naturais que vem ocorrendo pelo mundo, inclusive no Brasil.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

LER É VIAJAR


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Eu tenho falado de vários projetos de pessoas amantes da leitura que querem disseminar o hábito de ler para além delas próprias. No mais das vezes não são pessoas poderosas, ricas ou influentes que se colocam à frente de iniciativas importantes e eficientes no sentido de incutir o gosto pela leitura e o acesso aos livros.

Não posso deixar de divulgar a ideia do projeto de leitura “Ler é viajar sem sair do lugar”, da professora Mariza Schiochet, minha conterrânea, que trabalha em escolas de Joinville. Ela recebe livros e gibis doados pelos alunos e amigos e os distribui em pontos onde o projeto funciona, sete deles, espalhando cada vez mais o acesso à leitura por toda Joinville.

Os pontos de leitura do projeto não são, simplesmente, escolas ou bibliotecas. São locais onde as pessoas estão fragilizadas e precisam de apoio, de alguma coisa que as ajude a enfrentar momentos difíceis, a enfrentar a espera, a convalescença, o tratamento de doenças. A caixa de leitura do projeto Ler é viajar sem sair do Lugar está lá, por obra e graça da nossa maior lutadora em prol da incentivação da leitura, em todos os lugares onde há pessoas que podem amenizar a dor da espera com a leitura de um bom livro e também de um gibi, por que não?

É a leitura em suas funções mais nobres: preenchendo com cultura o tempo de quem está esperando o restabelecimento de sua saúde e estabelecendo um hábito que todos procuramos incutir: o hábito da leitura. E, ainda, divulgando os escritores que doam seus livros para o projeto, junto a leitores em formação.

A professora Mariza começou com essa nobilíssima saga em favor da leitura visitando os doentes em hospitais, inclusive com câncer,  com cartinhas de seus alunos em apoio àquelas pessoas sofridas, outro projeto pioneiro, e acabou estendendo o projeto com a captação de livros e revistas para oferecer um alívio e uma ocupação para quem está sofrendo, para vários pontos da cidade das flores, da dança, da poesia e das bicicletas. E isso é possibilitar, através da leitura, que as pessoas viagem para outros lugares, diferentes daqueles onde se encontram, tristes e melancólicos.

Ela já fez muito pela leitura em suas escolas, estudando a obra de autores da terra e levando-os para interagir com seus alunos e muito mais ainda fará. Porque a professora é gente que faz. Como a professora Edna Matos, de Divinópolis, Minas, que faz um trabalho parecido, e outros abnegados, de dedicação integral, pelo Brasil afora.


 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A LEI DE COTAS E A EDUCAÇÃO BRASILEIRA

 
   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

A Lei de Cotas para o Ensino Superior, de nº 12.711 de 29 de agosto de 2012, regulada pelo Decreto 7824-12 e normatizada pela Portaria 18-2012, polêmica desde que inventaram as cotas, continua dividindo opiniões. Segundo ela, as Universidades e Escolas Técnicas Federais devem reservar 50% das vagas em cada curso e turno de graduação para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escolas públicas. Desses 50% reservados, metade será destinada aos estudantes que venham de famílias com renda per capita inferior a 1,5 salário-mínimo. Nas duas partes reservadas, serão garantidas vagas para os auto-declarados pretos, pardos e indígenas, proporcionalmente à população deles no estado onde estiver localizada a instituição de ensino, conforme último censo do IBGE. Essa reserva e distribuição de vagas aplica-se, também, às instituições federais de ensino técnico de nível médio para os alunos que cursaram todo o ensino fundamental em escolas públicas.

Parece resolver todo o problema dos estudantes de família muito pobre que não tinham acesso à graduação, ou seja, ao ensino superior até então, mas não é bem assim. Infelizmente, acaba-se criando mais discriminação racial. Uma em cada duas vagas nas universidades públicas será ocupado através de cotas, mas isso não conseguirá mascarar a péssima qualidade de nosso ensino. Dar acesso, simplesmente, a alunos menos favorecidos, não melhorará o ensino fundamental e o médio automaticamente. Será preciso investir na educação, para que todos os estudantes, sem exceção, possam se sair bem em um curso superior.

A Lei tem uma tabela progressiva de aplicação de percentuais por ano, que iniciou em 2013, até atingir os cinquenta por cento, coisa que acontecerá em 2016. Então, até 2013, os estudantes que queriam ingressar na universidade pública, as federais e estaduais, só conseguiam isso fazendo bons cursos pré-vestibulares, que são bem caros. O que fazia com que, praticamente, só aqueles estudantes de famílias mais bem “situadas” financeiramente conseguissem passar nos vestibulares. E por quê? Porque o nosso ensino fundamental e também o médio estão sucateados, num processo de falência que já vem de há algum tempo. Algumas escolas públicas não têm a manutenção que precisam, não têm o equipamento necessário, os professores não tem atualização na qualificação, não são bem pagos, o conteúdo programático vem sendo reduzido não é de hoje.

Com tudo isso, a qualidade da nossa educação vem caindo assustadoramente e com um ensino deficiente, os egressos da escola pública têm dificuldade para passar nos vestibulares. Agora, além do Enem, que se transformou em um grande vestibular, mas com sucessivos escândalos na sua organização, tem se revelado mais um fiasco do nosso governo no tocante à educação, existem as cotas. Mas entrando através de cotas, com uma base fraca, os estudantes conseguirão acompanhar e terminar o curso superior, graduando-se? O governo diz que sim, mas dá pra confiar no que ele diz?

Como já disse, possibilitar a entrada de estudantes de baixa renda e de negros, pardos e indígenas na universidade, faz com que o poder público tenha de providenciar, também, a melhora do ensino fundamental e médio públicos. Sim, para que os alunos que compõe o contingente das cotas da lei 12.711 possam usufruir do seu acesso ao ensino superior, com capacidade e oportunidade de se manterem na universidade, de acompanhar os estudos de graduação, a educação brasileira tem que ser reestruturado, precisa recuperar a sua qualidade.

O próprio governo cria, assim, mais uma necessidade de repensar e resgatar a qualidade do ensino público e não pode deixar passar essa oportunidade. Educação é a base de tudo e um povo sem educação está fadado à miséria. Então temos que cobrar o poder público para que dê a devida atenção à educação, que administre com seriedade nossas escolas públicas, para que saiamos desse retrocesso em que nos encontramos. Nós os elegemos para isso e não para cuidarem de interesses próprios e ficarem ricos as nossas custas.


domingo, 6 de abril de 2014

MEUS PÉS DE ARAÇÁ


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Estou colhendo araçás quase do tamanho de um ovo. É claro que o ovo com o qual eu comparei o araçá não é dos maiores, mas é só pra se ter uma ideia do tamanho da fruta. E isso não é o mais curioso. Na minha casa não tenho horta, apenas um pequeno jardim com uns míseros cinco ou seis metros quadrados com terra para eu plantar uma flor, um tempero, uma couve. Eu até que uso muito bem o espaço, tenho o meu pé de jacatirão – manacá-da-serra, pois é de inverno, algumas outras flores, como rosas, onze-horas e outras, pés de couve, de salsa, de cebolinha, de sálvia, de manjericão, de hortelã, de guaco, de alecrim, de morangos e por aí afora. Às vezes planto até vagem, nabos, brócolis.
Fico um tanto frustrado por não ter espaço para plantar árvores frutíferas, então comprei um pé de araçá, há uns dois ou três anos e plantei-o em um grande vaso. Não é o lugar ideal, mas ele resistiu bravamente e produziu até bastante, duas vezes ao ano. No entanto, ele já estava com pouco mais de um metro de altura e eu fiquei com dó de vê-lo confinado àquele vaso de uns cinquenta litros. Então levei-o de presente para minha mãe, que mora em Jaraguá do Sul e tem bastante terra em volta da casa para plantá-lo no chão.
Acontece que, quando das safras do meu generoso e sofrido pé de araçá, alguma fruta madura caía no chão e foram nascendo alguns filhotes pelo meu canteiro. E não é que quando eu baldeei a árvore-mãe para Jaraguá, já havia no quintal vários pés pequenos no meio do mato?
Pois dois dos pequenos pés de araçás, com não mais que um ano de vida e com menos de meio metro de altura, já estavam exibindo vários frutos ao longo de seus galhos. E cada fruto grande, bonito, maiores do que os frutos da árvore-mãe.
Então estou comendo os frutos dos meus pequenos e jovens pés de araçá. A natureza é, simplesmente, mágica.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CORRUPÇÃO E INDIGNAÇÃO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Há quase três anos, abrindo um jornal daqui da região, deparei-me com o editorial “O Brasileiro e a Corrupção”. Interessei-me pelo texto, porque no dia anterior tinha escrito sobre o tema no meu blog.

Falava eu, na minha crônica, do mau exemplo de nosso poder público, da nossa politicagem, atolada em corrupção e beneficiada pela impunidade, em relação às crianças e jovens desse nosso indefeso país. Ou indefeso povo, apesar de esse mesmo povo ter votado nos “políticos” que estão no poder, muitos deles comandando a corrupção que grassa descaradamente.

O editorial do jornal falava da reportagem publicada em um jornal espanhol, dando conta da corrupção em nosso país, com o título: “Por que os brasileiros não reagem à corrupção de seus políticos?”. A matéria do jornal estrangeiro era superficial, mas a pergunta continua oportuna, pois nós, brasileiros, a maioria de nós, ainda assistimos a tudo calados, aceitando tudo passivamente. Quem está do lado de fora está vendo a corrupção e a impunidade, mas quem está aqui parece não enxergar, não se importar.

A pergunta, então, era: quando vamos nos levantar contra esse estado de coisas insustentável? A necessidade de se fazer alguma coisa fazia-se premente, era preciso protestar, exigir que usem o dinheiro público, que é composto da quantidade enorme de impostos que pagamos, em benefício do cidadão brasileiro e não contra ele.

E então, em 2011 o povo começou a se organizar em protestos contra a corrupção e em 2012,continuaram as manifestações contra majorações de preços de transportes urbanos, entre outras coisas, em várias capitais do Brasil. Em 2013, as manifestações tomaram vulto por todo o país, mas aí os baderneiros começaram a se infiltrar e a violência começou a fazer parte do movimento. Cobras mandadas se integravam aos manifestantes para fazer depredações, para que o protesto legítimo daqueles que estavam na rua para defender seus direitos pacificamente perdesse a força. E foi o que aconteceu. O povo se levantou, pela primeira vez como nunca se havia visto antes, mas foi calado por indivíduos arregimentados para desacreditá-los.
A verdade é que o cidadão brasileiro precisa ter consciência da sua força, reivindicar seus direitos, se preocupar menos com novelas e futebol, instrumentos de manipulação que deram certo no Brasil, e atentar mais para os seus próprios problemas, para o rumo da sua vida. É preciso parar de fazer vista grossa para quem está nos enganando e roubando, precisamos aprender a votar melhor, a não esquecer o que os políticos aprontaram em seus mandatos anteriores, para não votar mais neles. Depende de nós, somos nós que colocamos esses senhores corruptos no poder.

Se não houver em quem votar – infelizmente quase sempre há falta de candidatos decentes – podemos anular o voto. Se muitos anularem seus votos, alguém terá que perceber que alguma coisa está errada. É a maneira mais eficaz de protestarmos, de fazermos ver que não estamos satisfeitos com o que está aí. E, ainda, o eleitor precisa saber que assim como colocou o candidato no poder, pode tirá-lo. Mas não interessa para os nossos “representantes” que seus eleitores saibam disso, não é?