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sábado, 10 de julho de 2010

A ÁRVORE DA FELICIDADE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje o tempo está carrancudo, até já chuviscou, mas eu saí assim mesmo para caminhar. Passando pela Avenida Atlântica, meu caminho da roça, vi alguns homens cortando os galhos de uma árvore da felicidade, até então majestosa nos seus quase cinco metros de altura. Ela fica perto das pracinhas que marcam a divisa de Florianópolis e São José, na frente de uma casa singular.
Não sei o motivo que levou a podarem-na tão drasticamente, pois ela não tem galhos muito pesados, as folhas são pequenas, não oferece nenhum risco, aparentemente.
Parei para olhar, mas segui em frente, porque doeu ver aquilo. Passo sempre por ali e sei que aquela árvore, além de linda, é abrigo de centenas, talvez milhares de passarinhos, que na boca da noite, vêm se aninhar em seus galhos para dormir. Aquela cantoria anunciando que a noite estava chegando, aquele coral com hora marcada já não será mais ouvido, pois quando os pássaros chegarem, hoje à noitinha, encontrarão apenas galhos podados, desnudos, da grande e generosa árvore. Há outras árvores, os passarinhos com certeza as acharão, eu sei, mas qualquer delas que desaparece, é uma grande perda.
Isso me lembra dos pés de jacatirão que secaram e outro que está morrendo, em outra rua, e fico eu cá, matutando, que a natureza tem razão em não nos dar mais voto de confiança. Não fazemos por merecer.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O LIVRO DE CORUPÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Já falei aqui do livro sobre a História de Corupá, que está sendo escrita por um jovem conterrâneo. Ele havia me enviado um capítulo e eu fiquei entusiasmado com a amostra, ainda que gostasse da ideia de um livro que reunisse um pouco da história e muito da atualidade com todos os dados possíveis sobre as belezas naturais do Vale das Águas.
O fato é que recebi mais alguns capítulos de uma versão ainda não definitiva do livro, e o trabalho de pesquisa para levantar a origem da nossa Corupá está ficando muito interessante. Não sei qual a bibliografia usada na pesquisa, que é detalhada, tomando para si ares de um romance histórico.
Não posso revelar muito do que li, para não entregar o livro de mão beijada ao leitor antes que ele fique pronto, mas vocês sabiam que Corupá (Hansa Humbold, na época), ficava no caminho pré-colombiano que ligava os Andes ao Oceano Atlântico? Corupá faz parte da história do nosso continente, tendo se originado no chamado Caminho de Peabiru, que seguia o rio Itapocu na nossa região, usado pelos espanhóis, depois alemães e outros, colonizadores da nossa Santa e bela Catarina.
No início havia índios onde hoje é Corupá e a convivência com o homem branco foi conflituosa, tanto que eles desapareceram, já que eram caçados como animais. Essa é a parte menos cativante da história.
Dos capítulos recebidos, além da passagem dos exploradores pela cidade e da chegada dos colonizadores, há muita informação sobre o início da estrada de ferro, sobre os primeiros dias de Hansa Humbold, o primeiro nome da cidade e as primeiras indústrias, com passagem pela agricultura.
O livro está tomando forma e pode vir a ser uma importante obra de referência sobre a origem dessa cidade encantadora incrustada no pé da Serra do Mar, que é a nossa Corupá.
Mas continuo defendendo que deve registrar também a vocação turística da cidade, incluir a pesquisa, também criteriosa, sobre todas as belezas naturais que nela existem..

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A VOZ DO BRASIL

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Alguém já ouviu ou ouviu falar da Voz do Brasil? É um radiojornal com notícias dos Poderes Executivo e Judiciário, do Senado e da Câmara e do TCU – Tribunal de Contas da União. É o mais antigo programa de rádio brasileiro, iniciado em 1938 como “Hora do Brasil”. Em 1971, o governo Médici mudou seu nome para “A Voz do Brasil”. A transmissão dele foi obrigatória, para todas as emissoras de rádio, as 19 horas, horário de Brasília.
Ultimamente, algumas emissoras brasileiras têm questionado o horário de transmissão do programa e entrado com ações para conseguir liminar autorizando a apresentação em horário diferente do horário nobre. Algumas conseguiram e apresentam-no de madrugada.
Ontem foi aprovado, pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, a flexibilização do horário de exibição da Voz do Brasil. Pelo novo projeto, o programa poderá ser transmitido das 19 as 23 horas. O projeto seguirá para a Comissão de Educação e se aprovado, para o plenário do Senado e Câmara dos Deputados.
Assim o rádio brasileiro não terá mais a obrigatoriedade de apresentar o programa oficial as 19 horas, tendo a opção de escolher outro espaço até as 23 horas.
O que muita gente desejava, na verdade, é que a flexibilização chegasse ao ponto de dar a opção de apresentar no horário que cada emissora achasse melhor – ou que não atrapalhasse a sua programação – ou que nem precisasse incluí-lo em sua grade.
No entanto, apesar de muita gente torcer o nariz para a Voz do Brasil, tachando o programa de chato, enfadonho e tendencioso, pois é um canal do poder, a verdade é que algumas notícias que não são veiculadas em jornais impressos, telejornais, etc., são publicadas nele. Algumas vezes notícias importantes, de interesse para todos nós, só são apresentadas na Voz do Brasil. Justamente porque, presume-se, não são ouvidas por ninguém.
Algumas pessoas ouvem, sim, A Voz do Brasil. Eu confesso que raramente ouço, a não ser quando estou em algum lugar onde o rádio está ligado depois das 19 horas. Mas deveríamos ouvir.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A "CRÍTICA" LITERÁRIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Muito já se disse sobre a crítica literária e, resumindo, o principal é ter-se capacidade, conhecimento, experiência e bom senso para fazê-la.
Apesar disso, não há dúvida de que, por mais que ela seja imparcial, sempre há, nela, um reflexo do gosto pessoal de quem está criticando.
Até aí, tudo bem, é normal. Mas já vi situação extrema, para não dizer bizarra, no que diz respeito a este tema. Um “poeta”, após ler o terceiro livro de poemas recém-lançado, de uma colega, tomou para si ares de crítico e reescreveu quase metade do livro – suprimiu versos, acrescentou outros, modificou outros tantos – e os remeteu à autora, arrematando: “... para ficarem bons, os poemas teriam que ser assim.”
Ora, se cada leitor fosse alterar um poema lido para que ficasse da forma que teria se ele, leitor, o tivesse escrito, não haveria leitores, mas apenas autores e “co-autores”.
A realidade é que, se quisermos ajudar o colega, quando o texto comprovadamente – e quando digo comprovadamente, quero dizer após a apreciação de leitores que tenham condições de avaliar – não alcançar a qualidade mínima desejável, o que podemos fazer é aconselhar o autor ou autora a repensar, a refazer o seu trabalho, acreditar na capacidade de fazer melhor. E isto, ainda, considerando que o autor dê abertura para tanto.
Esse mesmo “poeta” de quem falamos, publicou, também, o seu primeiro livro de poemas. E, quando do lançamento do mesmo, ao invés de falar da sua obra, preocupou-se em declarar que “os poetas da nossa cidade preocupam-se apenas com a quantidade, esquecendo-se de trabalhar melhor os seus poemas”.
Nós, os poetas da praça, chamamos a atenção desse “poeta” para o fato de que aquela afirmação faz com que, em primeiro lugar, se espere que o livro dele seja uma obra de boa qualidade, uma vez que ele se insinuou melhor que todos os outros. E, apesar da boa apresentação gráfica, o conteúdo não chega, por mais que ele queira, a agradar a gregos e troianos.
Nós, os poetas da cidade, trabalhamos os nossos poemas nós mesmos. Não alteramos a obra de ninguém, apenas sugerimos, uns aos outros, a necessidade de reformularmos os nossos trabalhos, refazendo para tentar fazer melhor. Sabemos que nossa poesia não é nenhuma obra-prima, mas ela é tão somente a obra de cada um que a assina, sem a co-autoria de ninguém.
O que é bom permanecerá. E quem diz o que é bom é o leitor, não somos nós. Vale o registro do triste fato, para que nenhum de nós venha a repeti-lo. Humildade e respeito são qualidades fundamentais para um bom escritor, para qualquer outra profissão, para um ser humano, enfim.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

TUDO IGUAL

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Eu não esperava ter que voltar a este assunto, tinha esperança de que a lei da ficha limpa fosse levada a sério, mas estamos no Brasil. A lei foi promulgada, o Supremo Tribunal Eleitoral decidiu que valia já para esta eleição e tinha efeito retroativo, nada de valer só para quem fosse condenado daqui em diante.
Mas a justiça, como tudo mais neste país, parece muito instável, volátil. Um tribunal decidiu, mas veio outro, o Supremo Tribunal Federal, e começou a dar liminar para alguns políticos condenados, autorizando a candidatura dos mesmos. A própria “justiça” burlando a lei.
Nós, eleitores, estamos sós nessa tarefa ingrata de avaliar candidatos para saber se podemos votar neles. Vamos ter que verificar tudo sobre cada candidato, refugar aqueles que têm ficha suja e tentar votar no menos ruim. É isso mesmo? Não é nada disso não. Não temos que votar no menos ruim. Se não houver candidatos decentes, o que o povo precisa fazer é votar nulo, para que todos saibam que queremos mudanças, que queremos mais respeito e um pouco de honestidade, mais transparência nessa coisa corrupta que chamam de política.
Segundo a legislação brasileira, se a eleição tiver 51% de votos nulos, o pleito é ANULADO e novas eleições têm que ser convocadas imediatamente; e os candidatos anteriores são IMPOSSIBILITADOS DE CONCORRER NESTA NOVA ELEIÇÃO. Então, se não houver em quem votar, cidadãos brasileiros, escolham VOTO NULO = 000 + TECLA VERDE. É a única maneira de tentarmos mudar esse estado caótico em que foi colocado o nosso país.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

COMO PERDER UMA COPA

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Me perdoem os leitores se falo de futebol, que não é o meu ramo, mas em tempos de copa, não tem jeito, todos nós acabamos sucumbindo ao esporte.
Vi hoje o jogo do Brasil com a Holanda e fiquei ainda mais indignado do que quando vi o jogo do Brasil com Costa do Marfim, quando o Kaká foi expulso à toa e o Elano machucado de propósito (por um brasileiro naturalizado português, diga-se de passagem).
Que técnico é esse Dunga que insiste com o tal de Felipe Melo que é encrenca na certa, só tem feito lambança nesta copa? Que fixação, Cristo! Em outros jogos já tinha incomodado. Neste jogo, logo de cara fez caca. Antes mesmo dele ter feito o gol contra, já deveria ter sido trocado, antes que fosse expulso e o Brasil ficasse com um homem a menos em campo, que foi o que aconteceu.
Seu Dunga ficava se descabelando na beirada do campo, como uma donzela nervosa, mas fazer o que devia fazer, que era botar sangue novo em campo, nada. Havia mais uns dez homens no banco para trocar Felipe Melo, mas não, ele tinha que ficar até ser expulso.
Os torcedores que o xingaram e vaiaram na chegada da seleção ao hotel tinham razão e refletem o ânimo de toda a torcida brasileira.
Vergonhoso. Será que Dunga tirou o Brasil da Copa porque, como ele disse, não ficaria mais de quatro anos à frente da seleção? E por que a insistência com o tal de Felipe Melo, que fez ele perder a copa? Que triste fim de carreira, carregar mais este título de perdedor, culpado pela desclassificação do Brasil...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

DESCAMINHOS DA CULTURA CATARINENSE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A cultura em Santa Catarina não vai muito bem, obrigado. É frustrante dizer isso, mas é verdade. A Fundação Catarinense de Cultura, depois de uma gestão desastrosa de Edson Machado, de 2003 a 2007, período em que muito pouco foi feito e a entidade quase foi extinta, e da passagem de Elisabete Anderle, por apenas um ano, teve ares de renovação, com a administração de Anita Pires, de 2008 a 2010. Projetos que tinham sido abandonados foram retomados, como o Projeto Cruz e Sousa e a Lei Grando e editais de apoio à cultura foram levados a efeito. Não que tudo estivesse perfeito, mas apesar da equipe de retaguarda da presidente da Fundação não ser das melhores, um trabalho vinha sendo realizado.
E então, com a posse do "governador" Leonel Pavan, que chegou e já foi metendo os pés pelas mãos, a presidente da FCC pediu demissão, pois seu cargo tinha sido oferecido a outrem sem que ela tivesse sido comunicada. Com toda razão ela saiu, pois foi preterida, foi desrespeitada, e assim um novo gestor foi empossado. Vamos ver como correrão as coisas daqui por diante. A Lei Grando, por exemplo, tinha uma nova edição do edital prometida pela presidente anterior para este ano, mas até agora nada aconteceu. E o pagamento dos contemplados pelos últimos editais de apoio à cultura estão atrasando. Será que o atual governo vai possibilitar que tudo se regularize?
Outro fato que talvez devesse ter ficado só entre os envolvidos é o desentendimento entre o diretor anterior da Editora da Universidade Federal de Santa Catarina e o gestor que está atualmente no cargo. Um desmerecendo o trabalho do outro, com direito a destaque nos grandes jornais. Isso, na verdade, desmerece a cultura de nosso Estado.
Outro acontecimento lamentável para a nossa cultura foi o repasse de verba, por uma Secretaria do governo catarinense, de verba que tinha sido solicitada pela Câmara Catarinense do Livro para a realização da Feira do Livro de Florianópolis e que, na verdade, apenas transitou pela CCL, indo para a realização do Donna Fashion, um evento de moda. A Câmara Catarinense de Cultura ficou apenas de patrocinadora no evento e nem conseguiu realizar algumas das sessões de autógrafos programadas pela própria organização do Donna Fashion, no espaço para esse fim destinado, que era tomado para transmissão de reportagens no horário dos lançamentos.
No final do ano passado, Santa Catarina foi o Estado homenageado da Feira do Livro de Porto Alegre e a Fundação Catarinense de Cultura nomeou uma comissão para escolher os escritores que mandaria ao Rio Grande do Sul. Os escolhidos, pasmem foram todos os integrantes da comissão, menos o professor Lauro Junkes e um outro escritor. Foram mais alguns, claro, que não eram da comissão, mas pra que a FCC formar um comissão para escolher ela própria?
E vou citar apenas mais um descaso oficial para com a cultura e para com o cidadão que paga impostos e gera a receita que é gasta tão perdulariamente: o show de natal, em Florianópolis, com um cantor internacional, que não foi realizado até hoje. O problema é que o espetáculo, que custou quase quatro milhões de reais, já tinha sido pago e não se tem notícia de que o dinheiro tenha sido devolvido.
Há mais, mas não me cabe ficar enumerando aqui os desmandos dos donos do poder com o dinheiro público. Temos é que exigir que isso acabe. As eleições estão aí. Vamos tentar votar bem, vamos verificar as fichas de nossos candidatos, saber se ela está limpa. A responsabilidade pelo mau uso do imposto que pagamos também é nosso, pois somos nós que elegemos os políticos que se locupletam no poder.