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segunda-feira, 27 de maio de 2013

ESCRITORES E LEITORES


                                    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Temos um ótimo tema para debate, sugerido pelo grupo Varal do Brasil: existe, atualmente, mais escritores do que leitores? Bem, neste nosso Brasilzão de Deus, a verdade é que é bem possível que existam mais escritores do que leitores. Com o advento da internet, a produção de textos e de poemas intensificou-se, pois o espaço democrático não garante que todos que lá depositam sua literatura sejam lidos, mas possibilita a publicação. A publicação de um livro é bastante difícil, pois as editoras não tem muito interesse em investir em tantos escritores novos como os há, elas só arriscam se o autor é muito bom e se, de repente, já estourou em outra mídia. E para o próprio autor pagar a edição do seu livro é preciso ter um certo capital ou se dar bem em algum concurso literário.

A verdade é que, como grande parte dos leitores são os escritores, teoricamente o número de leitores deveria ser maior, já que deveríamos somar os leitores/escritores aos leitores que não são escritores. Como, infelizmente, há “escritores” que não leem, que só leem os seus escritos, então a possibilidade de que realmente o número de escritores seja maior do que o de leitores pode ser real.

Mas podemos mudar isso, se nós, os escritores, formos às escolas conversar com os estudantes, leitores em formação, apoiar os professores, levando nossa literatura até eles e ajudando, assim, a incutir o gosto pela leitura.

sábado, 25 de maio de 2013

COISAS DA DANÇA, COISAS DA INFÂNCIA...


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Dança é mesmo uma atividade que faz bem pra tudo. É bom pra saúde, é bom pra manter a forma, é bom pra se fazer amigos, pra confraternizar, pra se conhecer pessoas. Ontem fui a um baile na “nossa” academia de dança, na verdade a comemoração de aniversário da casa. E conheci, através de amigos conquistados através das aulas de dança de salão, um casal maravilhoso, ele com oitenta e cinco, oitenta e seis anos, não lembro ao certo, mas dançando e dançando muito.

Conversamos muito e ele me dizia que em sua casa tem um pomar e que nesse pomar tem de tudo quanto é fruta, que ele plantou, frise-se. E eu fico encantando com isso, pois adoro hortas, jardins, pomares, minha frustração maior é não ter terra em minha casa para plantar. Tenho apenas um pequeno jardim na frente de casa, onde planto o meu pé de jacatirão, um pé de hibisco alaranjado – agora comprei duas mudas de hibisco gigante, que plantei em vasos -, temperos e chás, um ou dois pés de couve que as lesmas insistem em destruir, pequenos pés de araçás que produzem muito e um pé de rosa, alguns pés daquela orquídea bonita que dá em hastes longas.

Então fico com inveja do professor, que tem uma área generosa em sua casa para plantar o que quiser. E ele me disse que, entre tanta coisa que tem plantado, tem pés de babaçu. Ora, isso me reportou de imediato a minha crônica sobre meu avô Lúcio, que escrevi recentemente. Lembrava eu daquele avô que, no período que morou em Joinville, vinha a Corupá com sua cesta de vime cheia de guloseimas, que ele colecionava com cuidado durante a semana só pra pra trazer pra nós, um bando de netos pequenos. Era uma festa ver ele chegar com sua cesta cheia de balas, tucum, goiaba e tantas outras coisas. Havia esquecido de dizer, na outra crônica, que havia babaçu, também. Ele tinha um pé em sua casa em Joinville e colhia quando estava maduro para trazer para nós. Gostávamos da parte de fora, quando estava maduro, mas gostávamos ainda mais de quebrar o coco e comer a amêndoa mais ou menos do tamanho de uma castanha do Pará, que havia dentro. Era muito bom.

De maneira que o professor me fez lembrar do babaçu, que meu avô nos trazia na sua cesta, detalhe que eu não havia lembrado na crônica anterior sobre ele. Aquele avô carinhoso, infelizmente, foi-se muito cedo, quando eu ainda era menino. Mas nunca vou esquecer dele. Ele voltou a morar em Corupá antes de ir-se. Quem sabe eu também não volte, um dia desses, para ter meu quintal e meu jardim, para poder fuçar a terra e plantar e colher?

quarta-feira, 22 de maio de 2013

TRIBUTO À PROFESSORA EDNA


   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Escrever é bom não só pelo prazer de chegar até o leitor, mas porque através do que escrevemos conhecemos gente, conhecemos pessoas interessantes, pessoas que fazem, pessoas fenomenais.

Na minha recente participação no Salão Internacional do Livro de Genebra, conheci brasileiros radicados na Suiça que foram lá me prestigiar, comprar meus livros. Conheci escritores brasileiros de outros Estados brasileiros que eu não havia conhecido, ainda, aqui no Brasil e outros que vivem fora do Brasil.

E meu blog, “Crônica do Dia”, de vez em quando me traz uma boa surpresa, me aproxima de alguém que faz um belo trabalho na educação, incutindo o hábito da leitura em leitores em formação.

No comecinho desta semana, recebi um comentário da professora Edna, de Divinópolis, Minas Gerais, mas que dá aulas em Carmo do Cajuru. Ela me conta que é professora de Língua Portuguesa na pequena cidade mineira e trabalha o gênero crônica com turmas do sétimo ano. Ao procurar material para as aulas na internet, encontrou meu blog e levou crônicas dele para a sala de aula. Começou a trabalhar com meus textos e as turmas gostaram, tanto que agora acompanham diariamente o blog. Não é gratificante? Só por isso já vale a pena escrever.

Conheço outros professores que fazem isso, aqui no Estado, como a professora Mariza. Ela até já me levou lá nas escolas onde dá aulas para eu conversar com os alunos que leram meus livros e fizeram diversos trabalhos com eles.

Pena que a escola da professora Edna fica um pouquinho mais longe e não posso, pelo menos imediatamente, como gostaria, ir lá conversar com seus alunos. Mas quero enfatizar que, nos dias atuais, quando a educação está tão relegada a segundo plano pelos nossos governantes, ser professora como dona Edna, com dedicação e abnegação absolutas, é um privilégio dos alunos que ela tem. Ser aluno, ser estudante, hoje, também não é tão fácil, justamente pelo abandono que o ensino público vem sofrendo, mas professores como dona Edna, como dona Mariza, como tantos outros heróis da educação espalhados por esse Brasilzão afora, fazem com que valha a pena nossas crianças se prepararem para o futuro, pois estão em boas mãos.

Aproveitem, jovens, a grande professora que vocês tem, que os está ensinando a gostar de ler, pois a leitura é fonte de conhecimento, os livros e os professores é que nos prepararão para sermos adultos produtivos e bem sucedidos, pessoas honestas e inteligentes que poderão melhorar o mundo em que vivemos.

Professora, mande-me seu endereço para que eu envie alguns de meus livros para a biblioteca da sua escola. Meu e-mail é lc.amorim@ig.com.br

terça-feira, 21 de maio de 2013

PROFISSIONAL DE LETRAS


   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje é o dia do Profissional de Letras. Eu nem sabia que existia este dia, mas é uma boa oportunidade para homenagear os amigos escritores, jornalistas, revisores, editores, etc.

A todos aqueles que produzem textos e a todos que, de uma forma ou de outra fazem chegar os nossos textos aos leitores, vida longa e inspiração para continuarem o seu trabalho. Que consigamos incutir o gosto pela leitura, que consigamos difundir o hábito de ler.

Vivemos uma revolução no ato de ler e de publicar. Então o Profissional de Letras, que não considero ser apenas o escritor, tem novas armas para chegar até o leitor. Já não contamos apenas com o livro tradicional de papel, com o jornal, com a revista. Hoje o livro digital está conquistando o seu lugar, embora o livro impresso continue mais vivo do que nunca. A internet é um espaço democrático que veio para possibilitar a publicação de toda e qualquer produção literária, desencarecendo o ato de fazer chegar nosso texto até o leitor e revelando bons autores.

Então, que vivam os escritores, editores, jornalistas e que eles façam com que tenhamos cada vez mais leitores.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A TRADIÇÃO DA TAINHA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

O inverno ainda não chegou, fez um ou dois dias de frio há alguns dias, mas o tempo está bem quente ainda. No entanto, já tivemos um dia, na semana passada, que foram pescadas 17 toneladas de tainha. Quer dizer que a tainha chegou antes do frio, quer dizer que o frio deve estar pintando por aí. A safra pode até não ser tão boa quanto a do ano passado, mas vamos esperar que o f rio chegue para ver quanto ainda vai ser pescado.

Comer tainha no final do outono e começo do inverno é tradição na grande Florianópolis, em Santa Catarina. É até atração turística. Tem gente que vem de longe para ver as montanhas de tainha nas diversas praias da nossa região. E não é para menos, o espetáculo é uma coisa linda de se ver e comer a tainha, além de saboroso, é preservar um costume que remonta de há muito tempo.

Eu, por exemplo, que nem sou ilhéu, sou lá do norte do estado, já comprei dezenas de tainhas e já fiz várias cambiras, já recheamos outro tanto delas, já comemos caldo e por aí afora. O que é cambira? Vou repetir: é a tainha escalada, salgada e secada ao sol. Depois de seca, a gente dessalga – aferventa, trocando a água umas duas vezes – e grelha ou frita para comer com pirão de água (farinha de mandioca com água fervente) – o que é uma delícia – ou com o que se preferir.

É um regalo (acho que nunca tinha usado essa palavra, antes). É muito bom mesmo. Queira Deus que a poluição do mar e a pesca indiscriminada de tainhas ovadas não diminua a incidência delas no nosso litoral. Porque inverno – ou prenúncio do inverno – sem tainha, pode ter o frio que for, mas não será a mesma coisa.

E o engraçado da coisa é que eu nem gostava de tainha. Eu só gostava daquele peixe feito cambira. Aprendi, com minha mãe, a comer o caldo de tainha, a tainha recheada, até a frita. É o nosso peixe mais tradicional. E é muito bom. É eclético, é versátil, é saboroso. E bonito.

Uma rede pejada de tainha é um dos cartões postais da Santa e bela Catarina.

domingo, 19 de maio de 2013

O ESTÁDIOS PARA A COPA PAGOS PELO POVO


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Foi inaugurado, nestes meados de maio de 2013, mais um dos estádios brasileiros, daqueles que estão sendo construídos ou reformados para a Copa do Mundo e, depois, para as Olimpíadas, que também ocorrerá no Brasil.

Dona Dilma estava lá, inaugurando o estádio de Brasília, dizendo que a entrega da obra, que custou mais de dois bilhões de reais, é uma conquista do povo brasileiro, que juntos conseguimos fazer grandes coisas, “apesar dos pessimistas de plantão”.

Pois as obras nos vários estádios que serão entregues para a Fifa fazer a próxima Copa do Mundo, arrecadar a renda de tudo e ir-se embora com os bolsos cheios, sem colaborar com um centavo para a preparação do evento, com efeito, estão sendo pagas pelo povo, uma vez que é o dinheiro público que está sendo usado para isso, dinheiro juntado com os altos impostos que pagamos.

Dinheiro para a saúde, para a educação, para a segurança, que estão abandonados à própria falência, não há, no Brasil, nos últimos tempos mais do que em outros tempos. Mas bilhões e bilhões para pagar estádios e entrega-los à Fifa, para que ela junte todo o dinheiro que a Copa do Mundo vai render e retirar-se do país mais rica, isso há.

E o povo, apesar de pagar as obras, é quem vai pagar os ingressos para formar o bolo que a Fifa tirará do país.

Enquanto as escolas públicas caem aos pedaços, sem manutenção e sem equipamentos para que os professores mal pagos ministrem as aulas de primeiro e segundo graus para nossos filhos, enquanto os hospitais deixam de atender os cidadãos brasileiros por falta de funcionários, de médicos, de leitos e de equipamentos e eles morrem sem atendimento, sem cirurgias e sem remédios, enquanto a segurança é cada vez mais precária porque faltam policiais para estarem nas ruas, porque não há verba para admitir mais recursos humanos, viaturas, etc., o país renova seus estádios com o dinheiro público que deveria estar sendo direcionado para as tantas obras que precisam ser feitas e ficam sendo adiadas. Isso sem falar em mobilidade, infraestrutura, etc.

E nossa presidente enche a boca para dizer “somos capazes” de realizar, sim, as obras nos estádios, dentro dos prazos. Isso tem prioridade. E a educação, a saúde, a segurança?

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O PEDÁGIO, A CONCESSIONÁRIA E A ANTT


     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Já manifestei, em outra ocasião, a minha indignação contra a Autopista Litoral Sul, dona do pedágio na BR 101 em Santa Catarina, assim como contra a ANTT, que deveria fiscalizar o contrato feito com a concessionária.

A Autopista não vem cumprindo o contrato há anos, desde o início da concessão e, apesar dos protestos dos usuários e das matérias e artigos publicados em jornais, revistas, televisão e internet, ninguém faz nada. A ANTT, ao invés de cobrar o cumprimento do que não foi feito pela concessionária, penalizá-la e rescindir o contrato, uma vez que ele já foi quebrado por uma das partes, parece que a protege.

A sociedade vem cobrando, vem exigindo acabe a buraqueira que existe em vários trechos da BR 101, que o contorno viário na Grande Florianópolis , que deveria ser entregue este ano e ainda nem saiu do papel, seja finalmente feito, mas nada.

Esta semana, a ANTT anunciou que as obras do contorno viário, que depois de vários adiamentos, começaria este ano, foi adiado novamente para o ano que vem. Já virou deboche. A Autopista faz o que quer e não faz o que deve e a dona ANTT faz vista grossa. 

Já está na hora de dar uma sacudidela na ANTT, trocar os dirigentes, fazer alguma coisa para que esse órgão, administrado pelo poder público, faça o seu trabalho, qual seja o de fiscalizar os contratos de concessão de pedágio para manutenção de estradas pelo Brasil.

Está na cara que a tal de ANTT vem favorecendo a concessionária, que deixou de cumprir vários itens do que foi acordado em contrato, apenas arrecadando o dinheiro do pedágio. Está na hora de acabar com esse contrato, que na verdade já foi quebrado pela AutoPista, que não cumpriu a sua parte. Já se fala em um CPI, se não forem tomadas providências de uma vez. E é preciso que se tome providências, pois é inadmissível que paguemos pedágio para termos uma estrada toda esburacada, com sinalização deficiente e sem as obras necessárias para melhorar o fluxo, como o contorno viário na Grande Florianópolis.