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quarta-feira, 29 de julho de 2009

FLORES E FRUTAS DE INVERNO


Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )


Que está frio aqui no sul não é novidade. Mas está ficando cada vez mais frio. Ainda bem que há dias lindos de sol, como hoje, quando tudo está muito colorido e brilhante e a gente pode se defender do frio indo para a rua.
Ontem chuviscou, deu muita cerração à noite e quase não dava pra dirigir, porque não se conseguia enxergar um palmo diante do nariz.
Então hoje saí para fotografar as cerejeiras japonesas, fantásticas, e os pessegueiros, que têm pouca flor mas também são belos e são perfumados. E além das cerejeiras, das azaléias, dos pessegueiros, dos manacás-da-serra – encontrei mais um, enorme árvore florida, que não foi prejudicada pela geada porque tinha outras árvores a sua volta -, dos amores perfeitos, funcionárias e outras flores, enchi os olhos com larangeiras carregadas, douradas de frutos maduros, pés de tangerina, de limão, de lima também vergados de tanto fruto.
Aí lembro de outra crônica do inverno passado, quando andei pelo interior de Corupá, no pé da Serra do Mar, no norte de Santa Catarina, colhendo laranjas, tangerinas, xinxins, limas, etc. Naquela ocasião, também as árvores estavam pejadas de frutos e parecia que um Midas havia passado por lá, transformando tudo em ouro, como bem cogitou minha amiga Urda.
Aqui em Nova Petrópolis e em todas as pequenas cidades da serra gaúcha, também encaixa a metáfora. É tanta laranja, tanta tangerina, tanto limão que parece mágica a profusão de amarelo espalhado pelas matas e pelos pomares, pelas encostas, uma quantidade tão grande de frutos, que por mais que a gente colha, não diminui ouro das árvores.
É uma fartura imensa, uma natureza generosa que, apesar do inverno inclemente, oferece frutos e flores como se fosse primavera.

terça-feira, 28 de julho de 2009

APHRODITE E AS CEREJEIRAS JAPONESAS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Em uma outra crônica de inverno, comentei sobre os pessegueiros em flor, que embelezam e perfumam o inverno. Chegando à Serra Gaúcha no auge do inverno, não pude deixar de notar as cerejeiras japonesas, fechadas de flores, belíssimas, um espetáculo fenomenal.
Os pessegueiros também estão começando a florescer, mas não dá pra comparar com as cerejeiras japonesas, que ficam com os galhos todos cobertos de incontáveis flores, apenas flores, desaparecendo quase todas as folhas. São ilhas de cores faiscando luz, várias delas, que em Nova Petrópolis há muitas. Elas não dão frutos, não tem perfume como as flores de pessegueiro, mas estão plantadas em locais estratégicos, como praças e jardim, espalhando beleza e cor. Elas estão lá, o ano todo, preparando o cenário para esta época, quando a natureza explode em milhares de pétalas vermelhas, alaranjadas, cor-de-rosa... É um espetáculo só comparado à florada dos ipês e dos jacatirões. A diferença é que as baixíssimas temperaturas não prejudicam as flores das cerejeiras japonesas. Enquanto que o pé de jacatirão de inverno que meu sogro trouxe de Santa Catarina e plantou aqui no seu jardim, tem pétalas, botões e brotos queimados pelo frio intenso. Dá dó de ver, mas na verdade o manacá-da-serra, essa variedade de jacatirão de inverno, não deveria estar plantada aqui, porque ela não é desse clima, não resiste ao frio como a cerejeira, o amor-perfeito, a azaléia e outras flores.
E já que estamos falando de resistência a geadas, não posso deixar de mencionar um fato que me foge à compreensão. Na casa onde estou hospedado, há uma cadela grande, eu diria enorme, uma rotweiller chamada Aphrodite, de oito anos, que se ficar em duas patas, é maior que eu. Até aí, tudo bem. A raça é grande, ela está quase gordinha, mas o fato é que ela tem um canil onde fica bem protegida do frio, no entanto, nestes dias quando a temperatura, à noite, no começo da madrugada e de manhã tem ido a quase zero grau, nós a temos visto dormir ao relento, enrodilhada sobre o gramado.
Eu não consigo entender como ela sobrevive a temperaturas tão baixas, uma vez que o seu pelo é curto e ela nem está tão gorda assim. Na primeira noite que passei aqui, eu a vi lá fora dormindo e fiquei esperando amanhecer para ver se ela não estava morta. Não estava. No dia seguinte, mesma coisa.
Hoje, terceiro dia que estou aqui, são quase dez horas da noite, lá fora a temperatura já é menos de oito graus e acabei de vê-la deitada no gramado, com apenas parte de galhos de um pé de canela alguns metros acima da cabeça dela. Não sei quanto será a temperatura mais tarde, mas sei que amanhã de manhã ela estará lá, viva, para eu passar a mão na cabeça dela.
Se alguém souber explicar isso, por favor, esclareçam-me.

sábado, 25 de julho de 2009

DE INVERNO E DE PESSEGUEIROS EM FLOR

Por Luiz Carlos Amorim (HTTP://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Em uma das minhas crônicas, falei da minha amiga árvore, que florescia no inverno, majestosamente, a uma quadra do meu apartamento, na grande Florianópolis. Pois é. Já haviam construído um sobrado no meio do caminho (entre a minha janela e ela) e eu conseguia ver apenas a sua copada florida, não dava mais para vê-la de corpo inteiro.
Na estação de floração seguinte começaram a erguer mais um andar no sobrado construído bem na direção da minha amiga árvore da qual não sei o nome. Dali para a frente, não poderia mais ver, da janela do meu apartamento, a minha amiga árvore feliz, a balançar seus galhos coloridos como se estivesse acenando para mim.
Mas não faz mal. Eu ia mesmo vender meu apartamento e, nos próximos invernos, iria visitá-la. Quedar-me-ia ao pé dela e a admiraria, conversaríamos e agradecer-lhe-ia, mais uma vez, por existir, por oferecer sua beleza incomensurável sem pedir nada em troca.
Continuaríamos amigos e, mesmo estando longe dela, estaria feliz, por ter voltado a viver em uma casa, como vivi a maior parte da minha vida.
Eu nunca havia morado em apartamento, mas mudei de cidade por circunstâncias alheias a minha vontade, que agora até agradeço, e tive que viver num deles. Mas uma casa é mais lar, pelo menos para mim.
Morei em várias casas, desde criança. Lembro-me de que na segunda casa na qual moramos, em Corupá, havia um quintal grande com muitas árvores. Eu era quase adolescente e podia subir nelas para colher os frutos de jabuticabeiras, laranjeiras, cerejeiras, pessegueiros, goiabeiras. Colhia também tangerinas, nozes e até uma frutinha de nome diferente, a grumixama, parecida com uma goiaba, mas do tamanho de uma jabuticaba ou de um araçá e de cor bem escura, quase preta. E saborosa, muito doce.
Tenho saudade daquela infância farta de natureza, das cores e dos perfumes das flores das laranjeiras e dos pessegueiros.
No inverno, além das touceiras vermelhas de azaléias, tínhamos a beleza singela e perfumada dos pessegueiros. As folhas sumiam das árvores que mais tarde penderiam com pêssegos deliciosos e seus galhos e troncos ficavam cobertos de flores brancas oscilando para tons de rosa. E o perfume enchia o ar.
Hoje, vejo poucos pessegueiros. A cidade quase não os têm. Gosto voltar a Corupá, e ver a beleza da florada do pessegueiro e sentir o perfume delicioso que se espalha mansamente pelo ar. Para matar a saudade e encher os olhos dessa beleza que a natureza renova a cada inverno.