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domingo, 17 de março de 2013

UMA BEBÊ VELHINHA


 
 Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www,prosapoesiaecia.xpg.com.br

Nossa “bebê” Pituxa, uma pinscher que vai fazer dezenove anos este ano, está velhinha, muito velhinha. Acho que já disse isso em outra oportunidade, mas ela está completamente surda, quase completamente cega e já quase não sente cheiro, também.  Eu converso com ela o tempo todo, mas sei que ela não ouve nada. É muito frustrante falar com ela e saber que ela não está ouvindo nada.

Ela vê muito pouco, então vive esbarrando na parede, nas cadeiras, nas portas, nas pernas da gente. Acho que ela toma água porque sabe onde esta o pote, pois tomamos o cuidado de deixar a água e a comida sempre no mesmo lugar. A almofada onde ela dorme, ao lado da nossa cama, também fica sempre no mesmo lugar, assim como a almofada maior, na sala. Xu, ou Xuxu, como acabou sendo chamada carinhosamente, consegue subir no seu pufe, na sala e, às vezes, daí para o sofá. Quando estamos perto, a gente ajuda. Mas é triste vê-la querer descer de alturas diferentes, como do sofá, que é alto, e da almofada que fica ao lado do sofá, que é bem mais baixo. Ela não tem como saber qual é a distância e hesita muito. Quando resolve pular, acaba caindo de mau jeito no chão.

Como deve enxergar só vultos, acho que reconhece a gente pelo pouco de cheiro que ainda consegue sentir. Quando há estranhos em casa, ela demora a perceber. Quando percebe, até late, mas não vai atrás de ninguém.

Xuxu fica muito tempo deitada no seu pufe ou no sofá. Quando acorda e sai pra andar um pouquinho, as pernas cambaleiam um pouquinho, como se estivessem fracas. Outras vezes, ela até corre, dá umas galopadas e isso nos deixa muito felizes.

Atualmente ela está apenas magra, mas já esteve esquelética e a gente pensou até que ela estava prestes a ir-se. É que ela fica dias sem comer, às vezes. Graças a Deus, ultimamente, ela tem comido bem e não está mais tão ossuda.

Acho que nossa Xu vai longe, ainda. Pena que os poucos dentes que ela ainda tem não fazem nada bem a ela, pois não podemos mais levar ao veterinário para tirar o tártaro, uma vez que ela não pode mais tomar anestesia.

Nossa Xuxu está muito, muito velhinha. Mas continua sendo a nossa bebê.

 

sexta-feira, 15 de março de 2013

COMPRANDO LIVROS PARA ESCOLAS


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br     

A polêmica da compra de livros didáticos e infantis, sem licitação e pelo dobro do preço, pela Prefeitura de Palhoça, não é uma coisa nova.  O caso foi denunciado neste dia 15 de março no começo da tarde e um pouco mais à tarde já existia, na internet, a versão da “empresa” que vendeu a coleção – por que não foi comprado diretamente da editora, para evitar “comissões”? A “justificativa” é de que, na verdade foram vendidas duas coleções, não só uma. Então tá. O que não invalida o fato de que não houve licitação.

A verdade é que compras milionárias feitas por prefeituras como a de Florianópolis, já foram feitas, sem nenhum retorno para o grande montante de dinheiro público dispendido, como o show do tenor italiano. Andréa Bocelli foi contratado por mais de três milhões de reais, o show foi pago, mas não aconteceu. Até hoje não sei se o dinheiro foi devolvido aos cofres públicos.

Mas no campo da educação, a coisa foi escancarada no governo anterior. A Secretaria da Educação de Santa Catarina comprou várias coleções milionárias – quatro ou cinco – uma compra foi a do livro impróprio para os estudantes, adquirido aos milhares, que foi retirado das escolas e teria sido distribuído às bibliotecas municipais catarinenses. E outras coleções, como uma do sistema escolar de São Paulo, que não tinha sequer um autor catarinense. E nunca ninguém questionou nada. Havia licitação? O preço era apropriado? Os livros eram necessários? Foram usados nas escolas?

Interessante que para fazer a manutenção das escolas, equipá-las, pagar os professores, não havia dinheiro. É inegável que precisamos de bibliotecas atualizadas em todas as escolas públicas, mas essa escolha unilateral do que teria que ir para as bibliotecas municipais ou escolares não é um tanto suspeita? São compradas coleções que não são o que as escolas realmente precisam e, paralelamente, fica faltando atualização frequente das bibliotecas. Títulos importantes e atuais não são comprados, porque não há verba.

Quando a educação vai ser tratada com respeito e quando o dinheiro público vai ser empregado onde realmente importa?

 

quarta-feira, 13 de março de 2013

DIA DA POESIA


         Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

 
O dia 14 de março é o dia da poesia e aproveito para homenagear o poeta, esse ser estranho e singular, iluminado, que vê a vida com o coração e tenta passar essa visão a todos aqueles que tiverem sensibilidade para recriar a sua visão. Então quero enviar a minha homenagem a todos os bardos deste imenso Brasil e do mundo, pois é das penas deles que flui a emoção e o sentimento dessa arte que se chama literatura.

É o poeta que torna esse nosso mundo, tão belo e ao mesmo tempo tão conturbado, um pouco mais sensível, é ele que desnuda a alma para que a nossa alma seja menos dura, menos intolerante, mais solidária, mais humana.

É o poeta que nos leva a contemplar o amor, que nos leva a pensar a paz, que nos lembra de que somos irmãos gêmeos da natureza e por isso mesmo precisamos amá-la e respeitá-la, para que ela nos proteja e não nos desampare.

Precisamos comemorar esse dia lendo e produzindo versos, todos nós, pois o mundo atual, tão corrido e tão violento, precisa da singeleza e do lirismo da poesia. O ser humano precisa cultivar a poesia, para não se deixar endurecer ainda mais, para não deixar de ser gente, de ser humano.

Ao contrário do que alguns pensam, a poesia é necessária. Como deixar fluir a alma peças pontas dos dedos, a não ser pela criação de um poema? A poesia é sentimento, é emoção, é alma, é coração. Como sermos humanos sem tudo isso?

A poesia é mágica, como já disse Quintana – e quem mais poderia dizê-lo? – como neste poema que toma a liberdade de transcrever:

”Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...”

Que mais posso eu dizer? Rendo a minha homenagem a você, poeta, que não deixa morrer a poesia que existe, ainda, em nossas vidas. E rendo minha homenagem a você, leitor, que não deixa morrer a poesia, recriando-a. E viva a poesia mundial, e viva Quintana, e viva nós, poetas e vivam todos os leitores.

quarta-feira, 6 de março de 2013

FESTIVAL DO CONTO EM FLORIANÓPOLIS


        Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Gostei de saber que o Festival Nacional do Conto vai ser realizado, neste ano, em Florianópolis, de 19 a 23 de março. Até então, o referido festival era realizado em Jaraguá do Sul, onde foi iniciado.

É oportuno a realização de um festival desse gênero que vem sendo resgatado, nos últimos tempos, na literatura brasileira. Mais concursos do gênero vem sendo realizados, mais livros bem sendo publicados, novos bons autores do gênero vem sendo revelados.

Aliás, por falar em concurso, sou jurado do concurso literário do Varal do Brasil e já li algumas peças desse gênero que estão concorrendo e tive agradável surpresa, com a leitura de texto muito bom. O conto está retornando com a força que já teve em outras épocas e essa evolução é muito importante para a literatura de um modo geral, pois é da produção do conto que acabam surgindo bons romancistas.

O festival vai propiciar que os praticantes do conto se atualizem com a experiência de autores já consagrados no gênero, como Luiz Vilela, João Silvério Trevisan, Silveira de Souza e outros. E o encontro com outros escritores do gênero é outro fato importante que acontecerá nos cinco dias do festival.

Vai ser ótimo falar do conto com outros escritores que o praticam, trocar experiências, conviver com pessoas que fazem o gênero existir, com seus diferentes estilos e maneiras de contar estórias curtas.

terça-feira, 5 de março de 2013

PARABÉNS, JOINVILLE


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Joinville, a Cidade das Flores, a Capital da Dança completa 162 anos nesse dia 9 de março. Conheço Joinville desde os anos 60, quando era menino e vinha visitar minha avó, que morava no Boa Vista. Morei em Joinville nos anos 70, então mudei para São Francisco do Sul, mas voltei a viver na Manchester Catarinense no anos 80 e aí permaneci até o fim dos anos 90. Minhas filhas são joinvillenses. Publiquei meu primeiro livro em Joinville, na Univille. Comecei no jornalismo publicando uma coluna de literatura, semanal e outra diária, de música, no Jornal de Joinville, dos Diários Associados. Com o fim do jornal, passei para A Notícia, publicando a coluna sobre música semanalmente, depois as crônicas sobre cultura e literatura.
Vi a trajetória de crescimento dessa cidade de gente trabalhadora. Participei do desenvolvimento cultural da cidade, com a transferência do Grupo Literário A ILHA, de São Francisco do Sul para Joinville, levando para a praça, para as escolas, para as festas, para lojas e bancos, até para bares, o Varal da Poesia e o Recital de Poemas, publicando a revista literária mais perene do gênero em Santa Catarina, o Suplemento Literário A ILHA e criando as Edições A ILHA, que editou dezenas de títulos de autores da terra. Levando a poesia para a rua, ganhamos um título novo para a cidade: Cidade da Poesia. Se tenho saudade da Joinville de outras décadas? Tenho, mas gosto da Joinville de hoje, cidade próspera e moderna. Mas o crescimento trouxe, junto com o progresso, junto com gente boa, o lado negativo, que é a violência e a falta de segurança, como em quase todos os lugares. Nem por isso deixarei de voltar a Joinville para visitá-la, rever as palmeiras, faceiras e majestosas, o Mirante, vigilante, a estação ferroviária, o cartão postal da cidade, desbotado pelo tempo, o Festival de Dança - minha filha tem dançado lá - a Festa das Flores e a gente querida e amiga que deixei aí. E para levar flores para minha Vanessa, que repousa em seu seio, pedaço de mim que ficou para sempre em Joinville.
Eu te saúdo e te festejo, Joinville.

domingo, 3 de março de 2013

SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA ULTRAPASSANDO FRONTEIRAS

 

    Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

É março e o ano começa, de verdade, agora. E o Suplemento Literário A ILHA, revista do Grupo Literário A ILHA,  também volta com uma nova edição, iniciando o ano literário em Santa Catarina.
Logo mais, em abril, o Grupo Literário A ILHA participa da Feira do Livro de Joinville, com o lançamento desta edição da sua revista e do livro "O rio da Minha Cidade", crônicas deste que vos escreve. Em maio, o Grupo estará participando do Salão do Livro de Genebra, com o lançamento desta revista e dos livros "Nação Poesia" - antologia poética, "O Rio da minha cidade" - crônicas e "Borboletas nos Jacatirões" - crônicas. Também participaremos, na Suiça, do lançamento da terceira antologia do Varal do Brasil, pois dois integrantes do Grupo Literário A ILHA estão presentes naquele livro.
O Grupo Literário A ILHA continua na sua caminhada, integrando cada vez mais escritores, sejam eles catarinenses ou não. Para o 33º aniversário, em Junho, o lançamento de mais um volume da coleção Letra Viva.
Por enquanto, veja a edição 124, de março, recheada de autores da terra e de outros pontos do país, até de outros países. Em junho voltamos, com uma edição especial de aniversário e muitas outras novidades para comemorar os nossos trinta e três anos de atividades literárias e culturais.

sexta-feira, 1 de março de 2013

RESGATAR A LITERATURA CATARINENSE


   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A Fundação Catarinense de Cultura anunciou, recentemente, a continuidade de alguns projetos culturais que foram abandonados há alguns anos. É alvissareiro ter a promessa do Estado que o Prêmio nacional Cruz e Sousa, um dos concursos literários mais importante do país, vai ser resgatado mais uma vez. É importante saber que o Edital para escolha de livros de autores catarinenses que serão distribuídos para as bibliotecas municipais vai sair de novo.

A última edição do Prêmio Cruz e Sousa foi em 2009. Esse concurso é um dos mais importantes, senão o mais importante, porque projeta o Estado de Santa Catarina no cenário  literário do país. Então é hora de reeditá-lo, é hora de resgatar um dos projetos culturais que deveria ser mais valorizado pelo poder público. Deveria ter, até, uma edição todos os anos.

O Edital de Aquisição de Livros, da Comissão Catarinense do Livro é promovido pelo Governo do Estado e vai selecionar e adquirir obras de autores catarinenses ou residentes há mais de dez anos em Santa Catarina. Deverão ser selecionadas até dez obras, que terão 300 exemplares de suas tiragens compradas e distribuídas para bibliotecas públicas municipais. Essa, na verdade, é Lei Grande, que existe há uns 20 anos, mas não vinha sendo cumprida há muito, muito tempo. Teve uma edição em 2009 e deveria ser levada a efeito todos os anos, mas essa vai ser a terceira edição. Esperamos que engrene daqui para diante.

Independente disso, a Fundação Catarinense de Cultura promete, também, publicar livros de novos escritores catarinenses através da FCC Edições. Essa é uma promessa das mais promissoras, pois pode revelar novos talentos nas letras. O que se espera é que os livros editados não sejam das mesmas figurinhas carimbadas de sempre, ligadas ao Estado.

São projetos importantes para a cultura catarinense e para os produtores da arte literária. Que o Estado cumpra a intenção de coloca-los em prática.