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sexta-feira, 9 de maio de 2014

FLORIPA LETRADA


   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Vi, recentemente, uma matéria sobre o Projeto Floripa Letrada, que conta com estantes em três terminais de ônibus de Florianópolis, incluindo o do centro, com livros para que os usuários do transporte público possam pegá-los, lê-los para depois devolver ao mesmo lugar de onde os levaram.

A matéria mostrou o preposto da Secretaria de Cultura da capital dando entrevista com uma estante do Floripa Letrada de fundo, onde alguém acomodava livros, clássicos da literatura brasileira como “Memória de um Sargento de Milícias”, livros infantis, romances de autores estrangeiros e outros. A matéria enaltecia o fato de a iniciativa do projeto proporcionar boa leitura para a população de Florianópolis, inclusive com entrevistas de leitores.

A intenção do projeto foi muito boa, ele existe há alguns anos, no início realmente havia livros literários, eu até colaborei com mais de uma centena de livros. Até porque o projeto vive de doações. Mas a verdade é que faz bastante tempo só se vê um livro de literatura infantil, brasileira ou estrangeira, muito raramente. O que tem nas estantes, quando tem, são livros didáticos – muitas deles defasados – e livros técnicos, também quase sempre desatualizados. Livros que estão, na sua maioria, novos. Por que livros didáticos, pagos com dinheiro público pelo Ministério da Educação, não foram parar na mãos de estudantes da escola pública e agora, depois de ficarem guardados em algum lugar estão sendo desovados no Projeto Floria Letrada? Posso dizer isso com segurança, porque uso o transporte público e transito pelas plataformas do terminal do centro, então vejo quase todos os dias os livros que estão nas estantes, quando há algum lá. E não são livros literários.

De maneira que ficou meio forçada a colocação de livros de literatura infantil, de literatura clássica brasileira e de autores internacionais, apenas para aparecerem na matéria. Acho a ideia muito boa e gostaria que as estantes estivessem lotadas de bons livros a disposição dos usuários dos terminais urbanos, mas essa não é a realidade.

A matéria tinha o objetivo de divulgar a expansão do projeto para as escolas. Torço para que realmente o Floripa Letrada chegue até as escolas, pois muitas delas realmente não têm biblioteca. Mas não com livros como os que têm sido disponibilizados nos terminais do centro, nos últimos anos.

E, frise-se, o desabafo não é com a intenção de acabar com o projeto. O propósito é, isso sim, sensibilizar os responsáveis no sentido de arrecadar livros de literatura verdadeiros para os leitores, e não os didáticos velhos que nem sempre podem ser utilizados, pelas mudanças que são feitas no nosso ensino, obra de nossos governantes e também pela mudança de ortografia.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

FEIRA DO LIVRO NO LARGO DA ALFÂNDEGA



   Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Vou fazer o lançamento de meu livro infantil, FLEXA DOURADA, na Feira Catarinense do Livro, em Florianópolis, no Largo da Alfândega, no dia 8 de maio, quinta-feira, às 15 horas. E e a Urda Alice Klueger, a romancista mor de nosso Estado. Sim, na Feira Catarinense do Livro, que vai acontecer no Largo da Alfândega.

Pois é, apesar das dificuldades impostas pelo município, que não queria mais a realização da feira do livro no Largo da Alfândega, colocamos a boca no trombone, a Câmara Catarinense do Livro foi à luta e conseguiu-se que o evento seja levado a efeito, como nos últimos quatro anos.

Publicamos artigo a respeito, há algumas semanas, com o título “Como acabar com uma feira do livro”, em jornais aqui do Estado e também em alguns jornais pelo Brasil. Felizmente os responsáveis pela liberação do espaço no Largo da Alfândega voltaram atrás e a feira do livro volta ao seu lugar tradicional, até porque é o melhor local, já que fica no caminho do público que sai dos terminais e vai para o centro da cidade e vice-versa. O Largo da Alfândega fica no meio do fluxo de pessoas.

Agora o que falta é o apoio do município, do Estado, da União e da iniciativa privada, para que as feiras do livro de Florianópolis cresçam e deixem de ser apenas e unicamente oferta de livros. Não que a oferta de livro não seja importante, em absoluto. Tudo o que puder incentivar a leitura é importante, mas feira do livro tem que ser, também, debate, discussão, encontro de fomentadores da cultura. Feira do livro tem que ser mais, precisa ter a participação de personalidades do meio literário e cultural de fora, para que haja integração, atualização, troca de ideias com os produtores de cultura e de literatura aqui da terra.

domingo, 4 de maio de 2014

A CULTURA E A LÍNGUA PORTUGUESA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br                                                          


Dia 5 de maio é o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura. Se pensarmos na beleza e na importância da nossa língua portuguesa, temos tudo a comemorar. O português é falado por mais de 280 milhões de pessoas no mundo. É a quinta língua mais falada no mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul da Terra. E é a língua que tem a palavra “saudade”, nascida em Portugal, nosso avozinho.

Já no que diz respeito à cultura, é um dia difícil de comemorar, já que temos um Ministério da Cultura que não consegue aplicar com sucesso uma prova como o Enem, prefere abordar as histórias em quadrinhos, nessa mesma prova, ao invés da literatura brasileira, comprou milhares de um livro, para distribuir às escolas públicas, que sugere que esqueçamos as boas regras gramaticais para ler e escrever, há pouco tempo, e assim por diante.

Como comemorar o Dia da Cultura, num país onde temos poucas livrarias, poucas bibliotecas, onde o preço do livro é um tanto quanto alto? Onde o conteúdo programático das escolas públicas não privilegia espaço para a literatura, para que se incentive o gosto pela leitura? Pelo contrário, como há muito pouco espaço para a literatura, os professores exigem a leitura de um ou outro clássico com a condição da nota, o que faz com os leitores em formação acabem criando aversão pelos livros.

Difícil comemorar esse dia, quando nossos governantes dão tão pouca atenção e pouco apoio à cultura em todos os níveis. Editais de cultura vão ficando cada vez mais raros, eventos de cultura popular não tem espaço para acontecerem – na capital catarinense o maior teatro do estado ficou fechado por mais de três anos, sem que nada tivesse sido feito nele – e o ensino público está falido, com professores mal pagos, escolas caindo aos pedaços, sem equipamentos, sem manutenção.

Sei que parece muito pessimismo, mas a realidade é essa. A cultura é muito pouco assistida tanto pelo Estado, como pela União, como pelos municípios, em alguns casos.

Espero que esse quadro mude e que possamos comemorar essa data, num futuro próximo, com o começo do resgate da cultura. Aliás, o Brasil precisa resgatar a educação. Que cultura terá um país que não tem educação?

domingo, 27 de abril de 2014

EDUCAÇÃO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


O dia 28 de abril é o Dia da Educação. Uma dia a mais para refletir sobre tema tão importante, pois todo dia é dia de repensar e construir a nossa educação.

A educação, não só a catarinense, mas a educação brasileira, está a caminho da falência. Não se dá a devida importância e atenção à educação, ao ensino público, faz muito tempo. E ela, a educação, é fator primordial na vida de todas as pessoas, para que tenham bom desempenho no mercado de trabalho e, consequentemente, uma vida digna, um futuro promissor.

O que se vê, infelizmente, é o sistema de ensino cada vez com menos conteúdo, fragilizado, com professores sendo mal pagos, com escolas caindo aos pedaços, sem equipamentos e até com falta de recursos humanos. A essa altura do ano, por exemplo, temos escolas estaduais fechadas com reformas que deveriam ter sido feitas nas férias e alunos sem aulas. As modificações que têm sido feitas no ensino fundamental e médio, pelo MEC, nos últimos anos, ao invés de fortalecer a educação, a tem tornado menos eficiente e eficaz.

Sistemáticas de ensino que sempre funcionaram bem, como a alfabetização foram mudadas e a nova maneira de aplicá-la atrasou o aprendizado dos pequenos, fazendo com que algumas crianças tenham mais dificuldade, levem mais tempo para aprender a ler e a escrever.

De maneira que não há, infelizmente, o que comemorar. Precisamos de uma reforma muito séria nos ensinos fundamental e médio, no Brasil, para que a educação brasileira melhore um pouco e os estudantes cheguem ao vestibular aptos a enfrentarem um curso superior que precisa ter, também, mais qualidade. E mais, que cheguem à vida adulta com um pouco mais de educação no sentido mais latente da palavra: o desenvolvimento intelectual e moral, a sensibilidade e a humanidade no trato com as pessoas ao seu redor.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

OS ESPECIAIS NA ESCOLA REGULAR


     Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Conversando com professores do ensino fundamental, recentemente, soube que os alunos especiais, que antes iam para as Apaes, já estão nas salas de aula regulares.

Lembro que já abordei este assunto, em artigo lá pelos meados de 2013, quando soube do novo texto do PNE – Plano Nacional de Educação, que previa que, a partir de 2016, haveria congelamento de matrículas nas Apaes, para fins do cálculo para o repasse do Fundeb – Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica.  O que significaria que, com verbas menores, a demissão de funcionários da entidade de assistência aos especiais seria inevitável.

Vejam o que escrevi na época: “Para transferir a educação dos especiais para a escola regular, o Ministério da Educação deveria primeiro pensar em um programa de qualificação para todo o corpo docente. E ter escolas em bom estado para suprir a necessidade dos alunos não especiais e também dos especiais. Mais: as escolas teriam que ter adaptações para receber os alunos especiais.

Seria engraçado se não fosse absurdo: o nosso “governo” faz modificações irresponsáveis no nosso ensino, na nossa educação – e não é de hoje - para dizer o mínimo, mas não prepara professores, espaço e equipamentos para receber e colocar em prática o que quer impor. Faz leis com textos confusos e ambíguos para poder continuar com o processo de falência da educação brasileira, para se livrar de “problemas”, agora incluindo os estudantes especiais.

As crianças especiais até podem ser matriculadas no ensino fundamental regular, mas será que haverá estrutura para recebê-las? Sabemos a resposta, infelizmente.”

Pois não deu outra: Não esperaram 2016, os especiais já estão nas salas de aulas convencionais, sem preparação nenhuma dos professores, sem equipamentos apropriados, apenas com uma ajudante para o professor titular, quando há. Nada contra os especiais na sala de aula convencional, absolutamente. Mas eles precisam ser recebidos condignamente, com um ensino similar ao que as Apaes davam, eficaz e eficiente.

O que acontece, no entanto, é que os professores têm que dar conta da sua sala com os alunos de sempre, mais o especial ou os especiais, que merecem, sim, um ensino digno. E mesmo com uma ajudante para auxiliar com os especiais, quem tem que fazer um plano de aula adaptado os novos alunos é ela, a titular. Sem nenhuma preparação prévia, sem nenhuma qualificação específica. Bem do tipo “vire-se!”. Saem perdendo os alunos especiais, que não tem o mesmo ensino que tinham nas Apaes e saem perdendo os alunos regulares, que têm de dividir a atenção da professora com os novos colegas.

Já vimos muitos outros exemplos, mas essa é mais uma prova do quanto os nossos governantes se preocupam com a educação do cidadão brasileiro.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

DIA INTERNACIONAL DO LIVRO


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O dia 23 de abril é o Dia Internacional do Livro. E devemos comemorar esse dia, pois o livro adquire, nos últimos tempos, novas apresentações, no rastro da tecnologia digital que não pode ser mais ignorada.
O livro digital, ou e-book, chegou há já algum tempo, prometeu substituir o livro tradicional de papel impresso, mas não foi bem assim que as coisas aconteceram. O final da primeira década deste século marcou o começo de uma mudança nos hábitos de ler, pois as novas tecnologias de publicação e leitura de livros passaram a ser mais usadas. O Kindle, leitor eletrônico que começou a se popularizar, passou a ser mais usado, apesar do preço um pouco salgado e em seguida foi lançado o seu concorrente I-Pad, com mais recursos e que vendeu milhares de exemplares pelo mundo em menos de uma semana. Isso sem contar de dezenas de outros tablets que já estão no mercado.
Com os leitores eletrônicos sendo vendidos, os livros digitais também começaram a ter maior acervo em oferta. Até as editoras dos livros tradicionais, algumas delas, já estão oferecendo livros também em formato digital.
Comprovadamente, o livro como o conhecemos, de papel impresso, continua forte e vendendo cada vez mais. O e-book pode crescer – atualmente a sua abrangência ainda é pequena, apesar de se constituir em uma evolução no nosso hábito de ler – mas o livro tradicional vai continuar no mercado. Pode ser até que o o e-book cresça muito mais, mas não deve ultrapassar o livro impresso. O que vai acontecer é que os dois conviverão em harmonia.
Com a informática a serviço da leitura, a tendência é que o hábito de ler se intensifique, até porque além do livro tradicional e do livro digital, temos também o áudio-livro, que possibilita aos deficientes visuais a serem também consumidores de literatura, assim facilita também àqueles que não têm tempo para ler a oportunidade de ouvir bons textos enquanto fazem outra coisa.
Então talvez devamos comemorar tanta tecnologia a serviço da leitura, mesmo considerando que o livro físico, aquele que podemos folhear, rabiscar e ler sem dependência de nenhuma fonte de energia, a não ser a nossa visão e a vontade de ler. Por isso, ele continuará firme, mesmo com todas as outras formas de leitura que existem ou que porventura poderão vir a existir.

terça-feira, 22 de abril de 2014

FINALMENTE OUTONO


    Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

E o friozinho chegou. Só um pouquinho, para dar o ar de outono, mas chegou. E com ele um pouco de chuva, que até aqui só havia calor e poucas precipitações, pelo menos aqui no sul. A julgar pelo calor intenso que tivemos no verão e em boa parte do outono, o inverno pode ser, também, bastante rigoroso. Gosto um pouco do frio, mas espero que ele venha ameno e que não extrapole como aconteceu com o verão.

Um sinal a mais da proximidade do inverno eu descobri hoje em meu jardim: meu pé de jacatirão está cheio de botões. Meu manacá-da-serra, o jacatirão de inverno, vai florescer lindamente lá por junho e julho, enfeitando de flores o nosso frio. É bem verdade que meu pé de jacatirão está doente. Dois dos quatro galhos estão secando, mas metade dele que está verdinho, ainda, vai florescer, espalhando cores. As raízes dele devem ter encontrado algum caco de tijolo, alguma pedra ou pedaço de concreto, o que faz com que ele definhe. Uma pena.

Então vamos esperar a chegada do inverno, o tempo em que a gente se aproxima mais das outras pessoas, o tempo que faz com que nos reunamos mais. Qualquer motivo é pretexto para um café bem quente, feito na hora, uma boa sopa escaldante, um caldo de peixe, um bom vinho, um bom filme, em companhia dos amigos. Um bom livro também é uma boa pedida. E que ele, o inverno, seja clemente. Que a natureza não nos castigue pela nossa falta de respeito para com ela.

Pois espero esse inverno como nenhum outro, para saber o quanto a natureza está zangada conosco pelo nosso descaso para com ela, com o meio ambiente, com este planeta onde vivemos. Para saber se teremos apenas o tempo frio que nos aproximará uns dos outros ou se sentiremos, ainda mais, a força da natureza. Espero que consigamos nos redimir, pelo menos em parte, para reverter essa trajetória crescente de tragédias naturais que vem ocorrendo pelo mundo, inclusive no Brasil.