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quarta-feira, 31 de março de 2010

CÃES ABANDONADOS


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor e editor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Nesta semana e na semana passada, vi uma matéria na televisão sobre os cães que são abandonados diariamente pelas pessoas nas ruas das cidades. O telejornal flagrou pessoas abandonando, sorrateiramente, animais em ruas mais afastadas do centro, em qualquer rua e até em um canil que acolhe os bichos para serem adotados.
Um dos casos, uma cadela jovem de médio porte era colocada pra fora do carro, que saiu em disparada e o animal saiu correndo atrás. A volta ao assunto, no mesmo telejornal, foi justamente porque alguém reconheceu a cadelinha abandonada, encontrada atropelada, dias depois, toda machucada, quebrada, magra, sem quase poder andar, quase à morte.
Não dá pra entender a crueldade de pessoas que compram um animal de estimação com o qual, na maioria das vezes, alguém da família se apega. Mas em ele crescendo, ou ficando doente, ou em caso de viagem, a criatura é abandonada sumariamente.
O dono da cadelinha preta que foi atropelada está sendo procurado pela polícia e vai preso, espero, se for encontrado. É preciso coibir essa prática tão comum em nossas cidades, pois há um sem número de cães (e gatos, também, em menor escala), abandonados em nossas ruas, ficando doentes, sendo atropelados, morrendo aos pouquinhos e espalhando doenças.
Em outros países, como Inglaterra, Estados Unidos e outros, é crime a crueldade com animais e os envolvidos são presos, pagam multa e perdem a guarda. No Brasil estamos precisando de uma lei assim
E esse estado de coisas não é de agora. Lembro que, há uns dois anos, denunciei uma dona de quatro waimaraners, pois os cães estavam abandonados em uma casa vazia em uma rua paralela a minha, sem comida, sem água e doentes. Enquanto a dona não aparecia, eu levava comida e água diariamente. Fiz isso durante um mês, até que uma ONG levou a polícia até lá. Mas apesar de um dos cachorros estar esquelético e quase morrendo, a dona prometeu cuidar deles e a coisa ficou por isso mesmo. Os cachorros continuaram lá, até que sumiram todos, um a um. Não sei se morreram todos ou se a dona os realocou. A verdade é que hoje existem outros quatro cachorros lá, um dálmata e outros três viralatas, que pelo menos devem estar sendo alimentados, porque não estão magros demais.
Onde está a humanidade das pessoas que abandonam seus bichos de estimação assim, com tanta facilidade?

terça-feira, 30 de março de 2010

MEUS PÉS DE ARAÇÁ


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Amigos, hoje comi um araçá quase do tamanho de um ovo. É claro que o ovo com o qual eu comparei o araçá não é dos maiores, mas é só pra se ter uma idéia do tamanho da fruta. E isso não é o mais curioso. Na minha casa não tenho horta, apenas um pequeno jardim com uns míseros cinco ou seis metros quadrados com terra para eu plantar uma flor, um tempero, uma couve. Eu até que uso muito bem o espaço, tenho o meu pé de jacatirão – manacá-da-serra, pois é de inverno, algumas outras flores, como rosas, onze-horas e outras, pés de couve, de salsa, de cebolinha, de sálvia, de manjericão, de hortelã, de guaco, de alecrim, de morangos e por aí afora. Às vezes planto até vagem, nabos, brócolis, repolho.
Fico um tanto frustrado por não ter espaço para plantar árvores frutíferas, então comprei um pé de araçá, há uns dois ou três anos e plantei-o em um grande vaso. Não é o lugar ideal, mas ele resistiu bravamente e produziu até bastante, duas vezes ao ano. No entanto, ele já estava com pouco mais de um metro de altura e eu fiquei com dó de vê-lo confinado àquele vaso de uns cinquenta litros. Então levei-o de presente para minha mãe, que mora em Jaraguá do Sul e tem bastante terra em volta da casa para plantá-lo no chão.
Acontece que, quando das safras do meu generoso e sofrido pé de araçá, alguma fruta madura caía no chão e foram nascendo alguns filhotes pelo meu canteiro. E não é que quando eu baldeei a árvore-mãe para Jaraguá, já havia no quintal vários pés pequenos no meio do mato?
Pois dois dos pequenos pés de araçás, com não mais que um ano de vida e com menos de meio metro de altura, já estavam exibindo vários frutos ao longo de seus galhos. E cada fruto grande, bonito, maiores do que os frutos da árvore-mãe.
Então estou comendo os frutos dos meus pequenos e jovens pés de araçá. A natureza é simplesmente mágica, não é mesmo?

segunda-feira, 29 de março de 2010

JUSTIÇA, TÊNUE JUSTIÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Na semana passada, bem à véspera do julgamento do casal Nardoni, em São Paulo, pelo assassinato da menina Isabela, houve uma reviravolta no caso da menina Gabrieli, encontrada morta em uma igreja de Joinville. É curioso, pois os dois casos são semelhantes.
O Tribunal de Justiça encontrou falhas na investigação e decidiu anular o julgamento que condenou Oscar Gonçalves do Rosário, suspeito de ter abusado sexualmente e depois assassinado a menina Gabrieli Cristina, de três anos. O processo que investigou, julgou e condenou o pedreiro a 20 anos de prisão, foi cancelado em sessão do TJ de Santa Catarina, do dia 25 de março, por irregularidades encontradas no processo de investigação da polícia e por falta de provas e indícios.
Tudo leva a crer que o que houve foi um acidente, segundo a desembargadora Salete Sommariva, mas o caso deve voltar a ser investigado do início.
A reviravolta, é claro, estourou na mídia. A RBS entrevistou o advogado e professor de Direito Alceu Pinto Júnior, também criminalista, que se propôs a esclarecer alguns pontos do caso. Uma das perguntas que o âncora do Jornal do Almoço fez ao especialista, foi: “Caso não se consiga comprovar o crime, Oscar pode ingressar na justiça pedindo indenização pelos três anos que ficou preso?
A resposta de Alceu, exatamente o que foi dito no ar: “Tecnicamente pode, também não é o comum, porque é um direito que tem o estado de fazer apuração. No momento que ele está sofrendo, ele está sofrendo o exercício desse direito do Estado de apurar um crime que ocorreu, um evento que ocorreu. Mas ele pode fazer esse requerimento, que será analisado judicialmente.”
Não sou especialista como o advogado esclarecedor, mas acho que ele devia rever a sua resposta. Quer dizer que o Estado pode prender qualquer cidadão, eu ou ele, por suspeita de um crime, porque é um direito do Estado fazer isso? Que direito é esse? Onde está escrito? E o meu direito, e o seu? Desde quando se pode prender alguém e condenar sem provas suficientes? O Estado pode manter alguém preso, mesmo não conseguindo indícios comprobatórios de que aquela pessoa é a culpada?
Sabemos que Oscar, condenado indevidamente, pode vir a ser investigado novamente. Mas é preciso que tudo seja feito corretamente, que a justiça seja feita honesta e eficientemente, para que se chegue à verdade.
Nossa justiça já anda carente de credibilidade, não é de agora. Com casos de erros inaceitáveis como esse, então... Podem até provar, em uma nova investigação correta e criteriosa, que Oscar é culpado, o que não acho muito provável, mas o erro crasso cometido permanece, gritante. E notem que o erro foi reconhecido pelos desembargadores do TJ, ou seja, pela própria justiça.

domingo, 28 de março de 2010

CORUPÁ, SUAS BELEZAS E SUA HISTÓRIA

Seminário hoje

Construção do Seminário


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://luizcarlosamorim.blogspot.com/

Em uma crônica anterior, falei do livro sobre rios e cachoeiras de Corupá, prontinho para ser publicado, com editoração, capa, tudo providenciado, mas sem patrocínio, ainda, para fazer a obra circular. De qualquer maneira, ele deve sair, mais cedo ou mais tarde.
Enquanto isso, o livro que acharam ser mais oportuno para ser publicado, sobre a história de Corupá, está tomando corpo e o autor até me mandou o primeiro capítulo de amostra. Eu, particularmente, acho que uma obra sobre a Cidade das Cachoeiras deveria reunir as duas coisas: a história de Corupá e tudo sobre o seu imenso potencial turístico-ecológico, que se traduz na grande quantidade de belezas naturais, como dezenas de cachoeiras.
Mas o livro está sendo escrito, fruto de muita pesquisa e trabalho, e o primeiro capítulo ficou muito bom, revelando como a cidade surgiu de um caminho por onde passavam os desbravadores deste nosso sul. Fico curioso para ver a continuação, pois a história corupaense se revela muito interessante.
As fotos que ilustrarão o livro e que integram as pesquisas, também as vi, algumas, e achei espetacular. Alunos e professores do Grupo Escolar Teresa Ramos do meio do século passado, flagrantes da construção do Seminário Sagrado Coração de Jesus, um dos cartões postais de Corupá, a construção e inauguração da empresa de força e luz, nos anos vinte, enchentes de 1910, fotos da Rua Nereu Ramos, na década de 20, hotel do começo do século passado, fotos de colonizadores, peça de teatro apresentada na década de cinquenta.
Um livro assim, revelando Corupá desde o seu aparecimento até os dias atuais, com a descoberta de todas as suas cachoeiras e tantas outras belezas naturais, comporiam um uma grande obra.
Mas mesmo que seja só a história da nossa pequena-grande Corupá, já será de valor inestimável para a cidade.

sábado, 27 de março de 2010

PERIÓDICOS LITERÁRIOS E CULTURAIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Vocês lembram daqueles jornais literários e ou suplementos culturais publicados por imprensas oficiais dos estados, fundações culturais dos municípios, academias de letras, etc? Não falo, claro, das publicações alternativas ou dos poucos espaços em jornais da iniciativa privada, ainda que alguns cadernos de cultura e/ou literatura de grandes jornais também andassem pelo mesmo caminho.
Falo daquelas publicações oficiais, com textos quilométricos e nem sempre interessantes, com diagramação mal feita, via de regra, com blocos de texto maciços e grandes claros nas páginas, evidenciando mal aproveitamento de espaço. Os espaços não ocupados nas páginas, um desperdício imperdoável, davam a impressão de que tinham a função de fazer com que o material que ali estava publicado precisava preencher o número de páginas da publicação, mesmo que não houvesse texto para tanto.
Ainda hoje existem alguns desses cadernos, por aí, dirigidos a intelectuais de carteirinha, mas lidos apenas por alguns deles ou pelos próprios autores dos textos ali publicados.
Felizmente, isso está mudando. Os jornais e suplementos de cultura estão ficando menos herméticos, menos “elitizados”, com apresentação mais coerente e diagramação mais enxuta, com textos mais objetivos, mais claros e concisos, sobre assuntos mais atuais e de interesse mais abrangente.
Não queria citar este ou aquele, mas o Suplemento Literário de Minas Gerais sempre foi equilibrado, com artigos, crônicas, etc. mais rápidos e textos mais alentados, mais intelectualizados, dirigido a um número mais específico, menor. Como exemplo de outro jornal da “cultura oficial”, não tão tradicional como o Suplemento de Minas, posso citar o “Ô Catarina”, da Fundação Catarinense de Cultura. Melhorou um pouco a apresentação nos últimos dois anos, preencheu os espaços em branco, os textos estão mais dinâmicos, embora precise diversificar o elenco de escribas e, principalmente, precisa de periodicidade, pois no ano passado saiu apenas uma edição.
Algumas publicações surgiram nos últimos tempos, com boa apresentação, bom conteúdo e boa vontade. Poucas, mas estão aí, resistindo. Não são publicações populares, mesmo porque estão num país onde se lê pouco. Os leitores desses jornais e revistas oficiais ou “sérios” (os alternativos não são sérios? – o conteúdo de um e de outro é assunto para outra discussão) são,na verdade, quase que exclusivamente os próprios escritores. Com exceções, é claro.

sexta-feira, 26 de março de 2010

O NOVO GOVERNADOR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Então nosso Estado Catarina está, a partir de ontem, sendo governado pelo vice, Leonel Pavan, político com uma ação contra ele, por envolvimento em crimes de corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional e advocacia administrativa, envolvendo empresas privadas favorecidas por ele. E a isso, pode-se somar, ainda, improbidade administrativa.
E como em “política tudo se arranja”, ainda mais por aqui, a saída do governador para concorrer nas próximas eleições, salvou, temporariamente, a pelo do vice. Bela “política”, a nossa, que coloca no poder um político que deveria ser investigado por corrupção.
Será que não há nenhuma lei que regule uma situação dessas e diga que enquanto houver dúvidas, enquanto a ação não tiver um desfecho, o “político” não deveria assumir o mais alto posto do Estado?
Belo exemplo. Isso comprova, mais uma vez, a qualidade de nossos políticos. Com todo esse circo, sinto vergonha de ser catarinense.
Mas a eleição está aí. Será que vamos saber votar, sacando fora esses “senhores” que aí estão? O problema, um grande problema é saber que há a probabilidade de não termos candidatos decentes em quem votar. Aí parece que sobra uma única alternativa, a de anular o voto para que percebam que não estamos satisfeitos com o atual estado de coisas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

RENATA, QUINTANA E A DANÇA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Isso já está ficando chato, mas ontem acabei não postando nada, porque fui ao aniversário da nossa professora de dança, Renata Verani. Quando voltamos, já era quinta, de maneira que a crônica de quarta miou. Acho que eu deveria mudar o nome do blog para “Crônica do dia sim, dia não”.
Mas valeu a pena, amigos leitores, abraçar a Renata, rever um monte de gente e conhecer outro tanto, tudo gente que gosta de dança, que gosta de dançar.
A dança é uma atividade que aproxima pessoas, que reúne os grupos, provocando o nascimento de novas amizades. Então, nada melhor do que dançar para afastar a solidão – ou não deixar que ela consiga chegar perto da gente -, curtir a companhia de cada vez mais amigos, cultivar a boa saúde com alegria e disposição.
Dança é a poesia do corpo. Quintana já dizia, sobre dança e poesia, em “Aula Inaugural”:

“... Fora do ritmo, só há danação.
Fora da poesia, não há salvação.
A poesia é dança e dança é alegria.
Dança, pois, teu desespero, dança.
Tua miséria, teus arrebatamentos,
Teus júbilos.
E mesmo que temas imensamente a Deus
Dança como David
Diante da Arca da Aliança;
Mesmo que temas imensamente a morte,
Dança diante da tua cova.
Tece coroas de rimas...
Enquanto o poema não termina
A rima é como uma esperança
Que eternamente se renova."

Então dancemos.