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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

OFICINA DE CRÔNICA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Há algumas semanas, recebi um e-mail de estudantes me pedindo material sobre o gênero crônica, que estavam fazendo um trabalho sobre ele. Mandei dois livros de crônicas meus, nos quais alguns textos são comentários sobre aquele gênero literário. Em Jaraguá do Sul, há algum tempo, foi feito um ótimo trabalho sobre crônica, numa grande escola daquela cidade, quando algumas turmas do segundo grau escolheram nomes conhecidos da crônica catarinense e nacional e eu tive a honra de ser o escolhido por duas delas. Mais recentemente recebi pedido de dados a meu respeito e entrevista de outras duas turmas que também estavam fazendo trabalho sobre crônica.
Isso revela que as escolas estão estudando este gênero tão praticado, ultimamente, e por isso mesmo algo popular, pois todos os jornais publicam crônicas, não só de autores consagrados, mas também de seus leitores.
A Academia Catarinense de Letras, aproveitando essa ascensão, programou a Oficina de Crônica, que acontecerá todas as quintas-feiras de agosto, no auditório da casa, que fica no Centro Integrado de Cultura (CIC). Sempre das 17h às 19h30min, nomes conhecidos da literatura catarinense estarão ministrando atividades destinadas a estudantes, escritores e apreciadores do gênero.
Na primeira semana, Lauro Junkes, presidente da ACL, falou sobre Conceito e Tipologia da Crônica. O escritor Flávio José Cardozo, por sua vez, falou sobre técnicas e desafios na vida de um cronista.
No dia 13, o palestrante será Júlio Queiroz, que falará sobre História de Crônica no Ocidente, com depoimento de Jair Francisco Hamms. No dia 20, Regina de Carvalho fala de Elementos, Diálogo e Humor na Crônica, seguindo-se bate-papo com Silveira de Souza. Na última semana, Celestino Sachet apresenta o tema Crônica Não é História, com a participação de Sérgio da Costa Ramos.
Parabéns a ACL por essa programação que valoriza o gênero crônica, olhando-o sob vários prismas, o que deve melhorar ainda mais a produção atual e incentivar a sua leitura.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A SITUAÇÃO DO ESCRITOR BRASILEIRO

Hoje não vou escrever nada. Vou apenas transcrever um artigo da minha amiga Teresinka Pereira, brasileira radicada nos Estados Unidos, professora universitária e presidente da IWA - International Writers and Artistis Association:

CARTA RESPOSTA A LUIZ C. AMORIM PELO ARTIGO “A SITUAÇÃO DO ESCRITOR PRASILEIRO”

Por Teresinka Pereira (Presidente da International Writers Association – USA)

Li por acaso, porque fomos publicados lado a lado no jornal O DIA do Piauí, mas com muita atenção, o seu artigo “A Situação do Escritor Brasileiro”. Você tem muita razão em tudo o que diz ali: todos os escritores do mundo dizem a mesma coisa, que o único espaço acessível ao escritor moderno é a internet. Eu creio que nos encontros de escritores nós devíamos fazer alguma coisa mais produtiva do que reclamar.
Temos que encontrar uma saída para a crise de espaços. Os editores de revistas, jornais e até de alternativos (e você é um bom exemplo) merecem nosso aplauso, nosso agradecimento e nossa admiração, porque sacrificam seus recursos econômicos, seu tempo e suas energias criativas para fazê-lo, pois em vez de estar escrevendo sua própria obra, estão ajudando aos outros escritores a divulgar a deles. Felizmente, quase todos os amigos publicados por esses meios, reconhecem e mandam umas palavras agradecendo.
Li em uma revista que, segundo editores franceses, de acordo com a realidade do sarcozismo, a cultura da paz e humanitarismo não são temas de lucro comercial, quer dizer, não vendem. Todo o mundo saiu a criticar os editores e a Nicolas Sarkozy, que representa essa mentalidade de que o lucro comercial é a nossa salvação, idéia clonada da Wall Street americana. Talvez o povo francês, o que trabalha, anda pela rua, compra e vende, já esteja cansado de ser modelo literário e cultural do mundo e queira encher os bolsos de euros em vez de livros que não tem tempo de ler. E o resto do mundo vai na mesma onda. E temos que considerar que a recessão econômica vai ensinar que barriga vazia pode inspirar a um poeta ou a um filósofo, mas não deixa ninguém com vontade de ler. E o que acontece quando o leitor não acha que o livro valeu o preço que pagou por ele? Pois o que você mesmo diz em seu artigo é verdade: “Consta que, apesar da dificuldade de se publicar livros, o número de escritores aumenta cada vez mais, ainda que a qualidade de uma grande parte seja discutível”.
Pois o que acontece é isso: uma decepção. A gente compra um livro e depois verifica que o mesmo não corresponde a nossa expectativa. Temos que recordar que o livro é considerado quase que como um objeto sagrado para os bibliófilos como eu. O lugar mais importante da minha casa e da IWA (International Writers Association) é a biblioteca.
Ninguém tem o direito de ir lá e procurar livros sem o meu consentimento e tem que fazê-lo sob minha vigilância. Portanto, temos que esperar que o livro mereça esta estimação. O escritor venezuelano Victor Bravo diz com certeza: “O livro é um âmbito de cultura, mais que um meio para um fim. Esse âmbito é uma das conquistas mais valiosas da humanidade.”
Mas não é necessário ir ao estrangeiro para buscar elogios ao livro por excelência e como objeto de saber. O escritor brasileiro Cyro Armando Catta Preta escreveu esta quadra sobre o livro: “O livro é teu grande amigo / o braço que ajuda e ampara. / É alimento, é vinho, é trigo, / colhidos em messe rara...”
Quero contribuir com essa investigação de como resolver o problema da publicação das obras literárias botando minha colher de pau na panela. Temos que considerar que os editores não são os únicos culpados, embora eles sejam os primeiros a receber o xingatório por serem comerciantes interessados somente no lucro de venda da nossa criatividade e sacrifício. E olhando por esse mesmo lado, os consumistas também são culpados, porque em vez de comprarem um livro ou uma revista literária para ler um novo escritor ou um poeta ainda não consagrado, não arrisca seu pequeno investimento circunstancial e prefere comprar ou um desses livros de ajuda psicológica ou social, que os vai ensinar como se comportar ou como pensar positivamente para serem bem sucedidos na vida. Ou pior ainda, compram uma revista pornográfica que vai mais diretamente ao ponto da diversão, ou um livro de autor já conhecido para aumentar o seu conhecimento lítero-cultural.
Portanto, se os editores são tão difíceis de convencer, vamos tentar convencer aos prováveis compradores de livros de que o nosso livro representa a melhor e mais vantajosa compra que ele vai fazer. As vezes uma capa mais colorida e chamativa pode fazer o truque, às vezes o título, às vezes a publicidade no lançamento. Mas para lançar um livro, temos que publicá-lo, imprimi-lo primeiro. E se não conseguimos convencer um editor ou uma cooperativa, vamos ter que pagar pela edição nós mesmos. Nisso sou toda a favor! Os grandes escritores do presente e do passado, os que ficaram na história da literatura fizeram isso ao começar a se expor ao gosto do público. Podem investigar que vão achar que as primeiras edições foram pagas pelo autor. E como gastar tanto dinheiro para fazer a edição por conta própria, se um livro editado custa quase o mesmo que um carro, uma viagem ao estrangeiro? Pode custar menos! Portanto, pague-se o livro e que espere o carro, a viagem. Estas coisas terão mais valor quando nosso livro for bem recebido, bem reconhecido. Mesmo que não seja possível jamais realizar o sonho do carro ou da viagem, vamos fazer companhia aos milhões de poetas ou escritores pobres desse mundo... mas o mais certo é que o livro vai nos ajudar a encontrar um emprego de professor, de jornalista, de empregado público, se para isto tivermos também diplomas e capacidade. O livro vai abrir muitas portas no mundo intelectual, que é o nosso mundo e o único que queremos: o livro publicado pode ser nosso melhor investimento para o futuro. Mas...
O livro que publicarmos terá que ser excelente! Tem que ser uma estréia para dar o que falar, para ser resenhado, para ser lido pelos críticos literários e professores, os quais, naturalmente devem receber o livro como um presente. Se esses leitores escolhidos não gostarem do livro ou acharem que o livro não apresenta nenhuma novidade, que o autor está chovendo no molhado, que foi tudo uma perda de tempo, eles provavelmente não vão fazer muitos comentários favoráveis e vai faltar publicidade. E pior do que tudo, os leitores que pagaram pelo livro podem pensar que o escritor fez uma falta ecológica por ter gastado papel.
Portanto, cabe ao escritor, inclusive ao poeta, encontrar a solução para o problema do espaço viável para se expor à crítica, a qual determinará se vai à consagração ou ao esquecimento. E lembramos que, como criadores literários, devemos ir não pelo caminho já trilhado antes, que surte mais efeito e talvez dê bom resultado, mas por uma paisagem nova, por um lugar aonde ninguém passou ainda e deixar um novo caminho descoberto.
Obrigada pela inspiração, companheiro Luiz Carlos Amorim. Valeu.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

NÓS E A GRIPE A

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

E a gripe A, que era branda, com a qual o cidadão brasileiro não precisava se preocupar porque as autoridades sanitárias estavam tomando todas as providências, tudo estava sob controle, está matando as pessoas também no nosso país. E não são crianças e velhos que estão morrendo, são adultos saudáveis, na maioria.
O nosso país (ou nossas “autoridades”) se comportaram, frente à gripe A, como se comportaram frente à crise mundial: não nos atingiria, era só uma “marolinha”.
Pois a marolinha está matando as pessoas. As mesmas pessoas, cidadãos brasileiros, que estão indo aos hospitais e postos de saúde, quanto têm algum sintoma da doença e esperam horas na fila para, se forem atendidos, receberem, via de regra, o diagnóstico de que não é a gripe A. Só internam e dão a medicação para a gripe A se o estado do paciente for grave. Mas se já estiver em estado grave, o paciente estará morrendo, como tem acontecido.
Por que não medicar quando houver suspeita? É preciso estar morrendo para receber medicação? Aí não adianta mais.
O Estado do Paraná divulgou nota, hoje, instruindo que seus médicos e hospitais mediquem os pacientes já quando houver suspeita da doença, e não só os pacientes mais graves. É o que todo o país deveria estar fazendo.
Aqui em Santa Catarina não havia casos de morte até poucos dias atrás e agora instalou-se o medo. Não se encontra mais o álcool gel, muita gente está correndo para os pontos de atendimento e ficando horas na fila.
Os tais pontos de atendimento, infelizmente, por todo o país, não estão equipados para atender a população, pois não há sequer profissionais suficientes para isso. E os que estão atendendo, muitas vezes não estão qualificados, ao contrário do que se apregoa nas mídias e as pessoas acabam voltando para casa sem atendimento ou sem atendimento apropriado.
Os cuidados de higiene precisam ser tomados, sem sombra de dúvida, sempre, pois eles minimizam o risco de contaminação. Mas há casos em que não podemos evitar de estar em lugares com concentração grande de pessoas, pois precisamos pegar o ônibus, precisamos trabalhar, precisamos ir à escola.
Esta é mais uma oportunidade, infelizmente, em que constatamos a precariedade da saúde em nosso país. Todos estamos vendo o descaso e a desfaçatez de quem administra o dinheiro público e o gasta acintosamente em favor próprio, enquanto a saúde, a educação e a segurança são deixados em último plano.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

OS SARAUS POÉTICOS

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Descobri que nós, do Grupo Literário A ILHA, somos precursores na realização de modernos saraus. O Recital de Poemas, que fazíamos nas praças, em feiras de arte e em locais fechados como festas e escolas eram, na verdade saraus de poesia.
Isso me ocorreu ao ler matéria sobre a existência de dezenas de saraus na cidade de São Paulo, na edição de ontem do Estadão. São mais de trinta, ao todo, a maioria deles reunindo poetas para ler e ouvir poesia, mas alguns dão especo também para teatro, dança, etc.
Fiquei feliz ao saber que um trabalho que já fazíamos há trinta anos atrás está se popularizando, tornando a poesia mais conhecida e praticada, motivando as pessoas a lerem mais e a produzirem mais este gênero ainda meio maldito, pois apesar de ter produção tão intensa, vende tão pouco. Ainda bem que é bastante lido, também, pois a internet possibilitou a exposição e o acesso, embora a qualidade do que é publicado lá nem sempre seja das melhores. Mas isso é assunto para outra crônica.
O importante é que os espaços estão lá, abertos a quem queira utilizá-los e a realidade dos saraus se multiplicando dá gás, dá motivação a quem produz e prazer a quem ama a poesia.
Precisamos voltar a fazer os saraus, por aqui, porque a boa poesia encontra cada vez mais ouvintes, seja aonde for.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O VALOR DA VIDA

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Ontem, domingo, ao voltar do Rio Grande do Sul, paramos em Lages para fazer um lanche, quase uma da tarde. Uns quinze minutos depois, saímos do posto que fica à beira da BR 282 e perto do centro da cidade. Três quilômetros adiante, na subida do morro (no sentido de quem vai para Florianópolis) vimos surgir no alto, no sentido para Lages, uma enorme bola de fumaça que saiu da estrada e voou para o barranco, numa velocidade muito grande. Como ninguém que vinha atrás parou, encostamos para ver o que era, pois de cima da estrada não dava para ver o que havia lá embaixo no barranco.
Eu não estava dirigindo e saí rapidamente do carro, correndo pela beirada do barranco. Vi logo, no meio do mato não tão alto um carro com as rodas para cima, ainda saindo alguma fumaça da parte da frente. Não consegui saber a marca do carro e também não vi se ainda tinha placa, pois desci rapidamente o barranco um tanto íngreme para ver o que havia acontecido com as pessoas que poderiam estar dentro. Quando cheguei perto, não ouvi nenhum barulho e chamei para ver se alguém respondia. Muito silêncio, pensei por um momento que não havia sobreviventes. Mas tentei abrir alguma porta e comecei a ouvir um gemido baixinho, que foi ficando mais alto, transformando-se em gritos em poucos minutos. Consegui abrir uma porta e vi que era uma mulher. Ela estava com a cabeça pressionada contra o teto do carro que estava virado para baixo. A cintura estava levantada, presa pelo cinto de segurança. Ela estava com o corpo suspenso e dava pra ver um osso de uma das pernas saltado para fora da calça. Eu já havia pedido que telefonassem para os bombeiros e polícia quando descera e como mais pessoas começaram a parar, pedi que telefonassem também. Alguns homens desceram atrás de mim e pedimos uma faça para cortar o cinto de segurança e soltar a moça, que sentia cada vez mais dor. Gostaria de poder dar a ela algum analgésico, pois a dor que sentia deveria ser muito grande. Minha esposa desceu também e enfiou os braços e a cabeça para dentro do carro, para tentar acalmar a moça e segurá-la, também, pois quanto mais ela tentava se mexer, mais gritava de dor. As coisas dentro do carro estavam todas fora do lugar, mas havia lugar para a moça, mas não dava para tirá-la de lá enquanto não chegasse alguém com equipamento para isso.
Já havia passado algum tempo desde que telefonaram pedindo socorro, mais de dez minutos e ninguém aparecia. Subi o barranco para pedir que continuassem ligando e a polícia havia chegado. Eles também estavam ligando, mas eu perguntava se alguém já estava a caminho e eles diziam que ninguém ainda saíra para vir até ali, pois havia um grande incêndio em Lages.
Continuamos esperando, telefonando, ouvindo a moça gritar de dor, sem poder fazer nada a não ser esperar. Já havia passado meia hora quando apareceram os bombeiros, primeiro um carro, depois outro, também um carro do Samu, mais uma ambulância e mais polícia. Até então não aparecia ninguém, mas quando começou a chegar, chegou tudo de uma vez.
O tempo enorme que o socorro levou para chegar é inaceitável, mesmo que houvesse um incêndio na cidade. A distância estava a apenas três quilômetros e não há só os bombeiros, como bem se viu quando começaram a chegar os carros com o socorro: há hospitais, com ambulância, o Samu, etc. Se o acidente fosse mais grave, a vítima poderia ter morrido até chegar ajuda.
Outra coisa que me deixou indignado, foi o fato de as pessoas que estavam logo atrás do carro que voou barranco abaixo não pararem para ver o que acontecera, para tentar ajudar, não deram a mínima importância para o que viram. E não era um carro só.
Vi num jornal de Lages de hoje que a moça tem vinte e quatro anos e que o carro dela era um pálio. Teve fratura exposta nas duas pernas. A polícia disse não saber o que causara o acidente. Nós vimos que o carro estava envolto em fumaça antes de cair na ribanceira e havia até fogo.
Em outro acidente que tive entre Itajaí e Balneário Camboriú, também demorou muito a chegar o socorro médico. Parece que, infelizmente, as coisas não mudam.

domingo, 2 de agosto de 2009

A PRAÇA DAS FLORES E A RUA COBERTA


Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Começou ontem, em Nova Petrópolis, cidade próspera da serra gaúcha entre Caxias e Porto Alegre, o Festival Internacional de Folclore. Vai até o dia 16 e acontece na Praça das Flores e no Parque Aldeia do Imigrante, com uma extensa programação, apresentando grupos folclóricos, grupos de dança e grupos musicais do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, Paraná, Alagoas, Goiás, Rio de Janeiro, Paraíba, Pará e países como Coréia do Sul, Argentina, Paraguai e Finlândia.
Foram montadas tendas na rua principal no centro da cidade, ao lado da Praça das Flores, com muito artesanato local e até de outros países e uma praça de alimentação.
E também um palco onde são apresentados, das onze horas da manhã até à noite, quase que ininterruptamente, espetáculos dos grupos convidados, que na sua maioria são coreografias bem interpretadas. A performance dos grupos é belíssima e a organização do evento é perfeita, pelo menos no que diz respeito ao espectador, que não tem que ficar esperando entre um número e outro.
A Praça das Flores, escolhida como local para sediar o Festival, é uma praça lindíssima, ampla, cheio de verde e árvores, fazendo jus ao nome: um quarto ou quase um terço da enorme praça é coberto de canteiros de flores. Atualmente, com o frio, há muito amor-perfeito, de todas as cores e tamanhos, há boca-de-leão, há os repolhos-flores, dos quais falei na crônica de ontem, além de plátanos com as suas folhas ficando amareladas pelo frio.
E, passeando pela praça, no meio da profusão de flores e dos muitos turistas que estão na cidade, vi algumas pessoas com cartazes na mão. Os cartazes falavam de uma rua coberta, projeto que está tramitando na prefeitura, prestes a ser aprovado, e que provocou a indignação de cidadãos de Nova Petrópolis.
Acontece que a Rua Coberta que se pretende fazer substituirá a parte da praça que hoje comporta os jardins pejados de flores que dão nome a ela. A cobertura atingiria a Rua Rui Barbosa e os canteiros da praça que ficam logo ao lado. E os moradores da cidade não querem perder a área sempre florida da sua tradicional praça, não querem que as flores da sua praça deem lugar a uma área coberta que nem sabem ao certo para o que vai servir.
E acho que eles têm razão, porque será uma pena visitar Nova Petrópolis e não poder ver a quantidade de flores de diferentes tipos, conforme a estação, que enchem os canteiros da praça e os olhos da gente.
A Praça das Flores e as suas flores, o labirinto e os plátanos são marcas registradas da cidade, são o seu cartão postal, assim como o Parque Aldeia do Imigrante.
Então não há como acabar com as flores da praça para colocar em seu lugar uma Rua Coberta. Espero que o movimento em favor da praça consiga a não aprovação de tal projeto, um tanto quanto infeliz.

sábado, 1 de agosto de 2009

AS FLORES-HORTALIÇAS (OU HORTALIÇAS-FLORES?)




Por Luiz Carlos Amorim (Escritor - Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Apesar do frio aqui na serra gaúcha, temos passeado por Nova Petrópolis e pelas cidades vizinhas. A paisagem e a arquitetura são muito bonitas e a região lembra Pomerode, a cidade catarinense considerada a mais européia do Brasil. E a semelhança com a paisagem da Europa, aqui, estende-se ao campo, onde a diferença talvez seja as oliveiras, que vicejam na Espanha e em Portugal e o que coincide, de mais marcante, são os vinhedos. Lá e aqui as parreiras são freqüentes nas áreas agrícolas. Aqui, atualmente, as vinhas estão peladas, por causa do frio, mas lá é primavera e elas estão brotando. Outra coisa em comum são as culturas de pinus e eucaliptos.
São cidades pequenas, mas muito limpas, muito bem cuidadas, muito organizadas, essas do norte (ou nordeste?) gaúcho. Por aqui se trabalha muito, no campo e nas indústrias de calçados, de malha de lã e também em empresas beneficiadoras de couro. Há muita oferta de roupa de lã de boa qualidade e a moda deste tipo de confecção é muito moderna e diversificada, original, até, eu diria, nesta região.
Come-se muito bem, a comida caseira e típica é uma delícia. Serve-se bom chocolate quente e há até lugares que servem boas sopas.
Nova Petrópolis e a maioria das cidades ao redor dela são de colonização alemã, então a gastronomia reflete essa influência, assim como a arquitetura e a decoração. A cultura também, há quem quase só fale alemão e o folclore local tem raiz no folclore alemão. Não por nada, começa hoje e vai até o dia 16 a Festa do Folclore, com inúmeras atrações.
Na cidade e no campo, o amarelo (ou alaranjado) de laranjeiras, limoeiros, pés de tangerina, de lima, carregados de frutos maduros, mistura-se ao colorido das flores.
As ruas e os jardins são decoradas com jardins onde sempre há muitas flores, como o amor-perfeito, que atualmente enche de cor todas as praças e canteiros. Amores-perfeitos grandes, médios, pequenos, de todas as cores e tamanhos. Há também azaléias, cravos, um ou outro manacá-da-serra, muitas cerejeiras japonesas maravilhosamente cobertas de flores. E apesar do inverno muito forte, ainda há outros tipos de flores que resistem à geada como boca-de-leão, funcionária, etc..
E hoje, passeando pela grande praça no centro da cidade, enfeitada com dezenas de canteiros enormes de amor-perfeito, cada um de uma cor diferente e alguns com flores de duas ou três cores, belíssimas, vimos alguma coisa inusitada, que não soubemos definir se era hortaliça ou flor. As folhas, na base, eram de repolho. Mas o centro das plantas eram diferentes, com folhas (ou pétalas?) coloridas ou brancas, com as bordas crespas. Ou então pareciam pés de couve, mas as folhas do centro também eram coloridas.
As flores-hortaliças ou hortaliças-flores despertaram a atenção de nativos da terra e de turistas, que passaram a assediar os canteiros para admirar o inusitado da planta e fotografar para passar a novidade adiante.
Como eu, que fotografei para ilustrar esta crônica aqui no blog. Vejam vocês mesmos e digam o que acham. Perguntei a funcionário da prefeitura, que estava na praça, se ele sabia o que eram aquelas plantas diferentes e ele me disse que ouvira alguma coisa sobre plantas modificadas para se tornarem decorativas, alguma coisa parecida. Seja o que for, o resultado ficou muito bonito.