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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A MANUTENÇÃO DAS ESTRADAS E O PEDÁGIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Na volta da minha viagem para o norte do Estado, para ver o Festival de Música de Jaraguá do Sul, fiquei mais uma vez indignado, desta vez com a falta de conservação da BR 101, principalmente no trecho do trevo de São Francisco até Barra Velha.
Há diversos buracos no asfalto, dezenas deles, numa estrada na qual a gente paga pedágio para transitar. Então deveríamos ter uma estrada em bom estado, em ótimo estado, já que entra muito dinheiro para a empresa que recolhe o pedágio, já que a 101 tem um fluxo enorme. Mas não se vê ninguém trabalhando. O que se vê são buracos e mais buracos, que tendem a aumentar com a chuva e remendos mal feitos que estão se deteriorando, dando margem a mais crateras.
Não há ninguém para fiscalizar se as empresas que cobram o pedágio estão fazendo o seu trabalho? É só ganhar a licitação, começar a arrecadar o pedágio do contribuinte e para fazer o trabalho nas estradas, tão necessário para um mínimo de segurança, não há pressa?
De quem é a responsabilidade de verificar se a manutenção das estradas está sendo feita e se está sendo feita com a urgência necessária?
O DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte, não teria algum papel nessa fiscalização? Precisamos cobrar mais a melhoria de nossas estradas. Afinal, pagamos pedágio para que? Apenas para enriquecer uns e outros?

domingo, 30 de janeiro de 2011

O PARAÍSO DA MÚSICA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://prosapoesiaecia.xpg.com.br

Nesse último final de semana pude, finalmente, matar a vontade de viver o Festival de Música de Santa Catarina, que está acontecendo em Jaraguá do Sul, já na sua sexta edição, desde o dia 20 de janeiro e vai até o dia 5 de fevereiro.
Estou impressionado com a quantidade e a qualidade da música erudita ecoando por todo o Centro Cultural SCAR e em outros locais pela cidade. Na sexta, assisti apenas ao espetáculo que fecha o dia no Grande Teatro da SCAR e no sábado fiquei circulando, desde o começo da tarde, entre os dois teatros, em andares diferentes do prédio, pois um espetáculo nem tinha acabado em um deles e outro já estava lotado com outra apresentação iniciada. É claro que há os percalços, e naquele dia, infelizmente, alguns números foram cancelados pelos estudantes, mas mesmo assim a gente poderia ter uma overdose de música. E embriagar-se de música é muito bom.
É indescritível a sensação de poder usufruir da boa música, da melhor música, ao vivo. Ouvir o som dos diversos instrumentos sem nenhuma ajuda de aparelhos eletrônicos, ter o som puro de cada instrumento, ver a expressão facial e corporal dos músicos vibrando ao executar a música, ao executar a obra de um grande mestre, prestar atenção no espetáculo à parte que é a performance do maestro.
Estar ali, de frente para a orquestra, é como estar executando um dos instrumentos musicais, é como estar ligado em 220 volts, sendo energizado com aquela onda de força que transcende a vibração do som. A gente vê a alma dos músicos, que ficam transparentes quando estão, magistralmente, recriando as obras dos grandes compositores.
A interpretação de cada um dos integrantes das orquestras, duplas, trios, quintetos ou seja qual seja o tamanho do grupo de músicos, é algo que atinge o espectador e ouvinte, amante da boa música, no ponto mais sensível: a capacidade de se emocionar, de sentir prazer em degustar uma obra prima.
Eu, particularmente, sempre gostei de música erudita, e por isso o Femusc é o paraíso da música. Já ouvi diversas orquestras sinfônicas, filarmônicas, cameratas, mas não conhecia a Banda Sinfônica. Agora conheço e achei fabulosa.
Professores, alunos, maestros, músicos todos, obrigado por essa oportunidade. Pena que não pude ficar mais, mas no ano que vem espero voltar.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

MÚSICA POR TODA A CIDADE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Jaraguá do Sul, neste início de ano, apesar do tempo ruim que causou enchentes na cidade, é a capital brasileira da música. É nela que acontece o Festival de Música de Santa Catarina – FEMUSC, espalhando o som de diversos instrumentos musicais e as vozes de corais por toda a cidade.
Os concertos estão nos teatros e em diversos lugares: no Pequeno e no Grande Teatros da SCAR – Sociedade Cultural Artística da cidade, no Shopping Breithaupt, nas igrejas da cidade, no Teatro do SESC, no Museu WEG, no Center Angeloni e outros locais. Como os próprios realizadores definiram – e com razão – o FEMUSC é um festival-escola não competitivo, que promove a troca de experiências entre professores e alunos – brasileiros e de outros dezoito países – através de classes de estudos e mais de duzentas apresentações abertas ao público. Todos os dias, de 20 de janeiro a 5 de fevereiro, há espetáculos de música na cidade. Nos programas, músicas de mestres como Chopin, Bach, Schumann, Stravinsky, Villa-Lobos, Beethoven, Dvorak, Mozart, Handel, Brahms, Haydn, Henderson, Debussy, Schubert, Vivaldi, Grieg, Rachmaninoff, Liszt, Mendelssohn e tantos outros. Uma maratona musical.
Há, nesta edição do Femusc, um predomínio de três grandes compositores clássicos: Villa-lobos, o nosso Villa-lobos, Mozart e Brahms. E isso é bom.
Não é sensacional? Ter a oportunidade de ouvir, ao vivo, experts e estudantes tocarem clássicos, a música imortal de melhor qualidade, é um privilégio. E vale frisar que não são executadas só músicas clássicas, ainda que sejam predominantes: há música popular brasileira e, ainda, canções tradicionais de vários outros países.
São apresentações de consertos de alto nível artístico, com grandes mestres e seus pupilos, gratuitos. Espero que os moradores de Jaraguá e região estejam aproveitando o privilégio que tem de apreciar a bela música. É fabuloso ter uma oportunidade dessas, de ouvir música da melhor qualidade ao vivo e a cores, pertinho da gente.
Para os praticantes e aprendizes, que vem de todo o Brasil e de diversos outros países, há uma vasta programação paralela: 3º Simpósio Catarinense de Educação Musical, 3º Femusckinho, 2ª Conferência Internacional de Harpas, Concurso Internacional de Oboé, 3º Encontro Catarinense de Corais, Seminário de Professores de Piano, etc.
Felizmente a música erudita deixou de ser um privilégio de poucos e mais pessoas estão descobrindo o prazer de conhecê-la, ainda mais com iniciativas como este festival, que leva a boa música para onde o público está, disponibiliza-a em diversos locais, gratuitamente, conquistando mais adeptos.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O DNIT E SEU PORTA-VOZ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Muito oportuna a nota "Desencontro", da coluna de Paulo Alceu, no jornal Notícias do Dia, comentando “o estado crítico e a situação de alerta” no Morro dos Cavalos, onde a erosão já chegava à beira da BR 101 e um deslizamento era iminente, caso continuassem as chuvas. “Assim mesmo o DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte - informava pelos meios de comunicação que a BR 101, naquele local, estava sob controle e sem problemas.”
O superintendente do Dnit esteve, no mesmo dia da nota, no Jornal do Almoço e, boca mole como é, repetiu as mesmas coisas: estamos monitorando, para nós, do DNIT, a encosta no Morro dos Cavalos está "estável", sem problemas e não adiantou cobrar dele uma posição de providência, porque ele empacou naquilo e só faltou dizer que estavam esperando o morro deslizar de novo, levando a rodovia.
O governo do Estado não poderia pleitear a mudança de superintendente do DNIT em Santa Catarina? Esse tal de João José dos Santos nunca diz nada com nada. Como é possível uma criatura como aquela ser superintendente de alguma coisa?
Há que haver mudanças, colocar gente que tenha perfil. Sempre que a imprensa ou a TV precisa falar com alguém do Dnit, sobre obras nas estradas, lá está o tal de seu João, dizendo nada com nada. O contribuinte merece ouvir alguém que tenha conhecimento das coisas e saiba tomar decisões, merece ter no Dnit alguém que tome providências imediatas, resolvendo os problemas que aparecem.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

CADÊ A EDUCAÇÃO QUE DEVERIA ESTAR AQUI?

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Li a matéria “Cadê a universidade que estava aqui?”, na revista Época da última semana, e o que está lá não me surpreende nem um pouco. Eu já tinha conhecimento da novela que é a construção do campus universitário da UFSC em Joinville, que se arrasta há anos, sem solução, aliás, com solução capenga: serão construídas salas de aula no terreno da Univille, “provisóriamente”, enquanto não fica pronto a sede da universidade que será construída na Curva do Arroz, ao lado da BR 101.
Só não sabia que isso era lugar comum, que das 14 universidades federais que o governo Lula se vangloriava de ter criado, apenas quatro são realmente novas, as outras já existiam, e mesmo assim muitas delas estão como a UFSC de Joinville, algumas até piores.
O senhor ex-presidente que acaba de deixar o poder prometeu muita coisa que não cumpriu. Uma das quatorze universidades que ele próprio fez questão de lançar a pedra fundamental, plantando uma árvore no terreno, virou terreno baldio e os alunos estão ocupando salas de escola municipal, até hoje.
A educação foi uma das pastas mais relegadas a segundo, terceito plano no governo Lula. Com a mudança do tempo do ensino fundamental de 8 para 9 anos, mudou também a sistemática de alfabetização, para pior, o que resultou em alunos com mais dificuldades para aprender a ler e escrever, demandando muito mais tempo para chegar lá.
O projeto que previa, até o final do mandato de Lula, que cada aluno da escola pública em todo o Brasil teria na mãos um computador para estudar, ficou só na amostra: uma escola ali, outra acolá.
Também havia um projeto que prometia que até 2005 não haveria, no Brasil, nenhuma cidade sem a sua biblioteca pública. Que não se cumpriu.
Quanto ao Enem, exame usado atualmente para ingresso nas universidades públicas, o MEC só vem atestando a sua incompetência, pois há anos que ele vem apresentando problemas cada vez maiores. E por aí afora, professores mal pagos, escolas de menos e das que existem, muitas em mau estado.
De maneira que a educação falida que a presidenta (como ela gosta de ser chamada) Dilma herdou, em petição de miséria, precisa de muita atenção, dedicação e investimento. Isto, se não continuarem com a tradição do “quanto mais burros melhor”, pois assim, por qualquer coisa votam em quem o poder indicar.

domingo, 23 de janeiro de 2011

GAROAS E TEMPESTADES

Por Luiz Carlos Amorim - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Li a crônica da última quinta-feira da minha amiga Mary Bastian e não posso deixar de registrar que li e que gostei imenso da forma como ela partiu de um poema de Quintana para falar das chuvas intensas que se abateram sobre Santa Catarina nessa terceira semana de 2011.
Que Quintana é o meu poeta favorito, seguido de Coralina e Pessoa, todo mundo sabe. Mas sou também fã de carteirinha da minha amiga Mary, cronista de mão cheia. Ela, magistralmente, sacou de um pequeno/grande poema dos mais singelos e ao mesmo tempo mais profundos do poeta passarinho e num dedilhar de teclado rápido, lá estava a crônica homônima do poema, “Canção da Garoa”. Falando de anjos molhados, chuva no telhado, soluços... e de chuvas torrenciais, do descaso do ser humano para com o meio ambiente, para com a natureza, desta mesma natureza se rebelando contra o pouco caso de nós, filhos dela, Mãe Natureza, a quem deveríamos respeitar e proteger.
E ela fecha assim a crônica: “Espero que em cima do meu telhado haja um anjo todo molhado, aí vou convidá-lo pra entrar, secar suas asas, dar um cafezinho e ouvi-lo tocar no seu flautim uma musiquinha mais alegre. Sem soluços.” Só a Mary, com toda a sua sensibilidade e lirismo para ter uma visão assim, para alegrar o anjo triste encharcado de chuva.
Para quem ainda não conhece, transcrevo “Canção da Garoa”, de Quintana, uma das obras primas dele: “Em cima do meu telhado, / Pirulin lulin lulin, / Um anjo, todo molhado, / Soluça no seu flautim. / O relógio vai bater; / As molas rangem sem fim. / O retrato na parede / Fica olhando para mim. / E chove sem saber por quê... / E tudo foi sempre assim! / Parece que vou sofrer: / Pirulin lulin lulin...”
Pena que nossa chuva, sem anjo e sem flautim, chove do jeito que está chovendo e sabe por quê. E nós também. Obrigado, Mary, por nos fazer refletir um pouco sobre o que está acontecendo, com a ajuda de nosso grande Quintana.
Os administradores de nossas cidades deveriam ler a sua crônica para se conscientizarem de que é preciso fazer o seu papel, qual seja impedir que se construa em áreas de risco, para que a natureza não tenha que lhes mostrar que não fizeram seu trabalho direito. A natureza não é culpada pelas tragédias climáticas que estão acontecendo. Nós, seres humanos, é que provocamos tudo, envenenando o ar, o meio ambiente, a água, a terra e o mar. Nós poluímos tudo. E é hora de parar, ou as forças da natureza continuarão se rebelando e a vida humana cessará de existir na face da Terra.

sábado, 22 de janeiro de 2011

O LIVRO CATARINENSE E O ESTADO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

A obra do escritor brasileiro, consagrado, chega às escolas, ao estudante, senão pelo livro, lido a partir de tarefa dada pelo professor, que ainda precisa impor e cobrar com apresentação e interpretação do conteúdo e nota, também pelo livro didático, que traz trechos de um e outro autor.

O livro do escritor local, do estado nativo, já se reveste de uma dificuldade maior, no que diz respeito a se conseguir uma brecha nas aulas de literatura ou português para abordá-lo, para apresentá-lo ao estudante. Não há, quase sempre, espaço no programa para focalizá-lo, para trazer a sua obra ou ele próprio para a sala de aula, divulgá-lo entre os leitores em formação da sua própria terra.

O livro do escritor catarinense deveria ter chegado às escolas do estado a partir de 92, quando foi regulamentada a Lei Grando, que tinha o objetivo de publicar títulos de autores catarinenses ou adquirir exemplares de livros já editados para distribuição às bibliotecas bibliotecas municipais de todo o estado. Digo “tinha” o objetivo, porque isso aconteceu apenas uma vez, depois de mais de dez anos que a lei existe, no ano de 2009, na gestão da presidente da FCC Anita Pires.
Com a dificuldade sempre crescente encontrada para se publicar um livro – para não dizer impossibilidade – o cumprimento da Lei Grando, regularmente, viria mais do que na hora, oferecendo novas oportunidades aos escritores de colocarem suas obras nas mãos dos leitores.

O presidente da Comissão Catarinense do Livro, na época da publicação da lei, comentou que “a partir dessa lei, o governo estadual tem a obrigação de editar e de comprar livros de escritores catarinenses e distribuir às bibliotecas municipais e escolares”. Todos os anos.

Obrigação que só foi cumprida em 2009, e só no que diz respeito à compra de exemplares de dez obras para distribuição às bibliotecas.

A lei determina, ainda, que o estado edite 1.500 (mil e quinhentos) exemplares de cada obra de autor catarinense selecionada com o superávit da Imprensa Oficial catarinense. O autor participa com 20% (vinte por cento) do valor da obra. Quer dizer, o autor participaria, não sairia totalmente de graça para ele.

Para a aquisição, seriam comprados 300 (trezentos) exemplares de cada título já editado para distribuição às bibliotecas, dez obras de cada vez, que seriam selecionadas pela Comissão Catarinense de Cultura.

Infelizmente, a lei não está sendo levada a sério. Na época foi dito que, com a lei, dependia dos escritores fazer chegar originais e livros publicados à Fundação Catarinense de Cultura para serem avaliados. Conversa jogada fora. Os livros e originais só podem ser enviados se houver um edital, como aconteceu em 2009.

Será que o novo governo resgatará o edital da Lei Grando, dará ouvidos às reivindicações, aos pedidos de cumprimento de um direito que foi legalmente reconhecido aos escritores da terra? O novo governador, na sua propaganda eleitoral, comprometeu-se com o desenvolvimento cultural do nosso estado. Esperemos que esse, pelo menos, cumpra o que prometeu.