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terça-feira, 14 de agosto de 2012

LETRAMENTO

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Leio a pesquisa dos alunos do Curso de Letras da Faculdade de Jaraguá do Sul, sobre a análise de desempenho em práticas sociais de leitura e escrita, por alunos em fase de conclusão do Ensino Médio do Centro de Educação de Jovens e Adultos e percebo a importância de se avaliar e mensurar a eficiência da educação que estamos oferecendo aos nossos estudantes, desde a idade mais tenra até a preparação para o Vestibular.A pesquisa é um estudo sério e consciente, com perguntas simples dirigidas aos estudantes, para que se possa determinar o nível de "letramento" do jovem e do adulto de uma cidade que poderia, por amostragem, espelhar uma tendência brasileira. Vale esclarecer "nível de letramento", conforme mencionado na pesquisa: se o estudante está apenas alfabetizado ou se ele sabe utilizar a leitura na vida prática, decodificando e interpretando de maneira correta o que lê, sabendo comunicar-se efetivamente.Apesar dos conteúdos programáticos das escolas privilegiarem um equilíbrio pelo menos teórico do ensino da língua com a prática da escrita e da leitura, a pesquisa mostra que os estudantes, um índice significativo deles, já no nível médio, ainda têm dificuldades com interpretação de textos e, paralelamente, com o registro de idéias.Parte dos alunos entrevistados da mostra aleatória declararam ler livros, revistas e jornais, mas as respostas se conflitaram, pairando dúvidas sobre se realmente liam o que foi afirmado. Cai em evidência, mais uma vez, aquilo que suspeitamos cada vez que falamos de leitura: a escola, de um ponto de vista global, não está incentivando a formação de leitores. Falamos já em outras oportunidades, da prática contraproducente de obrigar os alunos a lerem determinados livros, por parte de professores de língua e literatura, o que causa prevenção ao invés de propiciar a criação do hábito e gosto pela leitura.E a pesquisa nos mostra que não é só isso. Os estudantes não sabem ler documentos simples, presentes no cotidiano de pessoas comuns, como formulários, mensagens, avisos, etc.Outro fato importante levantado pela pesquisa, que corrobora o que se constatou a respeito da falta de habilidade de leitura dos alunos, incompatível com suas idades, é que a escola privilegia o ensino da escrita, relegando a leitura a segundo plano.A escola precisa ensinar o aluno a ler e precisa incentivá-lo se “tornar-se um leitor competente e autônomo dos vários gêneros de discurso, do cotidiano ou não, que fazem parte da cultura letrada contemporânea”. Assim, os leitores em formação, incentivados desde o início do primeiro grau, tornar-se-ão leitores efetivos. A escola precisa trabalhar o letramento do estudante com mais dedicação, para que tenhamos mais leitores eficientes e efetivos e que dominem uma escrita mais clara, objetiva e correta. E quando digo “escola”, quero dizer que os mantenedores da escola precisam pagar melhor os professores, para que eles sejam melhor qualificados e tenham motivação para fazer um bom trabalho.

Um comentário:

  1. Quem está na sala de aula e conhece esse programa do governo (ler e escrever), entende exatamente o motivo de toda essa dificuldade e falta de interesse pela leitura. As crianças que reconhecem as letras bastão (de fôrma) devem ser consideradas "alfabéticas", porém, elas prosseguem sem saber as letras impressas (que estão nos livros) ou as letras cursivas (de mão). É claro que isso não as incentiva a ler livros pois, tendo dificuldades, elas desistem e preferem outras atividades que possam dominar como, video games, computadores, celulares, e tudo que não exija muito esforço. Nós professores estamos há vários anos engessados em um programa que não funciona sem poder ensinar verbo, concordância verbal, pronomes, artigos, e tudo o que aprendíamos em outros tempos e que agora são consideradas práticas ultrapassadas. Só que funcionava!

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