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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O MEC E A MUDANÇA NO ENSINO MÉDIO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com


O MEC – Ministério da Educação – está querendo, e não é de hoje, “fundir” as atuais treze disciplinas do ensino médio em apenas quatro “áreas”: ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática. Só que não definem, não esclarecem quais as matérias entram em cada uma das “áreas”. Será que na miscelânea não vai sobrar nada? Justificam a mudança com a desculpa de que as matérias que compõe o currículo atualmente estão muito “fragmentadas”. Penso que se dessem mais atenção à educação nacional, se investissem mais, o ensino estaria muito melhor.


A verdade é que o projeto de mudança voltou à baila depois que saiu o resultado do IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2011, nada bons, evidenciando a baixo nível da nossa educação pública. A mudança até poderia ser promissora, se tivéssemos um Ministério da Educação que funcionasse, que priorizasse o ensino no país. Mas ninguém acredita que a implantação do projeto seja pelo menos razoável, pois a educação brasileira está em franca decadência, para não dizer falência. Os professores não são bem pagos, nem sempre são qualificados, não são em número suficiente para atender o grande número de estudantes da escola pública, os espaços físicos nem sempre tem manutenção – existem escolas caindo aos pedaços, sendo até desativadas – e também falta equipamentos. Além disso, o tal projeto, segundo disse representante do MEC, necessitaria de período integral para ser eficaz. Se o país não dá conta de ensinar suas crianças em meio período, como vai conseguir em período integral? Seria muito bom, com certeza. Mas o “poder público” vai investir nisso? Até agora vem investindo cada vez menos.

Então a impressão que dá é que o ministro Mercandante – estamos bem, sai Haddad e entra Mercadante – quer “diminuir a dificuldade” de aprendizado dos estudantes do ensino médio e mascarar a falta de qualificação de alguns professores mal pagos e mal selecionados, para que seja feita uma boa prova do ENEM e, assim, os resultados passem a ser bons, e o governo possa gastar mais dinheiro em propaganda dizendo ao povo que a educação brasileira é modelo, que tudo vai bem e assim por diante.

O que precisamos é a valorização dos professores, mais qualificação, mais reconhecimento, mais respeito pela educação pelos donos do poder. Precisamos de mais escolas e mais professores, quando o que ocorre é o contrário: escolas sem condições de uso são parcialmente ou totalmente desativadas, obrigando as outras a diminuírem as horas de aula das turmas, pois não há outra alternativa senão aumentar os turnos, tendo que receber mais alunos.

Corremos o risco de, havendo mais essa mudança, termos um segundo grau reduzido a cursinho para fazer a prova do Enem. Precisamos nos mobilizar para que isso não aconteça.



5 comentários:

  1. Meu caro escritor, Luiz Carlos, seu texto é esplêndido! Nunca vi tantas verdades em poucas palavras. Gostei tanto e imagino que meus leitores também vão gostar muito. Por tem tema compatível, foi que copiei para meu blog. Por favor legitime nossa alegria.

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  2. Que bom que multiplicou, agradeço pelo espaço. Há verdades que precisam ser ditas, pois não podemos aceitar tudo passivamente.
    Grande abraço do Amorim

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  3. O Sr. escreve muito "bem".
    Suas repetidas "aspas" indicam ironia ou dúvida?

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  4. As aspas indicam ironia, Cláudio, quase sempre. E as suas?
    Abraço do Amorim

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  5. Meu caro escritor, o Brasil carece de tudo, principalmente de caráter nos políticos que comandam ou dão as diretrizes do país. É inimaginável que se tenha da direção do MEC um político carreirista, como Aloísio Mercadante, que vive do cabide de emprego político há muito tempo e que nada entende de projetos de educação. A nossa educação é tratada, infelizmente, por viés político. O hoje senador Cristovam Buarque, um conhecedor da área, foi sumariamente defenestrado do MEC pelo “semianalfabeto” Lula da Silva, de forma deselegante, quando, no meu entender, esse educador é que deveria ainda estar regendo a educação brasileira.
    Não se vê, de forma substantiva, nenhuma ação positiva governamental para melhorar a qualidade do ensino básico da escola pública brasileira. Mas, politicamente, ao governo interessa a propaganda de Universidade para Todos e Políticas de Cotas, em que a competência não é consagrada, mas sim a política assistencialista de ingresso no ensino superior, lamentavelmente.
    Quando o Congresso se manifestou favorável ao investimento em educação na ordem de 10% do PIB, o governo, representado pelo ministro Guido Mantega, esperneou dizendo que isso iria quebrar o país: um escárnio com a seriedade da educação brasileira. É verdade que o montante desse investimento necessitaria de uma fiscalização na aplicação dos recursos, bem como de uma restauração da logística da educação brasileira. Assim como há muitos professores trabalhadores e mal remunerados, há outros que não levam o seu mister com seriedade, e ainda existem aqueles professores da rede pública que não estão em sala de aula, mas exercendo funções burocráticas em secretarias de educação ou em cedidos a outros órgãos.
    JCopniao.blogspot.com

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