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sexta-feira, 13 de julho de 2012

A PRESIDENTE E A "EDUCAÇÃO DE QUALIDADE"

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


A televisão mostrou incansavelmente o “discurso” da nossa presidente (sim, presidente, nenhuma lei fortuita vai me obrigar a escrever errado) sobre a educação no Brasil. Entre outras tantas coisas, ela disse, na 9ª Conferência Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente, que “uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz pelas suas crianças e seus adolescentes. O país precisa garantir ensino de qualidade para, ensino de padrão de primeiro mundo. Não é o produto interno bruto que importa, é a capacidade do país, do governo, de proteger o presente e o futuro de nossas crianças e adolescentes.”

Ela não devia estar falando do Brasil, evidentemente, pois nossas escolas públicas estão defasadas, abandonadas, muitas delas caindo aos pedaços, sem os equipamentos necessários, com os professores ganhando menos do que deveriam para formar os nossos adultos de amanhã, que regerão os destinos do país. A educação brasileira está jogada para as traças, cada vez mais sucateada. A julgar pelo que a presidente disse, o que se pode dizer do Brasil, pelo que ele faz pelas suas crianças? Gostaria que a presidente respondesse.

Uma coisa boa que ela disse, no tal discurso, foi prometer que vai “aumentar o numero de escolas em tempo integral no país”, vai dobrar o número de colégios de ensino fundamental e também do ensino médio, desse tipo, que hoje é de 33.000 estabelecimentos. “Nenhum país desenvolvido tem escolas de período único.” Eu, particularmente, não conheço nenhum colégio de ensino integral. Será que podemos acreditar numa promessa dessa num ano eleitoral? Aliás, não precisava nem ser ano eleitoral, a dúvida existiria.

Seria muito bom se fosse verdade. Quero que ela me mostre que a minha descrença não tinha fundamento e implante todas as escolas que prometeu, que as faça funcionar, com professores qualificados, bem pagos, e que as escolas sejam bem equipadas. Mas e as escolas públicas que estão aí, sem reformas há dezenas de anos, sendo desativadas, obrigando as que sobram a aumentar os turnos, diminuindo assim a carga horária dos estudantes? Ou então colocando em risco a vida de alunos e professores em salas com o teto quase caindo, com instalação elétrica oferecendo perigo de serem eletrocutados, com a instalação hidráulica não funcionando, etc., etc.? Se as “novas escolas” apenas substituirão as que aí estão, não haverá aumento de escolas.

A presidente falou em disputar “economia do conhecimento”, disse que o Brasil só vai ser um país desenvolvido quando todas as crianças e jovens tiverem acesso à educação de qualidade” Ótimo, todos achamos isso. E onde está a educação de qualidade? Por que o Brasil não providencia ensino de qualidade para suas crianças e jovens? Por que não recupera a educação, não investe mais nela para que ela volte a ter qualidade?

E senhora presidente, não tenha orgulho do governo do seu antecessor, pois foi no governo dele que a educação, a saúde, a segurança pegaram o atalho para a falência. Procure, isto sim, não fazer o mesmo que ele fez, agravando ainda mais o que já está terrível.

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