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domingo, 29 de julho de 2012

UMA VIDA EM SILÊNCIO



Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Às vezes, me sinto um tanto quanto frustrado, pois minha cadelinha pinscher, Pituxa, a nossa Xuxu, não ouve, enxerga muito pouco, quase não sente cheiro. Ela já tem quase 18 anos, embora continue sendo a nossa bebê.


Vivo conversando com ela, falo pelos cotovelos, mas sei que ela não ouve o som da minha voz. E daí, diriam vocês, ela não entenderia mesmo... Mas ela entendia algumas coisas, sim. E o tom da nossa voz pode dizer muito a um cão. A verdade é que é ela quem conversa comigo e com minha esposa e parece brincadeira, mas consegue se fazer entender. Quando ela vem atrás da gente e late, como quem diz “ô, vocês, escutem aqui”, é melhor ir dar uma olhada no pote de água, porque ele deve estar vazio. Se ela fica rondando a gente, correndo à nossa volta, como quem diz “prestem atenção, eu quero falar”, ou ela está dizendo que quer comer, que está com fome, ou a porta do banheiro e da cozinha estão fechados e ela quer fazer xixi ou cocô. Se ela está atrás da gente e dá uns latidos estridentes, deve estar frio e ela quer que alguém vá sentar na sala ou deitar para ela encostar na gente, ficar quentinha e dormir. De manhã, quando tem sol e ela começa a dar pulos a nossa volta, esquecemos de colocar a sua almofada lá fora, ou ela quer que abramos o portão que dá acesso ao jardim, que ela adora ir lá na frente da casa latir para quem passa e se esquentar um pouco. E por aí afora.

Quando estou aqui em cima, no escritório e não tem ninguém lá embaixo para lhe fazer companhia, ela vem ficar em pé aqui na minha cadeira para eu pegá-la no colo e ela fica aqui comigo até que eu desça. Ou então, se um de nós não está em casa, ela fica lá na frente do portão, esperando, mesmo que esteja muito frio.

Então fico triste, pois falo muito com ela, mas ela não pode ouvir. Para ela saber que nós a queremos bem, que estamos aqui para ficar com ela assim como ela esteve conosco todos esses anos, a única maneira é fazer-lhe carinho, passar a mão no pelo preto com manchas amarelas no peito, em cima dos olhos, nas patinhas, e com alguns pelos brancos aparecendo, por causa da idade. Agasalhá-la para não sentir frio, dar-lhe remédio quando precisa, deixá-la aconchegar-se a nós, nossa companheira fiel de tanto tempo.

Seus dentes também estão ruins, os que ela ainda tem. É que agora já não é mais possível administrar-lhe anestesia, para extrair o tártaro e isso lhe causa infecções, faz mal ao estômago, fígado, rins, etc., conforme o veterinário. E é muito triste não poder fazer nada quanto a isto. É terrível sentir-nos impotentes para melhorar um pouco mais a qualidade de vida de uma criaturinha tão querida.

Nossa Xuxu está bem velhinha, já é anciã, mas vai continuar sendo a bebê da nossa casa.

6 comentários:

  1. Uma crônica muito carinhosa, e com certeza a cachorrinha compreende tudo, mesmo que não escute perfeitamente as conversas com ela, ela percebe a energia boa e amiga, aconchegante que a envolve !

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  2. Publicada também em:

    http://cantinholiterariososriosdobrasil.wordpress.com/2012/07/30/uma-vida-em-silencio-luiz-carlos-amorim/

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  3. Obrigado, Clarice. Nossa menina entende, sim, apesar de tudo. Abraço pra você.

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  4. Muito lindo este amor que vc dedica a ela,eles fazem parte da família. Eu tinha uma cachorrinha, mas ela faleceu. Chamava-se Layka. Fiquei muito triste e não quis mais ter nenhum bicho de estimação.Sua crônica está divina tudo de bom !!
    Silmara

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  5. O amor dos animais é puro e só pede retribuição. Ontem revi Marley & Eu e reforcei isso...
    Sonia Pillon

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  6. Que gracinha, parece a minha Juju ( Juliette), só que a minha é toda preta com uma manchinha branca no peito.
    Solange Gerloff

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