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domingo, 1 de julho de 2012

MULHERES DE CORUPÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Neste final de semana estive de visita a Jaraguá do Sul, Joinville e Corupá. Revi a família, revi amigos, revi lugares. É bom aquecer o coração com a presença de pessoas queridas, mesmo com o calor de mais de trinta graus deste veranico de maio que veio em junho e segue pelo mês de julho.
Conversando com um irmão aqui, outro ali, acabamos lembrando de nossa vó Paula, a vó grande, a matriarca da família que teve que deixar Corupá e ir para Curitiba, nos anos sessenta, por recomendação médica. Ah, saudade daquela mulher forte, guerreira, que criou dezesseis filhos e ainda adotou mais uma filha, saudade daquele sorriso manso, bonachão, do abraço aconchegante. Curitiba, cá pra nós, perdeu a graça, depois que ela se foi.
E me lembrando da Vó Grande, me lembro também da vó “pequeninha”, a vó Estefânia, que ao contrário da outra, era baixinha baixinha, embora fosse grande em sabedoria e fé. Convivi mais com a vó Estefânia, pois ela viveu em Corupá até o fim de seus dias, nos anos setenta. Ela morava numa casa humilde, de madeira, que ficava além dos fundos do cemitério municipal, que ainda hoje é o mesmo. Era um discípula da Assembleia de Deus e todos na cidade a conheciam, pois ia à igreja todos os dias nos quais havia culto e caminhava da sua casa até o centro da cidade, onde ficava a igreja, cantando. Saia de sua casa, passava pelo cemitério, caminhava uns três quilômetros, mais ou menos, na ida, mais o mesmo tanto na volta, sempre cantando.
Adorava ir à casa dela para sentar-me na cozinha ou na sala de jantar para ouvi-la contar “causos”. Era exímia contadora de histórias, a maioria delas verdadeiras. Aprendi a gostar de peixe defumado com ela. Meu avô era ferroviário e trazia peixe quando viajava ou quando ia pescar nos rios de Corupá, e ela os defumava em cima do fogão à lenha. Depois a gente ia lá para comer com ela peixe com pirão de água. Era uma delícia e é até hoje.
Vó pequeninha fazia, também um curau ou pamonha, de travessa, não sei o nome correto, que era um manjar dos deuses. Parecia um pudim de milho verde. Depois que ela se foi, nunca mais comi nada igual.
Ela me ensinou canções que me ensinaram a ter fé e que eu sei até hoje. Vó pequeninha era uma grande mulher.
Minhas avós eram criaturas maravilhosas, das quais tenho muito orgulho e das quais sinto muita falta. Minha terra, Corupá, é assim: acalentou em seu seio mulheres valorosas como Vó Estefânia, como vó Paula, como minha mãe, que não mora mais lá mas mora pertinho, em Jaraguá, e como tantas outras que viveram ou ainda vivem lá. A minha professora do primeiro ano do "primário", dona Elizabete Voltolini e minha tia Maria que o digam.



2 comentários:

  1. "Amei ler....e ver que suas raízes ainda estão firmes em Corupá....agradeço imensamente por lembrar sempre da sua eterna Professora e minha mãe Elizabetha Voltolini......vou fazer uma copia e levar a ela..."

    Eloísa Voltolini

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  2. As avós, Amorim, são anjos disfarçados, com beijos de açucar.
    Mary Bastian

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