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terça-feira, 8 de junho de 2010

GRUPO LITERÁRIO A ILHA: 30 ANOS DE TRAJETÓRIA(3ª parte)

O GRUPO A ILHA COMO AGENTE TRANSFORMADOR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

O Grupo Literário A ILHA, nos seus trinta anos de existência, mudou a maneira que o público tinha de olhar a poesia. E de olhar o poeta, também. Quando se falava de literatura, há duas ou três décadas, pensava-se em romance. Poesia era literatura de outros tempos. A ILHA mudou essa visão. Levando o Varal da Poesia a todos os lugares, fazendo recitais nos lugares onde era levado o varal, e mais, no rádio, na televisão, até em bares, conseguindo espaços em jornais, grandes ou não, para falar de literatura, publicar poemas e divulgar a cultura, conseguiu-se aproximar a poesia do grande público. Colunas literárias e culturais assinadas por este articulista em jornais como Diário Catarinense(DC Norte), A Notícia, Jornal de Santa Catarina, e em vários outros pelo estado e pelo país, fizeram com que a poesia e a literatura chegasse até o leitor. A Internet, nos anos 90, diminuiu distâncias, levou o nosso trabalho direto para dentro da casa do leitor, em qualquer parte do mundo.
Um fato importante, um trabalho relevante, que marcou o grupo, foi o de tirar a poesia do seu suporte tradicional, o livro, para levá-la à rua, literalmente, nos anos oitenta, o que fez com que as pessoas esbarrassem com o poema. E dar de cara com a poesia na rua, na praça, na loja, no banco, nas festas populares, na escola, no bar, fez com que as pessoas a conhecessem, pois muitos, até então, só tinham ouvido falar dela. Os poetas da praça levaram a poesia a todos esses lugares e o Recital de Poemas também.
Quem nunca tinha tido qualquer aproximação com a poesia, quem nem sequer tinha ouvido falar dela, de repente, ouvindo um poeta recitá-la, ao passar pela praça, ou tendo a sua atenção despertada pelos cartazes com letras grandes, cores e ilustrações, pendurados ao vento, estampando poesia, descobria que gostava dela. Ou não. Mas cada um que gostava era um novo leitor que nascia, que não ia ler só os novos poetas da praça, mas também os grandes autores, os mestres da poesia. O que significa que os livros de poesia passaram a vender mais, então. Tanto na praça, como na livraria. Não só os livros de poetas locais, como dos grandes nomes da poesia, como Quintana, Coralina, Pessoa, etc.
As coisas mudaram efetivamente nas livrarias, pois quando se queria comprar um livro de um grande poeta brasileiro ou português, nos anos oitenta ou antes deles, era preciso encomendá-lo. Com o advento do Varal da Poesia e do Recital de Poemas, levados a diversos lugares, até ao rádio e à televisão, a poesia tornou-se bem mais conhecida e apreciada por um número maior de leitores, sendo possível encontrar livros do gênero nas livrarias. A venda de livros, pelo menos nas regiões de penetração do Grupo Literário A ILHA, já não se resumia a romances, a alguns clássicos da literatura e aos didáticos.
E, como já dissemos, com tudo isso mudou também a maneira de se olhar para os poetas. Não raro, eles tinham receio de dizer que eram poetas. Hoje, depois que A ILHA levou a poesia para a rua, tanto a poesia escrita em cartazes, folhetos, livros como a declamada nos recitais, os poetas são vistos como escritores, como artistas da palavra que são.

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