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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O MILAGRE DO JACATIRÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Estamos no final do ano, quando o jacatirão nativo floresce no norte do nosso Estado Catarina, machando com ilhas vermelhas o verde das matas. Mas é só no norte, em Joinville, São Bento, Corupá, Jaraguá do Sul, Barra Velha, São Francisco e algumas outras cidades da região. A florescência do jacatirão começa no início de novembro, às vezes no final de outubro e vai até fevereiro. É arauto colorido da natureza, anunciando o verão, enfeitando o Natal e os anos novos. Em janeiro, ele começa a florescer no Paraná, em São Paulo e outros estados. E a festa das cores vai subindo, espetáculo impar da Mãe Natureza.

Pois na nossa região, de Itajaí para baixo, não temos o jacatirão nativo. Aqui só temos o manacá-da-serra, uma versão híbrida do jacatirão, para jardins, que floresce no inverno, em julho, e mais para o interior e para o sul do estado temos a quaresmeira, outro tipo de jacatirão que floresce na época da Páscoa. É a mesma flor, só que de tamanho menor e cor mais acentuada.

Então, eis que em pleno dezembro, vejo por aqui manacás-da-serra cheios de flores, como se tivéssemos jacatirões nativos. E fico maravilhado com esses milagres da natureza, enchendo meus olhos com as flores de uma árvore que floresce em julho e que este ano no dá uma segunda florada, em pleno verão, como se quisesse enfeitar a vinda do Menino Cristo como se fora o jacatirão do qual se origina.

É um privilégio ter flores de jacatirão nesta época do ano, ter uma segunda florada do manacá-da-serra, essa variedade de inverno que emerge espetacularmente fora da sua época brindando-nos com essa beleza de cores que não tínhamos até então.

Obrigado, Mãe Natureza. Obrigado por enfeitar com a flor do manacá-da-serra, a flor do jacatirão, o nosso Natal e o nosso Ano Novo, tornando-os mais felizes. Obrigado por nos lembrar do nascimento do Menino que significa paz, harmonia e renovação.



E por falar em jacatirão, vou reproduzir aqui a crônica de Donald Malschitski, também sobre jacatirão:

JACATIRÕES, OS PRECURSORES

Esta crônica é dedicada a Luiz Carlos Amorim

Na semana passada escrevi que Nísia Andrade da Silva definiu os cronistas como “espiões da vida”. Pensando bem, levo isso muito a sério, mesmo que seja somente para mim. Quando dá para compartilhar com os leitores, melhor, mas mesmo não sendo possível fazê-lo, não me afasto da missão de espionar e constatar a maravilha da diversidade em cada instante vivido, cada espaço olhado, cada pegada pisada. Nada, absolutamente nada se repete, há nuances ou diferenças brutais entre um metro quadrado e outro, um nascer do sol ou seu ocaso e outro e qualquer espaço ou suspiro no meio deles. Nos recentes dias do calorão, subi a Serra Dona Francisca em diferentes dias, coincidentemente na mesma hora e, todas as vezes, a combinação do ângulo da luz e do céu exageradamente azul me davam um “bem-vindo” inesquecível. Um “bem-vindo” que variava do branco ofuscante ao lilás pomposo, perfazendo o caminho com todas variações possíveis. Eram os jacatirões emoldurando a estrada com a ousadia da juventude e a dignidade da maturidade reunidas nas mesmas árvores.

Clima alguns graus mais ameno e o convite irresistível: o compromisso pode esperar um pouco, o espetáculo, não, e o pé ficava mais gentil com o acelerador. Mais beleza: neste ano as bromélias também resolveram mostrar suas fantasias com ousadia.

O jacatirão, além de sua beleza, tem uma missão edificante: é uma espécie de João Batista da natureza: vive, no máximo, 20 anos e faz parte da vegetação do estágio médio de regeneração da floresta, preparando o ambiente para as árvores de crescimento lento e vida muito longa. Quando tudo está pronto, ele morre e essas tomam seu lugar. Uma chegada precedida por flores. Ah, se todas as chegadas fossem assim.

Agora veio a chuva e veio o vento (em Joinville um tornardo andou aprontando um pouco além da conta) e muitas flores o seguiram, imitando borboletas desenfreadas, mas outras já se mostram, de outra forma, em diferentes buquês, afinal, sua missão não depende do reconhecimento, mas da vida. E ainda dão as boas vindas a quem sobe a Serra. Ou será que só indicam o caminho aos viajantes e perguntam: “Pressa pra quê?”

3 comentários:

  1. Realmente é um espetáculo belo da natureza. Aqui na minha região sul do estado de S.Paulo. Quando florece essa arvore, nos traz uma paz de espirito incalculável. Confesso que meus olhos marejam, mas de alegria, de ver tão linda paisagem com o florecer do jacatirão. Que jamais seja tocada pela mão do homem, a não ser para apreciar suas belas flores.

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  2. Fico maravilhada com o espetáculo das flores do jacatirão, esse espetáculo da natureza, só nos prova que " DEUS " existe, são suas obras perfeitas. A natureza, os animais, tudo obras perfeitas de " DEUS ". Infelizmente o homem com a sua ganância e ignorância, está destruindo essas maravilhas...

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  3. Fico maravilhada com o espetáculo das flores do jacatirão, esse espetáculo da natureza, só nos prova que " DEUS " existe, são suas obras perfeitas. A natureza, os animais, tudo obras perfeitas de " DEUS ". Infelizmente o homem com a sua ganância e ignorância, está destruindo essas maravilhas...

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