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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

UMA POESIA ELOQUENTE

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/


Em novembro, compareci a um lançamento coletivo na Livros e Livros, aqui em Florianópolis. Vários livros estavam sendo lançados, de autores do norte do Estado: Jaraguá, Joinville, Corupá, etc. Os livros não estavam sendo vendidos, eram gratuitos, de maneira que trouxe meia dúzia deles para casa, com gratas surpresas, pois alguns autores eu não conhecia.

Um dos bons livros lançados foi “Uma palavra muda”, de Adriana Niétzkar e Vanucci Bernard Deucher, os dois de Jaraguá do Sul. Um livro escrito a quatro mãos, mas a quatro mãos mesmo: todos os poemas foram feitos pelos dois, não há identificação de um poema assinado por um e outro poema por outro. A começar daí, já é original, pois não é muito comum encontrar um livro inteiro de poemas feito todo em parceria.

O título também é original: uma palavra pode mudar ou simplesmente não precisa ser pronunciada, não precisa de som? A verdade é que as figuras usadas pelos poetas são belas, bem trabalhadas, e o jogo de palavras, como no título, tornam tudo mais interessante. Sem deixar de lado o lirismo, a sensibilidade, a emoção.

São percepções, constatações, um ver a vida diferente do que normalmente vemos. Olhar a vida, o mundo e ver com olhos de poeta, com razão e lucidez, às vezes nem tanta, o que torna tudo mais vibrante.

Como em “Senti / as gotas / da chuva / seus tons e gostos. / Permite-me perceber / as multiplicidades, / porque a uniformidade é estupidez.” Ou então, pérola no meio do poema: “Talvez sua arte cale almas”. Ou então: “Amarram brilhos / engolem saltos / para acumular sentenças”. E “quem sabe a ânsia de falar seja apenas a necessidade de sentir...” Ou, ainda, “Os ruídos de fora arranham minha alma / Quero estar com a solidão / Longe do mundo / Perto de mim”.

Mas nem sempre a poesia dos dois poetas é comportada assim, embora prenhe de conteúdo. Eles inventam palavras, combinam palavras, misturam palavras... E a poesia se faz.

A poesia de Adriana e Vanucci é eclética e dinâmica, pode mudar conforme a alma e o coração deles, mas não é, absolutamente, muda: ela grita sentimentos, verdades, sensações.

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