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quarta-feira, 30 de junho de 2010

ENSAIOS ESCOTEIROS

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

O Dr. Enéas Athanázio, escritor dos Campos Gerais de Santa Catarina e radicado em Balneário Camboriú, é um dos estudiosos de literatura mais profícuos e respeitados e um contista de mão cheia.
Seu mais recente livro, “Ensaios Escoteiros”, saiu este ano e é um grande livro, não porque tem cento e setenta e duas páginas, mas porque estas tantas páginas estão repletas de conteúdo extraordinário, de ensaios e crônicas que nos dão prazer de ler e nos ensinam sobre literatura, sobre geografia, sobre história, sobre cidadania e o orgulho de ser catarinense e brasileiro.
O livro “Ensaios Escoteiros” é um livro alentado, como já mencionamos, dividido em vários capítulos, pela diversidade de assuntos e pela organização do autor em tudo que faz.
Na primeira parte, “Estrangeiros”, reúne ensaio sobre livro biográfico de Sartre e Simone de Beauvoir e outro sobre Blaise Cendrars, escritor franco-suiço que foi grande admirador do Brasil, esteve aqui e escreveu vasta obra sobre nosso país.
No capítulo “Variados”, o autor reuniu ensaios sobre grandes livros, sobre o golpe militar de 64 e os anos de chumbo em “40 Anos” e sobre “A paixão pelos livros”, onde enxerga essa entidade mágica que é o livro sob todos os ângulos.
Em “Literatura Amazônica”, o terceiro capítulo, um alentado ensaio intitulado “Capítulos de um romance amazônico”, sobre o livro “Contos Amazônicos”, de Inglês de Souza e sobre a literatura do Amazonas.
“Nordestinos” é o quarto capitulo, e contempla obras e escritores do nordeste, como em “Um homem chamado Brasil”, sobre “Câmara Cascudo – Um homem chamado Brasil”, de Gildson Oliviera, também sobre “O Internacionalista Gilberto Amado”, sobre “Cangaço, Canudos e Contestado”, sobre “Sergipanos no país Grapiúna” e sobre a “Saga de Zumbi”.
A quinta parte chama-se “Mineiros” e aborda “A vida e a literatura de Guimarães Rosa”, “O amigo escrito de Monteiro Lobato” e um “Passeio pela Revista da AML”.
Há um capítulo específico sobre Calmon, cidade do norte de Santa Catarina onde aconteceu a Guerra do Contestado, “Calmon, o homem e a cidade”, com os ensaios: “Calmon, sua História e suas lutas”, “Uma figura ligada à nossa História”, a respeito de Miguel Calmon, que deu nome à cidade, “A ação de Farquhar em Santa Catarina”, sobre a biografia do empresário Percival Farquhar, que contribuiu para fomentar a Guerra do Contestado e “A imortalidade pelas obras”, também sobre Calmon.
O capítulo seguinte é sobre Crispim Mira, escritor e jornalista joinvillense, assassinado na capital aos 47 anos, personagem sobre o qual o autor muito tem nos dado saber.
Como não poderia deixar de ser, Guido Wilmar Sassi é um dos capítulos de “Ensaios Escoteiros”, outra figura importante da literatura catarinense e também, como o autor, com origem nos Campos Gerais.O ensaio “Tamanho não é documento” é sobre a fama póstuma do grande escritor e “Geração do Deserto”, o romance histórico sobre a Guerra dos Contestado que virou um clássico da literatura de nosso estado.
O penúltimo capitulo é dedicado aos “Catarinenses”, falando sobre os “Mestres da Crítica Catarinense”, sobre como Lages hospedou Paulo Setúbal: “Apenas um pouco fraco do pulmão”, sobre as “Lideranças do Contestado” e sobre a “Aniversariante Ilustre”, ou seja, a Faculdade de Direito de Santa Catarina.
“Romancistas”, o último capitulo, contempla a obra de dois novos romancistas de fôlego que surgiram nos últimos tempos no nosso Estado: Apolônia Gastaldi – “Barra do Cocho – a saga de uma Família” e Harry Wiese – “A Sétima Caverna”. Romances que eu também li e que vieram oxigenar a nova literatura catarinense.
Tudo isso é o novo livro de Enéas Athanázio. E olhe que eu fui muito superficial, para não diminuir o prazer daqueles ainda lerão “Ensaios Escoteiros”.

terça-feira, 29 de junho de 2010

LITERATURA E VAMPIROS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

Está estreando, hoje, “Eclipse”, o terceiro livro da saga “Crepúsculo” que foi transformado em filme. A série vampiresca que foi magistralmente travestida de história de amor, pela escritora Stephenie Meyer, vem fazendo estrondoso sucesso tanto em livro como nas telas.
Mas isso se explica, pois já foi constatado que os escritores que abusaram da fantasia, da criatividade e da imaginação, aliados ao talento para contar histórias fantástico-maravilhosas, tem-se dado muito bem. Outro bom exemplo é “Harry Potter”, “O Senhor dos Anéis” e tantos outros que emergiram para o sucesso.
Ah, mas esses romances para adolescentes não têm, necessariamente, grande valor literário, isto é, pendem mais para a literatura comercial. Pode ser, mas o fato é que essas obras tem arrebatado milhares, milhões de leitores pelo mundo. E se essa literatura que explora a fantasia está atraindo leitores, está incentivando a leitura de jovens e adolescentes e até de adultos, não pode ser desconsiderada como instrumento valioso na criação do gosto pela leitura.
É essa literatura, mais do que os clássicos – e não estou aqui dizendo que eles não devem ser lidos, pelo contrário – que estão tornando a leitura mais popular, mais freqüente e mais apreciada, arrebanhando legiões de novos consumidores de livros. E essas criações fantasiosas e imaginativas, que incentivam o hábito da leitura junto aos leitores em formação e incrementa o gosto pela leitura naqueles já iniciados, é e será sempre bem-vinda, pois precisamos de fenômenos como esse que traz as pessoas para mais perto dos livros.
A saga até alavancou a venda de outro livro, um clássico da literatura universal, “O Morro dos Ventos Uivantes”.
Então, vamos ler, minha gente.

domingo, 27 de junho de 2010

POEMAS ATRIBUÍDOS A QUINTANA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Há quem pense que o poema "Um Dia", que a dupla de cantores
Bruno e Marrone declamam no início dos seus shows, é de Mario
Quintana, mas não é. O próprio show se chama "Um dia" e
vários jornais e sites divulgaram que foi inspirado num poema de
Quintana, mas esse poema não está em livro nenhum dele, só
circulando pela internet. Se alguém puder mostrar em que livro está,
provando que é do poeta Quintana, por favor contate conosco.
Existem outros poemas que não parecem ser de Quintana, mas
circulam pela net, como sendo dele, tal como "Deficiências", "Felicidade Realista" e outros.
Eu, por exemplo, já escrevi algumas crônicas baseadas em trechos de poemas de Quintana, e um deles é este: “O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim, para que elas venham até você...”
Não parece ser de Quintana? Pois esses mesmos versos, atribuídos a Quintana, serviram de inspiração para a escritora Urda Alice Klueger, ao escrever “As Borboletas de Mário Quintana”. E depois eu escrevi “Quintana, as Borboletas e nós”.
Este poema, que circula na internet há bastante tempo, também foi denunciado, por estudiosos do poeta passarinho, como não sendo de Quintana.
Eu não tenho todos os livros de Quintana, infelizmente, por isso ainda não posso checar. Mas é uma pena, se realmente isso for verdade, que pessoas de talento – porque alguns versos atribuídos ao poeta realmente se assemelham à obra dele – se escondam sob o nome de um grande nome da literatura brasileira para conseguir popularizar sua lavra.
Não vejo vantagem nenhuma, pois mais cedo ou mais tarde a mentira é descoberta e o nome do verdadeiro autor dos versos acaba não aparecendo, o que significa que nunca levará o mérito pela sua criação.
Já li outros poemas que, apesar de estarem assinados por Quintana não são dele, e alguns nem fazem jus ao talento do poeta.
O ideal é checarmos, sempre que encontrarmos algum poema com a assinatura do poeta fora de livros dele, pois se não encontrarmos o trabalho em nenhuma das obras publicadas por ele, ou antologia dele, devemos denunciar por todas as mídias e também pela internet, um dos meios mais rápidos de comunicar algum fato. O público leitor de Quintana, imenso, não merece ser enganado.

sábado, 26 de junho de 2010

E ELE NÃO CALOU A BOCA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E a indignação do público com o mala mor da televisão – “Cala boca, Galvão” – que proliferou no Twitter, com o início da copa, virou brincadeirinha. Conseguiram desvirtuar a manifestação de telespectador contra o intragável Galvão Bueno, “narrador” dos jogos da copa. A multiplicação de postagens com o bordão foi tão grande que repercutiu lá fora, com os gringos querendo saber o que significava.
Então brasileiros engraçadinhos, lá fora e aqui no Brasil inventaram histórias, transformando, por exemplo, Galvão em um pássaro raro, o que acabou anulando o objetivo dos protestos, que era de fazer ver que o cara realmente é chato pra caramba, e além de chato é burro, fala um monte de abobrinhas.
É uma pena, pois as aparições dele poderiam diminuir, se levassem em conta o descontentamento do público. Assium, muita gente vai continuar não vendo os jogos pela Globo, onde o “narrador” está, sempre, migrando para outros canais. A emissora deve considerar que o público está gostando porque sintoniza seu canal, mas a verdade é que em muitos lugares, pelo Brasil, só há o canal deles para ver os jogos, então não é questão de escolha. Quem pode escolher, quem não depende só da TV aberta, escolhe outro canal, com certeza.
No final de contas o “narrador” acabou virando alvo da atenção da mídia, dando-lhe mais visibilidade, mas o que o bordão, já antigo, quer, é que o amigo cale a boca, mesmo, que pare de dizer asneiras. Se ele não for tão burro, vai entender que, de qualquer maneira, mesmo que tenham tentando transformar ele em celebridade, ele pagou um tremendo mico e está provado que o público telespectador gosta muito mais dele de boca fechada. Que o público prefere aguentar as vuvuzelas do que o seu Magdo Bueno.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

JACATIRÕES NO JARDIM

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Começou o inverno, mas desde o outono, quando ainda nem era frio, as flores de jacatirão de inverno – o manacá-da-serra – já tinham começado a florescer. Os manacás-da-serra não são tão numerosos quanto o jacatirão nativo, que floresce no fim da primavera e vai até meados do verão, mas desabrocham lindamente nessa época e colorem e alegram nossos dias frios, até os mais chuvosos, quando a gente não tem coragem de botar a cara pra fora de casa.
Inverno não é estação de flores. Não é? Pois floresce o jacatirão de inverno, floresce a azaléia, floresce o flamboiã, floresce o amor-perfeito, floresce até o ipê. Então não é, também, uma estação de muitas cores?
No meu jardim, reduzido jardim, único pedaçinho de terra desnuda, na minha casa, tenho meus pés de manacá-da-serra. E eles também começaram a florescer espetacularmente, dando um ar de felicidade à frente da minha casa. São muito jovens, pequenos, eu diria quase anões, coisa de menos de um metro de altura. Mas desabrocham muitas e muitas flores, com aquelas pétalas grandes que se abrem brancas e depois vão mudando de cor, passando para o vermelho, num degradê rápido, até chegar ao lilás.
Perto de onde moro existem outros jardins com manacás-da-serra (ou jacatirão de inverno). No supermercado, um pouco mais longe existem até majestosas árvores de uns 4 ou cinco metros de altura, por toda a cidade a gente encontra a cor do jacatirão. Mas parece que só eu as vejo. Ninguém comenta, ninguém para um segundinho para admirá-las, e eu fico um pouco triste com essa perda da capacidade do ser humano de ver o belo. De olhar e ver. No supermercado do qual falei acima, por exemplo, existiam cinco árvores fabulosas, mas no ano passado duas secaram. Uma terceira está com os galhos secos da metade para baixo e florida da metade para cima. Só ficaram duas saudáveis, esplêndidas telas coloridas de Mãe Natureza. E ninguém parece ter visto a tremenda perda ou mesmo a beleza das sobreviventes.
Então leio um poema de Quintana e chego à conclusão de que ele, o poeta passarinho, talvez tenha razão, mais uma vez: “Todos os jardins deviam ser fechados, / com altos muros de um cinza muito pálido, / onde uma fonte / pudesse cantar / sozinha / entre o vermelho dos cravos. / O que mata um jardim não é mesmo / alguma ausência / nem o abandono... / O que mata um jardim é esse olhar vazio / de quem por eles passa indiferente.”
Pois então não será isso? Não será por isso que árvores tão belas quanto os pés de jacatirão morrem e a gente fica sem as suas cores?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

MIRANDUM 5 SAINDO


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Está saindo do forno a edição de número 5 da revista Mirandum, da Confraria de Quintana. A revista foi idealizada pela escritora Maria de Fátima Barreto Michels, de Laguna, para reunir cultores e admiradores de Mario Quintana e assim publicar o que esses leitores/escritores estão escrevendo sobre o poeta.
Nessa nova edição, crônicas, ensaios, poemas, artigos e notícias, tudo sobre o poeta passarinho, que faz aniversário no próximo mês de julho. O edital é de Fátima de Laguna, que divide comigo a edição da revista. E há textos como “Hojel Majestic”, “Quintana, Veríssimo e o analfabeto”, “O Poeta Passarinho”, “Crônicas para Quintana”, “”Mario Quintana e suas duas derrotas na ABL”, “Sobre Quintana, o amor e expiar-se”, “Quintana e Bruna”, “O Aniversário do Poeta”, “A Lição de Amizade” e “Tanto Tempo sem Quintana”, além de poemas do mestre e poemas para ele: “Poema azul para Mario Quintana”e “Menino Quintana”.
Na última contracapa, “Poemas atribuídos a Quintana”, nota sobre textos que circulam na internet como sendo do poeta, quando na verdade são de autores desconhecidos, como “Um Dia”, “Deficiências”, “Felicidade Realista”, etc.
Se você não conhece, procure conhecer. A obra de Quintana é cada vez mais aplaudida e reverenciada, por sua qualidade e profundidade. E nós estamos tentando reunir as pessoas que escrevem sobre essa magnífica criatura que é Quintana para que a obra dele seja cada vez mais apreciada e lembrada.
Contate conosco para pedir o seu exemplar ou para enviar-nos textos sobre o poeta. Nosso e-mail é lc.amorim@ig.com.br e fbarreto@bizz@com.br.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

PRECISAMOS FAZER VALER OS NOSSOS DIREITOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Vocês lembram da crônica “Mais um golpe de operadora”, publicada aqui no blog, há algumas semanas? Pois bem, além daquele problema com a Oi-BrasilTelecom, que tentou me cobrar instalação para acesso à internet sem que eu jamais tivesse usado o sinal deles, venho tendo problemas com o meu provedor de internet há bastante tempo: a velocidade oscila demais e ficava aquém do mínimo que eles garantiam, vinte por cento do contratado, e vivia saindo do ar, pelo menos uma vez por mês. E ficava, às vezes, fora do ar, por dias, dois, três, com desculpas incríveis como “estamos sem eletricidade nos servidores, a culpada é a fornecedora de energia.” Por dias a fio?
Então fui a Anatel. Levei leituras de velocidade do meu provedor, abaixo do limite por eles garantido e o contrato, que inclui fidelidade de 18 meses. Provei, com as leituras efetuadas com software do próprio provedor, o não cumprimento do contrato, com velocidades inferiores a 20%, que é o que eles garantem, e perguntei se o fato de ficar fora do ar por até 3 dias também não é descumprimento, pois nunca recebi um centavo de abatimento pela falta de serviço. Foi lavrada a ocorrência e quatro dias depois, a Net de São José, que é a empresa que fornece os serviços, em parceria com a Bind Informática (provedor), me ligou dizendo que, por indicação da Anatel, estavam cancelando o meu contrato sem nenhum ônus, conforme eu havia pedido. Os ônus, segundo o contrato, por conta da “fidelidade”, são mensalidades vincendas (isto quer dizer que eu teria que pagar mensalidades futuras, de quando eu não estaria mais usando o sinal deles) e outras despesas como taxa de adesão, taxas de serviços, entre outras (está assim mesmo no contrato: “entre outras”). O acesso foi interrompido no mesmo dia que eles me ligaram e eles vêm recolher o modem amanhã, dois dias depois. Hoje vou passar na empresa e pegar a rescisão por escrito.
Já quanto a Oi, não pude apresentar a Anatel a gravação do dia em que eles me ligaram propondo mudança de contrato e prometendo mundos e fundos, porque eles me afirmaram que não fazem gravação quando eles é que ligam pra gente. Cômodo, não? Eles ligam pra gente, fazem propaganda enganosa, prometem benefícios que não vão ser cumpridos, pois sabem que a conversa não está sendo gravada e a gente não pode provar nada. Eu desconfiei e aceitei justamente pra desmascarar, mas quantas pessoas foram enganadas? O atendente que me ligou me ofereceu mudança de plano, quando na verdade estava me vendendo internet. Quando ele me disse que eu teria direito a 1 mega de internet, eu lhe disse que já tinha internet, que não queria, mas ele insistiu, dizendo que não me seria cobrado nada com respeito ao fornecimento de acesso. Eu não acreditei e não deu outra: quase dois meses depois, apareceu R$ 50,00 reais de instalação de internet na minha conta de telefone.
Foi então que liguei para a Oi e cancelei minha conta de telefone. E fui a Anatel. Fiz a ocorrência e poucos dias depois eles me ligaram, concordando com o ressarcimento daquele valor de “instalação” que não houve. Cancelaram uma fatura de 67 reais que eu tinha recebido e ainda não tinha pago.
Temos que exigir nossos direitos. As pessoas não reclamam e aceitam a roubalheira que lhes é imposta, pagam e deixam por isso mesmo para não se incomodar. Por isso esse tipo de coisa não para e cada vez mais somos explorados.
A Anatel está aí pra isso e não custa a gente ligar ou ir até um escritório deles.
Por sinal, na norma que a Anatel impõe às operadoras, está a obrigação de gravar as conversa apenas quando a gente liga pra eles. Fiz ocorrência pedindo a eles que mudem isso, que incluam a obrigatoriedade de gravação também e principalmente quando eles ligam pras gente. Porque é a Anatel que normatiza isso.
Outra coisa: quem é que tem autoridade para normatizar esses contratos absurdos de internet, de TV, etc, que a gente é obrigado a assinar? Deveria haver um contrato padrão, para acabar com cláusulas ridículas como fidelidade e outras tantas.

terça-feira, 22 de junho de 2010

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE COPA

Por Luiz Carlos Amorim – Esritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Quem diria, vejam vocês,eu falando de futebol! Mas dêem um desconto, é copa do mundo e como brasileiro que sou, sou torcedor na nossa seleção.
E como torcedor, fiquei indignado ao ver o segundo jogo do Brasil, neste domingo, com a Costa do Marfim. Não sou expert em futebol, mas que juiz era aquele? Qualquer um pode ser a cegueira dele, a incompetência, ou será que foi comprado?
Kaká sofreu a falta e foi penalizado, expulso do jogo. Todo mundo viu a encenação d jogado da Costa do Marfim: ele jogou-se contra o jogador brasileiro e esbarrou no cotovelo dele. Só que o braço de Kaká encostou no peito e não no rosto do “atleta” travestido de ator, que colocou as mãos no rosto como se tivesse levado uma cotovelada na cara.
Kaká tem toda a razão de ficar indignado e pedir que a FIFA reveja o lance, para tomar providências e corrigir a injustiça que o despreparo do juiz causou.
O time adversário parecia querer prejudicar a seleção do Brasil não só naquele jogo, mas também para o próximo, e conseguiu, pois Kaká não jogará contra Portugal e Elano levou uma chuteirada na perna. O médico ainda não disse se ele vai jogar, mas divulgou-se que o estrago foi leve.
E há quem diga que o fato de Kaká não jogar na sexta é bom, para ter um período maior de descanso e poder se recuperar melhor para as próximas partidas, decisivas.
Melhor que seja assim.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

PARA SEMPRE SARAMAGO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Não ia escrever sobre Saramago – tanto se escreveu, nestes últimos dias, em todos os jornais, que parece não haver mais nada a dizer, e a morte me entristece – mas volto atrás, depois que li a crônica da jornalista Ana Ribas, minha colega de espaço no jornal A Notícia, “O Mago que fica”. Como eu disse a ela, logo que terminei a leitura, foi a melhor coisa que li/ouvi sobre Saramago, desde a notícia da morte do escritor português, na sexta. Sem empolamento, com sensibilidade e simplicidade, ela disse bem e emocionou.
Confesso que li, até agora, apenas um livro de Saramago, o único escritor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Lerei, com certeza, os outros todos, pois já pude ter uma amostra do estilo e da qualidade da escritura dele e sei o que ele representa para a literatura não só portuguesa, mas mundial.
Ele esteve em Santa Catarina, em 1999, logo depois de ganhar o prêmio máximo da literatura, fez palestras, deu entrevistas, conheceu Santo Antônio de Lisboa e recebeu o Prêmio Honoris Causa, da UFSC.
Ficamos órfãos de um pensador sensível e sincero, que nunca se atrelou a nada e sempre teve a coragem de dizer o que sentia.
Sua obra já figura entre os clássicos da literatura universal. O homem, Saramago, fiel as suas idéias e convicções, transcende a vida e se torna imortal através da palavra.

domingo, 20 de junho de 2010

FICHA LIMPA ESTÁ VALENDO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

E a Ficha Limpa, agora é lei. Promulgada em 4 de junho, a Lei Complementar 135 já está valendo para as eleições deste ano, segundo parecer do Tribunal Superior Eleitorial, consultados acerca da validade da lei em 2010 e sobre os casos em que se aplica.
Além de valer já neste ano, deverá impedir registro de candidatos que tenham sido condenados por órgão colegiado antes da publicação da norma e, ainda, aumentar prazos de inelegibilidade de três para oito anos para quem está sendo processado ou já foi condenado com base na redação anterior da Lei das Inelegibilidades.
Isto significa que a esperteza dos políticos que mudaram um verbo, na proposta original do projeto da Lei Ficha Limpa, para que não fossem alcançados por ela, não funcionou.
A lei deverá ser aplicada aos candidatos condenados por um grupo de juízes antes mesmo da sua promulgação. Por 6 votos a 1, o plenário compreendeu que a alteração verbal não altera o principal objetivo da lei, que é resguardar o interesse público.
Vitória para o povo, que quer uma safra de novos políticos que trabalhem pelo interesse dos cidadãos, mais transparência na política brasileira, que precisa de candidatos decentes para que possa votar em alguém nas próximas eleições. Vamos ver o que acontece daqui para a frente, vamos conferir se realmente a lei será cumprida, se todos aqueles que tem ficha suja ficarão de fora.
Os corruptos de plantão tentarão algum meio de se livrar, então cabe a nós verificarmos as fichas dos candidatos – agora podemos pesquisar e saber, tudo está na internet – e fiscalizarmos. E não votar nos candidato que não tenha ficha limpa.

sábado, 19 de junho de 2010

GOSTO DE ÁRVORES

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Gosto de árvores. Gosto de coisas simples: de um sorriso de criança, de um rio de águas claras, de flores, campos e praças. Gosto de natureza, simplicidade, pureza, de terra, mar e de sol. E gosto muito de árvores. Gosto delas na primavera, no inverno, no verão e até no outono. Gosto do verde das árvores, gosto da cores das suas floradas, gosto da sua sombra, dos seus frutos, gosto do ar que elas purificam. Gosto de árvores pequenas, médias e grandes, símbolos da natureza.
Sou viciado em árvores floridas. O flamboiã é fantástico, grande árvore que desabrocha flores vermelhas e depois cobre o chão com suas pétalas, formando um tapete rubro, diferente do ipê, que se enche de luz trocando todas as suas folhas por flores cor do sol e, quase efêmero, faz um tapete dourado em nosso caminho.
A azaléia cresce e se transforma em bela árvore, que eu tenho visto por aí explodindo em cores diversas, colorindo o inverno.
E o jacatirão, a minha flor de jacatirão... Que cresce livre na natureza, nativo, e floresce do final da primavera até o auge do verão. As matas, encostas, morros ficam tingidos de vermelho. Na Páscoa, ou começo do outono, floresce uma variedade chamada de quaresmeira, com flores menores que as da árvore nativa, mas com cor mais acentuada. No inverno, floresce a variedade híbrida, de jardim, com suas flores maiores, também chamadas de “manacá da serra”. As minhas já estão florescendo...
E temos ainda primaveras, ipês roxos, paineiras e tantas outras árvores majestosas, que a natureza é pródiga em beleza.
Sou fascinado, também, pelas flores das árvores frutíferas, como a flor do pessegueiro, a flor da laranjeira, a flor de maracujá – essa não tem perfume e é rasteira, mas é de uma beleza exuberante. Vocês já viram uma cerejeira japonesa florescida? É um espetáculo grandioso.
Gosto até daquelas árvores com flores mais simples, que às vezes nem têm cor, como a flor da silveira, que é branca.
A verdade é que gosto de árvores, pois todas elas, como nós, seres humanos, são irmãs gêmeas da natureza. Natureza que fica mais pródiga na primavera, quando brota mais verde, quando florescem mais cores.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

LUIZ NEGÃO, ARTISTA MULTIMÍDIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Há algumas semanas, fui convidado para o show de música popular brasileira e comédia, apresentado por Luiz Negão, que eu já conhecia porque foi meu professor de dança e porque já o vi fazendo humor nos intervalos do Floripa em Dança, há umas duas edições atrás. E sei que ele é cantor, também, além de músico.
Pois bem, eu já soubera de outro espetáculo musical do artista no passado, mas não pude ir ver porque havia um outro compromisso. De maneira que dessa vez eu estava lá rente como pão quente, ávido por ver a performance do Luiz Negão, pois ele é um comediante nato: as apresentações que ele fez no CIC, dentro do Floripa em Dança, no tempo em que o presidente da ACADS era o Daniel, eram hilárias, o público ria a valer e não havia texto, era improvisado. A Paty Pé de Valsa, que ele criou na época, já é um clássico na galeria de personagens que ele vem criando e é sempre muito engraçada. Aliás, ela fez falta na última edição do festival de dança de salão.
O show começou com o artista miltimídia cantando e tocando violão (ou guitarra?), depois de algumas músicas foi acompanhado por uma banda, muito boa por sinal, e foi uma delícia.
Gostei do Negão cantor, do negão músico, mas estava esperando a segunda parte do espetáculo que ele apresentava o stand up comedy. Estava engraçado como eu esperava, mas achei muito curtinho, em proporção ao show musical.
Vou torcer para que o comediante Luiz Negão faça um próximo espetáculo de humor com uma pequena parte dele dedicada à musica, invertendo o que ele fez neste show que ele batizou de “SIMPLES”.
O show foi muito, muito bom, mas o humor de Luiz Negão merece um tempo maior, porque ele tem fôlego para isso. Não que a música que ele faz não seja boa, em absoluto. Eu já tinha ido à baile no qual ele estava lá tocando forró, talvez uma especialidade dele, ele canta muito bem, é afinadíssimo, é um prazer ouvi-lo. Mas música outras pessoas também fazem. O talento para o humor, no entanto, é uma coisa rara e é uma coisa que ele tem, inegavelmente.
Parabéns, Luiz Negão. Você não é só boa gente. Você é um artista completo, também.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

CONSTRUTORES DE BIBLIOTECAS

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br
Http://twitter.com/amorimluc

Há alguns dias atrás, recebi mensagem da minha amiga Tânia Melo, de Esteio, na grande Porto Alegre, perguntando se eu podia doar alguns livros para uma biblioteca que ela estava ajudando a montar.
Eu já fiz isso por aqui, é uma coisa muito prazerosa poder criar uma biblioteca para uma escola de interior, uma associação, um entidade beneficente, uma comunidade carente. E é claro que já mandei alguns títulos e estou reunindo mais para enviar. E quero passar adiante o e-mail da Tânia, para que se mais alguém puder contribuir, que entre em contato com ela para pegar o endereço para a remessa: tamelo@superig.com.br .
Fiz questão de divulgar essa iniciativa, porque leio mais uma matéria a respeito de pessoas comuns que tomam para si a tarefa de conseguir livros para oferecer uma biblioteca a sua comunidade e isso é um trabalho magnífico.
Falo de Dona Maria, que ocupou sua garagem, a garagem da sua casa, com livros, gibis, jogos e brinquedos e oferece aos moradores do seu bairro, Aventureiro, em Joinville. Ela batizou a biblioteca de Clube da Leitura e recolhe o que a comunidade tem para doar, além do próprio acervo que ela colocou à disposição de todos.
Não é fantástico? Ela não só doou o espaço, como está à disposição de crianças, principalmente, que vão lá estudar, ler, brincar, a qualquer hora. Mas os adultos também aderiram e levam livros para ler e para estudar.
Felizmente, há várias iniciativas como essas, que fazem a diferença, uma grande diferença para uma comunidade que não tem, muitas vezes, uma biblioteca escolar, uma biblioteca municipal, para uma pesquisa mais básica necessária aos estudos fundamentais.
São essas pessoas, abnegadas e dedicadas, que fazem a cultura chegar a qualquer comunidade, a qualquer pedacinho de Brasil, não dependendo da cultura oficial, que promete, ano após ano, que nenhuma escola deixará de ter a sua biblioteca, assim como nenhum município brasileiro também. Mas a promessa nunca se cumpre.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

POLÍCIA & ESTACIONAMENTO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Existem algumas coisas que são difíceis de entender. Minha tia mora no Estreito, na parte continental da capital da nossa Santa e bela Catarina, bem pertinho do campo do Figueirense. A rua é a José de Abreu e, como é estreita, tem mão única.
Pois estive lá esta semana e ela avisou que eu não deixasse o carro estacionado na frente da casa, porque a polícia apareceria para me multar. Eles estão de olho, disse ela, deixou o carro aí eles aparecem. Eu já sabia que não é permitido estacionar ali, embora quando há jogo do Figueirense a rua fique entupida e ninguém manda tirar nenhum carro. Ela abriu o portão e coloquei o carro para dentro.
Acho que tenho mais é que acatar, mas há muita contradição nestas “proibições” urbanas. A rua José de Abreu é uma rua sem comércio, tipicamente residencial, e a polícia fica de olho – ou alguém avisa a ela – e ela está em cima para multar quem estacione ali. Em compensação, a rua Teresa Cristina, paralela, com intenso comércio, não é fiscalizada assim. No horário comercial, as pessoas estacionam dos dois lados da rua e é difícil passar por ali. E a polícia não aparece para organizar. Paralela a essa, está a Araci Vaz Calado, mais movimentada ainda e de mão dupla, onde também se estaciona dos dois lados, atravancando totalmente alguns trechos, a ponto de passar um veículo de cada vez, seja qual for o sentido. A polícia também não aparece ali.
A rua Prefeito Tolentino de Carvalho, no Balneário, pertinho dali, também tem sentido duplo, mas os carros estacionam dos dois lados, e é comum que passe apenas um carro de cada vez.
E assim tantas outras ruas pela cidade: muitas de mão dupla, mas os veículos estacionam de ambos os lados, dificultando a passagem em qualquer sentido.
Por que uma rua tranquila como a José de Abreu merece a atenção da polícia e tantas outras, que precisam da atenção de alguém que discipline o fluxo e a parada de veículos não são contempladas?
Não me esqueço de que fui multado, há alguns meses, na marginal da BR 101 onde fica o cemitério. Fui ao enterro de um tio e, como não havia mais espaço dentro do cemitério, eu e várias outras pessoas tivemos que deixar os carros à beira da marginal. Pois quando voltamos, lá estava a polícia, multando todos os carros, um por um. Nem saíram do carro deles, só iam anotando. Sabemos que estavam multando porque perguntamos a eles. Assim é fácil, não é?

terça-feira, 15 de junho de 2010

OS PRIMEIROS VOLUMES DA COLEÇÃO LETRA VIVA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

A Coleção Letra Viva, de crônica, está lançada. Os três primeiros volumes foram apresentados ao público na 3ª Feira Catarinense do Livro, realizada do fim de maio ao início do mês de junho, em Florianópolis.
O primeiro volume – embora eles não estejam numerados – é o da poeta, cronista e atriz Célia Biscaia Veiga, “Figuras nas Nuvens”. Este é o segundo livro da autora – ela já publicou “Palavras e Exemplos”, dentro da coleção Poesia Viva – e ele reúne parte das crônicas que Célia publicou no caderno AN Cidade, do jornal A Notícia, por dois anos.
A prosa de Célia é centrada no cotidiano, na atenção à movimentação do ser humano ao seu redor. Além do registro do dia a dia na sua cidade, no seu estado, no seu país, ela se preocupa com a natureza, com o social, com a convivência e sobrevivência do próximo. Nada escapa ao seu olhar atento. Por isso, seu livro é prazeroso de se ler.
Jurandir Schmidt assina o segundo volume da coleção. O poeta e cronistas já publicou opúsculos de prosa e de poesia, vários deles, mas este é o seu primeiro livro. A obra de Jurandir tem forte cunho humanitário e ecológico. Ele é o cantor do homem da terra, do campo, do verde e da manutenção do meio ambiente. Seu brado tem ecoado tanto através da poesia como através da crônica e muitos outros brados têm se unido ao dele, em uníssono, por um mundo melhor, por um futuro mais humano e feliz.
O terceiro volume é de Mary Bastian, escritora de literatura infanto-juvenil das mais importantes aqui do sul, com vários livros publicados, que enveredou, com sucesso, pela produção de crônicas. Ela publicou livros como “Capitão Morcego e seus detetives”, “ACharada do Anel de Esmeralda”, “Mistério no Ar”, “O Rio que ficou Triste”, “A Creche Mal Assombrada” e “Contos de Oficina”. Como se vê, a obra dela é bem ampla.
Sua crônica é focada no cotidiano, com fino humor e sutil ironia, tornando o seu texto sempre muito agradável de se ler. A experiência adquirida ao escrever para crianças, torna a sua crônica ainda mais interessante. Qualquer assunto submetido a sua criatividade transforma-se em uma peça literária ótima para se degustar.
A coleção começou, assim, muito bem. Brevemente, novos nomes que cultivam a crônica e que são integrantes do Grupo Literário A ILHA também comparecerão.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

MORRER DE PAIXÃO

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Hoje, na piscina, falávamos do final de semana e Fernanda, nossa fisioterapeuta, perguntou como tinha sido o sábado, Dia dos Namorados.
Conversa vai, conversa vem, estávamos debatendo acerca de amor, de paixão, de casamento e namoro. Uma das pessoas congeturou que estava casada há uns vinte anos, que a paixão já havia passado, que havia se transformado em um sentimento mais estável. E Fernanda lembrou que paixão é, mesmo, uma coisa que não dura muito, e que se durasse, colocaria em risco o coração dos apaixonados.
Não é que ninguém tinha pensado nisso? Pois há pesquisa científica a respeito, que diz que se um ser humano ficasse apaixonado direto, por anos a fio, seu coração não aguentaria as acelerações constantes, o bater mais forte que acontece quando a gente vê a pessoa que é o motivo da nossa paixão. O fato de ser acometido repetidas vezes dessa arritmia tornaria o coração mais fraco e estaríamos sujeitos a uma síncope.
Pois então, a natureza é sábia. Fernanda diz que a paixão, aquela avassaladora, dura aí um ano, um ano e meio, depois se transforma num amor mais comportado.
Fala-se que não se deve confundir amor com paixão, mas não é à toa que também se morre de amor (ou de paixão), então.

domingo, 13 de junho de 2010

A FALTA DAS BIBLIOTECAS NAS ESCOLAS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Essa história de que toda escola deve ter uma biblioteca é velha. Foi assinada, no final do mês de maio, uma lei que determina que não pode haver, doravante, nenhuma escola sem a sua biblioteca. Só que isso já foi mencionado pela Lei do Livro, ou Política Nacional do Livro, assinada pelo presidente em 2003.
Naquela lei, consta que “o Poder Executivo deve implementar programas anuais para manutenção e atualização do acervo de bibliotecas públicas, universitárias e escolares, incluídas obras em Sistema Braille.” Manutenção e atualização esbarra sempre em “falta de verba”. Obras em braile, então, nem pensar.
Conta, também, que “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios consignarão, em seus respectivos orçamentos, verbas às bibliotecas para sua manutenção e aquisição de livros.” Como é comum no Brasil, a lei existe, mas o cumprimento...
Mas, agora, a lei é específica: toda escola deve ter a sua biblioteca. E não um cantinho com uma estante e alguns livros, não. É biblioteca, com acervo decente, com bibliotecário, tudo certinho como deve ser.
Só que o próprio poder público, logo em seguida à assinatura da lei, já vem com a desculpa que será difícil, demorado e dispendioso cumpri-la, pois será necessário construir 25 bibliotecas por dia até 2020.
Por essa previsão, podemos ver a imensa defasagem de bibliotecas nas escolas brasileiras. Vinte e cinco bibliotecas por dia, por 10 anos, é muita, mas muita biblioteca mesmo. A maioria das escolas neste país não tem biblioteca.
O déficit, no primeiro grau, é de noventa e três mil bibliotecas, a maioria em escolas públicas. Mas existe escola particular que também não tem. No ensino médio, a situação é um pouquinho melhor, mas também há muita escola de segundo grau que não tem a sua biblioteca.
Como ter uma educação de qualidade, se nossas escolas não têm bibliotecas? Que se cumpra a lei e que se comece a construir as 25 bibliotecas por dia, de preferência bem mais do que 25, para que não tenhamos que esperar até 2020 para que toda escola tenha seu acervo de livros.
E que nós, cidadãos das comunidades, cobremos isso do poder público, para que não leve bem mais do que o prazo que eles deram, o que é muito provável acontecer.

sábado, 12 de junho de 2010

MARKETING PARA VENDER LIVROS

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Vocês lembram das “paradas de sucesso” no rádio, na televisão, as listas de discos mais vendidos e executados em revistas e jornais, anos atrás? Pois é. Alguns discos acabavam vendendo porque estavam nos primeiros lugares, pela sugestão da mídia, por martelarem tanto no rádio na TV. A super exposição acabava fazendo com que nos surpreendêssemos cantando músicas que, de princípio, não gostávamos. Nem sempre era verdade que o disco era o mais vendido, mas aparecia em boa colocação (alguém “talvez” pagasse para que ele aparecesse nos primeiros lugares), justamente para induzir a venda.
Um fenômeno parecido acontece com os livros. E com os filmes, também. Tudo o que é “campeão de bilheteria” nos Estados Unidos passa a ser sucesso também aqui. E até o que não se deu bem lá fora, com uma boa campanha, faz sucesso aqui, nem que seja em vídeo.
Numa matéria sobre mercado editorial de um grande jornal, leio que as grandes livrarias cobram pelo destaque que é dado a alguns livros nas prateleiras que se constituem em espaço “nobre” em relação ao leitor que entra nela. A máxima “quem é visto é lembrado” aqui funciona como uma boa ferramenta de marketing, pois quem vai à livraria sem saber de antemão o que vai comprar, vai acatar as dicas que estiverem mais visíveis, com certeza. E os livros acabam vendendo, justificando a despesa da editora que pagou uma taxa à livraria para que o livro ficasse no caminho do leitor.
As editoras pagam taxas, também, para expor títulos seus em lugar de destaque nos sites das livrarias virtuais, pois a venda de livros on-line é uma realidade no Brasil.
Aí emerge a questão da qualidade da obra. Já aconteceu a você, leitor, de comprar um livro influenciado por propaganda, por estar semanas entre os mais vendidos, por estar exposto em lugar privilegiado na livraria que freqüenta e, depois de começar a lê-lo descobrir que ele não é aquela obra prima alardeada aos quatro ventos? Só que então o livro já foi comprado e vai engordar as estatísticas dos mais vendidos.
Isso não é muito raro, pois campanhas caras e eficientes são feitas, principalmente para os livros importados, que já vêm com o material de divulgação atrelado à obra. E um produto bem promovido e com apresentação impecável vende. É claro que o livro não é como um outro produto qualquer, pois você compra apenas um. Se fosse como um produto comum de consumo continuado, compraríamos um e, verificando que por trás da boa aparência não existe qualidade, não compraríamos mais. Mas livro a gente só compra um. Se o conteúdo não for bom, se não conseguirmos lê-lo todo, não há como devolver, ele já estará aumentando a quantidade de exemplares vendidos, aumentando o seu sucesso.
A gente aprende, com o tempo, a procurar saber alguma coisa sobre a obra antes de comprá-la, mas muitos são induzidos a adquirir títulos que farão com que se sintam frustrados, ao lê-los. Há quem compre o livro para ler apenas o prefácio e a orelha, para poder dizer que leu, mas isso é outra história.
Luta-se pela divulgação e distribuição do escritor regional, sem sucesso, enquanto campanhas milionárias, inclusive encarecendo o preço final do livro para o leitor, são feitas para obras que, às vezes, ou vendem-se por si só, porque são boas, ou não merecem todo o aparato em volta delas.
Gostar de ler é, também, saber escolher.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

PERGUNTAS E RESPOSTAS


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Os problemas de falta de obras e de providências que devem ser tomados pela administração pública, em Florianópolis, são cobrados pela imprensa, pela televisão, pelo rádio. Ruas esburacadas, ruas que precisam ser calçadas nos bairros, ruas e praias que estão sendo devorados pelo mar, obras atrasadas são apenas alguns dos casos.
E quando a televisão, só para citar uma das mídias, vai atrás dos responsáveis para saber se está sendo tomada alguma providência, quando serão levadas a efeito e quais serão as possíveis providências, a criatura que vem responder às questões é um secretário de obras ou qualquer coisa que o valha, que gagueja, titubeia, dá umas desculpas esfarrapadas, desconversa e fica o questionamento sem nenhuma resposta objetiva.
O resultado é o mesmo que a ausência da matéria. Aliás, fica muito feio para o poder público, pois evidencia negligência e incompetência. Parece que os “grandões” da prefeitura mandam um mané qualquer para ser sabatinado, para não precisar dar nenhuma satisfação, para não se comprometerem. A criatura, “mal preparada” para responder – na verdade não sabe nada de nada – só está ali para enrolar mesmo, pois não contribui com nenhum esclarecimento, também não se responsabiliza por nada e não dá nenhuma solução. Tudo é muito vago. Tipo: "Temos só uma equipe para tapar os buracos nas ruas e ela tapa hoje, mas amanhã chove e os buracos reabrem". Ora, se há só uma equipe, há que haver mais, para dar conta do serviço. Os munícipes pagam seus impostos para isso. E se os buracos reabrem tão rapidamente é porque o material usado é ruim. De novo o imposto que o cidadão paga é mal empregado.
Então, fica tudo assim, como se nós, telespectadores, leitores de jornal, etc., acreditássemos no que os “bananas” de plantão dizem, empurrando-nos qualquer besteira goela abaixo.
E assim caminha a capital.


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E para melhorar o astral, quero agradecer o selo que recebi da professora Mariza Schiochet, que por sua vez recebeu da Regina - toforatodentro.blogspot.com , que recebeu do cara que o criou, Júlio César, que está lá no alto, antes da crônica indignada. Como já disse a ela, não mereço, mas agradeço.
Amigos leitores e seguidores, gostaria de agradecer também a presença de vocês aqui no blog. A frequencia está aumentando a cada dia, há dias que tenho mais de cem leitores. Espero continuar merecendo a companhia de cada um. Comentem as crônicas, mesmo se não gostarem, e votem no blog no Top Blog.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

MANIFESTAÇÕES CONTRA A PCH CORUPÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

As crônicas a respeito da possível, mas indesejada construção da PCH – pequena central Hidrelétrica em Corupá, publicadas aqui no blog, tiveram algumas manifestações de leitores, que comentaram. Parece que ninguém é a favor, a não ser o prefeito de Corupá e os construtores da usina.
Senão, vejamos: “Corupá tem tudo para ser umas das principais cidades para ecoturismo em Santa Catarina. A população não imagina o potencial de Corupá para este setor. Se você for à Bonito - MS, verá que qualquer cachoeira, rio limpo, caverna, vira um ponto turístico. Agências de turismo tem preços tabelados, é organizado, e o povo de lá não quer outra coisa. Pois assim eles arrecadam o sustento da cidade, mantém a natureza preservada e tem contato com turistas do mundo todo.”, diz Glauco, de Jaraguá. É verdade, Glauco. E agora que estão reprisando a novela “Ana Raio e Zé Trovão”, no SBT, a administração pública de Corupá deveria aproveitar a deixa e incrementar a divulgação das belezas naturais da cidade, o que não foi feito quando a novela estava sendo gravada na cidade. Lá aparecem as cachoeiras, o seminário, cenário de um castelo, fixo por mais de um terço da novela, e as terras atrás do seminário, onde ficava o acampamento de ciganos. É mais um oportunidade de alavancar o turismo na cidade, pois novamente “Ana Raio...” está sendo mostrada no país todo e desta vez também por cabo e satélite.
Camila afirmou que “Graças a Deus temos gente que não é comprada por políticos, pois eu sou de Corupá e também sou contra o projeto. Iremos lutar e fazer de tudo para que o mesmo não seja aprovado.”
Alexandre Viebrantz também compareceu: “Sou Corupaense e moro em Joinville. Estou muito triste de não poder participar e defender nossa cachoeira, queria só que se alguém pudesse se lembrar de um artigo, n° 225 da constituição brasileira:Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.Pena que disso eles se esquecem. Está previsto na constituição o nosso direito de defender e o da prefeitura acatar a vontade da população, mas nessa terra aonde o dinheiro impera, qualquer preço pode ser pago para o silêncio, aí tudo vale.Não entendo como uma Área de Preservação Permanente pode receber aval de entidades que deveriam proteger! Enfim cabe a nós mais uma vez tentar derrubar isso, porque o destino dessa área, desse cartão postal pode ser desastroso! É uma vergonha para a cidade, não cuidar de seus maiores tesouros, a natureza, suas cachoeiras, mas 10 milhões no PIB e 340mil anuais em impostos são mais chamativos! Alí a hipocrisia é levada a sério!”
Beatriz Dias Martins deixou o seguinte recado: “MOBILIZAÇÃO CONTRA PCH!“JUNTOS SOMOS MAIS FORTES”
“O homem sem saber o que destrói, como destrói e porque destrói,Está destruindo o que há de mais precioso... A VIDAEle finge não saber que por trás das inúmeras florestas que ele destrói, há vários animais querendo viver...Que no ar que ele polui, há muitas aves morrendo...Há muitas pessoas querendo respirar...Há muitos peixes querendo continuar com suas espécies...Tenho pena dos que irão nascer, pois nunca verão a figura de uma linda floresta, de um grande rio, de um ar puro …Para verem tudo isso talvez tenham que ir a um museu que tenham quadros, fotos, figuras que mostram o que era nosso mundo.Tenho pena deles, acima de tudo porque nunca verão um museu onde possam ser felizes”Será que restarão apenas fotos?
Grace Raquel disse: “Sou professora, nasci e moro em Corupá há bastante tempo. Sou totalmente contra construção de PCH aqui em Corupá. Sou a favor do progresso sem destruição.PCH não. "Se Deus criou, o homem não tem o direito de destruir".
Finalmente, Luan: “Não queremos saber se os poderosos estão a favor... Nós lutaremos até o fim! Vamos sim ser uma pedra no sapato deles! Eles não irão desistir tão fácil, porém NÓS apenas desistiremos se eles desistirem primeiro! A população ainda tem muito medo de se manifestar, mas aqueles que tiverem coragem e vontade de lutar por uma boa causa, juntem-se a nós! Sou CONTRA a PCH até o fim!!”

terça-feira, 8 de junho de 2010

GRUPO LITERÁRIO A ILHA: 30 ANOS DE TRAJETÓRIA(3ª parte)

O GRUPO A ILHA COMO AGENTE TRANSFORMADOR

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://luizcarlosamorim.blogspot.com

O Grupo Literário A ILHA, nos seus trinta anos de existência, mudou a maneira que o público tinha de olhar a poesia. E de olhar o poeta, também. Quando se falava de literatura, há duas ou três décadas, pensava-se em romance. Poesia era literatura de outros tempos. A ILHA mudou essa visão. Levando o Varal da Poesia a todos os lugares, fazendo recitais nos lugares onde era levado o varal, e mais, no rádio, na televisão, até em bares, conseguindo espaços em jornais, grandes ou não, para falar de literatura, publicar poemas e divulgar a cultura, conseguiu-se aproximar a poesia do grande público. Colunas literárias e culturais assinadas por este articulista em jornais como Diário Catarinense(DC Norte), A Notícia, Jornal de Santa Catarina, e em vários outros pelo estado e pelo país, fizeram com que a poesia e a literatura chegasse até o leitor. A Internet, nos anos 90, diminuiu distâncias, levou o nosso trabalho direto para dentro da casa do leitor, em qualquer parte do mundo.
Um fato importante, um trabalho relevante, que marcou o grupo, foi o de tirar a poesia do seu suporte tradicional, o livro, para levá-la à rua, literalmente, nos anos oitenta, o que fez com que as pessoas esbarrassem com o poema. E dar de cara com a poesia na rua, na praça, na loja, no banco, nas festas populares, na escola, no bar, fez com que as pessoas a conhecessem, pois muitos, até então, só tinham ouvido falar dela. Os poetas da praça levaram a poesia a todos esses lugares e o Recital de Poemas também.
Quem nunca tinha tido qualquer aproximação com a poesia, quem nem sequer tinha ouvido falar dela, de repente, ouvindo um poeta recitá-la, ao passar pela praça, ou tendo a sua atenção despertada pelos cartazes com letras grandes, cores e ilustrações, pendurados ao vento, estampando poesia, descobria que gostava dela. Ou não. Mas cada um que gostava era um novo leitor que nascia, que não ia ler só os novos poetas da praça, mas também os grandes autores, os mestres da poesia. O que significa que os livros de poesia passaram a vender mais, então. Tanto na praça, como na livraria. Não só os livros de poetas locais, como dos grandes nomes da poesia, como Quintana, Coralina, Pessoa, etc.
As coisas mudaram efetivamente nas livrarias, pois quando se queria comprar um livro de um grande poeta brasileiro ou português, nos anos oitenta ou antes deles, era preciso encomendá-lo. Com o advento do Varal da Poesia e do Recital de Poemas, levados a diversos lugares, até ao rádio e à televisão, a poesia tornou-se bem mais conhecida e apreciada por um número maior de leitores, sendo possível encontrar livros do gênero nas livrarias. A venda de livros, pelo menos nas regiões de penetração do Grupo Literário A ILHA, já não se resumia a romances, a alguns clássicos da literatura e aos didáticos.
E, como já dissemos, com tudo isso mudou também a maneira de se olhar para os poetas. Não raro, eles tinham receio de dizer que eram poetas. Hoje, depois que A ILHA levou a poesia para a rua, tanto a poesia escrita em cartazes, folhetos, livros como a declamada nos recitais, os poetas são vistos como escritores, como artistas da palavra que são.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

GRUPO LITERÁRIO A ILHA: 30 ANOS DE TRAJETÓRIA (2ª parte)

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

QUASE DUAS DÉCADAS DE ATIVIDADES EM JOINVILLE

Por quase vinte anos, “os poetas da praça” do Grupo Literário A ILHA participaram da vida cultural do norte catarinense, levando a poesia para a rua, para a praça, para a escola, para o shopping, para o banco, para os bares, para os palcos, para todos os lugares. Dizer que participaram talvez seja dizer pouco, pois eles se tornaram tradição e referência poéticas, eles eram parte e, às vezes, o todo da cultura de uma cidade como Joinville, onde tiveram sua sede por dezenove anos.
O grupo foi presença marcante na Feira de Arte de Joinville, parte intrínseca daquele evento, mês após mês, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas, além de levar estes mesmos trabalhos, com regularidade, também às feiras de arte de Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, e com menor freqüência a outras cidades do estado.
O Varal da Poesia especial, com dezenas de poemas sobre dança e dançarinos, foi durante quase duas décadas, um evento paralelo integrado ao Festival de Dança de Joinville. Na praça e depois em out-doors, com o Projeto Poesia na Rua, o Grupo Literário A ILHA espalhava poesia pela cidade. Além do Varal da Poesia e do Recital, o grupo realizava outros projetos, como Sanfona Poética e Poesia Carimbada.
Outro evento tradicional do qual o Varal da Poesia já era parte integrante é a Festa das Flores de Joinville. Um varal especial, com cerca de meia centena de poemas sobre flores e sobre Joinville ocupava um stand na grande festa, por anos a fio, cantando a beleza e o perfume de todas as flores, sob o ponto de vista de vários poetas da praça.
A divulgação mais eficiente do trabalho do Grupo Literário A ILHA e a ligação da palavra poesia com o nome da cidade adveio da visitação do varal da poesia por visitantes de vários pontos do país, que vinham para o Festival de Dança e para a Festa das Flores. E a cidade passou a ser também a Cidade da Poesia.
Além disso, com o apoio de comunicadores do rádio, nos anos oitenta e noventa, os poetas do Grupo A ILHA colocaram a poesia no ar, em programas como Show das Dez e Fim de Noite. E mais, os poetas da praça levaram a poesia também aos jornais e à televisão, em colunas assinadas por integrantes do grupo e em programas no canal local, quando de encontros e lançamentos de livros, popularizando um gênero até então maldito, pois não vendia livros.
Hoje, infelizmente, os espaços para a poesia praticamente inexistem no rádio, na televisão e até nos jornais. Os poetas da praça, no entanto, continuam batalhando para manter alguns dos espaços que conquistaram, como a sua revista, o Suplemento Literário A ILHA, que como o grupo, completa trinta anos de existência ultrapassando a barreira das cem edições, como o Varal da Poesia, que evoluiu para o Projeto Poesia no Shopping, e lançando mão do espaço democrático que é a Internet, com um portal literário, PROSA, POESIA & CIA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br e, ainda, a publicação de livros, através das Edições A ILHA.



GRANDES EVENTOS AO LONGO DA CAMINHADA

O Grupo Literário A ILHA realizou grandes eventos literários nos anos oitenta e noventa, em São Francisco do Sul e em Joinville. Como exemplos, temos a comemoração do Dia do Escritor Francisquense, em novembro de 81, que reuniu autores de São Francisco, de Joinville e de Florianópolis numa noite de autógrafos muito concorrida. Na oportunidade, foi instalada, também, a delegacia da Associação Catarinense de Escritores na Babitonga.
Em Joinville, no mês de outubro de 91, o grupo promoveu a Noite dos Escritores Catarinenses. Participaram da coletiva de autógrafos os escritores Enéas Athanázio, de Balneário Camboriú, Urda Alice Klueger, de Blumenau, Abel B. Pereira, de Florianópolis, entre outros.
Inúmeros lançamentos de livros foram promovidos por A ILHA em Joinville, São Francisco do Sul, Jaraguá, Itajaí, Corupá, Guaramirim, Brusque, Blumenau, Florianópolis, Porto Alegre, Rio, Cuba e Estados Unidos, nestes trinta anos, além dos eventos acima mencionados. Aconteceram noites de autógrafos de integrantes do grupo e de convidados, de livros publicados pelas Edições A ILHA ou não.
Edições A ILHA é nome da “editora” dentro do grupo. Editora que existe desde a criação do grupo, ainda que sem recursos financeiros. Dezenas de livros já foram publicados por ela que é, na verdade, uma das principais atividades dos poetas e escritores que compõe o grupo. A revista Suplemento Literário A ILHA e a publicação de livros e opúsculos constituem os maiores espaços desta que é a entidade do gênero mais perene e mais representativa da literatura de Santa Catarina.
O custo das edições ou é pago pelo autor da obra ou, se ele conseguir, com apoio de entidades comerciais, industriais ou culturais. A prática de se conseguir os recursos para se pagar a publicação de um livro com pequenas colaborações da indústria, do comércio ou da “cultura oficial” já funcionou em tempos idos, não tanto a última. Hoje em dia é muito mais difícil, se não impossível de se conseguir. Muitos poetas tiveram seu primeiro livro publicado assim e muitas antologias também.

CHEGANDO ATÉ O LEITOR

Para colocar a poesia nos olhos e nos ouvidos do leitor, talvez mais exatamente nos seus corações, o Grupo A ILHA usou, além do Varal da Poesia, dos folhetos – as famosas sanfonas poéticas, dos livros e dos recitais, novas alternativas, recursos pioneiros como o Projeto Poesia na Rua – poemas ou trechos deles em out-doors, espalhados pelas ruas, misturando-se ou destacando-se entre os outros painéis de propaganda; como o Projeto Poesia no Shopping, um varal da poesia atualizado, nos corredores e nas praças dos shopping centers, no caminho do leitor, não mais os cartazes pendurados nos fios, mas banners colocados em biombos ou painéis.
Alternativas, ainda, como o Projeto Poesia na Escola, lançando mão da tecnologia da informática, ao elaborar apresentações em power-point reunindo a poesia de vários autores para que as escolas possam usá-las em sala de aula. Ou como o Projeto Poesia Carimbada, aderindo ao simples uso do carimbo para imprimir poemas em qualquer suporte, em qualquer superfície, a qualquer hora. Ou como o Projeto Som da Poesia, que facilita e pereniza a distribuição da poesia declamada, gravada em CD.
O Portal do grupo, PROSA, POESIA & CIA, desde o início dos anos 90 no ar, democratizou ainda mais os espaços oferecidos, pois os leitores e os escritores de qualquer parte do mundo podem acessá-lo e participar, não só lendo as diversas seções, mas também colaborando com seus textos.
Os projetos existentes vão se adequando às novas tecnologias e novos projetos vão sendo colocados em prática para a divulgação da poesia, pois ela precisa chegar até os leitores sensíveis e românticos, que graças a Deus existem nas nossas cidades.
O mais recente deles, é a publicação das coleções Poesia Viva e Letra Viva, a primeira composta de doze volumes e a segunda, recém lançada, com três volumes iniciais, de integrantes do grupo.

A ILHA E AS FEIRAS DE LIVRO

O advento das feiras do livro, com número crescente a cada ano por todo o estado (e pelo Brasil, também), fez com que um projeto como o Recital de Poemas, por exemplo, fosse repensado para vestir nova roupagem. O projeto ganhou mobilidade em uma das últimas feiras do livro de Florianópolis: os poetas da praça, além de autografar seus livros nas próximas feiras, aproveitarão o espaço e a concentração de público interessado em literatura, para declamar poesia pelos corredores.
E assim, estaremos nos aproximando ainda mais dos leitores, mostrando-lhes que a poesia existe e que ela não é leitura de meia dúzia de intelectuais. Sempre defendemos que precisamos colocar a poesia nos ouvidos, nos olhos e no coração do leitor, seja com o varal, com os out-doors, com declamação, com as publicações, o que for.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

GRUPO LITERÁRIO A ILHA: 30 ANOS DE TRAJETÓRIA


Varal da Poesia nos anos 80 em Joinville


Por Luiz Carlos Amorim - Escritor - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
O Grupo Literário A ILHA comemora mais um aniversário, neste mês de junho de 2010. São trinta anos de atividades em prol da poesia e da literatura catarinense e brasileira, pois nosso campo de atuação não se restringe apenas ao nosso estado.
E comemorar todo esse tempo de trajetória é importante dividir o reconhecimento vindo de meios literários de todos os cantos e leitores de diversos pontos do país e também do exterior. Inúmeros escritores, de vários estados e de outros países, passaram pelas páginas do nosso suplemento literário e não só visitaram como também colaboraram, com seu trabalho, no portal Prosa, Poesia & Cia, mantido pelo grupo desde os anos 90 na Internet – http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ , levando para o mundo todo a literatura catarinense e brasileira. Sem eles, sem os escritores e os leitores, nosso trabalho não teria razão de ser e por isso agradecemos a todos o que construímos juntos até aqui.
E comemoramos estes trinta anos de caminhada com a publicação especial de aniversário do Suplemento Literário, que trouxe, na edição 113, de junho de 2010, vários e importantes escritores catarinenses contando a história do grupo A ILHA e de sua revista.
Estivemos comemorando, também, na Feira Catarinense do Livro, em Florianópolis, em maio, com o lançamento da edição especial de aniversário do Suplemento Literário A ILHA e também o lançamento da Coleção Letra Viva, entregando ao público três volumes de crônicas, de integrantes do grupo: Mary Bastian, Célia Biscaia Veiga e Jurandir. Outros volumes virão.

PEQUENA HISTÓRIA DA TRAJETÓRIA DO GRUPO LIT. A ILHA

Em junho de 1980 o jornal “A ILHA”, de São Francisco do Sul, publicava a primeira edição do seu Suplemento Literário. Devido ao recebimento de textos dos leitores – contos, poemas, crônicas – o jornal decidiu pelo suplemento, já que não havia espaço disponível. Nascia, assim, o Grupo Literário A ILHA.
O jornal acabou, mas o Suplemento Literário A ILHA existe até hoje, TRINTA ANOS depois, com o mesmo propósito de dar espaço aos escritores que queiram lutar pela popularização e valorização da literatura. O Grupo desenvolveu suas atividades em São Francisco por dois anos e em 1982 transferiu sua sede para Joinville, onde participou da vida cultural do norte e nordeste de Santa Catarina até fins de 1999. No ano de 2000, fincou raízes em Florianópolis, voltando a justificar o nome que havia adotado em outra ilha, São Francisco do Sul.

QUASE DUAS DÉCADAS DE ATIVIDADES EM JOINVILLE

Por quase vinte anos, “os poetas da praça” do Grupo Literário A ILHA participaram da vida cultural do norte catarinense, levando a poesia para a rua, para a praça, para a escola, para o shopping, para o banco, para os bares, para os palcos, para todos os lugares. Dizer que participaram talvez seja dizer pouco, pois eles se tornaram tradição e referência poéticas, eles eram parte e, às vezes, o todo da cultura de uma cidade como Joinville, onde tiveram sua sede por dezenove anos.
O grupo foi presença marcante na Feira de Arte de Joinville, parte intrínseca daquele evento, mês após mês, com o Varal da Poesia e o Recital de Poemas, além de levar estes mesmos trabalhos, com regularidade, também às feiras de arte de Jaraguá do Sul e São Bento do Sul, e com menor freqüência a outras cidades do estado.
O Varal da Poesia especial, com dezenas de poemas sobre dança e dançarinos, foi durante quase duas décadas, um evento paralelo integrado ao Festival de Dança de Joinville. Na praça e depois em out-doors, com o Projeto Poesia na Rua, o Grupo Literário A ILHA espalhava poesia pela cidade. Além do Varal da Poesia e do Recital, o grupo realizava outros projetos, como Sanfona Poética e Poesia Carimbada.
Outro evento tradicional do qual o Varal da Poesia já era parte integrante é a Festa das Flores de Joinville. Um varal especial, com cerca de meia centena de poemas sobre flores e sobre Joinville ocupava um stand na grande festa, por anos a fio, cantando a beleza e o perfume de todas as flores, sob o ponto de vista de vários poetas da praça.
A divulgação mais eficiente do trabalho do Grupo Literário A ILHA e a ligação da palavra poesia com o nome da cidade adveio da visitação do varal da poesia por visitantes de vários pontos do país, que vinham para o Festival de Dança e para a Festa das Flores. E a cidade passou a ser também a Cidade da Poesia.
Além disso, com o apoio de comunicadores do rádio, nos anos oitenta e noventa, os poetas do Grupo A ILHA colocaram a poesia no ar, em programas como Show das Dez e Fim de Noite. E mais, os poetas da praça levaram a poesia também aos jornais e à televisão, em colunas assinadas por integrantes do grupo e em programas no canal local, quando de encontros e lançamentos de livros, popularizando um gênero até então maldito, pois não vendia livros.
Hoje, infelizmente, os espaços para a poesia praticamente inexistem no rádio, na televisão e até nos jornais. Os poetas da praça, no entanto, continuam batalhando para manter alguns dos espaços que conquistaram, como a sua revista, o Suplemento Literário A ILHA, que como o grupo, completa trinta anos de existência ultrapassando a barreira das cem edições, como o Varal da Poesia, que evoluiu para o Projeto Poesia no Shopping, e lançando mão do espaço democrático que é a Internet, com um portal literário, PROSA, POESIA & CIA, em http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/ e, ainda, a publicação de livros, através das Edições A ILHA.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

OS PROTESTOS CONTRA A PCH CORUPÁ

Por Luiz Carlos Amorim – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/
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A audiência pública sobre a PCH Corupá, requisito exigido pela Fatma para considerar a reação da comunidade na concessão da licença para construção da usina na Cidade das Cachoeiras, foi realizada, finalmente, no primeiro dia de junho.
A empresa que será responsável pela construção da pequena central hidrelétrica apresentou relatório - encomendado pela interessada na aprovação do negócio? - de impacto ambiental, justificando com os mesmos argumentos a viabilidade do empreendimento: a rota das cachoeiras não será afetada – isso todos nós já sabíamos, porque o rio que vai ser usado é o da Cachoeira Bruaca; a quantidade de água na vazão da Bruaca também não sofrerá mudança – o que não é verdade, porque parte da água daquela cachoeira será desviada para a usina, o que poderá, em épocas de menos chuva, causar o desaparecimento da queda dágua; o lago formado pela represa ocupará apenas o espaço de meio campo de futebol – será?; a devastação na mata, para chegar até o pé da cachoeira, onde serão instaladas as máquinas, não prejudicará nem a flora nem a fauna – ingenuidade ou má fé? Entre outros senões.
Os interessados na construção da PCH minimizam de forma irresponsável os impactos que advirão da construção da usina, que não trará, para o município, benefício nenhum, pelo contrário. A energia será vendida e não há garantia nenhuma que será disponibilizada para a cidade. Uma vez vendida, quem decide o que será feito dela são os novos donos.
Os cidadãos corupaenses se mobilizaram em passeata, indo até o local da audiência, manifestando-se contrários à construção da hidrelétrica em Corupá. Alguns vereadores da cidade deram entrada, na câmara, a um projeto de lei que proíbe a construção de PCH nos rios de Corupá, a exemplo de outros municípios, como Joinville.
O patrimônio de beleza natural da cidade não pode ser menosprezado. A cachoeira mais visível da cidade não pode correr o risco de ser extinta. O retorno, mínimo para a cidade, não vale a destruição da natureza privilegiada. A vocação turística de Corupá, em função de suas dezenas de cachoeiras pode ser muito mais rentável do que um empreendimento que agredirá, com certeza, o meio ambiente.
Um relatório de impactos ambientais independente foi reivindicado pelos munícipes. A Fatma esclareceu que a audiência não é decisiva para a finalização do relatório e concessão ou não da licença ainda pode demorar. O importante foi que a vontade do povo pôde ser sentida.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

PEDIDO DOS ANIMAIS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Recebi, hoje, uma apresentação intitulada “Pedido dos Animais”, que não posso deixar de passar adiante. Numa época em que cada vez mais animais domésticos, como cães, são abandonados porque cresceram, porque ficaram doentes, porque os donos viajaram ou se mudaram, precisamos questionar a na nossa humanidade, nos perguntar porque não somos capazes de retribuir toda a lealdade e carinho que eles nos oferecem.
A apresentação, sem menção do autor, dizia assim:

“Se servimos para aplacar a tua solidão
Se servimos para que te sintas importante quando volta para casa
Se servimos para lamber tuas lágrimas quando estás triste
Se servimos para que não passeies sozinho ao final da tarde
Se servimos para te proteger da violência do teu semelhante
Se servimos para proteger teus filhos quando não estás por perto
Se servimos para que o seu coração não seja o único a bater em sua casa
Se servimos para que te divirtas brincando
Se servimos para alegrar o teu silêncio com nossas vozes
Se servimos para que a tua mão afague um pelo macio
Se servimos para que carregue alimento e trabalho em nossas costas
Se servimos para que seus olhos se encham com a beleza de nossas plumas
Se servimos para chorar a tua morte, quando não tens mais ninguém para chorar por ti

Então... não nos maltrate! Não nos abandone!
Não descontes tua tristeza em nós.
Não te afastes tanto, de forma que não consigamos mais te encontrar!
Respeite nossos sentimentos... Pois todos nós, considerados irracionais, temos sentimento...
Basta olhar bem dentro dos nossos olhos e verás que lá está escrito tudo que aqui foi dito!
Cuide de mim e dos meus filhos, como cuida dos teus. Pois cuido de ti e dos teus filhos como cuido dos meus...
Sejas amigo e te serei eternamente fiel e grato.
E o dia que eu partir...
Chores de saudade e não de arrependimento por ter me maltratado.
Respeite. Conscientize. Cuide.
Quando o homem aprender a respeitar todos os seres da criação, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.”

Que tal? Se eles, os animais, falassem, não diriam isso mesmo? Precisamos atentar para o fato de que os animais são seres vivos, são filhos da natureza como nós, chamados “seres humanos”, “animais racionais”. Se não aprendermos a conviver com eles, como aprenderemos a viver com nossos semelhantes?

terça-feira, 1 de junho de 2010

MEU ENCONTRO COM QUINTANA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Uma grande frustração que tenho é não ter conhecido pessoalmente Mario Quintana, o menino Quintana, meu poeta preferido. Sempre quis ir a Porto Alegre, visitar a Feira do Livro, mas o trabalho e outros compromissos nunca deixaram. E o poeta foi completar o céu com a sua poesia.
Então fico eu cá imaginando meu encontro com o poeta. Eu chegaria ao Majestic ou o encontraria na Rua da Praia, ou ainda na Feira do Livro de Porto Alegre. Eu o cumprimentaria, beijar-lhe-ia a mão e me apresentaria. Dir-lhe-ia que sou um poeta aprendiz, nascido ao pé da Serra do Mar, na Santa e bela Catarina, que aprendeu a amar a poesia com os seus poemas. E então pediria para lhe dar um abraço. Talvez ele até pudesse pensar que eu fosse maluco, mas não somos todos, um pouco? E ele talvez já tivesse conhecido outros malucos assim. Mas acho que me convidaria a sentar e conversaríamos. Eu lhe entregaria um ou outro poema, ele acenderia um cigarro e talvez lesse um dos meus poemas.
Que diria ele? Talvez gostasse, talvez não. Deveria ser comum as pessoas levarem poemas para ele ler e opinar, talvez ele nem gostasse de fazer isso. No entanto, qualquer coisa que ele dissesse seria uma grande lição para um pequeno poeta (isso me lembra que ele disse que não existem pequenos ou grandes poetas: ou se é poeta ou não).
Será que ele reconheceria um poeta em mim? Não sei, mas acho que ele diria alguma coisa, naquela voz mansa e naquele falar quase ligeiro, e o que ele dissesse seria bem vindo.
Eu tentaria, ainda que com receio de aborrecê-lo, fazer uma entrevista, é claro. Far-lhe-ia algumas perguntas, que não direi quais porque na época elas seriam umas, mas hoje já seriam outras. E acho que ele responderia, e eu teria aprendido muito mais então. E eu dividiria as palavras do mestre Quintana, pois certamente publicaria, para que todos pudessem usufruir da sensibilidade e da sabedoria dele.
E voltaria para casa com a alma lavada, feliz por ter conhecido o grande poeta.