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domingo, 7 de junho de 2009

A NOVA SISTEMÁTICA DE ALFABETIZAÇÃO

Por Luiz Carlos Amorim (Escritor – Http://br.geocities.com/prosapoesiaecia )

Dia destes, ao visitar meus sobrinhos, em Jaraguá do Sul, vi um deles fazendo a tarefa de casa. Ele pediu ajuda, pois parecia estar com enorme dificuldade, mas minha irmã me disse que não poderia ajudá-lo, pois isso fora proibido em reunião de pais e mestres.
Então fui ver o que ele estava fazendo. O garoto, de sete anos, estava com um livro de exercícios aberto lá pela página cento e setenta e tanto (ele está no segundo ano do primeiro grau) e tinha à frente dele várias sílabas para juntar e formar palavras.
Perguntei à mãe dele se, além do abc e das vogais ele já tinha aprendido as famílias das sílabas (tipo ba, be, bi, bo, bu). Ela me disse que não, que a sistemática de alfabetização havia mudado e aquela maneira antiga de ensinar a ler e escrever fora abolida.
Então me lembrei que realmente havia acontecido mudanças no sistema de ensino do primeiro grau, há alguns anos. Sabia que a idade de ingresso havia mudado de sete para seis anos, mas não sabia que a receita tradicional para ensinar a ler e escrever, que consistia em, primeiro, fazer a criança conhecer o abc e as vogais e, a partir disso, induzi-la a juntar consoantes e vogais, conhecendo assim as famílias de sílabas, para então começar a juntar as sílabas formando palavras, havia sido deixado de lado.
Segundo professoras com quem conversei, agora as crianças aprendem o abc e depois disso, aprendem a ler e escrever pela repetição, pela vizualização: copiar, copiar, copiar, mesmo não sabendo o que estão escrevendo. São jogadas letras e sílabas e a criança tem que formar palavras, mesmo estando longe de saber ler. O resultado é que as crianças, como bem vi, juntam, de fato, algumas sílabas. Só que elas não sabem o que escreveram e a maioria das sílabas juntadas não formam palavra nenhuma.
Aí fico pensando cá com meus botões: esta foi a mudança implantada no ensino de primeiro grau? Não é à toa que existe criança que já está no terceiro, quarto ano, e não sabe ler nem escrever. Que progresso é esse? Fazemos mudanças para piorar um método que funcionava?
Fiquei sabendo que até há professoras que acham que o novo sistema está dando certo, mas aquelas com quem eu falei me confessaram que o método antigo era muito mais prático e eficiente. Vai ver anteciparam a entrada da criança no primeiro grau para ter mais tempo de tentar fazer a criança aprender meio que no “vire-se”.
Há até professoras que se recusaram a mudar e estão ensinando da maneira tradicional, pois em time que está ganhando não se mexe.
Se fosse uma mudança inteligente, que favorecesse o aprendizado do aluno, tudo bem. Há mudanças que são salutares. Mas estão fazendo justamente o contrário.
Quem é que cuida da educação neste país?

2 comentários:

  1. muito boa sua crônica. vou usa-la no meu trabalho de portugues

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  2. Eu também
    obrigado


    Luiz

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