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sexta-feira, 4 de março de 2011

UMA FLORIPA NÃO TÃO LETRADA ASSIM

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Como disse numa crônica anterior, fiz um expurgo na minha biblioteca para doar um pouco de livros para o projeto Floripa Letrada, que disponibiliza material para leitura em estantes nos terminais de ônibus de Florianópolis.
O Projeto é iniciativa da Secretaria de Educação de Florianópolis e foi muito bem-vindo, pois coloca livros ao alcance do leitor, de forma gratuita, incentivando assim o hábito da leitura.
Pois eu sempre elogiei a ideia, pois reputo da maior importância qualquer iniciativa que promova o acesso à leitura, e quis colaborar. Juntei cento e tantos livros que eu já havia lido, outros meus, outros que eu tinha em duplicata, todos em excelente estado, e liguei para o número que a secretaria divulgou para que quem quiser doar os chame para pegar, se não for apenas um ou dois livros, é claro. No site da Secretaria de Educação da Capital está registrado: Quem quiser fazer doação para o Floripa Letrada, pode entrar em contato pelo telefone 3251-6100. São aceitos livros de romance, conto, poesia, ficção, auto-ajuda, crônica, aventura e biográfico. As revistas podem ser as mais diversas, como as de cultura, ciência, música e variedade.
Só que eu havia ligado nos primeiros dias de fevereiro, e esperei até o começo desta semana sem que ninguém aparecesse, então liguei de volta. A pessoa que me atendeu passou a ligação e depois de um pouco de espera, desligaram o telefone. Liguei de novo, expliquei que já havia ligado e que desligaram na minha cara. Passaram-me para uma pessoa para a qual expliquei toda a história e ela me disse que a secretaria não tinha carro para buscar os livros. Eu respondi que então ia doá-los para outra instituição, no que a interlocutora foi rápida em concordar: pode fazer isso. Então eu fiquei indignado, pois sempre divulguei o projeto Floripa Letrada e queria participar dele, disse que era jornalista e que ia escrever o que ela estava me dizendo. Então a moça chamou outra pessoa, que anotou de novo meu endereço e disse que ia providenciar para que viessem buscar os livros assim que conseguisse um carro para isso.
Ora, a Secretaria da Educação da Capital lança um projeto e se oferece para pegar as doações de colaboradores voluntários e depois, na prática, só anota os endereços e não vai pegar os livros? A secretaria não ter carro para ir pegar uma doação parece piada.
Só sei que hoje, um mês depois de contatar com a secretaria e de eles se comprometerem a pegar os cento e tantos livros, finalmente os estagiários e funcionários do programa foram enviados para recolher a doação. E mesmo assim, vieram porque eu disse que sou jornalista e que iria escrever a respeito. Não faço a menor ideia de quando os outros doadores que contataram com eles vão receber a visita.
Não posso deixar de registrar, aqui, depois desse desabafo, a dedicação da Secretária adjunta da Educação de Florianópolis, dona Sydneia Gaspar de Oliveira, idealizadora do projeto, que faz de tudo para mantê-lo funcionando, indo ela mesma, inclusive, não raro, abastecer as estantes nos terminais. Se dependesse dela, haveria, sim, condução para pegar com rapidez os livros oferecidos em doação.
Esperemos que a cultura do município de Florianópolis, assim como do Estado, sejam cuidadas com mais carinho.

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