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domingo, 30 de setembro de 2012

ALFABETIZAÇÃO AOS OITO ANOS

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor – Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br


Numa época quando se combate tanto a qualidade duvidosa da educação brasileira e quando se comprova isso, com resultados do Ideb e do Enem, com a escola pública cada vez mais abandonada pelo poder público, quando se qualifica pouco e se paga mal os professores, quando constatamos que as mudanças feitas no sistema de ensino fundamental são catastróficas, o MEC – Ministério da Educação, lança o “pacto para alfabetizar aos oito anos”.

Vejo matéria no Estadão de 24 de setembro, anunciando para o mês de outubro o lançamento do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que estabelece que toda criança deve estar alfabetizada no fim do 3º ano do ensino fundamental, ou seja, aos oito anos. E pior, é o que prevê, também o Plano Nacional de Educação, em tramitação no Congresso.

Idade certa? Oito anos? Ora, isso é mais um retrocesso, dos tantos que já tivemos na educação brasileira. Vimos alertando para o fato de que, com as mudanças feitas no ensino fundamental, nos últimos anos, existem muitas crianças da escola pública que chegam ao terceiro ano, às vezes ao quarto, sem saber ler e escrever como deveriam.

Num passado recente, duas ou três gerações atrás, as crianças chegavam ao fim do primeiro ano do primeiro grau já sabendo ler e escrever. Uma geração antes, ainda, quando jardim de infância e pré eram coisas de crianças de famílias ricas, a gente entrava direto no primeiro ano, aos sete anos, e no final daquele ano saía lendo e escrevendo.

Mesmo levando em conta que acrescentaram o pré-escola ao primeiro grau, aumentando o ensino fundamental de oito para nove anos, temos que considerar que a idade de alfabetização não mudou, pois as crianças estão começando também um ano mais cedo. Então o segundo ano do primeiro grau corresponde ao primeiro ano antes da mudança, mas continua sendo o ano da alfabetização e continua sendo aos 7 anos de idade.

Então porque agora o governo que retardar em um ano esse aprendizado? Para mascarar a má qualidade do ensino público, para continuar desprezando e relegando ao léu a educação brasileira? Estão legalizando a falência da educação.

É por essa má qualidade do ensino fundamental e do ensino médio que os estudantes chegam mal preparados para as universidades, nas quais acabam se formando maus profissionais, pois a bola de neve acaba atingindo também o ensino superior.

O que precisamos é que o governo brasileiro, através do Ministério da Educação, cuide com mais atenção da educação brasileira, faça modificações no ensino para melhorá-lo e não para piorá-lo, como bem prova esse “pacto” para retardar a alfabetização de nossas crianças e invista mais, muito mais, para que nossos professores sejam melhor qualificados, nossas escolas melhor equipadas e para que os profissionais da educação sejam dignamente remunerados. Existem Estados brasileiros, vários, ainda hoje, que não cumprem a lei que determina o pagamento do piso mínimo para os professores. Como querer um bom desempenho de quem não é bem pago?

3 comentários:

  1. Como sempre, o que nós professores pensamos a respeito do assunto, não faz diferença para o poder público. O Governo continua fazendo "o que lhe dá na telha" pois, ao final, sempre nos culpam pelos seus erros (recorrentes). Nós sabemos que o "Ler e Escrever" não funciona! Somos forçados a considerar alfabéticas crianças que só reconhecem letras bastão(antiga letra de fôrma). Para eles, o que importa é que não haja reprovação e que os índices fiquem lindos no papel. Na prática, muitas crianças só sabem parlendas e cantigas decoradas mas não conseguem escrever o nome completo, o nome dos pais, seu endereço, e por aí vai... Nós também não podemos mais (a exemplo da tabuada) ensinar tempos verbais, artigo, pronome, e muito menos a boa e velha análise sintática. O que esperar das crianças quando forem adolescentes e estiverem no ensino médio ou tentando entrar em uma faculdade? O que vemos hoje é claro! Quanto ao salário, não temos mais o que comentar.

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  2. A coisa é ainda pior do que a gente pensa. Sua denúncia é grave e sei que não é vazia. É a palavra de quem está lá, na sala de aula, vivendo o dia a dia da educação. Alguma coisa precisa ser feita.
    Abraço do Amorim

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  3. Oi, Luiz Carlos Amorim. Será que você lerá esse comentário? Será que entendeu a proposta do Pacto? Gostaria muito que jornalistas como você compreendessem que o Pacto é para que TODOS os alunos cheguem PLENAMENTE alfabetizados aos 8 anos de idade, isso não acontece hoje, nem acontecia antigamente, então não é um retrocesso, é algo que deve acontecer. As pesquisas mostram que antigamente as crianças liam e escreviam ao final do 1º ano textos sem relação com contexto social e não produziam textos ao final desse ano, haviam muitas exclusões, a escola não era para todos, é só pesquisar a história da educação no Brasil. O pior não é isso, o pior é que o Pacto foi instituído e até agora não recebemos nada, nenhum material, nenhuma bolsa, nenhum repasse de verba. Os governos estão brigando entre si para saber quem vai ficar com a fatia do bolo e nós, professores alfabetizadores, no meio do olho desse furacão.

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